3° Panorock

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3 PANOROCK
data: 26/09/2003 (Sexta) – local: Concha Acústica UFPE
com Ópio, Subway, Serpente Negra, Psycho Clown, Porão GB, Matalanamão, Astronautas, Parafusa e Faces do Subúrbio
Resenha por Juliana Moreira / Hugo Montarroyos – Fotos por Bruno Negaum e Guilherme Moura

PANOROCK mostra pontos fortes e fracos da nova geração
em 26/09/2003 por Juliana Moreira / Hugo Montarroyos

PANOROCK mostra pontos fortes e fracos da nova geração

Festival provou ser possível para um colégio realizar bom evento de rock.

Apesar de já trabalhar com jornalismo cultural há pelo menos um ano, fiquei contente e ao mesmo tempo apreensiva ao receber o convite para escrever no Recife Rock. Isto porque este site traz consigo uma proposta relativamente nova para a cena musical recifense. Bandas que normalmente não têm espaço na grande mídia ou apenas se restringem a algumas páginas pessoais, aqui estão podendo mostrar seu trabalho e ainda serem avaliados (bem ou mal para alguns) por seus feitos.

Bem, para minha primeira batalha, fui convocada a me apresentar às 20h na Concha Acústica da UFPE, onde estaria rolando um festival patrocinado por um colégio (Como no Recife não existem tantas iniciativas (legais) como essa, ao ser sumariamente convocada, topei no ato). Ao chegar no Campus me deparo com uma fila enorme de carros estacionados próximo aos canteiros e dentro deles. Penso: Será que subestimei o festival? Todos esses carros vão pra lá? Juro a vocês que cheguei a me assustar. Contornei o canteiro central e percebi que muitas das pessoas que saiam dos carros iam para alguma coisa no Teatro, nada de tão grave, já que do lado de fora da concha havia uma galera tipicamente vestida e preparada para assistir a maratona de shows (tinha pai, mãe, filhos, um ambiente bem família e tranqüilo).

Como cheguei alguns minutos atrasada, a primeira banda já estava no palco: Ópio, que está ralando há pelo menos um ano. Os que me conhecem sabem: agradar Juliana não é tão fácil assim, sou super-ultra-mega-exigente e, diga-se de antemão, chata. Peço desculpas a galera do Ópio, mas até onde ouvi (que não foi muito) não gostei do som de vocês. Logo quando cheguei soube logo que a banda havia cantado System of a Down, um ponto a menos. Ao me sentar, eles anunciaram outra do System. A galera vibrou, menos eu e alguns companheiros que não agüentam mais essa história de, em todos os show, as bandas tocarem música desses caras. Menos dois pontos (já somam três!). Apesar disso, também foram três as coisas que ajudaram os rapazes a recuperarem os pontos perdidos: o talento do batera, Milton Freitas, que, aliás, estuda no Colégio Panorama; o primor do baixista Daniel Santos; e a participação de Whalter (se pronuncia Ualter), um garotinho de cinco anos que demonstrou ser um conhecedor do air guitar.

Em seguida, foi a vez dos rapazes da Subway mostrarem seu trabalho. Não sei se era coreografia, mas fiquei curiosa pra saber se a posição que eles tocam (curvado com os instrumentos quase tocando no chão) é normal ou foi especialmente preparada para tal ocasião. Enfim, a banda entra no meu conceito de “legalzinha”. Nem tanto nem tão pouco. Só um detalhe, Jorge poderia dar uma melhorada no vocal. Várias vezes deixou meus ouvidos pedindo penico. Em uma das músicas, uma roda de pogo, com oito pessoas, se formou, mas rapidamente se desfez. Os caras que já têm três anos de estrada e um CD demo gravado (Momento Certo) ficaram de parabéns ao executar (de verdade) “Pobre Menina” (Pobre menina… não tem ninguém…) em estilo punk rock. Ficou excelente.Ganharam minha simpatia. Porém, o que me irrita são as bandas, em geral, que, depois das distorções implementadas pelo Nirvana em suas músicas, tentarem fazer o mesmo sem ter a total segurança para o que se habilitam. Para se ter uma idéia, numa das últimas músicas da Subway a introdução foi toda de (más) distorções. Ficou parecendo um monte de instrumentos desafinados.

