Críticos Elegem Melhores Shows do Apr 2004

em 29/04/2004 por Hugo Montarroyos

Quando estavávamos no Abril Pro Rock 2004 fizemos uma enquete com a mídia que cobria o festival sobre quais seriam os melhores shows. Aproveitamos e perguntamos também sobre o que teria faltado no festival. Participaram do “pleito”: Edgard, vj da MTV; Jairo, da Rádio Cidade; Terence Machado, do Alto-Falante (TV Cultura – MG); Nicolas Vargas, do site da MTV e Diego Assis, da Folha de São Paulo.

Público delirando no show de Pitty

Edgard – MTV

O que você achou do Abril esse ano ?


Edgard – Achei muito bom, cara. Um festival diversificado. Deu para sentir o atual momento da música brasileira. Uma coisa bem nítida, bem interessante…Eu gostei!

Das bandas que você não conhecia, se é que tinha alguma que você não conhecia, qual a que você mais gostou ?

Edgard – Na verdade eu conhecia todas as bandas. Mas, por incrível que pareça, uma coisa que me chamou a atenção pra caralho foi o show do Ratos. Pra mim foi o grande show do festival. Teve o Mombojó também, que eu assisti um pouco do show. Eu estava trabalhando, no maior corre-corre, não deu para prestar atenção em tudo. Mas o show do Mombojó eu dei uma parada e conseguir ver mais da metade. Gostei bastante…

Jairo – Rádio Cidade

Qual foi o melhor e o pior show do Abril ?


Jairo – Melhor show, pra mim, foi o do Ratos. João Gordo mostrou que a performance está inteira, muito bom. O cara mandou muito bem, com a voz lá em cima, numa performance perfeita. O cara correu de um lado para o outro, botou a mão na cabeça, na hora em que tinha que conversar com a galera, conversou na boa.

Agora, a queixa do festival é a banda Maldita, porque realmente é maldita. Por que diabos ela veio ? Já que é maldita, deveria ter ficado por lá mesmo…

O que faltou esse ano ?

Jairo – Faltou a tenda eletrônica. Acho que faltou a “saideira” pra muita gente.

Nicolas – MTV

Qual foi o melhor show do Abril e o que faltou esse ano ?


Nicolas – A Roda foi muito louco…Maldita (risos)! Brincadeira… Melhor show acho que foi Ratos de Porão. Aquela roda inversa que o Gordo organizou foi genial.

Acho que faltou alguma banda gringa alternativa.

Diego Assis – Folha de São Paulo

Qual foi o melhor show do Abril ?


Diego – Melhor show foi o do Cabruêra. Foi do caralho!

E o que faltou ?

Diego – Faltou pouca coisa…Talvez um pouco de cuidado no som de algumas bandas…

Público metaleiro do Destruction

Terence Machado – Alto-Falante – MG

O que você achou do APR 2004 ?


Terence – Eu que já estou cobrindo o festival há quatro anos vim para ver as coisas novas. Infelizmente perdi algumas. Queria ter visto a banda Vamoz!, mas a van do hotel acabou atrasando (risos). Porque acaba que as bandas grandes como O Rappa, que fechou, fez um show legal, que tem um público cativo, não interessa muito para o Alto-Falante, que já tem uma cara mais alternativa. Acho que vale muito mais a gente vir pra saber o que as bandas novas estão lançando, como Mombojó e A Roda do que cobrir as bandas grandes. Não que a gente não goste. Mas é porque o diferencial é esse, pegar as bandas começando, tendo as dificuldades de romper fronteiras, ir pro Sudeste e tal. Mesmo as bandas mineiras enfrentam essas barreiras. O legal pra gente do Alto-Falante é descobrir o que o Abril está revelando de música nova.

O que você descobriu ?

Terence – Cara, eu descobri que o Mombojó está crescendo. É uma banda que, pelo que eu vi no palco 2, cresceu bastante em relação à 2002. Eles me deram o disco novo, e estou super curioso para ouvir. Gostei de várias bandas diferentes, mas o Mombojó eu já tinha uma atenção especial em relação ao fato de já ter visto antes.

Teve a coisa da Pitty no mainstream. Foi muito legal porque eu acompanhei o estouro da Pitty, desde a época em que ela ainda era alternativa. Foi muito legal também o fato dela chamar Cannibal para dar aquela canja. É uma visibilidade legal, abrir espaço para outra galera, achei isso muito bacana da parte dela, uma atitude muito generosa.

