Festival de Verão do Recife (Segundo Dia)

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FESTIVAL DE VER�O DO RECIFE (SEGUNDO DIA)
data: 31/01/2004 (Sábado) – local: Chevrolet Hall
com Rita Lee, Engenheiros do Hawaii, Kid Abelha, Cordel do Fogo Encantado, Charlie Brown Jr, Natiruts, Detonautas, Mundo Livre S/A e Almir Rouche
Resenha por RecifeRock.com.br – Fotos por Bruno Negaum

Bate papo sobre o segundo dia do festival
em 31/01/2004 por RecifeRock.com.br SEGUNDO DIA DO FESTIVAL DE VERÃO
“Chover! Chover!” ou “Lágrimas e Chuva”

Bate papo sobre o segundo dia do festival
BATE PAPO – FESTIVAL DE VERÃO #2

EXPECTATIVAS
«Hugo» Eu tava pessimista
«Bruno» Eu queria ver Charlie Brown e Cordel
«Guilherme» Eu tava no casamento usando terno e gravata…

RITA LEE
«Bruno» Eu gostei, achei massa, mas a chuva espantou…
«Guilherme» no casamento não choveu… era coberto…
«Hugo» Foi o show da vida dela, se duvidar…
«Bruno» Caramba!
«Hugo» Ela tava muito emocionada… foi show de quem sabe do que tava fazendo…
«Hugo» foi perfeito… misturou o rock e as baladas… pra mim foi a surpresa do festival…
«Guilherme» Tem mais alguma coisa ?
«Hugo» Tem! O cover do Ramones.. eu não imaginei nunca, nem pensei que ficaria bom…
«Bruno» E ela tava vestida de ‘Joey Ramone’! rock!

ENGENHEIROS DO HAWAII
«Bruno» Eu tava na tenda eletrônica… Cecília Bradley…
«Hugo» Engenheiros foi muito bom… o cara tem a manha…
«Guilherme» Eu cheguei no meio do show (já de bermuda!), o pessoal tava muito empolgado… desde dos guris até a geração anos 80.
«Hugo» “Toda forma de Poder” e “Infinita Highway” foram históricas pra mim…

KID ABELHA
«Hugo» Eu não consegui ver… preso no congestionamento do camarote…
«Guilherme» Paula Toller tava linda e com o publico na mão… mas essa historia de Acústico MTV já encheu o saco…
«Bruno» Hit atrás de hit… ganhou o público…
«Guilherme» Quem tava sozinho dormiu na primeira parte do show… depois que eles levantaram melhorou… ah… nem choveu em ‘Lágrimas e Chuva’ e ‘Na Rua, na chuva e na fazendo’…
«Bruno» ‘Nada Sei’ agitou um bocado…

CORDEL DO FOGO ENCANTADO
«Hugo» EU ESTAVA NO PALCO… EU ESTAVA NO PALCO…
«O Resto» Nós vimos… :)
«Bruno» Eu não estava no palco, mas… virei fã… foi a surpresa do festival…
«Guilherme» Me impressionei um bocado, não esperava que fosse tão bom quanto os shows deles nos RecBeat… o público na frente do palco estava enlouquecido.. cantando tudo…
«Hugo» Eles são completos… sem falar na química que rola na platéia… Calaram minha boca…

CHARLIE BROWN JR
«Bruno» Como eu esperava… Charlie Brown tinha o publico nas mãos…
«Guilherme» Já tinha muita gente na frente do palco, antes mesmo do fim do show de Cordel… muito guri de 14-15 anos… gritando “Chorão! Chorão!”
«Hugo» Dei sorte, tava entrevistando Lirinha… Eu fico muito preocupado com o sucesso de Charlie Brown Jr…
«Bruno» Eu gosto de CBJr
«Guilherme» Eu queria ter do que falar mal… mas não deu. O Chorão tem o mesmo QI dos fãs dele, e fala mesma língua… os caras são muito acessíveis e tem um carisma absurdooooooo… Foi o único show que teve roda de pogo direto…
«Bruno» E ainda teve a chuva de sapato…
«Guilherme» Putz… estávamos no fosso quando Chorão pediu pra galera jogar os sapatos no palco… e o pessoal jogou… terror!
«Bruno» Um sapato caiu na minha cabeça… sorte que meu black power amorteceu…
«Hugo» Lavou direito ?
«Todos» ?????????????????
«Guilherme» Incrível a interação dos caras com o público… Champignon ‘chegou batendo’ na mão de Bruno…
«Hugo» Lavou direito ?
«Todos» Hehehehhehehehhehehheheh

