Cinval Coco Grude: ‘A Precariedade Como Matéria da Criação…’

Cinval (foto de divulgação)

Conversamos com Cinval, ex-percussionista da banda Querosene Jacaré…
em 31/08/2005 por RecifeRock.com.br

Conversamos com Cinval, ex-percussionista da banda Querosene Jacaré e que já vem por um bom tempo mantendo uma carreira solo das mais inusitadas com o seu “coco grude”. Ele se apresenta dia 03 de setembro no sábado mangue (Pátio de São Pedro), lançando seu 15º CD “O Craque da Bola”.

Nesta entrevista, falamos sobre a origem do seu trabalho, influências, da sua sonoridade eclética e do panorama musical pernambucano. Confira a entrevista:

Pra quem ainda não conhece o seu som… Uma breve descrição:

Meu som é calcado no coco, baião, maracatu, sem nunca deixar de passear pelo jazz, soul music, techno lounge, groove e outros estilos que me agradam e incrementam as minhas criações.

Quais as principais influências para compor as músicas ?

O experimentalismo sem dúvida! Tenho vontade de tirar som de qualquer coisa! Nomes como Hermeto Pascoal, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e tantos outros me ajudam a viajar em um som diferente. Uso o que vier na telha! Gosto de destilar algumas críticas políticas ou simplesmente me ancorar num repertório popular.

Voltando um pouco no tempo… Como foi fazer parte do miolo da cena mangue?

No inicio foi tudo muito interessante para todos aqueles que faziam música, o mangue era realmente algo que despertava um interesse descomunal. Ali em 1994, quando eu tinha o bar Guitarras , botava todo tipo de som: Led Zeppelin, Luiz Gonzaga, Ave Sangria, Betoven entre outros, que não era comum de se escutar num bar – na época todos ouviam The Doors. Foi quando Ortinho entrou no meu bar e observou o som, o ambiente e passou a freqüentar assiduamente o guitarras, assim como outros grandes artistas da cena. Decidimos então montar a “Dupla de Dois” tocando e cantando o que vinha na nossa mente… Durou pouco tempo, mas fizemos várias apresentações pela cidade. Até que entrou o guitarrista Helio Loyo e outros músicos e decidimos mudar um pouco; batizamos a nova banda de Querosene Jacaré . Este nome foi dado por mim, em homenagem ao meu pai que vendia o querosene lá no interior de Arco Verde, onde nasci (inclusive ajudei-o muito a vender também). Surgiu o primeiro disco em 1997, e ficamos bem conhecidos na cena, viajamos para a Europa etc… Em São Paulo, Ortinho resolveu sair da banda, ainda continuamos por lá e a Querosene teve uma nova formação já com Adelson Luna, Alfaia entre outros. Fizemos um circuito bem legal ainda, mas depois, todos foram encontrando outras atividades paralelas, inclusive eu.

Agora em carreira solo, você compôs, produziu e gravou 15 álbuns. Fale um pouco sobre isso…

No início eu achava engraçado gravar em casa, no meu próprio quarto, sem o uso da tecnologia (computadores, samplers e outros elementos que facilitam a concepção de um trabalho). Depois, passei a ver isso como alternativa (e ainda é) para estar no mercado (embora em poucas proporções). Sei que muita gente gosta de um som limpo, digital e muitas vezes dão mais valor a um CD gravado num mega estúdio e tal. Meu trabalho é orgânico, cru, original e totalmente underground. Não utilizo mecanismos digitais nas gravações e acho muito interessante o som que sai do meu gravador… [risos]

Quais os títulos e datas dos 15 álbuns e onde encontrá-los ?

1. Falando Nas Ruas (1998);

2. Rapadura Dance (1998);

3. Pra Morrer de Dançar (1999);

4. Nordestina (1999);

5. Groove Das Nights (1999);

6. The Best Of Oxente (2000);

7. Vigiando A Tanajura (2000);

8. A Grande Colheita (2000);

9. Os Verdadeiros Heróis Nacionais (2001);

10. The Best (2001);

11. E Sua Música Escalafobética (2002);

12. Percussão Tribal (2003);

13. Urânio (2003);

14. Brasil Mostra Tua Cara (2004);

15. O Craque da Bola (2005).

Os cds encontram-se a venda pelo selo Caranguejo Records e em algumas lojas da cidade (Cd Rock, Oficina Da Música); algumas músicas estão disponíveis no site da trama: www.tramavirtual.com.br/cinval

Como vai ser o show do pátio de são pedro, no próximo dia 03 de setembro no lançamento do 15º cd? Aproveite pra convidar a galera…

Bom, este show vai ser bem soul music… Reverenciando o gênio James Brown , mas sem deixar de lado o coco e as raízes da música popular. Um show bem instigante!! Quem curte black music vai se divertir por lá…

Estão todos convidados a comparecer dia 03 de setembro lá no Pátio de São Pedro… Agradecendo de antemão ao RecifeRock pelo espaço e divulgação…vamo simbora!

Serviço:

Sábado Mangue

Sábado (03/09/2005) 22h

Local: Pátio de São Pedro (Centro)

Preço: grátis – Info: n/d

Rádio Veneza e Cinval Coco Grude (Lançando o cd ‘O Craque da Bola’)

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Posted quarta-feira, agosto 31st, 2005 under Notícias.

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