Concurso de Bandas da UFPE

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CONCURSO DE BANDAS DA UFPE
data: 20/08/2004 (Sexta) – local: Teatro da UFPE
com Masterdomme, Som.A, Barattas Ômicidas, Le Bustier en Décadence, Décima Ordem, Mellotrons, Volver, Azabumba, Bufala e San B
Resenha por Hugo Montarroyos – Fotos por Guilherme Moura e Bruno Arrais

Concurso na Federal revela carta de intenções políticas
em 20/08/2004 por Hugo Montarroyos

Concurso na Federal revela carta de intenções políticas

Azabumba desbanca concorrentes e vai abrir show do Capital Inicial

Foi tudo de última hora. Pelo menos para nós da imprensa. De uma hora para outra, sem aviso prévio, ficamos sabendo que o Capital Inicial faria um show na UFPE e que seria feito um concurso com dez bandas (todas da Federal) pré-selecionadas para disputar a honra (honra ?) de abrir para o Capital. Um tanto desorganizado para um evento organizado por uma multinacional do setor automobilístico.

Sempre que rola essas paradas, acabo me lembrando dos concursos de miss, onde na maioria das vezes ganha a candidata mais feia.

Bem, era uma oportunidade muito boa para conferimos bandas que ainda não (pelo menos eu) conhecíamos. O cenário era bem engraçado; teatro da UFPE, tarde de sexta-feira, auditório com a parte central tomada por estudantes, músicos, desocupados e curiosos. Um entra e sai de banda no palco de dar agonia. E um som terrível para todas, já que é humanamente impossível dispor de um som de qualidade nas circunstâncias locais; cada banda tinha direito a tocar duas músicas ou se apresentar durante oito minutos. O intervalo entre os grupos era mínimo, ou seja, não há técnico de som que consiga trabalhar dessa forma.

Chegamos ao local e ficamos sabendo que tínhamos perdido a apresentação da primeira banda, a metaleira Masterdomme. Depois foi a vez da som.A, que tem os dois pés fincados nos anos 80. Destaque para o ótimo baterista, que parecia ser o melhor músico do grupo.

Resolvi conferir quem fazia parte do júri. Pelo perfil conservador deste, pude perceber que a primeira banda que se dedicasse aos ritmos locais levaria a fatura. Dando nome aos bois, fizeram parte do comitê julgador Flávio Mamoha (coordenador geral da Amp), Roger de Renor, Fernando Rangel (professor de música da UFPE) e Sérgio Campelo, do Sá Grama.

A Barattas Ômicidas mostrou um pop competente, ainda que amparado por influências de Engenheiros do Hawai e até Kid Abelha. Ou seja, nada de novo.

Depois apareceu a primeira banda a agradar ao júri. Com discurso filosófico de botequim, a Le Bustier en Décadence arrancou gargalhada com letras do naipe de “o que você precisa é de um pau preto com pentelhos rastafári”. É um grupo interessante, que merece ser analisado com maior cuidado. Até porque é bem difícil julgar alguém em tão pouco tempo e com uma (falta de) qualidade estrutural daquelas (o som estava terrível MESMO !!!).

Décima Ordem fez uma apresentação correta e discreta, mas não disse bem a que veio. Fiquei com ainda mais sensação de saudosismo oitentista no ar.

Mellotrons foi responsável pelo primeiro momento sublime do dia. Ao tocar a linda balada “Slow Motion” o grupo hipnotizou a platéia, deixou impressão de que a banda nasceu para tocar em teatro e, finalmente, o som funcionou de forma decente. Não se classificaram por alguns motivos óbvios; é uma guitar band, cantam em inglês e não possui nenhum tambor ou rabeca em sua formação. Ou seja, sofrem o típico preconceito às avessas. Como já escrevi antes, o Mellotron combina mais com São Paulo, Nova Iorque ou Londres. Lá, tenho certeza, a banda despontaria sem maiores problemas.

Finalmente tive a oportunidade de conferir o Volver ao vivo. Que banda! Foi a primeira (e única) a contar com palminhas marcando o ritmo das músicas. Irretocável, sem defeitos, primorosa. Não vai abrir para o Capital Inicial pelos mesmo motivos do Mellotrons. Se o grupo fosse de Porto Alegre, já estaria tocando (com toda a justiça) nas principais rádios do país. E sem precisar de jabá…

Azabumba… bom grupo regional, que utiliza bem a combinação de rabeca e percussão local, com um criativo toque de jazz em cada canção. Não que tenha sido injusta a vitória deles, mas porra, colocar os caras para abrirem pro Capital Inicial é como botar pimenta no doce de leite. Não combina, é incoerente e até irresponsável. O nome disso? Política, meu caro; é a oportunidade que temos de mostrar nossas raízes, o maracatu, o coco, a ciranda… definitivamente, a música regional não precisa de tal protecionismo. Estão misturando alhos com bugalhos. Confundindo “pato à tucupi” com “entupi o cú do pato”. Como diria Adoniram Barbosa, “paciência, Iracema, paciência…”

A Búfala parece mais uma cópia requentada de Djavan. E, sabe como é, se o alagoano já não é essas coisas, um simulacro dele então, nem se fala. Deu pra perceber que ainda tem salvação, o vocalista e talentoso e tal, mas tem uma péssima influência do que há de pior na nova MPB de nomes como Paulinho Moska…

Boa surpresa mesmo foi o San B. Ótima banda, consistente, redonda. Não trilham o fácil caminho da MPB. Ao contrário, tentam explorar novos horizontes, obtendo um resultado que, apesar de não ser lá muito original, é extremamente bem executado.

No fim das contas deu o óbvio. Azabumba levou por fatores polícos, Mellotrons ficou de fora por questões ideológicas, Volver e Le Bustier foram congratulados com prêmios de consolação e San B entrou por seus próprios méritos.

Vou me ferrar por dizer isso, mas clamo desde já uma maior miscelânea no corpo de jurados… Senão continuaremos vivendo aquilo que Chupeta sabiamente denominou de “ditadura da mandioca”.

As demais bandas ? Vão entrar numa coletânea da universidade…

Clique na foto abaixo para abrir a PopUp com as fotos do Concurso de bandas da UFPE:

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Links:
» Volver no RecifeRock
» Bufala no RecifeRock
» Mellotrons no RecifeRock

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Posted quarta-feira, agosto 25th, 2004 under Coberturas.

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