The Honkers: “Vida De Rockstar É Trabalho!”

Por Recife Rock! em 17 de dezembro de 2004

The Honkers

em 17/12/2004 por Bruno Negaum

Eu lembro muito bem do show que eu vi da The Honkers lá no Capibar, no meio deste ano. Logo na primeira música, o vocalista subiu num coqueiro, e não parou por aí. Ele ficou só de cueca, bebeu água com o sapato e até tentou fazer fogo com umas pedrinhas que tinham lá. Foi muito engraçado! E hoje à noite os caras vão tocar aqui em Recife mais uma vez (terceira vez esse ano). Então, aproveitei e fiz uma entrevista com guitarrista Felipe Brust e o baterista Dimmy Drummer. Confira a entrevista abaixo:

A The Honkers está vindo pra Recife pela terceira vez só este ano e ainda tem pela frente uma turnê gigantesca! Vocês estão com tudo, né? Fala pra gente como é essa vida de ROCKSTAR e como tá a expectativa da banda para os show em Pernambuco!

Felipe Brust – O único que pode dizer que está com tudo (e não está prosa) é o Abelardo Barbosa. E ele já se foi. Tudo para nós é fruto de um esforço absurdo. Sacrifício coletivo. Matar aula. Perder fim de semana para ensaiar. Madrugadas no computador. Dobrar o serviço pra poder viajar. Deixar a família em segundo plano. Fazer o impossível pra chegar no trabalho na volta da turnê. Uma vida de Rockstar às avessas. E tentar compensar a falta de recursos com criatividade. Ou seja, fazer água virar vinho. Todo santo dia. Tinto. Cabernet Sauvignon. E se possível, maduro. É como dizia um personagem de Tarantino em Pulp Fiction quando interpelado sobre um suposto café solúvel. “Pago caro porque exijo sabor”. É bem por aí. Profissionalismo. A gente se diverte, claro. Mas acho que somos vaidosos demais pra fazer essa putaria toda por pura diversão. Isso é fácil demais. Acho que por isso tem tanta paixão e sinceridade. As ações e os projetos são formatados para serem o mais íntimos dos nossos sonhos (rockstars?), da nossa visão de mundo e o mais profissionais possíveis dentro da limitação finaceira, do tempo escasso e disponível. A nossa vida rockstar é trabalho, trabalho, trabalho e mais trabalho. A recompensa é o reconhecimento desse trabalho. Como o convite para o Festival Coquetel Molotov Independente. E que vamos com um prazer enorme, mesmo que com condições sinistras. Num carro entupido de gente, equipamento e malas por mais de doze horas. E muita honra ser o único convidado não pernambucano. Dividir um palco com as melhores bandas de rock de Recife. E num projeto classe A como esse. Levar o rock gratuitamente pra galera que não pode pagar. Do jeito que gostamos. É uma energia que não tem preço. É outra coisa. Mágica.

Dimmy Drummer – Não acho que estamos com tudo, apenas foi um trabalho que começamos há dois anos atrás. Fomos uma das primeiras bandas baianas a tocar em diversas cidades do interior baiano, porém éramos um dos únicos que não tínhamos tocado em outros estados. Porém desde a turnê do ano passado pelo Sul e Sudeste que não paramos e já tocamos em oito capitais de lá pra cá. Na próxima turnê vamos desbravar o Brasil como bandeirantes, mas falta o Norte e tá valendo o convite, o pessoal de Manaus, Acre, Rondônia, Belém. Inclusive mandamos material para um festival em Rondônia. Talvez eles achassem que não iríamos. Enganaram-se. E como dizemos, se ser rockstars é viajar de Santana Quantum, almoçar pastel com caldo de cana, dormir no chão e sempre por estradas ruins, somos os rockstars do asfalto. A expectativa é a melhor possível. Adoramos tocar pelo Nordeste e Recife é uma cidade linda e super recepetiva e em Arcoverde, tenho certeza que vai ser um daqueles pra entrar pra história.

Vocês lembram dos shows que fizeram aqui? Como foram? Qual foi a receptividade do público?

Felipe Brust – O bom de Recife é que o público é diverso. E isso é ótimo para a festa. Na primeira vez, com a Del Rey, o Capibar estava lotado de gente que viu um show insano de uma banda desconhecida. Gente muito bonita, diga-se de passagem. Longe do estereotipo roqueiro, sujo, camisa preta. Isso é excelente para a imagem do rock. Acho que o público não estava preparado pra tanto rock naquela noite. E Rodrigo se sentiu o máximo numa vitrine só dele. Centro das atenções. Ainda assim, a receptividade foi excepcional. Interagiu conosco e nos deixou bem a vontade pra mostrar nossa música. Absorvida com sucesso! Tanto que na segunda vez no mesmo Capibar foi uma atmosfera completamente diferente. Acho que não decepcionamos, apesar da noite mezzo chuvosa. Fizemos mais um show de rock com a Rádio de Outono e a Volver. A única coisa que se pode esperar da Honkers é num show é rock’n’roll. Aliás, somos uma banda de rock. A sinceridade do Honkers está em gritar, no som e na atitude, o quão rock ela é. Com as vantagens e desvantagens que isso pode trazer. Orgulho de ser Rock!

