Entrevistão Astronautas: Um Longo Bate-papo Regado a Cerveja

Conversamos por quase 2 horas com a banda Astronautas…
em 18/02/2005 por Hugo Montarroyos e Guilherme Moura

Entrevistão com Astronautas

Aproveitamos que os Astronautas estão de passagem pelo Recife e resolvemos fazer um entrevistão com a banda, onde nosso objetivo era traçar um histórico do grupo, desde o início da carreira de André Frank até a formação dos Astronautas. Para isso nos dirigimos até o bar do “Bode” durante uma tarde de quinta-feira. Entre uma cerveja e outra, André Frank e Guga falaram sobre a vida da banda em São Paulo, de como a carreira da banda ganhou outro formato por conta da mudança para a capital paulista, da relação com a Monstro Discos e das diferenças culturais das cadeias produtivas de Recife e São Paulo. Confira abaixo a conversa na íntegra.

Queria que você contasse sua história primeiro…

André Frank – Eu sou André Frank e tenho 30 anos. Essa é minha segunda banda. Eu vim do Frank Jr., toquei no DMP e Os Fulanos e no Paulo Francis Vai Pro Céu. Produzi muita coisa, como a primeira demo do Sheik Tosado. Fiz muito show, trabalhei com muita banda e montei os Astronautas há cinco anos. Houve muita mudança na formação e agora estamos trabalhando o segundo CD, “Electro-Cidade”, depois do primeiro, “De Algum Lugar do sistema Solar” ter vendido oito mil cópias. Tocamos nos maiores festivais, rodamos o país todo, sempre com autonomia total, sem depender do Estado ou de qualquer tipo de incentivo exterior. A gente trabalhou da melhor maneira possível e as coisas acabaram dando certo.

Como foi a concepção do primeiro disco?

André Frank – O primeiro disco veio logo no começo da banda. Já nos primeiros ensaios a gente já estava trabalhando as músicas. E a gente chegou pra gravar com Leo D. e William P. (do estúdio Mr. Mouse), que já tinham trabalhado com a gente na época do Frank Jr. Viraram os produtores oficiais da gente, e depois veio o Alex Zhort, que já tinha trabalhado com Helmet e Motörhead. O cara apareceu aqui do nada para dar uma força sobretudo na captação dos sons, pra tirar um som cru. E deu super certo, o disco foi super elogiado, vendeu bastante, nos abriu várias portas e fez com que a gente pensasse em se mudar pra São Paulo o mais rápido possível.

No primeiro disco vocês já pensavam em se mudar pra São Paulo?

André Frank – Já. A gente primeiro fez a divulgação no “Curitiba Pop Festival”, levamos 300 CDs na mochila e vimos o aspecto geral do Brasil. Foi aí que pensamos em fazer um lance fora de Recife, uma cidade que ainda é difícil de se movimentar. E a gente sabia que a mudança tinha que ser imediata.

Como é que vocês conseguem ter um padrão de estrutura tão alto? Como isso é viabilizado?

André Frank – É mágica! (risos) Na verdade a gente tem tudo o que as bandas daqui têm, se duvidar a gente ganha ainda menos dinheiro, mas a gente consegue investir melhor dentro da banda. A gente consegue fazer mágica com pouco dinheiro dentro da banda. Aluga som, coloca luz extra, melhora o som, coordena uma equipe técnica melhor, pensa no figurino, nas imagens do projetor. E isso tudo é feito em casa. Tudo bolado em casa ou em mesa de bar, com um custo sempre super baixo. O nosso primeiro disco custou 500 reais. Foi de graça…

Incluindo prensagem e tudo mais?

André Frank – Com tudo. A gente prensou mil cópias e gastou “mil conto”. E gravamos num estúdio do caralho, com uma produção do caralho, com um gringo…

Como é que vocês conseguiram isso?

