Abril Pro Rock 2004 (Terceiro Dia)

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ABRIL PRO ROCK 2004 (TERCEIRO DIA)
data: 18/04/2004 (Domingo) – local: Pavilhão do Centro de Convenções
com Mula Manca e a Triste Figura, Cabruêra (PB), A Roda, Vive La Fête (Bélgica), Suvaca diPrata, Pitty (BA), Mombojó e O Rappa
Resenha por Hugo Montarroyos – Fotos por Guilherme Moura e Bruno Negaum

Terceira noite do APR chega bem perto da perfeição
em 18/04/2004 por Hugo Montarroyos

Ao contrário do que muita gente pensa, nenhum jornalista torce contra um evento. Ao contrário. Pelo menos no meu caso, torço sempre para não ter que falar mal de nada nem de ninguém. E, justamente por isso, posso encerrar meu trabalho (na verdade, do RecifeRock) feliz da vida. A terceira noite do Abril pro Rock foi fantástica. Na base do olhômetro, Paulo André calculou algo em torno de nove mil pessoas presentes no domingo.

Mula Manca e a Triste Figura foi o primeiro indício de que as coisas correriam bem durante toda a noite. Não gostei do disco deles, mas, ao vivo, é outra história. Tudo funcionou bonitinho. Desde a versão psicodélica para “E Agora, José”, linda poesia de Drummond musicada por Paulo Diniz, até as composições próprias. A banda, quem diria, já tem público, e muita gente cantou todas as músicas durante o show. Bem, nada mais a dizer a não ser pedir para que escutem o disco deles e discordem de mim. Democracia é isso. Ou, pelo menos, deveria ser.

O show do Cabruêra foi, numa só palavra, “perfeito”. Forró futurista para deixar Ariano Suassuna morrendo de raiva. Arthur Pessoa simplesmente inventou o “forró esferográfico”. Consiste no seguinte: o cara usa uma caneta “Bic” para tirar sons distorcidos do violão, obtendo um resultado que ora lembra o som de um violino, ora o de um violoncelo. Outra figuraça é o percussionista e faz-tudo da banda, Zé, que lembra, e muito, Antônio Conselheiro, seja no visual ou no discurso. O público interagiu legal durante todo o show do Cabruêra, e quem, como alguns amigos, contestava a escalação deles para o palco principal, quebrou a cara bonito. Até a insuportável “Carcará”, de João do Vale e José Cândido, ficou redonda na versão dos caras. Aliás, se alguém quiser me tirar do sério é só colocar “Carcarᔠpara tocar na minha frente, ou qualquer outra coisa na voz de Maria Bethânia. Mas, voltando os show do Cabruêra, foi do cacete!

Vou ser obrigado a citar novamente o nome de todos os integrantes de A Roda, como fiz na cobertura do Rec Beat. Eduardo (guitarra), Charles (bateria), Yuri (baixo), Fernando (teclado), Iranê, Homero e Guga (percussão) e André e Marcos (metais) fizeram um show memorável. A Roda tem a grande virtude de ser virtuoso sem cair na chatice. É muito raro uma banda instrumental conseguir o reconhecimento popular que eles estão merecidamente garimpando. Após o show, conversei com o baterista, Charles. Segundo ele, a intenção da banda é ser reconhecida primeiro aqui no Estado. Muito legal ouvir isso, sobretudo numa época em que vivemos a “cultura do ausente”, onde o cara ou banda é obrigado a estourar lá fora (do país ou de Pernambuco) para ganhar projeção por essas praias. Outro showzaço!

Vive La Fête repetiu a performance endiabrada da sexta-feira. A vocalista Els Pynoo estava mais solta (leia-se “assanhada”), metida num vestido que lembrava um globo de ouro. O show foi uma piração só, e foi legal, para dizer o mínimo, a resposta do público. Chamaram a também pirada Karine Alexandrino para uma participação especial, e o guitarrista Danny Malmmens novamente convocou uma garota da platéia para tocar guitarra, e outra para cantar. E ainda teve, no final, “Psycho Killer”, do Talking Heads. Chapado!

