Abril Pro Rock 2005 (Segunda Noite)

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ABRIL PRO ROCK 2005 (SEGUNDA NOITE)
data: 16/04/2005 (Sábado) – local: Pavilhão do Centro de Convenções
com Sepultura (MG), Shaaman (SP), Dead Fish (ES), Massacration (MTV), Retrofoguetes (BA), MQN (GO), Matanza (RJ), Chaosphere e Silent Moon
Resenha por Hugo Montarroyos e Breno Mendonça – Fotos por Bruno Negaum

em 16/04/2005 por Hugo Montarroyos e Breno Mendonça

PALCO 2

Por Breno Mendonça

Nesta segunda noite do Abril Pro Rock, o palco 2 deixa de abrigar o concurso Claro Que É Rock, restabelecendo seu papel de apresentar as atrações do festival. Com o fim do concurso, foi-se também o jogo de luzes de primeiro mundo, mas que não chegou a comprometer a boa estrutura do palco.

Silent Moon

A primeira banda a se apresentar foi a Silent Moon, nome em ascensão na cena metaleira local. O som do grupo remete diretamente ao metal melódico, com claras influências dos grandes nomes do estilo, tais quais Helloween, Angra e Stratovarius. Pode-se dizer que eles não são lá um exemplo de originalidade, visto que os elementos que compõe sua música já foram mais do executados e difundidos pelos grupos citados. Mas a vibração e segurança do grupo, somadas às canções redondinhas conseguem obter resultados até interessantes. O público cantou boa parte das músicas e não pareceu se importar com a saraivada de clichês. Canções como “Rebellion” e “Clandestine” têm ótimas passagens, pecando somente pelo exagero nos solos. Mas nada que não possa ser resolvido. Pra ganhar a galera de vez mandaram um bem executado cover do Maiden, “Aces High”. O destaque da banda é sem dúvida o baterista-prodígio Guilherme, de apenas 16 anos. O guri manda muito bem, mostrando grande técnica. no geral, foi uma boa apresentação.

Chaosphere

O Chaosphere veio logo depois, no mesmo palco 2, sendo a segunda banda da noite. Tão logo os primeiros riffs de guitarra foram executados já foi dando pra perceber que a história era outra. Mais pesado que o Silent Moon, o Chaosphere mostrou um metal muito mais substancial e com elementos diversos, com referências a grupos como Slayer e In Flames. A resposta do público foi imediata. A abertura ficou pela ótima “Side By Side”, com sua intrincada estrutura. Os caras abusam dos riffs bem trabalhados, com o muito bem colocado vocal de Antônio, variando do gritado ao melódico, tornando ele o grande destaque individual da banda. A veia Slayer presente no som dos caras foi escancarada com o cover que eles fizeram de “Rainning Blood”. Devastador! Vale destacar, assim como no caso do Silent Moon, a segurança e desenvoltura da banda. O Chaosphere não deixa a dever a nenhuma banda no cenário metaleiro nacional. E mais do que tudo é mostra clara de que o metal em Recife está mais do que vivo. Ótimo show!

Retrofoguetes (BA)

Depois de acabados os shows do Chaosphere e Dead Fish (palco 1), era hora do surf music/rockabilly baiano do Retrofoguetes dar as caras no festival. Com olhares desconfiados do público que foi se aglomerando, os baianos foram mandando logo de cara a instigante “Surf-o-matic”, já emendando com “As Concubinas Mecânicas do Doutor Karzov”, ambas do disco recém-lançado pelo grupo, o “Ativar Retrofoguetes”. Na entrevista pré-Abril Pro Rock que fiz com a batera do grupo, Rex, ele dizia que a banda faria um “surf music pauleira”. Não estava brincando! O barulho que eles fizeram foi digno da noite metal do APR. E esse “barulho” somado às boas músicas e à performance cativante do grupo, conquistou pouco a pouco os metaleiros, que depois do cover de Dick Dale “Misirlou” se renderam de vez. Eu que estava perto do palco logo no começo acabei lá atrás, graças às rodas de pogo. Show fodaço!

