Projétil – “Projétil”

Projétil - Projétil (2004) Independente
O Projétil é uma banda que intriga mais do que explica.
em 31/10/2004 por Hugo Montarroyos

Seria injusto rotular o Projétil como uma banda de new metal. Aliás, qualquer rótulo é vazio de significado no caso deles. Trata-se de uma experiente banda nova que faz um som (des) focado em várias tendências. Explicando melhor; é um grupo que reúne em sua formação músicos já tarimbados, rodados, tendo alguns (caso do baterista Sérgio Sombra) até já tocado no lendário Lamento Negro, um dos embriões da Nação Zumbi. Outros têm uma formação musical mais pesada, com passagens por bandas de new metal e hardcore.

Tudo bem, no frigir dos ovos, o Projétil mistura hip-hop com guitarras pesadonas, mas está um passo à frente do new metal. A instrumental “Projétil”, por exemplo, é um cruzamento de eletrônica com (acredite se quiser) guitarras bem ao estilo de Hanagorik e Insurrection Down. “500 Farsas””, com letra de protesto e levada hipnótica, remete ao funk metal, mas tal definição também não cabe aqui. É música negra, consistente, pesada, ritmada. “Revolução” traz aquele que é o único elemento a irritar em todo o álbum; o bendito vício vocal, a mania onomatopéica que toda banda de hip-hop carrega ao insistir em entupir as partes pesadas com os típicos “Hã, hã, hã, hã, hã, hã”. Deveriam lançar mão deste artifício apenas nos shows. Em disco, soa forçado e desnecessário.

Mas tal pecado é redimido logo em seguida, na anárquica e apocalíptica “Submissive”, música feita para espantar visita chata e encher o saco de vizinho pentelho. Um peso muito bem-vindo permeia toda a faixa, que contém uma guitarra sensacional em primeiro plano e uma bateria (aliás, duas) que mostram novos horizontes à cena pernambucana.

“A Cara do Palhaço” parece saída de algum filme de Tarantino, com clima soturno e densidade propícios à reflexão. A má notícia é que a onomatopéia volta, mas não chega a ofuscar a música.

O Projétil é uma banda que intriga mais do que explica. Não é novo, mas também não é reciclado. Não é moderno, mas também não soa datado. E, acima de tudo, não é lá muito original, mas ao mesmo tempo não é capaz de mostrar uma referência explícita. É mais do que parece ser e menos do que almeja ser. Enfim, uma banda que merece ser conhecida, seja lá o que for.

Projétil

Posted domingo, outubro 31st, 2004 under As Mais Novas, Discos.

Tags:

Comments are closed.