Dimmy Drummer – Claro. Não dá pra esquecer o show com o Del Rey. Muita gente, muita gente mesmo. As pessoas olhavam assustadas para Sputter de cueca com microfone enfiado pela boca, cueca… e o show com a Volver e Rádio de Outono foi pra guardar no coração. Bandas que amamos e pessoas fora de série e acreditamos que serão fortes promessas pro cenário nacional no próximo ano. Acredito que por ter uma cena muito grande e forte, Recife tenha uma certa precaução em ver as bandas de fora, porém acho que gostaram do que fizemos, tanto é que estamos voltando pela terceira vez e já tem um quarto show nosso marcado por aí.

O Rodrigo Sputter é conhecido por subir em coqueiro, ficar de cueca e até enfiar o microfone dentro da cueca quando tá no palco! Na Rua da Moeda não tem nenhum lugar pra se segurar. Como é que ele vai se virar? Poste tá valendo? E, com todo esse dinheiro que vocês estão ganhando já deu pra comprar um microfone exclusivo da banda?

Felipe Brust – Que dinheiro, mô pai? Estamos trabalhando pra isso. Tomara que ele chegue logo. Por enquanto trocamos seis por meia dúzia apenas. Às vezes nossos projetos megalomaníacos parecem ostentar uma aura endinheirada, no entanto, são frutos da completa falta de grana. E o que torna viável sua produção e execução, o que não incluiu o microfone de Rodrigo, infelizmente, ainda. Esse é outro grande problema. Superação. Não basta apenas fazer o bê-a-bá. Um dia Sputter vai ter que se matar pra superar suas próprias performances. Eu lembro daquele filme dos Goonies em que um menino caiu do berço e ficou feioso. Sputter caiu do berço também, mas foi sua primeira performance. Na hora ele percebe qualquer coisa que pode ajudar no seu devaneio particular. Mas se um dia ele não achar, não tem problema. O Honkers tem música que se basta. E bem mais bonita que a pança do Sputter.

Dimmy Drummer – O mais incrível é que nunca sabemos o que ele vai fazer. Ficamos até com medo do que ele faz, mas é o rock e acho válido. Tenha certeza que ele arruma um jeitinho. Bem, ainda não ganhamos dinheiro nem pra poder pagar os ensaios direito. Levamos um ano pra poder quitar a dívida do Estúdio Vértice, onde gravamos (ainda bem que Jera, o dono, é nosso amigo – hehehe).

Falando sério agora… faz um resumo de como foi 2004 pra The Honkers?

Felipe Brust – Foi um ano vitorioso. Exitoso. Longe do que gostaríamos. Mas foi o que plantamos nos anos anteriores. E o que foi possível realizar. Fomos convidados para tocar no Curitiba Pop Festival, Bananada e Goiânia Noise, por exemplo. Longe demais para irmos de carro, caro demais para ir de avião. Mas falemos das vitórias. Participamos com destaque dos principais festivais do Nordeste: Punka, Mada, Conquista, Mor-Março (faltou o APR). Assinamos recentemente com a Elektraventura, sociedade de selos e acessoria paulista. Produzimos um videoclipe, um documentário. Fomos eleitos banda revelação do Indie Destaque, prêmio da Midsummer Madness. Acabamos de gravar um CD. Ganhamos mais um guitarrista, Bruno Carvalho, substituindo Pedro Jorge, que cuida agora da direção musical. Foi uma ano de trabalho duro e muito prazeroso. Principalmente conhecer pessoas que reconhecem o trabalho e ajudam sem querer nada em troca. À propósito, isso chama-se amor.

Dimmy Drummer – Bem, até então, atingimos nossas metas. Claro que muita coisa ficou de fora (Curitiba Pop, Bananada e o Goiânia Noise) todos esses fomos convidados, mas não tivemos grana pra poder ir, mas no ano que vem, se chamar acho que vai rolar. O Mor-março pra mim foi o que abriu definitivamente as portas para toda essa divulgação nossa no Nordeste e o MADA foi quem mais nos ajudou com a imprensa nacional. Ficamos muito felizes com esses dois festivais. Agora o Punka…. esse foi o festival que sentimos que realmente já tínhamos reconhecimento do público do Nordeste. Foi muito bom. Esses festivais deram uma bagagem pra poder suportar esse roteiro que vamos fazer no ano que vem. Isso sem contar os shows por Salvador, Conquista, Camaçari, que sempre são fenomenais.

E agora, pra terminar, diz quais são os projetos pra 2005!

Felipe Brust – Conquistar a América do Norte, a América do Sul, a Ásia, a Europa e a Oceania com dois amigos em cada território.

Dimmy Drummer – Opa,”Todo dia é dia de rock”, já começamos o ano na estrada, de 28/01 a 06/03 estaremos passando por várias cidades brasileiras, pela Argentina e pelo Uruguai. Na volta vamos gravar 5 álbuns e devemos lançá-los simultaneamente no final do ano. Além de que, temos uma obrigação quase que moral em ir tocar em Goiânia em um dos festivais da Monstro. E se o Nordeste nos chamar de novo, vamos com o mesmo gás de sempre. Digo mais, se acharam que o show foi do jeito que foi, tenha certeza que no ano que vem vai ser ainda melhor. Garantia de rock ou devolução do seu dinheiro!

Se acham que gravar 5 discos é impossível, segue aí uma dica: gravamos um disco na “tarde” do dia 14/12 e esse será lançado durante a turnê. Bom, se gravamos um em uma tarde, cinco discos podem ficar prontos em uma semana! Hehehe (o Undergrond Music também foi gravado em uma tarde).

The Honkers

Links:
» The Honkers – Site Oficial

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