André Frank – É mágica. É muito conhecimento. Eu consegui fazer uma permuta com o estúdio. Alex apareceu, eu conversei com ele e ele fez a parada por 100 reais. Ele disse: “Meu irmão, vou cobrar só a cerveja”. O preço do nosso último disco foi ridículo também. Ele custou cerca de R$ 7 mil. Normalmente o custo é de R$ 35 mil. E esgotou tudo. E agora vem a segunda tiragem do cd com os três clipes: Cidade-Cinza”, “Não Faço Nada” e “Nós, Robôs”.

Vendeu quanto até agora?

André Frank – Duas mil cópias. A segunda tiragem também será de duas mil cópias.

Entrevistão com Astronautas

Como surgiu a idéia de mudar de tema de um disco para o outro, do Espaço para a Cidade?

André Frank – Era uma idéia que a gente já vinha pensando há algum tempo. O primeiro disco foi nosso cartão de visitas, foi todo bolado em cima do nome da banda. No segundo CD a gente já sabia que iria desvincular completamente disso porque a gente não queria ficar preso num mesmo tema, como se fosse um “Planet Hemp intergalático”. A gente queria abrir um leque maior. Então já veio a idéia de São Paulo na cabeça, como seria lá. Veio a timbragem, veio a eletrônica muito mais apurada. Finalmente adquirimos um sampler. Agora tudo ao vivo é igual ao que está no disco. O som eletrônico é perfeito.

Fazer discos conceituais será uma constante na trajetória da banda? Não é perigoso esse processo?

André Frank – Você tem sempre que escolher uma ótica, um universo para abranger. Mas o mundo é muito vasto. Já estamos com o próximo CD meio que engatilhado. A interligação de um disco inteiro é uma viagem para você produzir pra quem está ouvindo. Se você ouvir nosso disco num walkman em casa, fechar o olho e apagar a luz, você terá várias sensações diferentes.

Qual é o próximo tema a ser abordado? Já dá para adiantar alguma coisa?

André Frank – Não dá porque isso é uma coisa que a gente já imagina como vai ser, mas se a gente disser vai perder a graça.

O que mudou com a ida pra São Paulo?

André Frank – Mudou tudo. A banda já era muito profissional, mas constatamos que esse profissionalismo ainda era insuficiente para o que a gente almejava. Em são Paulo a gente teve que melhorar milhares de pontos nossos. Melhorar como pessoas, como profissionais, como família, já que a gente mora junto na mesma casa, como empresa, porque virou um empreendimento. É uma empresa que a gente bota dinheiro. E melhorar como músicos. Tivemos a oportunidade de conhecer uma série de outros músicos com outras realidades. A gente se viu numa relação super privilegiada em São Paulo. A gente mora numa boa casa, que tem um estúdio, tem uma produtora, um escritório, conhecemos pessoas que são muito bem conceituadas no cenário musical que são amigos nossos e que admiram nosso trabalho. A gente sempre tem uma estrutura que nos permite ter um trabalho já pronto. Então é só alguém chegar depois e depositar confiança na gente e botar uma grana para expandir o negócio.

Em São Paulo vocês se dedicam só à banda ou têm empregos paralelos?

André Frank – Vivemos exclusivamente da música, até porque nossa agenda aumentou muito. A quantidade de shows aumentou bastante. 2005 é o ano de ganhar dinheiro com a banda, de investir mais no trabalho, então não acaba sobrando tempo pra mais nada. É só tocar, ensaiar e sobretudo trabalhar fora da banda, no sentido externo, de produção, de visitar jornal, ir na MTV. Em São Paulo a gente não pára. A gente acorda todo dia às seis horas da manhã, toma café as sete e às oito horas já está todo mundo saindo de casa. E eu fico lá no computador até às sete da noite. É por isso que a gente aparece bastante. São Paulo foi uma opção perfeita para uma banda como os Astronautas.

Quem é o público dos Astronautas hoje?