Matanza (RJ)

A próxima banda do palco 2 foi a carioca Matanza, que tocou logo depois do fenômeno Massacration. Sorte deles, que pegaram um público ainda extasiado pelo show avacalhado dos “reis do metal”. E naquele bunda-lê-lê todo, qualquer coisa com uma levada mais acelerada já seria suficiente para saciar os guerreiros do metal ávidos por uma roda de pogo pra cair dentro. Mesmo com as músicas em sua maioria chatas do Matanza. Salvo os dois singles “Pé na Porta Soco Na Cara” e “Bom é Quando Faz Mal” que são músicas bem estruturadas e divertidas, o repertório do grupo é uma coleção de canções chatas e burocráticas, com riffs repetitivos demais. O Country-Punk-Rock do grupo não convence. Mas a galera pareceu gostar bastante, fazendo rodas e mais rodas durante toda a apresentação. Obtiveram uma boa resposta do público. Foi a primeira banda do palco 2 a ter problemas no som, que estava muito bom por sinal nos shows anteriores.

MQN (GO)

Fechando o dia do palco 2 era hora de um show de rock de verdade. O MQN de Goiânia fez aquele que até aquele momento havia sido o melhor show do festival (depois o Sepultura botou pra lascar, mas aí é outra história). de verdade! Show do caralho mesmo. Ao contrário do Matanza que pegou uma platéia ainda ativa e empolgada, o MQN foi vítima do cansaço provocado pelos demais shows, especialmente o que o antecedeu diretamente, o do Shaaman, que parecia que não acabaria mais, de tão longo que foi. O público cansado preferiu guardar energias pro show final. E aí é que se enxerga a qualidade de uma banda. Mesmo sem o suporte maciço da galera o MQN mandou ver no seu Stoner-Rock sujo, com guitarra e baixo no talo fazendo um show espetacular. O som dos caras remete imediatamente – e eles não escondem de ninguém – aos australianos do AC/DC, tanto no som quanto na atitude estilo foda-se. O resultado é uma coleção de pérolas rock, como “Hard Times”, a arrastada “Gun Shooting Love” e as demoníacas “Come To A Place Called Hell” e “Let It Rock”, esta última com um riff de guitarra simples, mas muito foda, melhor música do grupo! Completando o grande show dos caras uma participação pra lá de desencanada – em total contraste com as caras e bocas do metal – dos caras do Retrofoguetes. O MQN mostra que para fazer um bom show é preciso antes de tudo se divertir tocando. E claro, um punhado de boas músicas ajuda bastante! Façam um favor a vocês mesmos e comprem o disco dos caras. E não vacilem da próxima vez! ROOOOCK!!!

PALCO PRINCIPAL

“Massacration e Sepultura se destacam no palco principal na segunda noite do APR…”


Por Hugo Montarroyos

Dead Fish (ES)

A diluição do hardcore e do punk comandada pelo Dead Fish inaugurou os trabalhos do palco principal na segunda noite do “Abril pro Rock”. Com forte apelo junto ao público adolescente, que lotou o pavilhão do Centro de Convenções para vê-los, os capixabas mostraram suas músicas aguadas, pastosas e melosas para uma multidão que simplesmente ia ao delírio a cada acorde tocado pela banda. Em alguns poucos momentos o Dead Fish até parecia soar pesado, mas logo o peso se transformava na mais cansativa xaropada. O vocalista Rodrigo, em determinadas ocasiões, se arriscava nos vocais guturais, mas logo mudava de idéia e partia para a mais pura lamúria. O Dead Fish é um grupo indeciso; não sabe se assume de vez seu lado comercial, e, ao mesmo tempo, quer soar revoltado. O resultado chega a ser patético. Mas, justiça seja feita, o público adorou o show deles. Adolescentes…um dia crescem.

