Ludov (SP) e Rádio de Outono no Armazém 14

Por Recife Rock! em 20 de março de 2006

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LUDOV (SP) E RDIO DE OUTONO NO ARMAZM 14
data: 18/03/2006 (Sábado) – local: Armazém 14 (Recife Antigo)
com Rádio de Outono e Ludov (SP)
Resenha por Felipe Leal – Fotos por Guilherme Moura e Bruno Arrais

O grande exercício das pequenas coisas
em 18/03/2006 por Felipe Leal

“Hoje é noite de pop’n’roll!” , disse a vocalista do Rádio de Outono , Bárbara Jones. As camisas coloridas de bandas como Weezer, Beach Boys já revelavam o público alternativo tão sedento de eventos do gênero. O palco foi mais uma vez o Armazém 14, se firmando como reduto de bons shows na cidade. Ludov e Rádio de Outono , que tocaram ontem em Aracajú, se uniram desta vez para os pernambucanos. A banda de Bárbara apresentou novo clipe e a paulista Ludov mostrou o seu cd “O Exercício das Pequenas Coisas”, além de algumas do EP. Infelizmente, a noite de sábado não reuniu muita gente – por volta de trezentas pessoas – mas o público aproveitou e respondeu bem, mesmo com o atraso de quase duas horas e meia para o primeiro show.

Com uma sonoridade parecida, Ludov e Rádio de Outono – inclui-se Pato Fu e até Gram nesta vertente – se uniram para excursionar por Estados do Nordeste, onde além de Pernambuco, passaram por Sergipe e passarão por Alagoas. O animado pop-rock dos dois grupos, com letras reflexivas e que falam desde tristezas do cotidiano até sobre o amadurecimento, fez o público dançar a noite inteira. Uma lua cheia deu um toque a mais no cenário.

Depois do atraso, os shows iriam enfim começar. O clipe da Rádio de Outono, “Sabe-Tudo”, foi veiculado pela primeira vez, e recebeu um bom número de aplausos. O vídeo, que foi produzido como um desenho animado e dirigido por Marcelo Vaz, tem total conexão com a proposta da banda. Um pop descompromissado e divertido que reflete muito da vida dos adolescentes, como na busca da maturidade pela menina do clipe, que teve direito a uma referência a Kill Bill, filme do diretor Quentin Tarantino.

Por volta das 00h30, subiu ao palco a Rádio de Outono , grupo formado por Bárbara Jones (voz e efeitos), Gleisson Jones (bateria e voz), Júnior Vieira (teclado e voz) e Kleber Crócia (baixo e voz), com mais de quatro anos de estrada e conhecida do público local. Com uma pegada sem guitarras e com o apoio dos fãs – que cantavam suas músicas o tempo inteiro -, a banda fez uma apresentação empolgada. O visual retrô da platéia e as “dancinhas” representaram a sonoridade da banda. “Desculpa o atraso pessoal, é que fecharam a Ponte do Pina e ficou complicado trazermos o Ludov na hora certa”, desculpou-se a vocalista Bárbara Jones, motivo esse que atrapalhou também alguns fãs que não puderam comparecer aos shows.

Só o Pó“, “Além da Razão” e “Sabe Tudo” foram as que mais animaram a platéia. Tocaram também “Pulguinha“, música do repertório de Wanderléa que acabou não entrando no EP e “A Solução Para Seus Problemas”, canção nova que entrará no próximo trabalho da banda. Bárbara sorria e bradava “lindo! lindo!” e se afirmava fã do Ludov. A vocalista interagiu com o público – principalmente com aqueles que estavam mais próximos ao palco e animavam o show -, e se utilizou das brincadeiras com a flauta ou o apito. É interessante observar a ligação da banda com o palco e com o público pernambucano, resultado de mais de 40 shows pelo país e pela passagem em grandes festivais, como o Curitiba Pop Festival, onde tocou a banda de River Cuomo, o Weezer, uma das influências do som da Rádio de Outono.

