Abril Pro Rock 2005 (Terceira Noite)

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ABRIL PRO ROCK 2005 (TERCEIRA NOITE)
data: 17/04/2005 (Domingo) – local: Pavilhão do Centro de Convenções
com Orquestra Manguefônica (PE), DJ Dolores: Aparelhagem (PE), Mombojó x Arto Lindsay (PE), Gram (SP), The Legendary Tiger Man (Portugal), Leela (RJ), Superoutro (PE), Volver (PE) e Daniel Belleza e os Corações em Fúria (SP)
Resenha por Hugo Montarroyos e Breno Mendonça – Fotos por Bruno Negaum

em 17/04/2005 por Hugo Montarroyos e Breno Mendonça

PALCO 2

Por Breno Mendonça

O último dia do Abril Pro Rock mostrou uma curva decrescente de qualidade no palco 2. Começou muito bem. Mas acabou mal. Assim como no Sábado, no Domingo os trabalhos do palco 2 começavam com dois grupos locais.

Superoutro

O Superoutro foi a primeira banda da noite e fez de cara o melhor show do palco 2 no Domingo. Com uma equalização de som perfeita, que ajudou bastante na apresentação, o grupo mostrou sua nova cara, em um show perfeito tecnicamente. As novas músicas “Opus Gênesis”, “Vai Voltar” e “Dezembro” mostram que a banda está numa constante ebulição criativa, buscando novos ares. “Vai Voltar” é talvez a música mais “pop” do grupo. Um pop desconstruído, algo como se o U2 fosse mais experimental e menos óbvio. “Dezembro” segue a característica do grupo de fazer canções com progressão gradativa que alcançam seu clímax em meio a uma overdose de ruídos e barulhos distorcidos. A instrumental “Opus Gênesis” foi executada pela primeira vez e foi a grande surpresa do set. A música é uma parceria do Superoutro com Enio, guitarrista do Mellotrons. Destaque para “O Lago” que ganhou uma versão aditivada que ficou espetacular. O vocalista Artur, novo integrante da banda, parece mais do que adaptado, imprimindo uma forma própria de interpretar as canções. no mais foi uma apresentação segura e madura de uma banda que sabe o que quer.

Volver

Depois de dois shows seguidos no palco 1 (Gram e Legendary) era vez de mais uma prata da casa mostrar seu valor. O Volver entrou com a moral de ter sido a banda vencedora do concurso Microfonia, que lhes deu o passaporte para tocar no APR. Show confirmado era chegado o tão aguardado momento. O começo foi meio morno. A banda parecia estar um pouco nervosa, meio travada no palco. O som por sua vez estava péssimo, com problemas nas guitarras, que estavam com um volume muito baixo, e com voz e baixo embolados. Esse problema persistiu durante as duas primeiras canções, resolvendo-se em seguida. Com “Máquina do Tempo” – que contou com a participação do produtor Leo D no teclado – e seu clima de baile o show entrou nos eixos. A partir daí foi só alegria. A sequência “Não Ria de Mim”, “Você Que Pediu” e “Lucy” foi matadora, mostrando que são as melhores e mais instigantes canções da banda. “Mr. Bola de Cristal” fechou em grande estilo com Bruno enlouquecido, chegando a lembrar aquele da final do Microfonia. Os caras estão no caminho certo. Se não foi a melhor das apresentações da banda, deu pra mostrar que potencial eles têm. Não tenham dúvida disso.

Daniel Belleza e Os Corações Em Fúria (SP)

Forte apelo visual, performance teatral, glam rock. Era hora dos paulistas do Daniel Belleza e os Corações em Fúria. Depois da chatice que foi o Dj Dolores parecia que a tarefa do DBCF não seria das mais difíceis. O misto de punk com pitadas regionais do grupo conseguiu até animar alguns presentes em momentos isolados. A apresentação contou com a participação de jovens do Projeto Usina na (desnecessária) percussão, e de Ortinho (ex-Querosene Jacaré), que cantou a música que fez em parceria o grupo paulista. Ficou a sensação de que eles estariam mais bem ambientados no Sábado do Abril, para um público mais familiar à sua música. Também não deu pra disfarçar a fragilidade das canções do grupo, no geral medíocres. Saca o Matanza? O Daniel Belleza conseguiu soar ainda mais repetitivo e maçante que o grupo carioca. Herdou o trono de pior banda do Abril desse ano.

Leela (RJ)

O Leela da vocalista Bianca Jhordão foi a última do dia no palco 2. Mais uma vez o som falhou. Não dava para escutar nada da guitarra de Rodrigo Brandão no começo do show. Problema resolvido o que pegava agora era o som do grupo. Não falo nem do instrumental, que tem seus bons momentos com seu pop meio rasteiro, mas até aceitável. O que pega mesmo são as letras, totalmente direcionadas a garotinhas pré-adolescentes leitoras da Capricho e fãs de Malhação. Para alguém que não se encaixa nesse perfil chega a ser ridículo o conteúdo das letras. Outra coisa é o vocal de Bianca que no disco engana, mas ao vivo se mostra fraco e esganiçado. Não foi uma boa apresentação da banda, mas pelo menos foi divertida e desencanada. Aqui em Recife deve ter pelo menos umas 5 bandas melhores e que fariam algo mais interessante que o Leela. Fazer o quê. É isso!

