Panorock 2004 (Segundo Dia)

CLIQUE AQUI para abrir a janela pop-up com as fotos do show
PANOROCK 2004 (SEGUNDO DIA)
data: 05/09/2004 (Domingo) – local: Ancoradouro
com The Playboys, Subversivos, Capones (CE), Os Medonhos, Jane Fonda (RN), Carbona (RJ), Samba de Côco Raízes de Arcoverde, Hélio Mattos e Bonsucesso Samba Clube
Resenha por Hugo Montarroyos – Fotos por Bruno Negaum

Falta de público marca segundo dia do Panorock
em 05/09/2004 por Hugo Montarroyos

Domingo, véspera de feriadão, dia de jogo do Brasil pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Para piorar, uma eterna ameaça (que acabou se concretizando) de chuva no ar. Ou seja, o público, que já tinha sido mínimo no primeiro dia do Panorock, foi menor ainda no segundo.

Os provocadores de plantão do The Playboys abriram os trabalhos do palco 2. É uma banda interessante, que funciona bem melhor ao vivo do que em disco. O duro é saber se tudo aquilo não passa de gozação ou se eles realmente querem atingir em cheio os alvos mirados. Não sobra para ninguém; movimento do Alto José do Pinho, imitadores (e o próprio) de Chico Science, estudantes de filosofia, freqüentadores de shopping, surfistas. É o tipo de grupo que faz piada contra tudo e todos. O grande risco disso é o próprio The Playboys virar uma piada. Bem, a parte musical, que é o que importa, é inusitada; um rockabilly que ganha o acompanhamento surreal de brinquedos na marcação do ritmo. Em cena, a impressão que tive foi que trata-se de um Mamonas Assassinos de Q.I. mais elevado. Divertido no fim das contas. Nada além disso…Ah, e uma coisa absolutamente irritante: Uma porcaria de luz vermelha que predominou durante TODOS os shows do palco 2. Parecia iluminação de boate de beira de estrada.

Já o Subversivos consegue ser divertido justamente por sua seriedade. Os discípulos de Karl Marx realmente empolgam com seu discurso comunista e seu punk rock consistente. Engraçado ver que, quando eles tocam “Abaixo ao Vestibular”, imediatamente se forma no público uma roda de pogo mirim de futuros (e bota futuros nisso) vestibulandos. Outro fator interessante foi constatar como “Até Quando Esperar”, clássico da Plebe Rude, se encaixa perfeitamente na linha ideológica dos Subversivos. Mas o grande trunfo dos caras continua sendo a impagável e mais que relevante “Esmaga o PFL”. Apesar do som meia boca do palco 1, foi um belo show.

A excelente Capones, do Ceará, passou o show inteiro brigando com a péssima estrutura do palco 2, que estava terrível, terrível, terrível, terrível, terrível, terrível – poderia passar o dia inteiro digitando a palavra “terrível” que ainda assim não seria capaz de descrever como o som estava ruim. Sem contar que a luz vermelha continuava lá, imponente, firme e forte. Mas os caras passaram por cima de tudo isso e mostraram um rock raivoso, com um pé no hardcore.

Os Medonhos fizeram um show medonho. Não por culpa deles. A banda mostrou uma raça que combina muito bem com punk rock. Thiago Rabelo é dono de uma das performances mais interessantes do gênero, e músicas como “Cólicas Menstruais de Maria Bonita” e “O Verme” garantiram a diversão geral. O problema foi o som, de longe o pior de todo o Panorock. A guitarra estava muito baixa, enquanto que o baixo estava muito alto. Isso sem falar dos ruídos. Não fosse toda essa adversidade e teria sido uma apresentação arrasadora.

De volta à casa da luz vermelha, ou melhor, ao palco 2, o Jane Fonda, de Natal, fez o show mais intrigante do Panorock. Pontos positivos: a) o som começou a funcionar; b) são excelentes músicos; c) quando se dedicam ao peso, são capazes de produzir momentos extremamente interessantes.

