Coquetel Independente 2 (Segundo Dia)

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COQUETEL INDEPENDENTE 2 (Segundo Dia)
data: 18/12/2004 (Sábado) – local: Rua da Moeda
com Poeta Carcará, The Dead Superstars, Mellotrons, Backstages e River Raid
Resenha por Hugo Montarroyos – Fotos por Bruno Negaum

Mellotrons e Backstages se destacam em noite de alto nível
em 18/12/2004 por Hugo Montarroyos

A segunda noite do festival Coquetel Independente 2 foi marcada por gratas surpresas, uma certeza latente, e uma senhora decepção. Comecemos pelo lado bom da história.

The Dead Superstars

Pontualmente às 23h subiu ao palco da Rua da Moeda a ótima The Dead Superstars , banda que faz da distorção um caminho para saídas ousadas e criativas, levando o Sonic Youth a patamares mais rebuscados e robustos do que o usual. O grupo abriu o show com a excelente “Aerowillys”, que sintetiza bem a proposta da banda, ou seja, transformar distorção em elemento catalisador de novas tendências, arte em que o grupo se mostrou extremamente competente. A certeira escolha da cover de “U-Mass”, do Pixies, foi o retrato perfeito de uma apresentação coesa, certeira e redonda, ainda que o assunto vigente aqui seja o bom e velho noise.

Em compensação, o Poeta Carcará frustou todas as expectativas. Mostrou um repertório chato, batido e irrelevante. Mais parece uma banda de barzinho melhorada (ou piorada, dependendo do referencial). Parafraseando Maria Bethânia: “Carcará, pega, mata e come”. Tinha lá seu público, mas isso não quer dizer muita coisa, afinal, músicos também são humanos e possuem amigos, família, namoradas, etc. Foi, sem sombra de dúvida, o pior show de todo o festival. E olha que não é qualquer um que consegue superar o Profiterolis em cenas de ruindade explícita .

Mellotrons

Depois da tempestade, a bonança. As coisas só voltaram aos eixos quando o excepcional Mellotrons entrou em cena. Trata-se, hoje, da melhor banda nova de Pernambuco. Poucos grupos daqui possuem um trabalho de guitarras tão bem elaborado quanto o Mellotrons. “You and I” é a prova concreta disso. Isso sem falar de “Slow Motion”, música de clima absolutamente envolvente de tão bonita que é. Mas eles ganham o jogo de fato quando tocam “Evening”, hit que melhora a cada apresentação devido ao esmero e raça com que é tocada. Ainda teve, de brinde, uma ótima versão para “There is a Light That Never Goes Out”, dos Smiths, sinalizando aquele que seria (e foi) o melhor show de todo o festival.

Mas a grande surpresa da noite ficou por conta do Backstages . Apesar de tocarem no formato guitarra/bateria, a banda não se limita aos trejeitos do White Stripes. Prova disso foi a excelente “Black Stripes”, que adiciona um peso alucinante aos que acham que o grupo não passa de um mero simulacro de Meg e Jack. Aliás, o grande mérito da banda é justamente superar as limitações impostas pelo binômio guitarra/bateria, alternando momentos de extrema fúria com boas doses de ska. Sem medo das restrições provocadas pela ausência de demais instrumentos, o Backstages trilha com coragem um caminho que à primeira vista indica simplicidade, facilidade e preguiça. Mas, afinal, não dizem que as aparências enganam? No caso deles, a máxima é mais do que verdadeira. Até surf music eles fazem bem. O segredo de tamanha competência é a total sintonia entre o baterista Gustavo Guzz e o guitarrista e vocalista Kleber, que conseguem transformar o mínimo em máximo, a escassez em sobra, o pouco em muito. Foi a grande revelação do evento.

River Raid

Após pouco mais de dois anos de molho, o River Raid resolveu voltar aos palcos. A banda, assim como o famigerado joguinho do Atari, funciona muito bem quando o combustível da nave está cheio, o que acaba resultando em vôos promissores. Mas derrapa feio quando pisca o alerta vermelho, dando sinais de cansaço e repetição. Em compensação, no geral, o que se viu foi uma banda de pegada vigorosa, boa de palco e competente ao extremo, donos de uma sonoridade cheia e consistente como há muito não se via por aqui. Há coisas na vida que jamais deveriam ser apagadas da memória coletiva. E o River Raid provou ser uma delas.

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Links:
» The Dead Superstars no RecifeRock
» Poeta Carcará no RecifeRock
» Backstages no RecifeRock

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Posted segunda-feira, dezembro 20th, 2004 under Coberturas.

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