Tenho receio em acreditar no som de bandas que me trazem aos ouvidos com muita expectativa. com a Psycho Clown não foi diferente. Digo logo: não gosto de vocal gutural, me irrita profundamente. Apesar disso, dou a mão a palmatória, os caras são bons mesmo. Eles se denominam new-metal, nu-metal, dummetal, essas coisas das quais detesto. Porém, a banda não chega nem perto de denominações, ao meu ver tão pejorativas.

Os meninos têm presença de palco, os músicos são de primeira linha, têm carisma com o público, o som é contagiante e consistente. Por mais que eu não goste do vocal (nada contra bandas nesse estilo) ele se encaixa perfeitamente com o barulho que sai dos instrumentos. O som deles, como diria um amigo meu, é inclassificável.

A apresentação deles foi forte o bastante para uma galera se aglomerar em frente ao palco, uma roda de pogo gigante se formar e permanecer durante todo o show. Um dos pontos altos foi a cover que fizeram para “Speed”, do Atari Teenage Riot, nem mesmo a fina chuva que caiu desanimou o público.

Parece que, visando algo no futuro, a Psycho Clown investe no inglês, até porque para esse tipo de música, cantar em português tem que ter talento, e muito. no meio do show, Whalter (é, ele mesmo, o garotinho de cinco anos) subiu ao palco, para delírio da galera.

Depois foi a vez do Serpente Negra que já ralam há dez anos no circuitão. com o vocal de Júnior “Chapa” e acompanhamentos na percussão do balé afro Magê Molê , a turma entende bem o que faz e e sabe como aproveitar o espaço do palco. A forte presença da percussão chegou a animar uma parte dos presentes (que a essa hora já estava em bom número). Durante a apresentação da moçada, aproveitei para fazer um lanchinho (ninguém é de ferro) mas voltei há tempo de curtir ainda a cover de “Papagaio do Futuro”, de Alceu Valença. Entre outras, eles tocaram ainda uma do Devotos, como “Chapa” gosta de falar: “Sempre colocamos a Devotos no nosso repertório pois admiramos os caras pela trajetória deles”.

Em seguida o Porão GB entrou com seu punk melódico cuja animação só pôde ser vista após tocarem o hit “Juventude Perdida”. Assim sendo, os fãs (inclusive o Bruno Negaum) se posicionaram nas escadas em frente ao palco para acompanhar música a música. Mesmo os rapazes pedindo para os admiradores se conterem, um mal entendido rolou no palco. Depois de um dos microfones cair no chão, os técnicos, sem aviso algum, desligaram os aparelhos como sinal de punição. Os integrantes da banda ameaçaram sair do palco e uma mini-confusão se gerou. Cinco minutos depois estava tudo resolvido e os rapazes finalmente conseguiram completar o show.

O show do Matalanamão não precisa de comentários. A banda já é conhecida pelo público roqueiro e tem seu nome consolidado nas rodas mais respeitadas da cidade. com carisma, Adilson Ronrona conduziu o show com primazia. no set list havia pelo menos 18 músicas a serem executadas em 30 minutos: lenda. Os caras não conseguiram tocar tudo isso, mas esse episódio não deixou o show sem o brilho de sempre. “Glória Glória Aleluia”, “Mim Daí” e “Peitinhos” – aos que não sabem ou não lembram, o clipe dessa música foi censurado na MTV – agitaram mais ainda o público que já estava totalmente aceso. Nem o grupo de apoio conteve o despautério dos fãs que invadiram o palco. Aliás, Whalter também deu um show a parte. Ronrona terminou o show como queria: rodeado de mulheres e abraçado por elas.