PALCO PRINCIPAL

Orquestra Manguefônica oscila momentos de brilho e tédio na última noite do “Abril pro Rock”


por Hugo Montarroyos

Gram (SP)

A última noite do Abril pro Rock foi marcada por bons shows no palco principal, a começar pelo paulistano Gram. Confesso que não acho o Gram grande coisa, mas seria injustiça dizer que os caras não fizeram uma apresentação digna. Com parte do pequeno público na mão, o grupo parecia insano de felicidade no palco, e desfilou seus hits, tais como “Você pode ir na Janela” e “Sonho Bom”. Mas o melhor ficou para as covers de “Dias de Luta”, do Ira!, e “Across The Universe”, dos Beatles. no geral, o que se viu foi uma banda que evoluiu bastante em relação ao MADA do ano passado, quando o Gram fez um show apensa razoável. Saíram de cena festejados no “Abril pro Rock”. E com méritos.

The Legendary Tiger Man (Portugal)

Depois foi a vez da atração mais estranha do festival; a “banda de um homem só” The Legendary Tiger Man. O português Paulo furtado faz um blues envenenado, flertando com o rock, com o punk e com a distorção. Trocando várias vezes de guitarra durante o show, a apresentação do cara mais parecia atração de circo, uma vez que Paulo, além de tocar guitarra, fazia o acompanhamento da bateria com o pé. Nos piores momentos parecia um White Stripes reduzido à uma pessoa. Nos melhores, Paulo encarnava os grandes mestres do Blues, e tirava sons do capeta de sua guitarra. Foi uma apresentação corajosa, ousada e diferente. A única pergunta a ser feita é: merecia tocar no palco 1?

Dj Dolores: Aparelhagem

DJ Dolores, acompanhado de A Aparelhagem, fez o que se costuma esperar dele. Chamou a atenção de quem gosta de dançar e dispersou o público que não aprecia seu som. Comandado pela voz de Isaar França, o grupo mostrou competência, mesclando salsa, rumba e demais ritmos latinos com a música eletrônica. Uma enorme roda de ciranda foi aberta pelo público, naquele que foi o ápice da apresentação de DJ Dolores. Mas ainda fica a sensação de que o cara tem mais moral fora de Pernambuco e do Brasil do que em terra natal.

Mombojó X Arto Lindsay

Mombojó e Arto Lindsay fizeram um show confuso. Para começar, banda nenhuma no planeta deveria privilegiar repertório novo em festivais. Estes são feitos para a exibição de hits. Tudo bem que as músicas novas do Mombojó são interessantíssimas, mas o grupo acabou cansando boa parte do público que queria cantar os sucessos da banda. A nova proposta do Mombojó parece hermética, mas muito bem trabalhada e bonita. Estão fazendo experimentações com Jazz e música eletrônica, num resultado que soa assustadoramente bom. no mais, foi intrigante, esquisito e louvável ver (e ouvir) Arto Lindsay cantar “Merda” e “Adelaide”. Mas a banda arrasou mesmo quando tocou “A Missa” e “Deixa-se Acreditar”. Foi uma apresentação estranha, demasiadamente estranha. Mas às vezes a estranheza causa uma certo fascínio. Talvez seja o caso do novo disco do Mombojó. Vamos esperar.

Orquestra Manguefônica

“Monólogo ao pé do Ouvido”, cantada (ou melhor, discursada) por Zeroquatro foi a senha de abertura para o show da Orquestra Manguefônica, que foi do sublime ao arrastado. Como boa parte do público já tinha ido embora, ficou para ver o show só quem estava de fato interessado, o que acabou contando como ponto positivo para a Orquestra. A junção das duas bandas resume-se à execução dos maiores sucessos de ambas em versões mais trabalhadas. Estavam lá “Da Lama ao Caos”, “Banditismo por uma Questão de Classe”, “A Bola do Jogo” e “Livre Iniciativa”. A surpresa ficou por conta do resgate do samba psicodélico “Terra Escura”, de “Samba Esquema Noise”, primeiro disco do Mundo Livre. O cover de “London Calling”, do The Clash, e as execuções de “Antene-se” e “Pastilhas Coloridas” também renderam bons momentos.

O problema foi a duração do show: mais de duas horas, com intervalos de nove minutos só de batuques e exaltação ao coco e às músicas de raiz. Nada contra, aprecio ambos, mas num show de tamanha duração, acaba se tornando cansativo. Sobretudo sendo a última apresentação do último dia do festival. Mas, ainda assim, foi de arrepiar presenciar as duas bandas juntas e comprovar que a história que começou lá atrás, no início da década de 90, está bem longe de ter seu final decretado. Ainda bem.

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Links:
» Nação Zumbi no RecifeRock
» Mundo Livre S/A no RecifeRock
» Dj Dolores: Aparelhagem no RecifeRock

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Posted segunda-feira, abril 18th, 2005 under Coberturas.

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