Infelizmente perdi quase toda a apresentação do Suvaca diPrata, pois na hora do show deles, estava entrevistando Pitty. É duro reconhecer, mas não tenho condições de emitir uma opinião sobre o Suvaca. Foi mal, fica para outra oportunidade…

Velho, não sou fã do trabalho de Pitty. Mas, devo reconhecer, a menina é simpática, atenciosa, inteligente e muito, mas muito educada. Não sabia que ela já tinha vendido sanduíche na praia e que tinha sido garçonete. Após a entrevista, calado e na minha, fiquei torcendo para que ela fizesse um bom show. Nem precisava da torcida. O jogo já estava ganho. Muita gente (pelo menos 90% do público) estava ali só para vê-la. Impressionante o carisma da moça. Levantou toda a galera como há muito tempo não via no “Abril pro Rock”. “Lobo”, “Teto de Vidro” e “A Máscara” foram impressionantes. Melhor ainda foi o fato da moça chamar Cannibal para cantarem juntos “Sailin’On”, do Bad Brains e, como bônus, mandaram ver “Punk Rock Hardcore, Alto José do Pinho”, do, ah, vocês sabem quem..

Muita gente da mídia vem chiando com o sucesso conquistado pela moça. Pô, acho que não é por aí. Ela tem conteúdo. Muito mais do que o Charlie Brown Jr, por exemplo. E, goste-se ou não do trabalho de Pitty, ela merece chegar ao topo, como chegou.

Durante a entrevista, perguntei a Pitty se ela conhecia o Mombojó. Ela disse que não, mas que estava na pilha para conhecer. A assessora de imprensa dela informou que a apresentação do Mombojó seria logo após seu show. Disse que ela não se arrependeria se fosse dar uma conferida…

Bem, o show do Mombojó foi digno do disco “nadadenovo”. Surpreendente, maravilhoso. Destaques para “Faaca”, “Merda”, “Cabidela” e, principalmente, “A Missa”. Funcionou muito bem ao vivo e a galera cantou junto a mistura de Nelson Cavaquinho, Mutantes, Chico Buarque, Mundo Livre S/A, João Gilberto e tantas outras referências. O mais bacana de tudo é que, mesmo com tantas influências, o Mombojó tem identidade. Durante o show, uma das meninas da produção do “Abril pro Rock” veio gentilmente me informar que o Rappa iria conceder uma pequena entrevista coletiva. Agradeci a informação. Não tenho absolutamente nada contra o Rappa. Ao contrário, admiro bastante o trabalho social que fazem. Mas, musicalmente, entre o Rappa e o Mombojó, fico com o último. Dispensei a coletiva e continuei no palco curtindo o show.

Engraçado ver Edgard, da MTV, e Pitty, conferindo a apresentação deles no backstage. Após o show, perguntei ao Vocalista do Mombojó, Felipe S, como ele definia o som da banda. “Escracho musical”, foi a resposta. Não resisti e para Pitty se ela tinha gostado do Mombojó “Muito, vocês estão de parabéns”, disse a baiana. Vocês quem ? Não tenho nada com isso, os méritos são todos do Mombojó.

Quando o show do Rappa começou, dei meu trabalho por encerrado e fui para o camarote da Skol, recarregar as energias e sacar a apresentação deles. Primeira vez que testemunhei um bom show deles. Trata-se de uma boa banda, mas, ao vivo, sempre achei que eles deixavam a desejar.

A banda puxou um hit atrás do outro, como “Homem-Bomba”, “Hey Joe”, “A Minha Alma (A Paz que Não Quero) e por aí afora.

Depois, me tranquei na sala de imprensa com Paulo André e a produção do festival, conversando potoca e tendo ao fundo o show do Rappa como trilha sonora. Chique, não ? Ah, Darlene, ou melhor, Déborah Secco, estava lá, conferindo do palco o show do atual namorado, o vocalista Marcelo Falcão…

Como sou pouco original, termino parafraseando o que todas as bandas disseram ao final dos shows. “VALEU, ABRIL PRO ROCK! FOI DO CARALHO!“

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Links:
» A Roda no RecifeRock
» Suvaca diPrata no RecifeRock
» Mombojó no RecifeRock

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Posted domingo, abril 18th, 2004 under Coberturas.

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