NATIRUTS
«Bruno» Foi legal… acalmou a galera depois de Charlie Brown Jr…
«Guilherme» Já tinha gente esperando o show na frente do palco… não esperava isso…
«Hugo» Eu não esperava nada… descobri que eles tem público aqui…
«Bruno» Gostei do cabelo do cara (Alexandre)…
«Guilherme» Luciana que está no lugar de Isabela é linda… ótima presença de palco… e a iluminação tava foda!
«Hugo» Ela canta ?
«Guilherme» e precisa ?
«Hugo» Mas eles são inofensivos…

DETONAUTAS
«Hugo» Boa banda de cover…
«Guilherme» Show errado na hora errada, logo de depois de Charlie Brown Jr… e eles ainda precisam tocar muito… gostei do baixista, toca legal…
«Bruno» Gostei do pessoal com o nome ‘CLEEEESTON’
«Guilherme» 1000% MTV!!!
«Bruno» não é só MTV… Malhação também…
«Hugo» sub-produto do Charlie Brown…

MUNDO LIVRE S/A
«Hugo» Eles crescem muito em festival…
«Guilherme» Eu não gostei do começo do setlist… tinha que agitar no começo, tava todo mundo cansado… dia amanhecendo…
«Hugo» E pouca gente… Foi o dia do antagonismo, a banda mais burra do Brasil e a mais inteligente no mesmo dia…
«O Resto» [ Silêncio ]
«Bruno» Surpresa foi a história do Prêmio RecifeRock…
«Hugo» Eu fiquei emocionado!
«Guilherme» Eu esperei o show todo para filmar ‘Xicão Xucuru’… Vocês precisavam ver minha cara quando ele falou que a música estava concorrendo ao prêmio RecifeRock
«Todos» rock!

ALMIR ROUCHE
«Bruno» Pelo menos ele não subiu no palco de shortinho…
«Guilherme» Ouvi uns covers de Chico Science… e fui embora…
«Bruno» Rolou Legião também…
«Hugo» Não entendi até agora a escalação dele…
«Guilherme» Recife é festa… RECIFOLIA!!!

O FESTIVAL DE VERÃO POR BRUNO NEGAUM:

Noite de surpresas no Festival de Verão

Rita Lee, Cordel e Charlie Brown foram os destaques

No segundo dia de festival tudo foi mais fácil. Todo mundo tava tranqüilo, tive acesso ao fosso pra tirar as fotos e fazer vídeos dos shows, que pra mim estão dando de dez nas do primeiro dia.

Rita Lee foi a primeira a se apresentar, o único problema do seu show foi a chuva porque o resto foi perfeito. Setlist muito bom, público agitando. Até a Rita se emocionou!
Um dos momentos mais legais do show foi Rita vestida de Joey Ramone e Beto Lee cantando ‘I Wanna Be Sedated’ dos Ramones. Só faltou uma roda de pogo!

Eu nem vi direito o show dos Engenheiros do Hawaii, eu estava na Tenda Eletrônica sacando a apresentação da Cecília Bradley, cheguei no show nas últimas músicas, tirei umas fotos e fui ver se tava tudo certo com o resto da equipe (Hugo e Guilherme).

Kid Abelha ganhou o público de primeira. Seu show acústico só tem os seus maiores hits, então todo mundo cantou todas as músicas. Os integrantes da banda estavam muito felizes, com direito a sorrisão no rosto e tudo!

Cordel do Fogo Encantado, o show-surpresa. Show-surpresa porque foi ótimo. Eu já tinha ouvido duas ou três músicas na rádio, mas não acreditava que ao vivo o show rolava tão bem. Fiquei impressionado!

Achei o som um pouco complicado, então preciso ouvir os cds deles urgentemente. O auge do show, pra mim, foi quando rolou ‘Chover’. Público enlouquecido acompanhando Lirinha, eu até fiquei arrepiado. Lirinha pulava de um lado pro outro do palco. E pra terminar, fecharam com ‘Na Veia’. Show perfeito.

Aproveitando a instiga do público, Charlie Brown Jr já entrou no palco tocando ‘Vícios e Virtudes’, single do seu cd ‘Acústico MTV’. A maioria das pessoas que estavam lá foram pra ver o Charliw Brown, porque a quantidade de gente que tinha esperando o show começar era inacreditável. Todos gritavam ‘Charlie Brown! Charlie Brown!’.

Chorão estava totalmente instigado. Foi pra cimas das caixas de som, no lado direito do palco, e mandou uns ‘beat box’ com Champignon, depois andou de skate e até tentou umas manobras na frente do palco.