André Frank – Eu acho que nosso público é formado por pessoas que estão na internet, com faixa etária entre 16 e 30 anos. Um público jovem que gosta de guitarra distorcida. E ao mesmo tempo agrega gente que gosta de música eletrônica. Porque a proposta da gente é fazer um som particular e único. A gente quer ser cada vez mais singular, cada vez mais moderno, para quando a banda acabar ter escrito um capítulo interessante na história do rock, como os Titãs escreveram, como o Los Hermanos escreve agora.

Vocês já pensam em terminar a banda? Ela tem um prazo de validade?

André Frank – Não tem um prazo de validade, acho que a banda pode durar 30 anos, mas um dia vai acabar. Uma hora os Rolling Stones vão envelhecer e os caras vão parar num asilo geriátrico. Eu penso na banda como uma família, tem que ter longevidade. Nossa banda é automática, ela não pára. Os músicos entram, interagem, são da família. Uma vez que saem, vão permanecer sendo da família. Como Vinícius, como Carioca, como Cláudio, como Jorge, como tantos outros músicos que tocaram conosco e sempre serão parte da banda. Nosso objetivo é ser uma banda que deixe um legado na história do rock brasileiro.

Como compositor você se preocupa em fazer um som mais comercial, que atinja mais gente, ou em fazer um som que te satisfaça como músico?

André Frank – Não existe a preocupação em ser comercial, os refrões nascem naturalmente. Muitas músicas começam pelo refrão e depois viram música. Sempre é uma surpresa a cada disco. No primeiro CD, “Ultravioleta” foi a última música a entrar e foi a música responsável pelo estouro da banda em vários lugares. No segundo CD, “Não Faço Nada” entrou no último ensaio da banda antes de gravar o disco. Quando a gente se deu conta tinha sido a música que mais premiou a gente durante o ano. “Cidade Cinza” era a principal e acabou estourando outra música.

Entrevistão com Astronautas

Como é que surgiu a ‘parceria’ com a Monstro Discos?

André Frank – Eu acho que a gente é muito enxerido. Quando lançamos o primeiro disco tratamos de mandá-lo para todo mundo e acabamos articulando um monte de festivais, organizamos um show com a Monstro [ Nota: Foi a Noite Monstro em Porto Alegre, com Walverdes e Prot(o)] . E a gente chegou muito bem preparado. Quando a gente tocou quebrou tudo. Aí os caras ficaram impressionados, viraram nossos amigos. Combinamos de fazer o “Goiânia Noise”. Fabrício Nobre quando viu o show pirou, acabamos sendo um dos destaques do festival. Aí é que vem o lance, a gente investiu mesmo. Fabrício não podia bancar nada… e a gente ainda tocou em Brasília com os Alucináticos…

Isso foi quando?

André Frank – Novembro de 2003. Depois a gente tocou no “Goiânia Noise” e conseguimos chamar a atenção porque no dia seguinte fizemos mais um show e alugamos um telão de seis metros pra fazer o show completo. Aí todo mundo perguntou: “Que banda é essa?”. A gente faz questão de fazer um trabalho independente. Fizemos uma sociedade. A gente prensou tudo e eles pegaram e colocaram nos pontos de venda e botaram o selo deles para divulgar. O resultado é que fomos a banda da Monstro que mais apareceu nos maiores veículos. E os caras ficaram felicíssimos.

Desde que vocês foram pra São Paulo, vocês já tocaram aonde?

André Frank – São Paulo, Campinas, Florianópolis, Curitiba, Ponta Grossa, Porto Alegre, São Leopoldo, Rio de Janeiro, Londrina, Belo Horizonte, Goiás, Uberlândia. A gente tocou muito. Fizemos 25 shows em três meses.

Tudo isso na base da mágica?

