Rádio De Outono e Mellotrons no Barramundo

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RDIO DE OUTONO E MELLOTRONS NO BARRAMUNDO
data: 23/07/2004 (Sexta) – local: Barramundo
com Rádio de Outono e Mellotrons
Resenha por Hugo Montarroyos – Fotos por Ariana Couto e André Hora

Mellotrons e Rádio de Outono mostram nova cara do pop pernambucano…
em 23/07/2004 por Hugo Montarroyos

Nada como o fator surpresa para nos tirar da inércia. Como boa besta que sou, ainda não tinha visto/escutado o Mellotrons e o Rádio de Outono ao vivo. Antes tarde do que nunca!

Desfrutando do aconchegante ambiente do Barramundo Social Club (outra coisa que a anta aqui desconhecia), tomando coca-cola estupidamente gelada acompanhada de caldinho de feijão, tive uma das melhores surpresas do ano.

O Mellotrons é simplesmente a banda certa no lugar errado. Sem querer desmerecer Recife, mas o som praticado pelos caras combina mais com São Paulo, Londres e Nova Iorque. Eles fizeram um show absolutamente irretocável. Da nova safra pernambucana, não conheço nenhuma banda tão boa ao vivo como o Mellotrons. As paredes de guitarra são irresistíveis, a distorção, bem Radiohead pré-“Ok Computer” e Sonic Youth, é extremamente bem construída.

O grupo levou na manha, e na maior competência, a pequena platéia do Barramundo ao transe total. “You and I (In The Sun), com sua levada “Gouge Away”, do Pixies, foi de arrepiar. Assim como a nova “Tongue”. Na verdade os caras são tão bons que chega a dar raiva. Tocaram oito músicas, cada uma melhor do que a outra. O Mellotrons é uma puta guitar band, daquelas que dá prazer de ouvir. Quatro caras (destaques para o baterista Augusto Cesar e para o excelente

guitarrista Ênio) que abusam da técnica, bom gosto nas composições e competência absurda ao vivo. Se o mundo for um pouquinho justo, eles ainda vão muito longe. Fecharam o show com a arrebatadora e hipnótica “Slow Motion”. Fiquei com aquela sensação de “como escrever sobre esses caras sem exagerar?” Missão impossível. Ouça logo.

Há tempos um amigo vinha me enchendo a paciência (e os ouvidos) com uma ladainha sacerdotal sobre o Rádio de Outono. Já não agüentava mais ouvir a tese dele de que o Rádio de Outono é sua maior aposta do pop local. Bem, numa coisa meu amigo tem razão. Não há, pelo menos por aqui, nada parecido com eles.

É tarefa espinhosa definir o som do Rádio de Outono. É algo entre Jovem-Guarda pós-moderna com doses de Blitz e muito, mas muito mesmo, Gang 90. Talvez eles nem saibam, mas são fortemente influenciados pela banda de Júlio Barroso que revolucionou a música brasileira nos anos.80. E, sim, são bons pra caramba.

A vocalista Bárbara Jones é de um carisma irresistível. Canta muito bem, dança, provoca, seduz.

A ótima “Sabe Tudo” é um daqueles chicletes que não perdem o sabor, além de possuir uma excelente levada de jazz de cabaré. O público, já maior durante a apresentação do RDO, entrou na onda legal, sendo contagiado pela performance desabusada e descontraída dos meninos. Eles tocam como se estivessem jogando conversa fora, tão à vontade e despretensiosamente que a presença de palco deles acaba sendo um charme à parte.

A música do Rádio de Outono é daquelas que a gente escuta com um sorriso no rosto. O único senão foi “Eu sou o Tao”, que soou meio “ursinho de pelúcia” demais. Mas isso foi compensado pela ótima e endiabrada “Nem o Pó”, canção em que Gleisson Jones (bateria), Dídimo Jr. (teclados), Fernando (baixo) e Bárbara parecem possuídos por algum espírito alienígena.

Meu amigo estava certo. O Rádio de Outono é Velvet Underground, Roberto Carlos e anos 60. E, ao mesmo tempo, não é nada disso. Em suma, uma banda com identidade. E muito, muito boa.

Foi uma noite daquelas !

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Posted segunda-feira, julho 26th, 2004 under Coberturas.

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