Festival Mada 2004 (Terceiro Dia)

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FESTIVAL MADA 2004 (TERCEIRO DIA)
data: 22/05/2004 (Sábado) – local: Natal
com Ravana (RJ), Allface (RN), The Automatics (RN), The Honkers (BA), China (PE), Gram (SP), Leela (RJ) – Cancelado, Mad Dogs (RN), The Walkmen (EUA) e Jorge Benjor (RJ)
Resenha por Hugo Montarroyos – Fotos por Guilherme Moura

The Walkmen rouba as atenções no último dia do MADA
em 22/05/2004 por Hugo Montarroyos

A última noite do MADA, festival realizado em Natal, serviu para algumas constatações; a primeira delas é que a mídia que cobre a cena musical no país está ávida por novidades, tanto que foi muito maior a presença de jornalistas de outras regiões do Brasil no MADA do que no último Abril pro Rock, só para ficar num exemplo.

O formato dos palcos, de igual proporção, dispostos lado a lado, deveria ser imitado por todos os produtores brasileiros. Funciona na moral. Melhor para as bandas e para o público, que não precisa se deslocar peregrinando feito boi no pasto.

Mas a principal lição que este festival deixa é a seguinte: quando existe algum alvoroço em torno de alguma banda nova americana, pode crer que é batata! É porque o grupo é do cacete mesmo!

Agora, verdade seja dita; a última noite foi cheia de altos e baixos. Por volta das 21h, a carioca Ravana, uma espécie de Barão Vermelho de saias, tocou para ninguém (ou alguns gatos pingados, se preferir…). Mostrou um sonzinho batido, requentado e sem graça. Deu pena.

Aliás, de lamentar também o pouco público presente na última noite do evento. Na base do chute, vários jornalistas calcularam algo em torno de quatro mil pessoas.

A coisa ficou ainda pior quando o local Allface entrou em cena. Definitivamente, o hardcore melódico é uma praga nacional institucionalizada. Ruim de doer. Aquilo de sempre, ou seja, um sonzinho mixuruca acompanhado de letras mais infantis que as do Trem da Alegria. Sofrível.

O nível subiu bastante no show do também local The Automatics. Trata-se de um trio enfezado com influências de Pixies e de grupos de garagem e que se garante muito ao vivo. A banda, que tem dois anos de vida, lançou um CD triplo (!) que contém 33 músicas! Belo show.

Agora, animalesca mesmo foi a apresentação do The Honkers. Com um pé no Rockabilly e outro na putaria, a banda fez um show insano, com destaque para o surreal vocalista Rodrigo Chagas, que pula feito louco, coloca o microfone onde bem entende (até na bunda) e bebe água “filtrada” de suas botas. Durante o show, Rodrigo teria dito que estava muito feliz de tocar aqui em Recife, fato que deixou a platéia de Natal indignada. A versão dele, após o show: “Entenderam mal. Na verdade eu disse que estava muito feliz por ter tocado AQUI E EM RECIFE”. Mesmo com o protesto dos mais ufanistas, a banda saiu de cena com a partida ganha.

China tocou cercado de amigos, como o guitarrista Rafael, do Planet Hemp, e o tecladista Chiquinho e o baterista Vicente Machado, ambos do Mombojó. O show teve boa aceitação por parte do público, que acabou caindo no samba modernoso apresentado pela banda, como nas músicas “Estático” e “Imaginário”. Mas China mostrou que ainda não se desvinculou totalmente do hardcore, tanto que, vez ou outra, apelava para seu passado de Sheik Tosado.

Agora, bom mesmo é entrevistar China. Saca as respostas do cara. Sobre o show: “Eu gostei, e você?”. Sobre o Del Rey: “Aquilo é escracho, desculpa para encher a cara e levar um som”. Sobre a transição do Hardcore para o “samba”: “Tá sendo legal, embora exija muito mais de mim. Na época do Sheik eu gritava. Agora tenho que cantar de verdade”. Uma figuraça esse cara…

O Gram, de São Paulo, é uma banda bacana, talentosa, cheia de lirismo, com uma sonoridade que transita entre os Beatles e a MPB. Só um porém; o Los Hermanos chegou antes…

Perdi boa parte do show do Mad Dogs, outra banda de Natal. Depois me disseram que não perdi grande coisa… Só escutei a última música, um blues correto. E só.

Cara, o The Walkmen foi perfeito. Se os discos são apenas razoáveis, ao vivo a banda é fenomenal. Lembra muito o Strokes, é verdade, mas não passa a impressão de ser mera cópia. E não, ao vivo não parece nada (graças aos céus) com o U2. Pena que o público não se deu conta do caviar que estava sendo oferecido. O vocalista Hamilton Teithauser é de uma competência indiscutível, assim como toda a banda. Mas quem rouba a cena mesmo é o batera Mat Barrick. Franzino e baixinho, o cara demonstrou uma técnica perfeita, castigando sem dó o seu kit, naquela que foi a performance mais endiabrada que já presenciei de um baterista. Não tem jeito, os americanos são insuportáveis, mas, quando o assunto é rock, eles é que mandam…

Bem, fechando a noite, Jorge Benjor tocou na boa, sem maiores problemas. Foi o show que, pasmem, teve maior resposta do público. O Babulina que me perdoe, mas como não tenho paciência de escutar as versões de dez minutos que ele faz para cada uma de suas músicas, peguei meus cacarecos e rumei de volta ao Recife.

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Posted sábado, maio 22nd, 2004 under Coberturas.

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