André Frnak – Tudo isso na mágica, com várias horas na internet, ligando pra todo mundo, abrindo canal, pegando contato aqui e acolá e sobretudo com muito gás da Monstro. Todo dia a gente se fala. A gente acabou se tornando a banda número um da Monstro. E pra eles é interessante porque a gente tem um grau comercial muito maior do que as outras bandas da Monstro. Tem o MQN que é foda, mas o inglês dificulta o acesso. A gente faz parte de um grupo na gravadora junto com Walverdes, Autoramas, bandas que cantam em português. Eu espero muito que um disco nosso, quem sabe o próximo, venda 100 mil cópias pela Monstro Discos, para eles ganharem grana pra investir, porque eles são assim, eles investem mesmo. E a hora é essa. Agora é que a gente está começando a aparecer no país todo. Agora rolou Folha de São Paulo, em abril vamos aparecer no “Bandas Novas MTV”. 2005 pra gente começa com o show de sábado no Pátio de São Pedro. Vai ser o primeiro show do ano.

Vocês têm idéia de quantos shows fizeram em 2004?

André Frank – A gente não contou, mas nosso plano é fazer pelo menos 50 shows em 2005.

A partir do momento que vocês estão em São Paulo, muda a visão que vocês têm daqui. Qual a visão de lá que vocês têm de Recife?

André Frank – As pessoas me perguntam freqüentemente como estão as coisas no Recife. Eu sempre digo que tá massa, mas que tá lento demais pra gente. A gente acabou adquirindo um pouco o ritmo de vida de São Paulo. Lá tem uma quantidade enorme de bandas, todas trabalhando. Então quem trabalhar da melhor maneira vai crescer muito mais rápido. Em Recife, pra gente que passou cinco semanas aqui, eu acabo me sentindo ocioso. Porque a gente até que faz bastante coisa aqui, fizemos rádio, TV, jornais, site, mas a gente precisa tocar mais. E se a banda voltasse hoje pro Recife iria atrofiar. Iria tocar três ou quatro vezes em festivais esporádicos, e se convidassem. Aí não dá, a gente não quer isso.

Pela estrutura que a banda possuí hoje e pelo nível de profissionalismo que vocês alcançaram, vocês já sentiram que alguma banda nutre alguma espécie de ciúme em relação aos Astronautas?

André Frank – Não. Eu acho que as bandas se impressionam e perguntam como é que a gente consegue fazer tudo isso. É a tal da mágica, a gente vive correndo atrás das coisas, negociando. Se o Pátio de São Pedro oferece um palco com fundo preto, a gente procura fazer o nosso cromado, com papel laminado. Soluções criativas e baratas.

Entrevistão com Astronautas

Você acha que as bandas daqui ainda choram muito e fazem pouco?

André Frank – Chorar sempre se chora, e fazer pouco ainda é uma tônica. Eu acho que em 2005 já deva rolar uma aceleração maior do que em 2004. Por exemplo, o Superoutro, que é uma banda nova e já está no “Goiânia Noise” trilhando o caminho deles, fazendo diferente de todo mundo na Midsummer, com o Rodrigo Lariú, que dá uma puta força pra eles. Esse é o caminho, como também o Vamoz!, que está na Monstro mas faz um trabalho totalmente independente. Como o Rádio de Outono chegou agora, como o Volver. Então tem várias bandas boas que chegaram agora que todo mundo se ligou. Acho que é possível crescer rapidamente e de forma independente.

Guga – Quem trabalha sério chega, é inevitável.

Que banda daqui você acha que teria que ir pra São Paulo?

André Frank – Mombojó poderia tranqüilamente ir pra São Paulo. Eles já têm uma boa base aqui. Porque chegar em São Paulo sem nada também não adianta, você precisa primeiro construir uma base legal aqui na sua cidade pra depois fixar residência lá para ter maiores condições de mostrar seu trabalho no país todo, como a gente fez. Acho que o Mombojó é uma banda perfeita pra ir. Tem um mercado excelente, tem excelentes músicos, eles têm uma boa cabeça, um produtor excelente, uma assessora de imprensa excelente, é uma banda que está pronta. Já pode ir pra São Paulo que lá tem um mercado melhor. Volver acho que futuramente poderá dar esse passo. Eu acho que todas as bandas que vão crescer em algum momento vão se deparar com essa possibilidade. Acho interessante ficar aqui também, desde que você faça um som para sobreviver aqui, um som mais voltado às nossas raízes, que tenha uma sonoridade mais regional.