Em ‘Não Uso Sapato’, Chorão pediu pro público jogar seus sapatos em cima do palco, rolou uma ‘enxurada de sapatos’ no fosso, um bateu de raspão na minha cabeça e tudo! Nada que um black power amorteça!

A banda ainda mandou ‘Samba Makossa’ (Chico Science) e Chorão falou que as pessoas precisam saber da importância que ‘Chico’ tem na música brasileira.

Charlie Brown Jr está de parabéns, fez um show muito agitado, o mais empolgado do festival!

Natiruts mandou o seu som logo em seguida, pra acalmar os nervos da galera. A banda mandou super bem, soube fazer um setlist legal. A backing vocal Isabela não pôde vir porque está cuidado da sua filhinha recém-nascida, Gabriela, e foi subtituída pela backing vocal da Mystical Roots, a Juliana.

Ainda rolou um bis no show deles, com umas cinco covers.

O show dos Detonautas foi legal também, eu não gosto muito da banda, mas vi que os caras são esforçados e tem um carisma. O público só agitava com as covers e os hits da banda, poucas pessoas conheciam todo o repertório deles. O som deu uma embolada no final, mas o público gostou.

Mundo Livre S/A começou a tocar com o sol nascendo, não prestei muita atenção ao show porque estava muito cansado, mas não esqueço de quando Zeroquatro falou que a música ‘O Outro Mundo de Xicão Xucuru’ estava concorrendo à Melhor Música no Prêmio Recife Rock 2003. Muito massa!

Almir Rouche começou a tocar e eu estava indo embora, e além disso a pilha da máquina tinha acabado fazia tempo.

O festival foi muito legal, mas acho que no próximo ano ele deve começar um pouco mais cedo, foi muito cansativo pra todo mundo.

O FESTIVAL DE VERÃO POR HUGO MONTARROYOS:

Rita Lee e Cordel do Fogo Encantado “queimam” a língua de repórter

Ou o dia em que invadi o palco do Cordel

Às vezes é muito bom errar na vida e, acima de tudo aprender com os erros que cometemos. O segundo dia do Festival de Verão fez com que eu fizesse um exame de consciência e corrigisse algumas injustiças que cometi em minha ainda curta carreira. Sobretudo, serviu para que vivenciasse aquela que talvez tenha sido a maior experiência da minha vida e, no final, ganhei (ganhamos, aliás) a recompensa, em forma de troféu não palpável. Vocês entenderão ao final desta resenha.

Queimei a língua ontem por diversas vezes. Primeiro porque os shows não atrasaram; depois pela qualidade de alguns shows, que numa primeira impressão pareciam de gosto bem duvidoso e, finalmente, pela facilidade com que conseguimos executar nosso trabalho.

Fico aliviado também em saber que minha opinião não será a única do site, uma vez que fica humanamente impossível dar conta de todos os detalhes de um evento deste porte, cobrir com a mesma eficiência todos os shows. Afinal, perdi muita coisa que meus companheiros viram, e tive acesso a outras tantas que eles não tiveram. Enfim, um trabalho de equipe em que a nossa maior preocupação, além da qualidade do produto final, é não oferecer uma visão única do fato, mas antes de tudo ampliar os olhares e abrir as fronteiras de um momento que, particularmente, foi muito significativo e gratificante para mim.

Assim sendo, vamos a primeira boa surpresa da noite. O primeiro show, de Rita Lee, começou pontualmente às 21h39, atraso perfeitamente justificável, mínimo em relação ao dia anterior e irrelevante em comparação com a performance de Rita Lee, que estava em perfeita sintonia com a platéia, escolheu um set list perfeito e, para meu espanto, fez um show impecável. Impressionante a forma como o público a recebeu de braços abertos, cantando as músicas em coro, batendo palmas, gritando o nome de Rita que, visivelmente emocionada, desabafou: “Vocês não sabem como é gratificante para um artista esse carinho”. Atitude justificada do público, afinal, o show foi aberto com “Jardins da Babilônia”, seguida de “Esse tal de Rock N’Roll” e “Amor e Sexo”, aquela da novela. Pronto! Tia Doida conquistou o público logo de cara. Depois veio a maravilhosa “Top Top”, talvez a melhor música dos Mutantes, “On The Rocks”, “Tudo Vira Bosta” (de Moacyr Franco!) e “Doce Vampiro”. Mas a grande sacada da noite foi o cover de “I Wanna be Sedated”, dos Ramones. Nem precisava, mas depois disso ainda teve “Ando Jururu” e “Ovelha Negra”. Nota 10. Uma banda em forma capitaneada por Roberto de Carvalho, pegada rock em todas as canções, tudo o que eu não esperava deste show. Como é bom queimar a língua em determinadas situações. Ah, o som do palco Recife também colaborou. Estava cristalino.

