Rock Pra Vocês 2005 (Petrolina)

ROCK PRA VOCS 2005 (PETROLINA)
data: 26/05/2005 (Quinta) – local: Centro de Convenções de Petrolina (Petrolina)
com Os Cachorros, Sick Sins, Crematorium, Vortex, Insurrection Down, Ap.805, Burn Out, Andranjos e Democratas (Sexta); Jack Jones, Maria das Dores, Mateus XV, Backing Ball Cats Barbis Vocals, Le Bustier en Decadence, Censura Zero e Samba de Véio (Sábado)
Resenha por Marcelo Benevides – Fotos por (Sem Fotos)

Petrolina Über Alles ou Almost Famous…
em 26/05/2005 por Marcelo Benevides

Nota: Precisamos de fotos do Rock Pra Vocês 2005. Quem tiver alguma foto manda pra nós, por favoe!

Petrolina Über Alles ou Almost Famous

A princípio, o horário marcado para a saída das bandas de Recife que iriam tocar na edição 2005 do festival Rock Pra Vocês , em Petrolina , era de 19h da Quinta-feira, 25 de maio. O atraso, em vez de trazer impaciência aos Bobs Babilônicos (a parte masculina que acompanha as Backing Ball Cats Barbis Vocals), os primeiros a aparecerem no ponto marcado para a saída, era convertido em cerveja e cachaça, providenciados num barzinho próximo à praça do Derby, de onde sairia o coletivo – as caixas de som do local, que dedicavam 90% da seleção ao forró (com exceção ao disco de David Bowie sugerido por Lilica, das Barbis), fizeram por duas vezes com que bandas e imprensa (no caso, representada por mim e Júlio Cavani, do DP) cantassem o óbvio refrão: “Petrolina, Juazeiro, Juazeiro, Petrolina… eu gosto de Juazeiro e adoro Petrolina!”.

Duas horas e meia e várias contagens depois, a turma local, representada por bandas como Os Cachorros , Vortex , Le Bustier en Decadence, Barbis , Democratas e Insurrection Down (de Surubim, mas que também aproveitou a carona) embarcava para uma viagem que se prolongaria pelas próximas 12 horas.

Durante o trajeto, mais dois hinos foram incorporados. Um deles, uma versão Deadkennedyana para “California Uber Alles”, composta pela Surpresa de Uva: “Juazeiro! Petrolina! Juazeiro, ô ô!”; a outra, uma lembrança à banda Eddie, numa menção subliminar ao Rio São Francisco, o Velho Chico: “Tinha Xié? Tinha!!”. Esta última, cantada insistentemente por mim depois de uma boa quantidade de cachaça enraizada (providenciada em conjunto com Cavani, que já devia estar dormindo de boca aberta e sorrindo, como sempre) e outros aditivos consumidos por todo o trajeto e estadia na capital pernambucana do vinho. Vale também louvar o efeito “luz vermelha” providenciado por Drica (das Barbis) para criar o primeiro dancing itinerante do sertão brasileiro, que fez lembrar o lendário ônibus da Venko que estacionou no Garagem.

Sexta-feira, aproximadamente 9 da manh㠖 era derrubado o primeiro mito. Ao contrário do que todos os passageiros tinham sido informados, não iríamos ficar num sítio às margens plácidas do Velho Chico, e sim na sede da Federação dos Trabalhadores Agrícolas de Petrolina, no centro da cidade. O segundo mito, um saco com um quilo de uma planta bastante cultivada no sertão pernambucano, não demoraria muito para ser desmascarado.

Depois de um breve banho, saio para o primeiro passeio pela cidade, a procura de uma padaria, com Ajax, vocalista d’Os Cachorros – que além de me convidar para conhecer seu estúdio de tatuagem em Olinda, apelidou-me carinhosamente de “Boa Enerjs” (ou algo parecido). Ao saborearmos um típico sanduíche Bauru petrolinense, tivemos a oportunidade de presenciar um cortejo, tradição ainda presente no interior – enquanto o carro com o caixão passava lentamente pela rua, um grupo de aproximadamente 20 pessoas seguiam o veículo, cabisbaixas.

Chegando no “hotel” (como chamaríamos o QG dali pra frente), o companheiro Cavani lança o convite: “Tarta, vamos beber.”. É a deixa para estabelecermos nossos primeiros contatos com o povo de Petrolina, a partir do ponto de apoio fundado no Capim Guiné, um simpático boteco a uns dois quarteirões da Federação. Ali, a interação entre o pessoal das bandas já era maior. Ao redor de um engradado de cerveja, algumas doses de rum (a bebida preferida de Colaço, vocalista da Sick Sins , uma figura) e pratos de cupim com vinagrete e farofa, estavam componentes dos Cachorros, Le Bustier, Barbis, Faces do Subúrbio (que não tocou no Rock Pra Vocês, mas que enviou Oni como olheiro) e “todos” os representantes da imprensa pernambucana.

Depois da farra da tarde, era hora de um cochilo pra repor as energias para a primeira noite do festival. Ao acordar, percebo um olhar de inquietação nos caras dos Cachorros (que encerraram a programação da Sexta) – eles, Vicente, baterista das Barbis, e eu, estávamos presos no “hotel”, trancados do lado de dentro e sem chave. Um detalhe: já era quase meia-noite e o evento estava marcado para começar às 22h. Fomos salvos por Seu Marcelino, motorista que retornou para buscar os retardatários.