Confesso que ao ouvir o som dos Astronautas em CD e vê-los no Jornal Hoje não me chamou atenção. Não sei o porquê. Aliás, até sei: as letras das músicas não me emocionam, não mexem comigo, princípio primordial para mim. Até esta data também não tinha assistido a nenhum show deles (vai ver por causa dos motivos citados ou até mesmo oportunidade, leia-se tempo). Quebrei a cara.

As letras continuam no patamar que as coloquei, mas ao vivo eles soam muito melhor do que no CD (não esperava por isso). Musicalmente não posso falar nada, os rapazes são bons músicos e isso me chamou atenção. Outro detalhe, eles apresentam um show bastante conceitual e passam a idéia de um grupo bastante coeso.

Para quem nunca teve a chance de ver um show dos Astronautas, não sabe a superprodução que está perdendo. Os caras entram de macacão (tipo espacial), com máscaras de gás e ainda trazem para o público, através do telão, todo o conceito espacial com o qual trabalham. André Frank, Artur Carioca, Dudu (que aliás, é um gatinho) e Djalma iniciam com uma introdução de acordes trabalhados e descambam para um rock’n roll de primeira linha. Após de entoarem “Psicodelia Cotidiana”, “Ultravioleta” e algumas outras, Ajax (vocalista dos Cachorros) deu uma “senhora palhinha” em duas músicas: “No Mesmo Lugar” e “Blitzkrieg Bop” (do clássico refrão dos Ramones “Hey! Ho! Let’s Go!”), formando a maior roda de pogo do festival.

Para encerrar, a banda tocou “Orbital” e, seguindo a mesma ritual da entrada, se mascararam e mandaram uma série de distorções e ruídos (para, ao meu ver, dar uma idéia de partida de um foguete). Minha maior expectativa estava na cover do Queens Of The Stone Age que não veio, enfim, fica para uma próxima vez.

Eis que Juliana teve que se ausentar e sobrou para o insuportável Hugo Montarroyos (vulgo “eu”) terminar os trabalhos da noite. E que “trabalho!”. de cara, tive de encarar o Parafusa. Não conhecia, mas não hesito em dizer… é uma das bandas mais bacanas de Pernambuco. O motivo ? Simples! Não existe nada aqui parecido com eles. Seria fácil rotulá-los como Los Hermanos do Recife, mas eles são muito mais do que isso. Influenciados por Mutantes, Beatles e com pitadas de Jazz, frevo, o grupo soou como o estranho no ninho do festival. Mas a banda foi aplaudida, não houve protestos por parte do público, que aproveitou a apresentação da banda para descansar ou dançar de forma debochada. Os teclados dão um charme especial ao som dos caras, que não têm vergonha de cantar letras no estilo “conhecer alguém que lhe cante outra canção que a faça a vida melhorar”. Maravilhoso. Aliás, o baixista Tiago me explicou depois do som o porquê da combustão sonora do grupo. “Fazemos questão de escutar de tudo”. Fantástico.

Depois foi a vez do Faces do Subúrbio começar seu show. Gosto muito do trabalho de conscientização social que eles fazem. Além disso, ao vivo, a banda vem crescendo a cada dia. de imediato percebi que algumas pessoas estavam na Concha apenas para vê-los. E a apresentação foi muito boa. Na primeira parte, eles utilizam baixo, guitarra e bateria. Depois, fica 100% hip hop, só com DJs e as rimas (muito boas) de Zé Brown e Tiger. Rolou uma boato que Marcelo D2 apareceria para dar uma canja com o Faces. Não rolou, pois o cara só chegou no Recife no dia seguinte. Mas, quer saber ? Não fez a menor falta.

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Posted sexta-feira, setembro 26th, 2003 under Coberturas.

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