Eliminatórias Microfonia (Primeiro Dia)

Por Recife Rock! em 22 de novembro de 2004

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ELIMINATRIAS MICROFONIA (PRIMEIRO DIA)
data: 19/11/2004 (Sexta) – local: Borracharia
com Comuna Experimental, Retrôvisores, Scream, Mellotrons, Backing Ball Cats Barbis Vocals e Johnny Hooker
Resenha por Breno Mendonça – Fotos por Bruno Negaum

Saldo da noite: Mellotrons e Retrôvisores mandaram muito bem e são favoritos.
em 19/11/2004 por Breno Mendonça

Depois de tanto falatório, discórdias e dores de cotovelo cá estamos finalmente na semifinal do Microfonia, o concurso que dará entre outras coisas a oportunidade da banda vencedora tocar no Abril Pro Rock 2005. Muito se discutiu na última semana sobre a escolha dos semifinalistas, controversa para muitos e de péssimo gosto para outros. Devo dizer que tão logo vi os selecionados senti falta de um ou dois nomes, e que outros grupos poderiam ter entrado no lugar de algumas que entraram, mas achei que a lista foi abrangente e coerente, contemplando um pouco de vários estilos, mas com uma predominância de bandas rock.

A ordem dos shows foi previamente decidida num sorteio, feito durante a semana, que acabou deixando o primeiro dia do concurso com uma concentração maior de bons grupos. Tocariam na seguinte ordem: Comuna Experimental, Retrôvisores, Scream, Mellotrons, Backing Ball Cats Barbis Vocals e Johnny Hooker, com cada banda tocando duas músicas próprias mais um cover.

Comuna Experimental

Depois de uma pequena explanação sobre o regulamento e o devido anúncio da apresentação, o Comuna Experimental tratou de subir ao palco dando início à competição. E de cara, uma falha em um dos amplificadores atrasou o início da apresentação deles. Sanado o problema o grupo começou a tocar a primeira de suas duas músicas, ‘Balada da Praticidade’. A recepção a eles foi meio fria, por serem os primeiros talvez e pelo som mais introspectivo e cadenciado. Eles são como uma banda de jazz tocando Mpb. Os caras são muito bons instrumentistas, as músicas são interessantes, porém é o tipo de som que agrada a poucos, limitando muito as chances deles. Quando a veia jazzística fica em primeiro plano a banda funciona mais, como pode ser visto na execução do cover do pianista Dave Brubeck. Foi uma boa apresentação, mas faltou uma maior interação com o público, o que explica o fato deles passarem batido para a maioria.

Retrôvisores

Seguindo, era hora do Retrôvisores. Não tinha muitas expectativas em relação ao grupo, apesar de estar curioso e devo dizer que os caras me deixaram de cara, surpresa grande. Começaram com a inquieta ‘Maicon’. Apesar da formação – só guitarra, teclado e bateria – o som estava cheio, bem encorpado, o que já chamou a atenção para o show deles. A auto-intitulação pop-do-capeta cabe bem para definir o som da banda, com uma guitarra que não usa distorções, mas que é bem alta e barulhenta e com canções com um direcionamento voltado para o rock/pop. O Retrôvisores reuniu na sua apresentação justamente o que faltou ao Comuna: vibração, interação com o público e uma ótima presença de palco. Botou o Comuna no bolso. E eles ainda tocaram um senhor cover, com ‘Love Will Tear Us Apart’ do Joy Division – que foi atrapalhado por mais um problema com o amplificador, que os obrigou a parar e começar a música novamente. Mas nada demais. O Retrôvisores entrou para as favoritas certamente.

Scream

O Scream era o “estranho no ninho” da noite. Única banda de metal entre as 12 pré-selecionadas, o grupo teve que encarar a dura missão de tocar músicas pesadas para um público quase que totalmente voltado para o rock mais ameno dos demais grupos. E os caras mandaram bem, dentro do possível. O problema deles foi que, por causa do alto volume dos instrumentos – o baixo estava muito alto mesmo – o som virou um bolo de massa sonora, que tornava a distinção dos instrumentos algo impossível. Mas dependendo do lugar que você estivesse isso era minimizado. O som é metal com influência de bandas dos anos 90 pré-numetal como Sepultura, Pantera e Fear Factory. Conseguiram alguma manifestação da platéia durante a execução de ‘Territory’ do Sepultura.

Mellotrons

Depois da barulheira infernal do Scream, era chegada a hora de um dos favoritos do concurso, o Mellotrons. Uma platéia cativa formada por amigos e admiradores estava à espera, já gritando e saudando os caras assim que eles subiram ao palco. Os caras adornaram os pedestais dos microfones com umas luzes de natal, dando um quê a mais no visual. Acho que o Mellotrons foi a única banda da noite a agitar a galera mais com suas próprias músicas que com o cover. Prova disso foi o coro da platéia nas canções ‘Evenning’ e ‘You And I’, esta última sendo o destaque da noite até então. Com certeza as duas melhores músicas das bandas do dia. Redondinhas, com um instrumental bem trabalhado e vigoroso, mas com o devido e necessário apelo pop. Destaque também para a performance dos caras, a melhor que já vi deles. O cover tocado foi ‘Lovesong’ do Cure, já usual nos shows da banda. Acabou acontecendo o que estava previsto. Foi a melhor recepção da platéia com a melhor performance até o momento. Dificilmente os caras ficam de fora dos quatro finalistas.

Backing Ball Cats Barbis Vocals

Estava bem curioso para acompanhar as duas bandas seguintes. A Backing Ball Cats Barbis Vocals pela promessa de um show no mínimo diferente. E o Johnny Hooker para confirmar ou não minha primeira impressão deles. As Barbis entraram no palco já mandando ver o cover bem recepcionado de ‘Beth Frígida’ da Blitz. Nada daquela apresentação caótica vista no Barramundo na semana anterior, elas se “comportaram” dessa vez. Maneiraram mesmo fazendo um show sem excessos, simples e direto. O som não é lá essas coisas, mas a simpatia e as divertidas ‘Cafuçu’ e ‘Só se Alise’ acabam te fazendo gostar delas. É mais ou menos o mesmo que ocorre com o Matalanamão, por exemplo. Se tiver que entrar uma banda engraçadinha, que seja o Ball Cats.

Johnny Hooker

É impossível ficar indiferente ao Johnny Hooker. É o tipo de banda que ou você ama ou odeia. E posso dizer que não virei fã deles. Todo o jogo de cena que acabou funcionando com as Barbis ganhou cara de forçado com eles. Os caras exageram muito nas caras e bocas e quando isso passa a ser mais importante que a música, então alguma coisa está muito errada. Se as Barbis levam tudo para o escracho, o JH leva para o lado cabeça, com discurso edificante e tudo mais. O vocal, o tal Johnny Hooker, tenta passar uma imagem andrógina à lá Ziggy Stardust, mas não chega nem num Brian Molko da vida. As músicas são como se Billy Idol resolvesse tocar covers do Guns N’ Roses. Pouca identidade. Os caras não são ruins, mas precisam amadurecer idéias sobretudo nas composições. Meter um solo de metal do meio de um punk não é uma boa escolha. Ah, e deixando claro que muita gente gostou bastante do show e não foram só os amigos que eles trouxeram. E a favor deles está o tempo, pois são novos ainda e podem lapidar muito o seu som.

Saldo da noite: Mellotrons e Retrôvisores mandaram muito bem e são favoritos. Comuna e Scream apesar dos shows corretos estão de fora da fatura. E um dos dois, Johnny Hooker ou Barbis, pode surpreender.

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