RecBeat 2007 – quarto dia

Acabou dando a lógica no último dia da décima-segunda edição do RecBeat. Ou seja, Tom Zé conseguiu ofuscar todas as atrações que passaram pelo palco antes dele. Se bem que boa parte merecia ser ofuscada mesmo. Mas o mais bacana de tudo foi perceber que não somos mais tão deslumbrados assim. Houve um tempo, mais precisamente no início da década de 90, em que qualquer atração internacional era recebida com status de “melhor coisa do mundo”. Isto, lógico, era devido a escassez de shows internacionais no Recife. Como – ainda bem – hoje a prática é comum por aqui, o público acabou aprendendo que na verdade a lógica é invertida: a maioria das bandas que vem de fora não presta.

Mas voltemos ao RecBeat. O terrível do carnaval é que você fica com a sensação de que nada depende de você. Mais uma vez quase perco uma apresentação que queria muito ver. Cheguei exatamente na hora em que o Parafusa começou a tocar Maria, ou seja, já perto do fim. E fiquei furioso por não chegar antes. Acompanhado de A Trombonada, a versão que a banda fez para Maria foi das coisas mais bonitas que ouvi no RecBeat. Bastou para saber como foi o show…

Aí veio o paulistano Curumim e The Aipins. Começarei pelas coisas boas. Fizeram uma versão no cavaquinho para Like a Virgin, de Madonna, e tiveram a coragem de tocar Feira de Acari, clássico do funk carioca de MC Batata. Agora vamos ao sarrafo, ou seja, todo o resto do show. A banda é uma cópia muito mal feita do Mundo Livre, com teclados e guitarra extremamente desafinados, e com um vocalista – o tal Curumim – que se esforça para mostrar algo que não tem: carisma. E a banda é tão ruim, mas tão ruim, mas tão horrorosamente ruim que fico até sem palavras para descrevê-la.

Aquela velha história da Lei de Murphy. Quando você acha que as coisas não podem ficar pior…O espanhol 2in Par acabou nos dando um belo indicador sócio-cultural. Como são maravilhodas as bandas de rap do Brasil! O DJ deles é atrapalhado; o vocalista, chato; o som; irritante. Injustificável a vinda deles.

As atenções de vários jornalistas estavam voltadas para o Macaco Bong, do Mato Grosso. Trio que faz música instrumental densa, mesclando jazz com sons mais pesados, a banda acabou se mostrando pouco criativa. Quando a coisa parecia chegar ao clímax, voltava tudo de onde tinha começado. Tudo parecia um grande lugar-comum. Não teve força, muito menos impacto.E vai cair, de forma justa, no esquecimento. A pergunta que não me sai da cabeça até agora: era só isso?

Talvez Tom Zé tenha conseguido alguns feitos inéditos no carnaval. Primeiro, ele é adepto de um ritmo que é pouco aceito no Brasil: a inteligência. E consegue sobreviver dele até mesmo no carnaval. Segundo, o homem fez com que uma multidão fizesse o que menos gosta de fazer nos festejos carnavalescos: pensar.
Impressionante a facilidade que Tom Zé tem de dialogar com o público. Ele compôs um frevo “na hora” em homenagem ao Galo da Madrugada, culpou a indústria automobilística pelo desaparecimento das linhas de trem no Brasil, anunciou o hino da morte e tocou o hino americano. E colocou boa música no meio disso tudo, como 2001, e Defeito 3 – Politicar. Fez jingle para vender seus CDs, bagunçou o coreto. Saiu de cena. Pediram bis. Voltou. Dizia para a banda: “toca “. Os músicos obedeciam. Dali a pouco ele dizia: “ficou chato, vamos tocar outra”. Foi assim com mais cinco músicas. Saiu de palco definitivamente. Ao correr para o backstage, me deparei com uma fila imensa de pessoas que queriam comprar o disco. Era gente que, assim como eu, queria ter todos os tons de Tom Zé em casa. E quem não quer?

Posted quinta-feira, fevereiro 22nd, 2007 under Coberturas.

4 comments

  1. Vou comentar aqui no quarto dia (do qual eu não vi nenhum show) o que eu vi e gostei (ou não) no festival.
    Pra começar, o show do Vanguart foi melhor do que o outro que rolou no MTV Rock Tour Independente. O público estava bem receptivo e os covers emocionaram.
    Bonde do Rolê… Rapaz, eu sou contra o cara apertar o play, gritar no microfone, botar uma gordinha pra dançar e chamar isso de show. Mas, porém, contudo, entretanto, era carnaval – e até isso tava valendo! Então a diversão ficou por conta das horas em que entendíamos o que os três (péssimos) vocalistas diziam e a platéia toda ria e se entreolhava de vergonha daquelas maledicências. A pior parte foi quando a moça tentou cantar uma música “romântica”, super deslocada.
    Isca de Polícia eu vi só do meio pro fim, mas achei o show muito interessante. As vocalistas e o baterista/vocalista eram todos figuraças e cantavam muito bem. Ganhou pelo carisma, pelos arranjos e pelas músicas bem Boladas.
    Assim como o Instituto, no qual Thalma de Freitas deu um show a parte, cantando pra emocionar e sendo muito mais sensual (memso vestida!) do que a Marina do Bonde do Rolê ou o Daniel do Montage. E concordo com Hugo, China devia voltar pro HC. Subir no palco (sob vaias da platéia) pra cantar com B Negão e Thalma de Freitas – ambos com vozeirões estridentes – foi vacilo. Quando cantava, via que era melhor ficar calado. Ficou de dançarino (de gosto duvidoso).
    Zeferina Bomba eu vi lá de longe, de perto da tenda, e achei muuuuito meia-boca. Rockzinho mais safado!… Se estivéssemos na década de 90, pode ser que valesse a pena. Mas em pleno século XXI, ter que chamar banda da Paraíba pra tocar aquele feijão-com-arroz?
    O resto ou eu não vi ou não me chamou atenção, mas achei que o festival valeu.

  2. Vinicius Medeiros says:

    Pra mim, o show do Parafusa, banda loal, foi a maior atração do festial. Essa banda merece um maior destaque nacional, pois com certeza está entre as melhores bandas do país.

    Parabéns à banda!!
    E quanto ao show com a trombonada, imperdível!!

  3. KARA!!! TOM ZE ARREEEBENTA isso é de praxe.os outros shows foram ” legalzinhos” deu pra beber unas cervejas enquanto esperava o show de Tom ze.Eu particulamente gostei do show do Curumi e thE Aipns é um som meio groove, ate vi o vocalista dando um role na rua da moeda.

  4. Hugo, pra mim voce perdeu o melhor show do ultimo dia, PARAFUSA foi profissa!!

    Muito bom o show, nao devendo nada a banda nenhuma do pais, quem veio de fora não perdeu a viagem e saiu maravilhado!!!

    abraço!!