E pra quem ficou aqui? O pessoal aqui não paga cachê, normalmente só quem paga é a prefeitura e o governo. O que a banda pode fazer pra ser independente aqui?

Guga – Fazer mágica.

André Frank – Eu acho que a mágica aqui é mais complicada. A minha mágica, a mágica que a banda utilizou foi justamente sair daqui porque a gente não viu possibilidade nenhuma de ficar.

Entrevistão com Astronautas

Por que não dá pra crescer no Recife?

André Frank – O problema de Recife é generalizado e parte do princípio financeiro e econômico. As pessoas não têm muito dinheiro para sair à noite pros bares, as pessoas não têm dinheiro para comprar os CDs. Vão ao show que é gratuito, acham legal mas não têm grana para comprar o disco, que é até barato, coisa de 10 reais. Existem poucas casas de show, existem poucas possibilidades de apresentar o som. São Paulo é mais populosa. Você tem mais espaços, mais bares para tocar. É uma questão de tamanho mesmo.

E o poder aquisitivo do público é maior também…

André Frank – O poder aquisitivo não é tão grande quanto parece. São Paulo é uma Recife maior. Os lugares para tocar são pequenos, os sons não são bons, a estrutura não é boa, é muito mais complicado conseguir matéria em jornal porque a estrutura é muito maior. Por este aspecto São Paulo é bem mais difícil. São Paulo é útil pra quem já tem um nome consolidado, como Astronautas, Mombojó, Bonsucesso, Eddie. A gente se depara com um êxodo cultural lá. Moram lá Astronautas, Cachorro Grande, Pitty, Zémaria, Cascadura . São dezenas de boas bandas que não estão em suas cidades porque precisam amplificar seu raio de ação em São Paulo.

Vocês pretendem parar para produzir o disco novo quando?

André Frank – Nossa idéia é trabalhar o “Electro-Cidade” até dezembro. No final do ano a gente começa a pensar na produção do novo disco. Pretendemos gravar o disco em janeiro de 2006 e lançá-lo em março ou abril.

Queria saber um pouco sobre a família Astronautas. Quem faz parte dela?

André Frank – A banda iniciou comigo na guitarra e vocal, Jorge Terto no baixo, Vágner Magachi na guitarra e Saulo na bateria. Dessa formação nasceu “Orbital”, nasceu “Fora do Ar”.

Isso foi quando?

André Frank – Junho de 2001. Magachi viajou para os Estados Unidos e entrou Cláudio no lugar dele. Jorge também viajou pros Estados Unidos, aí entrou Fernando, baixista do Sick. Cláudio teve que trabalhar fora do Estado. Aí entrou Carioca na bateria. Fernando se dedicou ao Sick e entrou Vinícius no lugar dele. Aí depois saiu Cláudio e entrou Djalma. Vinícius teve que ficar por conta do emprego e aí entrou Dudu no baixo. Carioca teve que ficar no Recife por causa da família e da filha pequena. Aí entrou Walman na bateria e Guga como quinto elemento.

E fora a banda? A galera da iluminação e tal..

André Frank – Isso acaba agregando muita gente, muitos amigos. Em cada lugar a gente monta uma equipe diferente. Em Recife a gente conta com Albert e Bomba na luz, Tiaguinho, Braulinho e Pequeno como roadies, Marcinho, Lenildo, Fumato, André Gordo e Normando na operação de som. Fora os amigos das gráficas, da xerox, o amigo do CD, o amigo do jornal. Sempre tem muita gente envolvida, muita gente que aposta e bota fé no trabalho da gente. João Carvalho da Rede Globo está sempre ajudando, sempre dando idéias. Em São Paulo a gente já tem como amigos os pessoal do Cachorro Grande , que fica sempre lá em casa, até mesmo quando a gente não tá lá (risos), Pitty…

O que você gostaria que fosse perguntado e que não te perguntaram até hoje?

