Astronautas – “Electro-Cidade”

Astronautas - Electro-Cidade

Recife Rock escuta “Electro-Cidade” antes de ir pra fábrica…
em 15/08/2004 por Hugo Montarroyos

O Recife Rock teve acesso em primeira mão ao novo CD dos Astronautas, “Electro-Cidade”. Numa tarde cinzenta de julho, André Fank (guitarra /vocal), Djalma (guitara-vocal) e Dudu (baixo/vocal), visitaram a redação com o novo rebento debaixo do braço, ainda em versão pré-mix.

Repetindo o processo do primeiro disco, as 13 foram gravadas no estúdio Mr.Mouse, de Léo D e William P., entre abril e maio deste ano. A primeira tiragem é de dois mil CDs. “Electro-Cidade” foi masterizado na Classic Master, em São Paulo.

Os Astronautas continuam apostando em discos conceituais. Se no primeiro CD a temática central era o espaço sideral, em “Electro-Cidade” eles abordam, da primeira à última faixa, as neuroses de um grande centro urbano. E, por mais paradoxal que possa parecer, eles ousaram mais em terra do que no Espaço.

“Cidade Cinza” , faixa de abertura, engana ao remeter o ouvinte ao primeiro disco. De cara, surge um riff igual ao de “Nós, Robôs”. Não fosse a letra, caberia perfeitamente no repertório de “De Algum Lugar do Sistema Solar”.

Mas aos poucos as diferenças começam a se fazer presente. A voz de André, por exemplo, está mais contida. As guitarras ficam em primeiro plano, mas ganham a companhia de outros elementos, tais como efeitos, orquestrações (discretas) e introdução bossa-nova/eletrônica, como em “Comunicação em Bossa Moderna” . Começa aí a viagem do grupo rumo ao caos urbano e à inventividade sonora.

A sensação que dá é que os Astronautas andam ouvindo muito Kraftwerk, e, de certa forma, tentando adaptar a sonoridade dos alemães ao seu som. De causar estranhamento mesmo, só “Sentimentos” , que de tão experimental, pode perfeitamente figurar tanto num show de rock duro como numa pista de dança.

“Calma” e “De Sol a Sol” são dois bons exemplos disso. O disco deve provocar a mesma reação que “Room on Fire”, o segundo dos Strokes, causou. Vai ter muita gente dizendo que é completamente igual ao primeiro. Assim como um punhado de gente vai achar rigorosamente diferente.

De minha parte, tive a seguinte impressão: a banda evoluiu sem perder a identidade. Além de conseguir superar a síndrome do segundo disco.

Só pra ter uma pequena dimensão do processo, a banda lança mão até de percussão futurista, obtendo um resultado original e instigante.

Apesar de ouvir a versão pré-mix, deu pra ter uma clara idéia da qualidade da produção. Mas o maior tento de “Electro-Cidade” é conseguir passar a sensação claustrofóbica de um perímetro urbano, seja na sonoridade, seja nas letras. É o que fica explícito na relação dicotômica de “Negar é Afirmar” , uma das mais interessantes do álbum.

É o tipo de disco que, a cada audição, descobre-se mais detalhes. Em suma, surge um forte candidato ao prêmio de melhor disco do ano.

01 – CIDADE CINZA

02 – TECNOLOGIA

03 – COMUNICAÇÃO EM BOSSA MODERNA

04 – NÃO FAÇO NADA

05 – MÁQUINAS

06 – DE SOL À SOL

07 – SENTIMENTOS

08 – MONOTONIA

09 – FORA DE CONTROLE

10 – NEGAR É AFIRMAR

11 – COMPULSIVO

12 – REVÓLVER #3

13 – CALMA

André Frank, vocalista dos Astronautas

Links:
» Astronautas no RecifeRock

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Posted domingo, agosto 15th, 2004 under Notícias.

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