Dose Nova de Estrógeno

Por Recife Rock! em 1 de setembro de 2006

DOSE NOVA DE ESTRGENO
data: 26/08/2006 (Sábado) – local: Burburinho
com Estrógeno, Rádio de Outono e Erro de Transmissão
Resenha por André Intruso e Cleyton Brito – Fotos por Divulgação

‘A primeira vez a gente nunca esquece…’
em 26/08/2006 por André Intruso e Cleyton Brito

Estrógeno – Foto de Arquivo

Estrógeno mistura poesia, peso e sangue

Por André Intruso – Especial para o Recife Rock

Eram 10 horas da noite e as poucas e inoportunas mesas do bar ja estavam lotadas. Tudo tranqüilo. Havia um ar perfumado . As mulheres eram maioria para minha feliz surpresa. Aos poucos a casa ia se enchendo cada vez mais, e seria difícil um ângulo bom para poder não apenas ouvir, mas também ver as bandas em ação. Logo entra em cena a Rádio de Outono, uma espécie de cover de Pitty com Kid Abelha. Poderia se chamar Pitty Abelha… O sonzinho pop lálálá era acompanhado por alguns entusiasmados que balançavam a cabeça pra lá e pra cá. Seria possível até dançar em passinhos coreografados, tipo tchatcha- tcha pum tchatcha-tcha pum. E hoje em dia não dá mais para aturar frases do tipo: “Todo mundo batendo palma comigo!!”

Interessante foi ver um gordinho de óculos que, ao fim de uma musica, esbravejou convicto: “Isso que é rock and roll!!!”… Eu não poderia deixar de citar o baixista reclamando (no microfone) que estava muito calor e pedindo pra ligar o ventilador, balançando a mãozinha sob seu rosto para conseguir um ventinho… E pra completar, a próxima música tocada se chamava “Uma janela para o sol…” Ventilador??

Se for pra entrar no mondo pop, o caminho é esse. Claro que há de se ter uma certa voracidade a mais no palco , para que não fique soando como festinha de colégio ou de 15 anos.

Em contrapartida, se for para jogar a casa abaixo e deixar universitários de boca aberta e garotinhas culturais sem entender quase nada , é melhor falar da Estrógeno.

Não havia mais lugar pra ver de perto o show, até que percebi a estratégia de ver a banda de trás do palco. Perfeito! A banda toda na minha frente (de costas), e senti então a vivacidade crua, pulsante e verdadeira que exala das garotas. Músicas como “Coração Blindado” sempre devem estar no set list da banda. Provam que rock também tem cérebro.

Eu vi a baterista Inge Porto furiosa , fazendo de seu instrumento a extensão mais viva de seu corpo, mostrando como se vai direto ao ponto quando o assunto e tocar rock sem rodeios , sem confetes e nem serpentinas. A guitarra visceral de Rebeca Claus mostra definitivamente que o velho e bom solo é sempre bem-vindo. A menina mais séria no palco sabe o que faz. A baixista Patricia Cedraz é o melhor retrato da Estrógeno. É muito instigante ver alguém com total alegria e amor em cima do palco. O sorriso vivo no seu rosto mostra o espírito rocker tão difícil de ser encontrado hoje em dia. As guitarristas Bel Zanforlin e Claudia Ferraz são vorazes. Isso tudo sobre um público vidrado e espremido diante o palco, acompanhando cada música com empolgação e com copos de cerveja erguidos pro alto. É o rock correndo intensamente nas veias Estógenas, misturando poesia, peso e sangue.

A primeira vez a gente nunca esquece, mas isso é outro papo …

Rádio de Outono – Foto de Arquivo

Quase Que Foi Só Mais Um Show

Por Cleyton Brito – Especial para o Recife Rock

Uma sucessão de hits e sons ao estilo jovem guarda foi o que a Rádio de Outono mostrou no Burburinho, Recife Antigo, no dia 26 de agosto. Liderada por Bárbara Jones (voz e efeitos), e Gleisson Jones (bateria e vocal) – a Rdo já começou detonando “Além da Razão“, sucesso do primeiro EP.

No baixo, Kleber Cróssia, fez o show com curtíssimos desenhos bordados e dedilhados em canções como “Sabe – tudo” e “Fora do Ar“, além de um verdadeiro duelo minimalista de teclado com Dídimo Vieira em “Lady Básbara“. Na música mais rock, “Só o pó“, Gleisson e sua bateria bem precisa arrepiaram, os efeitos dissonantes do teclado de Dídimo, aqui mais uma vez citado por precisão, levou o público ao delírio. Houve momentos puramente sentimentais e melancólicos com “Fim” e “Velha Página“, detonando (ainda que de longe) os amplificadores ao máximo.

Na platéia, um verdadeiro encontro de ordinários, quer dizer, o show reuniu fãs de carteirinha que acompanham a banda desde o lançamento do single “Devaneio Sideral” (2002), hoje menos indies ou pelo menos eternos pseudos – retrôs – e adolescentes curiosos por um bom pop ‘n’ roll supostamente inocente. Os fãs pediram em coro “A picada da Pulguinha“, e tiveram seu desejo atendido com direito a uma versão nervosinha da canção

De que vale ter tudo na vida“, do cantor e compositor romântico/brega José Augusto, e antes de seguir com um pequeno arranjo de escaleta em “Eu sou o tao”, Bárbara remete ao espírito “vibrante” do funk dando uma roupagem à la Saint Etienne (sessentista) a performance do “dançarino” Lacraia, enquanto Gleisson canta “Éguinha Pocotó “. Momentos como esses valem ouro.

Porém, a criatividade de Fernando Barreto, baixista original e responsável pela primeira música de trabalho, ainda fez falta. Não é à toa que o grupo aproveitou Cróssia como Backing Vocal e como Humorista (para não dizer bufão). Se não fosse por canções não tão manjadas como “Vitamina B – 52…” a banda apenas teria “revisitado” shows recentes. Cansativos. Insípido. E inodoros.

Links:
» Estrógeno no RecifeRock
» Rádio de Outono no RecifeRock!

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