Depois foi a vez dos discípulos de Gessinger. Em show messiânico, o Engenheiros talvez tenha hoje o público mais fiel do País, já que não tem mais a concorrência da Legião Urbana. Humberto dividiu seu tempo entre o baixo, a guitarra e os teclados. E tome mãozinhas levantadas em “Eu que não Amo Você” e “Refrão de Bolero”. Usando óculos escuros iguais ao de Geddy Lee, do Rush, Gessinger deu aos fãs o que eles queriam; “O Papa é Pop”, “A Promessa”, “Alívio Imediato” e, lógico, “Infinita Highway” e “Toda Forma de Poder”. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de conferir a banda in loco e, quer saber, com 15 anos de atraso, tenho que reconhecer que fui muito injusto com o grupo durante todo esse período. A essa altura, minha língua queimava como o inferno.

Quando o Kid Abelha começou seu show, senti que teria que driblar algumas limitações. O camarote em que me encontrava estava lotado, e o acesso a qualquer local estava muito difícil. Resultado: estava mal posicionado, não consegui ouvir direito o show e tive a impressão de que o som do palco Recife estava inaudível. Ainda bem que conto com a ajuda de mais duas pessoas, porque não tenho o direito de emitir qualquer opinião sobre um show que não consegui acompanhar direito.

Em compensação, vi o show do Cordel do Fogo Encantado do local mais privilegiado possível; ao lado dos caras, no palco. Quando percebi que seria impossível acompanhar o Kid Abelha, rumei para o Palco Olinda, e tive acesso a cenas antológicas. Cheguei quieto, como quem não quer nada. O produtor Gutie, de tão preocupado que estava com o início do show, nem se deu conta da minha presença. Assim, enquanto toda a banda (menos Lirinha) conferia o final da apresentação de Paula Toller no telão, dei um jeito de passar despercebido e não me fazer notar. E as cenas que presenciei mudaram completamente a opinião que nutria pela banda (achava, sinceramente, que o Cordel era algo manufaturado, falsificado, produzido demais, no mau sentido… mas não é. Peço desculpas à banda, aos fãs e, principalmente, à minha namorada, que é a maior admiradora do Cordel que conheço). Tenho que relatar tudo que vi. Assim que acabou o show dos Abelhas, Gutie deu sinal para a banda subir no palco. Todos correram, começaram a tocar e, ainda fora do palco, comecei a ficar preocupado, pois nada de Lirinha aparecer. Eis que o Jim Morrison do sertão (sei que alguém da revista Zero já usou essa expressão, mas não lembro quem) surge na minha frente correndo feito um louco, sobe as escadas numa velocidade impressionante e vai direto ao microfone, já transformado, alucinado, completamente entregue ao espetáculo, como me confidenciou depois em entrevista. Não tive dúvida e peguei carona na carreira de Lirinha, tendo assim acesso ao palco. A relação da banda com o público é algo difícil de traduzir. Rola uma química inexplicável, uma energia estranha e, para quem está no palco, um misto de êxtase e medo, pois a percussão realmente assusta. Agora, o mais engraçado foi ver os técnicos de som do Engenheiros do Hawaii e do Mundo Livre S/A, que interrompiam o serviço para dançar e testemunhar algo que não tem definição. Simplesmente hilário. À minha frente, duas namoradas de dois dos integrantes do Cordel, sem imaginar, me davam cobertura para que eu não fosse descoberto e expulso do palco. Vale salientar que o único efeito sonoro que a banda lança mão é o barulho produzido de trovões. no mais, é tudo tocado ao vivo mesmo, sem ajuda de samples ou bases pré-gravadas! Na hora de tocarem “A Matadeira”, pensei que o palco fosse explodir. Lirinha recitou João Cabral de Melo Neto e, mais espantoso ainda, o público recitou junto. Mais inexplicável ainda, quando o grupo tocou a famosa “Chover (ou invocação para um dia liquido)”, não choveu… porém, quando olhei para a parte de trás do palco, estava chovendo. Só acreditei porque não bebo, não me drogo e estava com o juízo perfeito, embora que bem afetado com a passagem de tamanho azougue sonoro. O Cordel do Fogo Encantado é poesia, maracatu, macumba, samba de terreiro, blues sertanejo, teatro popular e, acima de tudo, rock!. no que a palavra tem de mais transgressora. Pena que não tenha descoberto isso antes. Meu amigo, se você tiver oportunidade, veja um show deles do palco. E depois tente me explicar o que sentiu. Tem até bumba-meu-boi psicodélico. Para terminar de carbonizar minha língua, Lirinha é gente fina, não está deslumbrado com o sucesso e toda, mas toda a banda mesmo, é de uma simplicidade invejável para quem, assim como eu, está acostumado a levar alguns foras de algumas supostas “celebridades”…

