Última Chamada

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LTIMA CHAMADA
data: 27/05/2005 (Sexta) – local: Teatro Maurício de Nassau
com Brinde (BA), Rádio de Outono e Nervoso (RJ)
Resenha por Domingos Sávio – Fotos por Marcela Queiroz e Rodrigo Costa

O pé-d’água afasta o público…
em 27/05/2005 por Domingos Sávio

O pé-d’água da noite parecia justificar a ausência de um público mais maciço quando chegamos (eu, Tiago e Breno) ao Teatro Maurício de Nassau, já teoricamente atrasados, e constatamos que ainda não havia nem sinal do show começar.

Depois de tomarmos aquela cerva do lado de fora, resolvemos entrar pra não perder o início da apresentação da Brinde de Salvador. E foi um começo bastante enérgico. A sonoridade das três primeiras músicas da banda (não havia ouvido nada previamente), deu-me uma idéia de “brit pop” próximo dos pilares do gênero (principalmente dos Kinks e por vezes do the Who). Havia um espírito genuinamente sixtie no ar, fosse pelas viradas à granel do baterista da banda (que remetiam à porra-louquice “KeithMooniana”), fosse pelas seqüências redondinhas de acordes arranhados por Henrique Neves, vocalista/guitarrista adepto da verdadeira instituição rocker que é a Fender Telecaster. Só que do meio pro final, as músicas começaram a desandar pr’um som mais “diluído”, que constatei (depois de ler as influências nesse release) corresponder ao lado Oasis/Stereophonics da banda. Mas nada que chegasse a comprometer. O Brinde fez um ótimo show, com canções grudentas, power pop e com o teor certo (ou quase) de açúcar.

Rádio de Outono

Depois foi a vez do Rádio de Outono subir no palco pra mostrar que, por mais que seu repertório às vezes soe um pouco repetitivo, sempre tocam as músicas de forma diferente a cada show (entre os três, pelo menos, que pude conferir, houve grandes mudanças – felizmente pra melhor). Pena que durou tão pouco … como tocaram “imprensadinhos” entre Brinde e Nervoso, tiveram que encurtar a apresentação. A RdO parece ter ficado muito mais rock com o acréscimo de Kleber Crócia no baixo – que tira um som nitidamente mais sujo de seu instrumento, contrastando na medida certa com o teclado prog-virtuoso – embora de contornos kitsch – de Dídimo (que, por preencher tão bem as músicas, tornou a participação especial de Juliano do Parafusa – outro grande tecladista – até meio redundante). Contrariamente aos pedidos do público, eles não tocaram o saudoso tema de “Sonic, the Hedgehog”. Em compensação tocaram “O Pulo da Pulguinha” de Wanderléa e “Lacraia” (Vai Lacraia / Vai lacraia / Vai lacraia vai…) do MC Serginho, versões improváveis (honrando a tradição da banda) executadas de modo mais improvável ainda (essa segunda só conseguiu ser adivinhada por mim quase na metade da música). no mais, teve “Além da Razão” , “Devaneio Sideral” , “Só o Pó” (minha predileta, antes chamada de “Nem o Pó”)… mas a grande surpresa da noite foi “Popular” , música antigona cavucada de última hora no repertório e acrescida ao set list. O show quase homeopático só me deixou mais curioso ainda para escutar a bolachinha deles que está prestes a ser lançada.

Nervoso

O Nervoso subiu ao palco logo em seguida para fechar a noite e deixar claro que a maioria dos que estavam presentes tinham ido exclusivamente para ver sua apresentação. Munido de malandragem “tchipicamentche” carioca, o cara demonstrou simpatia e instigação em tocar suas próprias músicas, que foram acompanhadas por uma banda no geral afiada. Nem os gritos de “toca Anna Júlia” chegaram a intimidar o pessoal, que à primeira audição realmente pode soar como um “Los Hermanos bagaceiro” (só pra quem não conhece os sons particulares da penca de gente que os barbudos chup… ops, incorporam ao seu).

Nem a versão de uma música de Reginaldo Rossi, nem o hit “Já Desmanchei minha Relação” (pra mim, disparada a melhor música da banda) conseguiram tirar-me a impressão do show, no geral, ter sido chato. Não pelo desempenho dos músicos em si, e sim pelo fato de haverem várias composições fracas mesmo. Mas façamos justiça e reconheçamos que o tal do Nervoso, juntamente com o intragável Gabriel Thomaz (Autoramas), já deixaram sua contribuição efetiva para o “rock brasilis” ao terem “ressuscitado” o organista Lafayette, ícone da Jovem Guarda, no projeto paralelo Lafayette e os Tremendões. Posteridade pra eles.

As fotos dos shows foram gentilmente cedidas por Marcela Queiroz e Rodrigo Costa. O RecifeRock! agradece :)

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Links:
» Rádio de Outono no RecifeRock
» Site do Nervoso
» Site da Brinde

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Posted quarta-feira, junho 1st, 2005 under Coberturas.

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