Durante o intervalo o público aproveitou para observar a estrutura do local e sentar-se perto dos navios parados na área portuária do Recife. O enferrujado Michael Arhangels continuava ali. A noite, porém, estava apenas começando.

Ludov

Vieram as guitarras – Quase ás 2 da manhã o grande trunfo da noite, a esperada Ludov. Vieram as guitarras. O grupo é composto por Vanessa Krongold nos vocais, Mauro Motoki na guitarra/teclado, Habacuque Lima na guitarra, Paulo Chapolin na bateria e Eduardo Filomeno no baixo. Formada desde 2002, desta vez mais próxima de seu público – não só fisicamente – apresentou músicas do EP e de seu disco, fazendo um show intenso. Ao vivo, definitivamente o som da banda ganha muito mais peso e a qualidade das músicas é expandida, mesmo com as microfonias, que tentavam atrapalhá-los.

Vanessa mostrou uma energia muito intensa e um carisma irresistível, aproveitando para dançar e animar o público, muito receptivo ás composições da banda. “Ta frio! Ta Frio!”, brincava com o público que tentava adivinhar o nome das músicas. Ao lado do palco, os mais eufóricos tentavam chegar mais próximo.

Em uma das faixas do novo cd, “Tudo Bem, Tudo Bom“, a letra faz referência ao clássico obrigatório “Ziggy Stardust” do David Bowie, outro elemento que influenciou a formação sonora dos músicos. Para lamento dos fãs, a música não foi tocada.

Sério“, “Estrelas“, “Princesa” e “Kriptonita” foram as mais cantadas pelo público. Vanessa sorria o tempo inteiro. “Obrigado, Recife”, ela repetia, e disse que se não fosse a Rádio de Outono não estariam ali. Retribuíram a gentileza se dizendo fãs da banda pernambucana e mostrando a relação de amizade entre eles. Bárbara Jones foi chamada ao palco para tocarem “Da Primeira Vez“, para deleite dos presentes. Uma luz vermelha simulava uma dancinha de “tango”, feito na guitarra de Motoki.

O guitarrista Mauro Motoki dava a entender que tinha um pé no post rock, levando em consideração as levadas que costumava dar em sua guitarra. Por sinal, o coração melódico da banda, as levadas de Motoki com o vocal forte e marcante de Vanessa dão a verdadeira identidade ao som do Ludov.

Motoki explicou a sensação de terem tocado no mesmo festival – o Curitiba Pop Festival – que o Pixies, a gigante norte-americana que influenciou o som da banda. “Foi maravilhoso. Não chegamos a ver os caras, porque esvaziaram os camarins, mas eu cheguei a correr lá e tocar no baixo da Kim Deal. Até pensei em desafinar”, brincou. Definiu o som da banda como uma mescla entre muitos estilos, sendo difícil rotulá-los em alguma coisa. Perguntado sobre o que costumava ouvir, se disse “meio defasado”, mas se mostrou aberto a estilos.

Tendo seu sucesso catapultado pela veiculação do clipe de “Princesa” – que ganhou melhor videoclipe independente no VMB em 2004 – na grade da MTV, a banda começou a ser referência de caminho a ser seguido com seu EP, “Dois a Rodar“, de 2003. Com “O Exercício das Pequenas Coisas“, o cd caiu no gosto do público com o sucesso de “Kriptonita”, música chefe do cd, também veiculada em videoclipe na MTV.

O palco mais baixo que no último show do Gram/Volver colaborou e deu maior aproximação com o público. A dupla Ludov + Radio de Outono – que se conheceu no RecBeat de 2005 – mostrou que tais eventos tem público cativo no recife, coisa que já é sabida de muita gente. Os sorrisos e os braços para o alto já demonstravam que quem estava ali saiu satisfeito com o que viu.

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Links:
» Rádio de Outono no RecifeRock
» Site do Ludov

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