Sickness – “Inside Peace”

Por Hugo Montarroyos em 10 de novembro de 2004

Sickness - Inside Peace - 2004 - Independente
Se o disco se limitasse as quatro primeiras faixas, seria um puta álbum.
em 10/11/2004 por Hugo Montarroyos

O disco de estréia do Sickness é igualzinho aos jogos da Seleção Brasileira. De início você se entusiasma, enche a casa de amendoim e cerveja e até se empolga com as primeiras jogadas. Mas o que vem depois é puro tédio, tortura, castigo mesmo.

Vamos aos fatos; o álbum começa muito bem, obrigado, com o bom peso de “El Mexico!”, onde a voz ora limpa/ora suja de Rayran serve de elo condutor ao bom trabalho instrumental da banda. Em seguida vem “Eni-o-Reh”, um pouco mais cadenciada, mas que ainda assim demonstra um poder de fogo raro em se tratando de bandas de new metal. Logo depois somos apresentados a “You Will Repent”, o precoce hit do grupo, que, reconheçamos, pode não ser genial, mas envolve pelo que tem de mais marcante; sua despretensão e simplicidade. Como todo hit que se preze, tudo está redondinho; vocal correto, guitarras entrosadas, baixo e bateria marcando o ritmo. Nada demais, e justamente por isso a música acaba nos conquistando.

“From The Past” é o último momento razoavelmente inspirado do disco. É como aquela última arrancada de Ronaldo (o fenômeno), que dribla meio time adversário, passa pelo goleiro e chuta na trave. Rayran insiste em cantar com voz limpa sob camadas (na verdade, camadinhas) de guitarras distorcidas. É o último sinal de criatividade.

O resto é um retrato new metal do estilo Parreira de jogar. Uma banda burocrática, tocando a bola de lado para não assumir qualquer responsabilidade, um jogo chato, previsível e sonífero. “Set” é um sofrimento só. Uma baladinha irritante, sem graça. Deveria ter algum brinde, do tipo “chegue até o final da faixa e ganhe um prêmio”, de tão chata que é.

“Pull” vem perpetuar a chatice explícita de “Set”. Mas é melhorzinha, pois percebemos que Rayran é um vocalista talentoso, apesar de ser acompanhado de um instrumental horroroso.

“Myself I Dont Like” é o tipo de composição em que ficamos com vergonha no lugar dos autores. Frouxa, desafinada, desprovida de qualquer relevância. Enfim, é horrível.

“Sicklown” também vem encartada com o rótulo do descartável.

Resumo da ópera; se o disco se limitasse as quatro primeiras faixas, seria um puta álbum. O resto, porém, parece estar ali apenas para encher lingüiça. Igualzinho ao meio de campo do time de Parreira.

Onde Comprar:

com a banda pelo site: www.sickness.com.br

Sickness no PE no Rock 2004

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