Por conta do tempo que ganhei conversando com Gutie e com Lirinha, perdi quase que o show inteiro do Charlie Brown Jr. Quando dei por mim, os caras já estavam tocando “Rubão”, a platéia estava ensandecida. Não dou a mínima para o Charlie Brown, acho a banda mais burra do planeta, mas em relação ao show deles, não estou habilitado para dizer nada, pois o pouco que vi foi um grupo de rock agradando seus fãs. Soube depois que rolou roda de pogo o tempo todo, que teve chuva de sapatos, que Chorão em cima do palco é muito doido e etc e tal. Meu único consolo é que um dia essa molecada crescerá e, assim como eu hoje tenho vergonha em admitir que um dia gostei de Red Hot Chili Peppers (essa banda foi genial entre 1989 e 1993), a moçada, futuramente convertida em adultos, também sentirá remorso por um dia ter se empolgado com algo tão sem conteúdo como a “filosofia do tcharrôuladrão”…

Tenho pouco a falar dos shows de Natiruts e Detonautas, pois como ninguém é de ferro, bateu cansaço forte nessa hora e tive que dar um tempo para recuperar as energias. do Natiruts posso dizer que fiquei surpreso pela quantidade de pessoas interessadas em ver o show da banda. Vi que tocaram “Liberdade pra Dentro da Cabeça”, que foram muito aplaudidos e que, sim, depois de apurar, constatei que tinha gente ali que comprou ingresso só para vê-los. Esqueci que Pernambuco tem um público fiel de reggae.

O Mundo Livre S/A merecia tocar em horário bem mais nobre do que às cinco da matina. Como a maioria do público era formado por adolescentes que estavam interessados em Charlie Brown Jr, acabou faltando interessados pelas entropias de Zeroquatro, pela prosopopéia da banda, pela inteligência e sarcasmo das letras e pelo delicioso coquetel de samba, poesia sacana, engajamento político e postura social da banda. Tecnicamente, foi o melhor show que vi do Mundo Livre (pena que a platéia, já exausta, não deu muita bola). Engraçado como a banda cresce qualitativamente em festivais. Foi muito bom ver “Cidade Estuário” ser bem executada ao vivo, com o ótimo naipe de metais, bem como testemunhar o lirismo erótico de “Musa da Ilha Grande”, o peso de “Girando em Torno do Sol”, a reflexão filosófica pré-socrática (e bota “pré” nisso) de “Homero, o Junkie”, o manifesto da classe operária em forma de música temperada com doses de sexualidade de “Bolo de Ameixa”, parceria de Zeroquatro (se copiarem desta vez, exijo créditos) com o “quase” seguidor da Escola de Frankfurt, o folclórico e super-letrado jornalista Xico Sá, da Folha de São Paulo. “Carnaval na Obra”, com sua singela letra, resumiu o clima festival, ou seja, “Vai chover / vai parar; vai chover, vai parar”…

Ainda deu tempo de mandar a safada (no bom sentido) “Meu Esquema”, o samba furioso de “Seu Suor é o Melhor de Você”, e maior surpresa do dia, antes de Zeroquatro dar os acordes iniciais em seu cavaquinho de “Xicão Xucurú”, dizer em alto e bom som que a música concorria na categoria melhor música do ano de 2003 aqui no RecifeRock. Não acreditei, tanto que Bruno Negaum perguntou se eu tinha escutado direito. Essa declaração, espontânea, valeu por todos os perrengues pelos quais passamos desde que o site foi criada, pagou todas as horas de sono que deixamos de desfrutar, valeu por todos os erros e acertos que cometemos, valeu por todas as críticas (justas e infundadas) que recebi e, acima de tudo, coroou um trabalho que é feito, pelo menos de minha parte, e acredito que também dos meus colegas, visando obter coisas que não se conquistam com grana, como respeito, integridade, credibilidade, predicados que acho que desfrutamos perante às bandas locais. O resto a gente colhe com o tempo.

Em relação ao show de Almir Rouche, não pude acompanhar, pois fui embora na terceira música. Nada pessoal, mas é que já estava morto de cansado e tinha perdido já todo o senso crítico, querendo dormir, coisa que fiz pouco nos últimos dias. E foi isso.

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Posted sábado, janeiro 31st, 2004 under Coberturas.

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