Massacration (MTV)

Estava no palco 2 articulando uma entrevista com o Retrofoguetes (que você confere em breve aqui no RecifeRock) quando o Massacration entrou em cena. Um dos integrantes do “Hermes e Renato” apareceu sentado num banquinho, com um violão em punho. Foi logo adotando o seguinte discurso: “O nome deste festival é ‘Abril pro Rock’. Já que abre para o rock, deveria abrir para outros estilos também. Eu vou cantar uma música, uma parceria minha com o Marquinhos Aguiar”. Foi a deixa para Joselito entrar no palco e acabar com tudo. E aí teve início o show mais hilário da história do festival. O Massacration começou a tocar e o bizarro vocalista Detonator caprichou nos agudos de “Metal Milk Shake” e “Metal Bucetacion”, ambas cantadas por todo o pavilhão do Centro de Convenções. A reação do público foi espantosa: uns encaravam como mera piada, outros levavam a sério mesmo. Ainda tiveram a audácia de tocar “Pirando em Salvador”, da banda co-irmã Coração de Melão. Ao final do show, Detonator escrachou de vez “Tudo bem que o show do Massacration acabou, mas não vão embora, pois ainda tocarão Shaaman e Sepultura”. Surreal. Ainda tive o privilégio de levar um papo com o megalomaníaco Detonator após a apresentação do Massacration. (a entrevista você confere em breve no RecifeRock).

Shaaman (SP)

Quando o Shaaman subiu no palco, uma dúvida atroz começou a rondar a minha cabeça; a piada da noite era o Massacration ou a banda de André Matos. O ovo ou a galinha?

O Shaaman veio mostrar o repertório de seu novo álbum, “Reason”, que, segundo consta, é um disco gótico que flerta com elementos eletrônicos. André acha que o metal melódico está superado, e quer dar novos rumos ao gênero. Só que o que se viu foi o Shaaman de sempre; uma banda irritante de um vocalista que irrita (o pleonasmo é necessário) pelo excesso de agudos, e com músicos que abusam do virtuosimo. Com o perdão do trocadilho, o Shaaman é chaato. E até picareta, pois toca no mais alto volume para dar a impressão de que faz um som pesado. Sei…Aquilo ali é tão pesado quanto o Belle & Sebastian. O pior é que muita gente curte, e o show (muito longo, com mais de uma hora e meia de duração) foi bastante aplaudido. de minha parte, fica a sugestão: André Matos poderia formar um trio junto com Chitãozinho e Xororó. Ah, outra coisa; é um sinal bastante estranho quando a melhor coisa que você consegue se lembrar de um show é a iluminação…

Sepultura (MG)

O Sepultura fez um show quase perfeito. Só não chegou de fato à perfeição por conta do cansaço do público. Em noite inspirada de Igor Cavalera (que estava endemoniado) e de Derick Green (que evolui a cada apresentação), o grupo mostrou um set list coeso, fazendo uma retrospectiva de toda a carreira. Tocaram duas músicas do novo álbum, “Roorback”; as certeiras “Mind War” e “Come Back Alive”. Levaram o público ao delírio com “Territory” e “Refuse/Resist”. Mas a melhor da noite acabou sendo “Desperate Cry”, em versão destruidora e ao mesmo tempo cadenciada. Dois momentos mereceram destaque: a participação de Bruno (cujo pseudônimo é Detonator, do Massacration) em celebração ao Black Sabbath, e a execução de “Bullet The Blue Sky”, do U2, que teve uma resposta fantástica do público. Como sempre, quem ficou devendo foi o baixista Paulo Jr., que praticamente não toca durante todo o show, fica só enrolando, e, quando tenta extrair algum som de seu baixo, o resultado não é menos do que desastroso.

“Roots Bloody Roots” fechou aquela que foi a melhor apresentação da noite, e provou que Igor Cavalera é um dos melhores bateristas do planeta e que Derick Green vive seu apogeu. Assim como a banda em que toca.

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Links:
» Silent Moon no RecifeRock
» Chaosphere no RecifeRock

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Posted domingo, abril 17th, 2005 under Coberturas.

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