Bem, em relação ao festival como um todo, o terceiro dia me agradou mais. Pelo seguinte: o dia do metal é louvável, porque a gente não encontra isso em nenhum outro festival. Realmente o Heavy Metal é discriminado em festivais. Ou você tem uma ou outra banda pontuando, ou não tem nenhuma. Eu até comentei com o Paulo André; com certeza o sábado do Abril pro Rock é o dia mais importante do calendário metal do Brasil! Isso ainda não existe em lugar nenhum. Nem no Curitiba Pop Festival, nem no Porão do Rock; você pode “varrer” os festivais do Brasil que não encontrará um dia dedicado ao metal. Acho muito corajosa a proposta de abrir esse espaço num festival que tem de tudo, do pop ao thrash. Esse ano, por conta do lançamento do disco do Rappa, o sábado acabou não sendo o dia de maior público. Na época em que tinha o Sepultura, por exemplo, era sem dúvida o dia de maior público do festival.

É bacana. Eu, na verdade, já estou meio cansado. Por conta de cobrir vários festivais, eu já tinha visto o Ratos de Porão no Goiana Noise, já vim cobri o Ratos aqui, já cobri o Krisiun, então acaba perdendo a novidade. Acho que o Krisiun saiu prejudicado por ser o último grupo a tocar no sábado. A gente, que cobre o festival, já estava morto. O público também estava cansado. Eu estava revendo as imagens que fiz, e o público já não tinha nem forças mais para levantar o braço e fazer o sinal do metal (risos). Tava todo mundo congelado! O show do Krisiun em 2002 foi muito mais bacana. Mas é assim mesmo. É difícil para o público continuar inteiro depois de ver Destruction e Ratos de Porão.

Eu só achei que esse ano o primeiro dia foi meio morno. Acho que o Viva La Fête fez na sexta-feira um show morno num dia morno. Acho que foi muito bacana eles reaparecerem hoje (domingo) como surpresa, porque eles consertaram algumas coisas que não funcionaram muito bem na primeira vez.

O que você acha que faltou esse ano ?

Terence – Cara, é complicado. Talvez tenha faltado bandas de outros estados compondo a ala alternativa. Não sei se no palco principal faltou alguma coisa. Eu estava até conversando com outros jornalistas, eu acho que a gente vive uma carência de renovação louca no pop brasileiro. Se você olhar bem, O Rappa, por exemplo, já é uma banda veterana. O Skank já está apadrinhando novas bandas. Ainda tem o Jota Quest, o Pato Fu, que sempre teve um lado mais experimental…O Sepultura que estourou no mundo inteiro, sempre preenchendo a lacuna do thrash…Ou seja, eu sinto uma falta de renovação. A gente estava discutindo: qual o artista novo que cresceu e que hoje está no palco 1 ? Tem a Pitty, gostem ou não. Tem gente que não gosta do som dela, acha muito maquiado, mas é a Pitty. Infelizmente, fora ela, não surgiu nada que do ano passado pra cá que merecesse estar no palco principal. Bem, por outro lado, eu na posição de um produtor pensaria sobretudo nas bandas que colocaria no palco principal. Tem que ter uma atração forte, tem que ter uma banda que chame público. Por gosto pessoal, eu não traria O Rappa. Mas não vejo outro nome de peso hoje, tem o gancho deles estarem lançando disco novo. Mas vejo o fato do Rappa fechar o palco principal como prova da falta de renovação da música brasileira. E por que essa falta de renovação ? Rádio, cara! Infelizmente o rádio no Brasil foi pras cucuias. A gente vê que de Norte a Sul tem bandas muito legais. Gosto muito dos Astronautas, acho que existe uma interpretação errada de compará-los com coisas feitas nos anos 80. O disco inteiro deles é bom. O Bidê ou Balde também é ótimo; o Cachorro Grande, que teve aqui ano passado é fabuloso. Essas bandas todas têm pelo menos duas ou três músicas que deveriam estar tocando nas rádios. Só que acabou, cara. As rádios são viciadas. Elas ficam esperando só de bandas como o Rappa, aí vira um ciclo vicioso. O que o Rappa tem pra mostrar de novo ? E o Skank ? O que D2 ou Planet Hemp têm para mostrar de novo ? Nada! É um ciclo completamente banal, babaca. Ou você tem uma rádio comunitária que trabalha com guetos ou então não existe rádio no Brasil. As rádios no Brasil são medíocres. E rádio sempre vendeu! Mas acabou-se, fazer o quê ? Pô, deviam tocar Bidê ou Balde, Cachorro Grande, Astronautas. Ainda bem que ainda tem esses festivais, tem o Paulo André aqui, o CPF em Curitiba, pra diferenciar um pouco. Se não fosse isso, o que a gente veria ? Chegaria a um ponto que ninguém agüentaria mais ver Rappa, Skank, Sepultura.

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Posted quinta-feira, abril 29th, 2004 under Notícias.

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