Projeto Conjuração 3 – Segundo Dia

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PROJETO CONJURAO 3 – SEGUNDO DIA
data: 20/09/2003 (Sábado) – local: Dokas
com Subway, Overdose Homeopática, Sinekuanom, Kronnun, Black Hand, Escravos de Jó, Sapienz, Amálgama, Bloco da Rua da Amargura, Psycho Clown, Ancestral e Antraz
Resenha por Hugo Montarroyos – Fotos por Bruno Negaum

Excesso de Bandas e Escassez de Público
em 20/09/2003 por Hugo Montarroyos

Dessa vez vou direto ao assunto. Chegamos atrasados no Dokas e perdemos o show de abertura do Subway. Tudo bem. Este pequeno deslize será compensado na cobertura do PANOROCK, na próxima sexta-feira, na Concha Acústica da UFPE, já que a banda é uma das oito atrações do festival.

Bem, quando entramos no recinto, o Overdose Homeopática (sim, o nome é esse mesmo!) estava passando o som. Todos os integrantes têm apenas 16 anos, e fazem um som pesado, na linha “hardcore alternativo”. O vocalista Nílson sabe dosar os momentos em que deve cantar com voz limpa com a hora de berrar. O moleque tem talento. Momento ternura. Os pais dos garotos, na primeira fila, tiravam fotos dos rebentos em cima do palco. Legal saber que, ao contrário do que acontecia no meu tempo, hoje a família dá apoio e suporte à molecada que decide montar uma banda. Foi um bom show.

Juro que tentei ver a apresentação do Sinekuanom com bons olhos. Tentei ser tolerante e tal, mas não teve jeito. Consegui até detectar o problema. O “x” da questão (como dizem os matemáticos) é o vocalista que, definitivamente, não nasceu para o ofício. O cara quer ser versátil e o resultado é desastroso. Desafina quanto canta, irrita quanto tenta a sorte nos agudos e só convence mesmo quando grita. Se ele se limitasse a gritar, não teria problemas. A banda também sofre de falta de identidade. Não sabe que direção tomar. Oscila entre o nu-metal, o metal tradicional e outros ritmos (mal) misturados. Acho que ganhei novos inimigos depois dessa…

Já o Kronnun fez um tremendo show. A platéia, que de início parecia reagir com indiferença à apresentação dos metaleiros, rendeu-se de vez no momento em que a banda tocou um cover do Pentera. no mais, tocaram a pior versão que já escutei na vida para “Territory”, do Sepultura, e se redimiram depois com um excelente cover de “Troops of Doom”, também do Sepultura.

Depois foi a vez do Black Hand fazer seu primeiro show. Bem, como você deve saber, a primeira vez é difícil para todo mundo. Tem o lance da camisinha, o garoto fica meio sem saber o que fazer e a garota, na maioria das vezes, fica com medo e insegura. Não foi diferente com o Black Hand, que até começou bem, com as músicas “Um Punk Solitário” e “Sem Se Amar”. Em compensação (desculpa aí, Bruno) “Debaixo do Sol” é a pior canção que ouvi nos últimos tempos. Mas o grupo também teve bons momentos. O guitarrista Pykenu (que faz justiça ao apelido) tem só 14 anos, e sá a sua presença no palco já é um show à parte. Outra cena legal foi quando o vocalista Bruno literalmente teve que ler a letra de “Decepção” enquanto cantava. Atitude bem punk. Fecharam bem com “Recomeçar”. Na verdade, a situação é a seguinte… caso tivesse 15 anos, teria adorado o show do Black Hand. Como tenho 28, achei bacana e engraçado.

Escravos de Jó repetiu a excelente performance do último show no Há Gosto pro Rock. A banda impressiona pela presença de palco e pelo peso das músicas. Em poucas palavras, foi bom pra cacete. no final, tocaram “No Hope, no Fear”, do Soulfly. Aliás, fica aqui a sugestão. Deveriam erguer logo uma estátua de Max Cavalera na entrada do Dokas.

Agora é que vou me dar mal mesmo. O Sapienz, me perdoem a sinceridade, deu sono. Tecnicamente, foi um show sem falhas. O problema é que (vou utilizar uma metáfora bem rasteira) o grupo é como aquele aluno CDF que tira 10 em todas as matérias, mas que é um verdadeiro pé no saco. Quando tentava soar pesado, a banda até que empolgava. Mas quando abusava das partes lentas e “trabalhadas”, meu irmão, era preciso paciência de Jó para aturar. “Coincidentemente”, o som, que estava mais ou menos para todo mundo, ficou

limpo e cristalino durante toda a apresentação do Sapienz. Porém, teve uma bola dentro. A boa “Epic”, que contém “sustância” e serviu para o despertar do meu estado sonífero. Ah, se todas fossem iguais você, “Epic”… O público gostou bastante. Como é bom ter muitos amigos…

Bicho, não curto rock progressivo, nunca comprarei um CD do Rush, mas, devo admitir, não tenho como falar mal do Amálgama. Muito pelo contrário. Se sua praia é o progressivo, o Amálgama é seu verão. Aproveite e boas férias! Excelentes músicos que fazem músicas para… músicos. Boa parte da platéia viu o show sentada, numa concentração impressionante. Vou parar por aqui antes que mude de idéia.

Bloco da Rua da Amargura. Anotem esse nome. Foi a melhor apresentação de todo o festival. Oito integrantes, uma guitarra punk, tambores de maracatu, atitude política e, como resumiu o vocalista Dado Miranda “acreditamos que é possível ouvir Chico Buarque e Sepultura e ser feliz.” Só para polemizar (embora seja sincero) achei o grupo muito melhor do que o Cordel do Fogo Encantado (a banda mais superestimada de Pernambuco). As covers de “Toda Casa tem um Pouco de África”, do Sheik Tosado, e de “Sangue de Barro”, de Chico Science, foram de arrepiar. Fora o repertório próprio, que é simplesmente contagiante. O Bloco passeia com desenvoltura pelo regional e o universal, rompendo fronteiras com uma categoria rara. Nota 10. Valeu todo o esforço empreendido na maratona que foi cobrir o festival.

Psycho Clown, grande revelação do último PE no Rock, começou muito bem. Mas, de uma hora para outra, sem nenhuma explicação, decidiram avacalhar o show. Um dos guitarristas teve problemas com a guitarra e resolveu abandonar o palco durante a apresentação da banda. Parecia mais brincadeira de karaokê. Sem comentários.

Fique com pena do Ancestral, que, aliás, nem existe mais, pois escolheu uma péssima ocasião para encerrar a carreira. O grupo faz um punk melódico correto, com destaque para o ótimo vocalista Cego (é só apelido, o cara enxerga perfeitamente). Destaque maior foi para o público interessado na banda, que se resumiu à duas garotas, sentadas no meio do nada. Não à toa, eram namoradas de dois dos integrantes do grupo.

O Antraz, boa banda punk do Janga, subiu ao palco depois das quatro da manhã. E teve até um bom público, se levarmos em conta o horário da apresentação. Só que, tudo tem limite. Depois de tamanha maratona de cobertura, cansamos, pedimos penico, jogamos a tolha e encerramos nossas atividades com a sensação de dever cumprido. Guilherme, meu chapa, que essa tenha sido a última roubada, por favor… hehe.

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Links:
» Overdose Homeopática no RecifeRock

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Posted sábado, setembro 20th, 2003 under Coberturas.

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