É interessante ver como o rock, no sertão, é quase que sinônimo de metal, bastava ver a aceitação do público (em geral, bastante jovem), às bandas de Recife e de outras cidades interioranas. Das que presenciei, Vortex (espécie de power trio metal), Sick Sins e Os Cachorros (que tocou pra uma quantidade menor de público, por fechar a noite) conseguiram uma boa recepção. A Crematorium chamou atenção pela performance a la Twisted Sisters de seu vocalista (também apelidado carinhosamente de “uma mistura de Cid Guerreiro, Elba Ramalho e Banda Calypso”) , com quem ainda tive a oportunidade de “trocar umas idéias”.

O destaque do final de noite, após o retorno ao hotel, foi a trivela dada por HVB (da Le Bustier) num pobre pão francês, que atingiu o interruptor da sala vip e apagou a luz do local.

Sábado, 10 da manh㠖 enquanto me deliciava com o cuscuz (com ovo e carne de galinha ossada, acompanhado com pão francês com queijo e mortadela) oferecido pelo hotel como café da manhã, tive a notícia de que a cidade ficaria sem fornecimento de água a partir do meio-dia. O máximo que consegui, após a formação de uma fila de vinte e não-sei-quantos marmanjos e das meninas das Barbis (quatro no total, as únicas representantes do sexo feminino do alojamento), foi tomar um banho de conta-gotas, aproveitando o restante de água no chuveiro do banheiro da casa.

Resolvido o pequeno empecilho, montamos uma caravana com destino à Ilha do Fogo, uma espécie de praia de água doce que fica às margens do São Francisco, entre Petrolina e Juazeiro, apropriada para o banho dos mais corajosos, já que a temperatura das águas eram baixíssimas. A tarde foi embalada com mais cerveja e aditivos, no Bar do Reggae, situado na Ilha do Fogo, de onde se dava pra Ter uma linda visão de Juazeiro do Norte e da ponte que liga a cidade baiana a Petrolina. O local ainda dispunha de redes, mesas de sinuca, um chuveirão e Elisângela, garçonete que se tornou a musa das bandas presentes no bar.

Depois do almoço servido no hotel quase às 5 horas da tarde, era o momento de mais um cochilo. Pouco tempo depois, recebemos a informação de que um grupo de 60 Sem-Terras chegaria ao local – ou seja: tínhamos que zarpar dali naquele instante. Já que minha bagagem já estava pronta, fui conhecer o River Shopping (que ficava em frente ao local dos shows) com Júlio Cavani, enquanto o resto do pessoal iria a um “ponto de apoio” (leia-se: posto de gasolina) para tomar banho. Como eu já tinha feito minhas obrigações de assepsia do dia, prometi a mim mesmo que só iria me banhar novamente quando retornasse ao Recife.

Depois de um passeio pelo River, vamos em busca do boteco mais próximo (afinal, ainda faltava uma hora e meia para o início dos shows), onde tomamos algumas cervejas Nova Schin (aparentemente, a mais vendida na cidade) e uma dose de cachaça de quixabeira, uma das muitas enraizadas disponíveis no bar, enquanto conversávamos com um senhor de Conceição das Crioulas.

Ao chegar na arena, uma constatação: muitas das bandas de Petrolina têm predileção por Los Hermanos (uma delas chegou a cantar dois covers num set de 35 minutos, junto com uma versão dos Engenheiro do Hawaii) e Nirvana. A segunda noite parecia Ter sido destinada a todos os grupos que não faziam rock pesado, ou seja, não tocaram na Sexta. Nisso, teve vez até uma prima pobre da Nação Zumbi, a Maria das Dores (que assassinou “Da Lama Ao Caos”). A salvação veio com as meninas do Backing Ball Cats Barbis Vocals , que deixou em estado de choque a gurizada presente no espaço montado para o RPV – o vocalista do Crematorium (o tal clone de Cid Guerreiro) tirava fotos, embasbacado, de cima do palco. O Le Bustier continuou o clima, mas foi prejudicado por ter praticamente metade de seu tempo de show cortado – a performance do pão francês foi repetida por HVB, desta vez com duas tentativas e dedicatória a Ajax, dos Cachorros.

Encerrado o show, seguimos para o ônibus às 4 horas da madrugada do Domingo para encarar o retorno. Em Pesqueira, a viagem é fechada com chave de ouro: dezenas de roqueiros se reúnem para empurrar o ônibus, que, “enfim”, quebra (afinal, viagem sem ônibus quebrado não é viagem). O momento, claro, teve direito a fotos. A chuva, que não dava as caras para nós desde a saída do Recife, começava a surgir na Serra das Russas, em Gravatá, e continua até a chegada. Saldo: chego em casa às 17h30 do Domingo, vou dormir às 18h e só acordo às 11h do outro dia.

Links:
» Os Cachorros no RecifeRock
» Ap.805 no RecifeRock
» Backing Ball Cats Barbis Vocals no RecifeRock

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Posted segunda-feira, junho 20th, 2005 under Coberturas.

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