Terceira Edição – “O Show Da Vida Ideal”

Terceira Edição - O Show da Vida Ideal – 2005 - Independente
Banda busca seriedade através da ingenuidade
em 22/06/2005 por Hugo Montarroyos

Se você é jovem, bem jovem, e ainda está no “esquema escola – cinema – clube – televisão”, este “O Show da Vida Ideal”, álbum de estréia do Terceira Edição , tem tudo para agradar em cheio. Sem vergonha de soar juvenil e ingênuo, a banda trilha um caminho no mínimo interessante; parece reivindicar seriedade e maturidade através da mais pura ingenuidade. E tal dicotomia acaba rendendo resultados acima do esperado. Magistralmente produzido pela dupla Léo D e William P , do estúdio Mr. Mouse , este trabalho tem o mérito de não ter a pretensão de soar rebuscado, buscando apenas fazer pop honesto e bem feito. E isso o Terceira Edição faz. Tudo bem que o faz muitas vezes recauchutando clichês do Coldplay e até do Red Hot Chilli Pepper’s em sua fase mais recente e irritante. Mas é um disco perfeito para tocar nos rádios, e sem que isso soe pejorativo, o que é uma façanha. O Terceira Edição é infinitamente superior ao Jota Quest, CPM 22 e LS Jack, bandas que assolam as programações radiofônicas país afora Resta uma pergunta: isto tem de fato algum valor significativo ? As respostas são dadas pelas próprias músicas de “O Show da Vida Ideal” . A faixa-título, que abre o CD, tem um riff escancaradamente sem vergonha de soar pop. “Pra Recomeçar” é uma boa balada, bem trabalhada, ainda que calcada em vícios eternamente repetidos por grupos que se propõem a fazer o tipo de som que o Teceira Edição faz, ou seja, climinhas, guitarrinha pesada na hora do refrão e tudo o mais. Mas a banda compensa tais pecados em “Iguais”, balada de refrão poderoso e…ingênuo! Talvez seja o único momento em que o grupo consegue soar menos adolescente e mais adulto. no mais, essa relação antagônica (será?) entre infantilidade e maturação dá o tom.

Além de mostrar um trabalho sólido mesmo em se tratando de algo tão “descartável” quanto o pop, o grupo revela o que tem de melhor na voz de Vinícius Frota , que soa perfeita do início ao fim do disco.

Agora, se você já dobrou a curva dos trinta e o cinismo já tomou conta da sua vida, será difícil aceitar versos como “Amanhã espero que você seja feliz / E quem sabe ainda vá lembrar de mim / Em um livro ou foto qualquer / Naquela casa lá no campo / Com cachorros e crianças, flores na varanda / do modo que você sonhou”. Mas, se Renato Russo já cantou coisas como “Um dia perfeito com as crianças / São as pequenas coisas que valem mais”, por quê o Terceira Edição não pode?

Terceira Edição (foto de divulgação)

Posted quarta-feira, junho 22nd, 2005 under Demolindo, Discos, RecifeRock TV.

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