no Ar: Coquetel Molotov 2005 (Primeiro Dia)

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NO AR: COQUETEL MOLOTOV 2005 (PRIMEIRO DIA)
data: 12/08/2005 (Sexta) – local: Teatro da UFPE
com Dungen (Suécia), Hurtmold (SP), Mombojó, Rádio de Outono, Monodecks, 3 Ets Records e Profiterolis
Resenha por Hugo Montarroyos – Fotos por Bruno Negaum

Bons shows e escassez de público marcam primeiro dia do festival…
em 12/08/2005 por Hugo Montarroyos

Quem deixou de ir ontem para o primeiro dia do Festival no Ar: Coquetel Molotov, no teatro da UFPE, perdeu a oportunidade de ser surpreendido em diversos aspectos, sendo eles:

a)O excelente aproveitamento da sala Cine-PE, que revelou-se um ótimo lugar para realização de shows de rock;

b)A evolução assustadora do Profiterólis;

c)A apresentação irretocável do inclassificável Hurtmold (estou de queixo caído até agora);

d)A ousadia do Mombojó em basear quase que todo o seu show em material inédito;

e)E, finalmente, a ótima receptividade do público com o pouco conhecido (porém muito bom) Dungen;

Apenas dois senões:

a)O som do Teatro estava longe do ideal, e acabou prejudicando a performance de quase todas as atrações;

b)A insistência do público em gritar “Toca Raul!”. Só não o fez no show do Hurmold; em raro momento de lucidez, a platéia deve ter percebido que a apresentação dos caras seria instrumental…

Menos da metade da capacidade do teatro foi ocupada. Uma pena, pois os shows, que foram muito bons, teriam sido ainda melhores com a casa lotada. Antes disso, a Sala Cine PE foi aberta ao público para as apresentações de três bandas locais.

Monodecks

O ótimo Monodecks foi prejudicado pelo atraso da Mostra de Vídeos que ficou em cartaz durante a tarde, e teve que reduzir seu setlist. Tocando para uma audiência pequena, mas extremamente atenta, o grupo desfilou seu som climático, viajado e distorcido. Iconoclasta, a banda quebrou o mito que diz que música instrumental não pode ser rebuscada e ao mesmo tempo acessível. Com um ótimo trabalho de guitarras, que já pôde ser conferida na abertura com “Reverberando na Caverna”, o Monodecks modernizou a primeira fase do Pink Floyd, criou climas densos nas partes mais lentas, e empolgou nas pegadas mais aceleradas. Belo show que infelizmente teve que ser encurtado.

3 ET’s Records

Depois foi a vez do divertido e incompreensível 3 ET’s Records entrar em cena. Trata-se de um grupo de um homem só, Paulo do Amparo, responsável pelas programações eletrônicas e pelos vocais. Uma banda formada por três marionetes ilustra a apresentação do cara, que desafina pacas e cita Maddona, Elvis e Otto em suas intervenções vocais. Nos melhores momentos, parece Wilson Simonal redirecionado aos novos tempos. Nos piores, parece Otto. É engraçado, curioso e diferente, mas confesso que não entendi a piada e muito menos a proposta.

Profiterólis

Quem surpreendeu de fato foi o Profiterólis. A banda evoluiu um bocado. Parece que enxugou os arranjos, abriu mão das viagens e do discurso bicho-grilo e atolou o pé no blues. A presença de Lara, que toca violão e canta divinamente, deu novo fôlego ao grupo. Até “Licor de Genipapo”, em outros tempos intragável, desceu redondo. O som ficou mais encorpado, mais cheio. Resumindo: calaram minha boca bonito…

Rádio de Outono

A Rádio de Outono penou um bocado com problemas de som, e teve que tirar leite de pedra para obter um bom resultado. Inaugurando os trabalhos do Teatro, a banda tocou para um público que parecia ser dela. “Lady Basbáras”, “Só o Pó” e “Sabe-Tudo” fizeram a platéia tirar a bunda da cadeira para dançar. O tecladista Dídimo, habitualmente discreto, teve uma performance magistral e à beira da insanidade, tocando e batendo os pés feito um louco. Um palhaço entrou no palco para fazer uma divertida interação com o grupo no final do show.

Mombojó

O Mombojó ainda vai queimar meu filme. no show que eles fizeram no último “Abril pro Rock”, reclamei pelo fato deles terem priorizado repertório inédito em um festival. Agora vou elogiá-los pelo mesmo motivo. As novas músicas se mostraram perfeitas no Teatro. O grupo vem fazendo uma mistura interessantíssima entre distorção e cadência, enfatizando o uso de metais (uma bela novidade na concepção sonora da banda) e deixando em evidência o teclado de Chiquinho, que muitas vezes mostra influências de Jovem Guarda. Em disco, deve ficar perfeito. O Mombojó está ainda mais ousado, maduro e ciente do que faz. O grupo está se preparando para fixar residência em São Paulo. Desconfio que entrarão de vez no primeiro time da MPB. Sua apresentação no festival foi magnífica.

Hurtmold

Agora, quem roubou a noite e deixou todo mundo de queixo caído foi o paulistano Hurtmold. Em apresentação instrumental, o grupo fez um passeio pela história da música, dos tempos tribais, assinalados pelo início focado na percussão, até o que há de mais moderno na música vigente. Intimista e grandiloqüente, sofisticado e cru, trata-se de uma banda que rompe com todas as dicotomias, com todos os estereótipos, com todas as fronteiras estabelecidas por qualquer tipo de paradigma. Não se parece com nada, e este talvez seja o maior elogio que uma banda deseja ouvir. O Hurtmold nos mostra em palco o processo de construção de uma música. Parece que estão compondo naquele instante. Sem falar no magistral uso que fazem do xilofone. Até o momento, o melhor show que vi no ano.

Dungen

Como bem definiu o jornalista Thiago Ney, da Folha de São Paulo, o sueco Dungen faz “folk psicodélico”. Mas não só. O grupo mostra o que tem de melhor quando adota a formação mais básica do rock, com duas guitarras, baixo e bateria. O líder da banda, Gustav Ejstes (um clone sueco de Robert Plant), divide seu tempo entre a guitarra, os teclados e a flauta. Pouco conhecido por aqui, o grupo teve uma recepção calorosa por parte do público. O quarteto fez um show competente. Mostrou vigor e climas psicodélicos, duas caras de uma mesma moeda chamada rock n’ roll. Soou interessante nos dois lados, mas apresentou o que tem de melhor quando optou pela simplicidade. Apesar da péssima qualidade de som no início da apresentação deles, os caras souberam dar a volta por cima e saíram de cena aplaudidos de pé. Ótimo show, embora muitos tenham reclamado afirmando que foi muito curto. Enfim, o desconhecido por vezes nos revela ótimas surpresas. Foi o caso do Dungen. Pena que pouca gente viu.

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Links:
» Rádio de Outono no RecifeRock
» 3 Et’s Records no RecifeRock
» Profiterólis no RecifeRock

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Posted domingo, agosto 14th, 2005 under Coberturas.

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