Pontos negativos: a) tocaram System of a Down, b) insistem em partes elaboradas, cheias de solos desnecessários, c) quando investem nas baladas, são de uma breguice ímpar. Se o show foi bom ou ruim? Ainda não sei. A julgar pela reação do público, deve ter sido muito bom. Pena que eu não percebi…

Emo, emo, emo. Aqui vai uma dissertação sobre o tema e o principal motivo de não gostar do estilo; tenho mais de 18 anos, não sou menininha, não tenho um “querido diário”, não agüento as estruturas chochas das músicas (todas possuem o mesmo “nhé-nhé-nhé), sem contar que não suporto o vazio discursivo de tal gênero. É um tal de “céu azul” pra cá, “você me fez sorrir” pra lá, “eu te amo, meu amor” acolá. Se fossemos dividir a coisa em luta de classes, o emo seria a extrema direita, punk de burguês, rock de mauricinho, produzidinho demais, fofo, inofensivo, irritante de tão desprovido de conteúdo. A mim não engana.

Entretanto, o show do Carbona foi o mais concorrido, animado, cheio de rodas de pogo (de patricinhas, vá lá…), mosh e etc. O que me deixou extremamente preocupado com o futuro dessa molecada. Para quem já dobrou a casa dos 20, o emo é a coisa mais chata e melosa da face da terra. O pior de tudo é a falsa postura punk…Se ao menos eles tivessem a grandeza de se assumir como produto, tudo bem. Mas o foda é ter que engolir goela abaixo o fato de se auto proclamarem independentes. Independente? Com um som de comercial de iogurte desses? Com um apelo sonoro que pede (e muitas vezes consegue) para tocar em qualquer FM da vida? Entre emo e música baiana, fico com a baiana, pois o axé pelo menos é autêntico no seu descaramento e se assume como mero subproduto da indústria cultural do setor da música…

Voltando ao show do carioca Carbona, foi de longe o mais agitado da noite. De minha parte, por pouco não me jogo no Rio Capibaribe. Me sinto mais adulto vendo filmes da “Branca de Neve” do que ouvindo emo… aliás, espero que tenha sido a última vez que tenha escutado esse troço. Sinto que fico mais burro (sim, me assumo como tal) a cada vez que sou submetido a uma sessão de emo…

Quando a gente acha que nada pode piorar, as coisas pioram muito. Foi assim com o show de Hélio Mattos e os Impregnados. Um bando de tiozinho louvando Bob Marley. Foi patético. E, pior de tudo, o som do palco 2 ficou perfeito!!! Tanta hora para ficar bom e ficou justamente na apresentação deles. Antes que me acusem de usar um tom por demais ofensivo, é bom registrar que apenas meia dúzia de pessoas (literalmente) se interessou pelo show deles.

Enfim, a redenção. O magnífico Samba de Coco Raízes de Arcoverde promoveu uma revolução sonora no Ancoradouro, levou todo mundo para frente do palco e fez a apresentação mais bonita e rica (em termos culturais) de todo o festival. Lindo, de emocionar mesmo. De uma dignidade fora do comum. O que se viu foi uma aula de cultura popular e como esta pode ser autêntica sem ser chata, regional sem soar pedante, expressiva sem ser exagerada. Poderia passar horas diante do computador que não seria capaz de descrever a beleza do grupo, o peso provocado pelos tamancos, a emocionante roda que foi aberta no público, constituído em sua grande maioria por jovens. Isso sim é cultura alternativa. Eles estão à margem da indústria, não tocam nas rádios, não têm qualquer apelo junto à mídia, e, no entanto, são capazes de roubar a cena em qualquer lugar por onde passam. Um espetáculo emocionante e impossível de descrever.

Pela primeira vez vi o Bonsucesso Samba Clube ao vivo. Espero estar completamente enganado, mas fiquei com a sensação de ser apyenas uma banda de reggae melhorada. Soou chatosa mesmo. Não sei se esperava demais deles e acabei me decepcionando. Mas o fato é que não vi nada de excepcional neles e não entendi o porquê de todo o auê em cima dos caras. Tudo é repetitivo, cansativo, chato. A linha de baixo é sempre a mesma, o samba (samba?) que produzem é de segunda categoria. Tudo bem, são bons músicos e tal, mas senti falta de um elemento central e vital para qualquer banda; criatividade. Que me perdoe o Bonsucesso, mas isso eles não têm. Como disse antes, espero estar completamente enganado…

Clique na foto abaixo para abrir a PopUp com as fotos do segundo dia do PANOROCK 2004:

CLIQUE AQUI para abrir a janela pop-up com as fotos do show

Links:
» Subversivos no Reciferock
» Bonsucesso Samba Clube no RecifeRock
» Samba de Côco Raízes de Arcoverde no RecifeRock

——–

Posted terça-feira, setembro 7th, 2004 under Coberturas.

Comments are closed.