André Frank – (gargalhadas). Entrevista boa é assim. Acho que nunca perguntaram pra gente se a gente na verdade pretende ser uma banda que vai crescer muito e que jamais vai ter um final e se é uma banda que vai virar banda de comercial de churrasco, se vai segurar até o final a onda de ser uma banda boa, de não ceder ao mercado e buscar incessantemente ser uma excelente banda do Brasil contemporâneo. Nunca perguntaram isso pra gente. Em compensação já perguntaram pra gente se tínhamos influências do Slipknot por causa dos macacões, A influência principal da gente é o DEVO.

Entrevistão com Astronautas

O que vocês estão ouvindo agora? Vocês têm uma certa fixação por Queens of The Stone Age…

André Frank – A gente parou de ouvir QOTSA. A gente não gosta de ouvir uma banda por muito tempo pra não influenciar muito no resultado do nosso trabalho. A gente gosta de resgatar coisas mais antigas. Nosso show agora termina com uma música do Pink Floyd. A gente toca “Deus lhe Pague”, de Chico Buarque, “Machine Gun”, de Jimi Hendrix, Kraftwerk, que sempre foi uma referência. A gente gosta de soar como uma espécie de Kraftwerk pesado. A gente faz uma versão deles de “The Robots”. A gente tem até um plano de lançar um CD de covers, é uma coisa que pode rolar antes do próximo disco, um trabalho paralelo. Aí se encaixariam desde “The Model” e “The Robots, do Kraftwerk, até “Plunct, Plact Zum”.

O terceiro disco será gravado aonde?

André Frank – A gente tem a opção de gravar em Recife com Léo D e William P, tem a possibilidade de gravar com Yuri, que gravou Walverdes e MQN em Goiânia ou São Paulo ou Recife, a gente vai gravar em qualquer lugar, onde for mais conveniente no momento.

Pra Fechar… Em relação ao público de Pitty. Vocês têm uma proximidade com ela até na escolha dos covers. Não tem uma proximidade de público aí entre Astronautas e Pitty?

André Frank – Eu acho que Pitty é uma Astronauta. Ela veste a camisa de fato. Quando ela recebeu nosso CD ela imediatamente mandou um e-mail dizendo quais músicas gostava e porquê gostava. Ela sempre foi amiga, hospedou a gente em São Paulo. Eu acho que o público dela é mais formado por garotas pelo fato dela ser mulher. A gente talvez tenha uma parcela do público masculino dela que gosta de rock. A gente se vê como uma banda que não tem banda irmã. Criativamente isso é muito bom, mas no aspecto comercial é complicado.

Pra fechar mesmo… Como é que vai ser o show do Pátio de São Pedro. Vai ser diferente do da Pré-Amp?

André Frank – Vai ser um show exclusivamente nosso, um show baseado no repertório do disco novo. Os macacões vão ser da tendência nova, vamos tocar as músicas mais fortes do primeiro disco, versões novas. Não vai ter telão. Uma coisa que é legal e que até Gleisson, baterista da Rádio de Outono falou pra mim depois do show da Pré-Amp, é que o show da gente parecia um show de uma banda de fora. Isso quer dizer que estamos trilhando o caminho certo, que estamos alcançando nosso objetivo.

Última pergunta: quem vai pagar a conta?

(Risos)

A conta foi devidamente rachada…

Links:
» Astronautas no RecifeRock
» Astronautas – Site Oficial
» Monstro Discos – Site Oficial

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Posted sexta-feira, fevereiro 18th, 2005 under Notícias.

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