Abril pro Rock – terceiro dia: palco 1

Uma noite de esquizofrenia artística. Assim foi o desfecho da décima-quinta edição do Abril pro Rock. Dia em que até os jornalistas especializados conheciam muito pouco (ou nada) das atrações. Em que o público parecia também meio deslocado. Em que os shows do palco 1 (a parte que me cabe neste latifúndio) foram marcados por uma grandeza estética inversamente proporcional ao seu grau de estranheza.

Mestre do Forró no Abril Pro Rock 2007

Primeira “banda” a subir no palco principal, os Mestres do Forró fizeram uma apresentação afiada como navalha, de uma beleza indiscutível e passando a limpo forrós antigos de duplo sentido e cutucando Jackson do Pandeiro. O problema: embora algumas pessoas tenham caído no arrasta-pé, ninguém foi ali para vê-los. Pareceu uma atração deslocada, por mais bonito que tenha sido o encontro dos forrozeiros. E, no geral, roqueiro costuma ser (eu disse COSTUMA SER) um ser preconceituoso. Ou seja, não vingou. Mas foi lindo de ver e ouvir coisas das antrolas como “Pé de Coco” (“eu quero me trepar no pé de coco/ eu quero me trepar pra tirar coco/ pra saber se o coco é oco…) e “Não Fure Quinho” (Não fure quinho não/ Quinho é meu amigo…). Percebeu o cacófato?

The Film no Abril Pro Rock 2007

Depois, vejam só, adentram no recinto os franceses do The Film. Trio formado por guitarra/baixo e um sujeito que se dividia entre bateria, teclados e programações, a banda conseguiu um feito e tanto: chamar a atenção de um público que não fazia idéia de quem eles eram. Com camadas de distorção, outras tantas de eletrônica e pegadas de punk pós-moderno, o The Film fez uma apresentação intensa e surpreendente. Sempre fico com um pé atrás com esses nomes internacionais que caem de pára-quedas no Recife, mas os deste Abril pro Rock foram brilhantes.

Los Alamos no Abril Pro Rock 2007

E aí o que me aparece depois? Um híbrido de Neil Young e country argentino. Donos de uma técnica invejável, o Los Alamos concentrou seu show em momentos totalmente distintos. Baladas que faziam o público ouvir sentado, e um country-punk que balançava as estruturas do Centro de Convenções. Melhor show da noite.

Lee 'Scratch' Perry no Abril Pro Rock 2007

E a esquizofrenia voltou a reinar no show de Lee Perry. Não pelo show em si, mas pela transformação ocorrida no lugar. Mudou o público! Uma pequena multidão de fãs rastafáris que ninguém sabe onde se escondeu durante toda a noite invadiu a frente do palco. Enquanto a produção arrancava os cabelos porque Lee Perry (o cara parece uma entidade até no jeito de andar) não chegava, sua banda atacava com “Jungle Rastafári”.Foi aí que todos começaram a se perguntar: “qual desses no palco é Lee Perry?”. A coisa piorou quando começaram a cantar e ninguém na banda abria a boca. Aí eis que entra, majestoso em toda sua dinastia jamaicana, chapéu, bolsa e demais apetrchos, o homem que é considerado uma lenda viva do reggae. E haja restafári pulando feliz, gritos de êxtase e fumaça ao ar. Foi assim durante todo o show. O mais engraçado foi vê-lo saindo do palco para o bacstage, se dirigindo ao camarim como se durante todo o trajeto houvesse um tapete vermelho estendido para ele. Entrou rapidamente no camarim e foi embora sem dar tchau. A imprensa, que assistia ao show e estava louca para entrevistá-lo, foi barrada no acesso ao backstage. Quando pôde entrar, o homem já tinha virado fumaça. Coisas de lenda.

Posted segunda-feira, abril 16th, 2007 under Coberturas.

8 comments

  1. Kd a resenha do show dos The Playboys? Foi muito bom!!

  2. Que falta de respeito do site, não colocar o playboys!

  3. Henrique tava de vestidinho mesmo? Miss Paulo André Não Me Ouve, não fui! rsrs

  4. Estava muito cansativo para mim cobir os três palcos. Paulo, nosso novo colaborador, escreveu sobre os palcos 2 e 3, inclusive sobre o show do The Playboys. Entra no ar ainda hoje.

  5. Sofia Egito says:

    Poxa, queria ter ido!…
    :(

    Ano que vem tem mais…
    :~

  6. Pedro Barros says:

    Gostei de Lee Perry, mas esperava mais. Mesmo assim, valeu a pena ver esta lenda da música jamaicana. O domingo valeu por ele e pelos The Playboys. A banda tem ótimas letras e o vocalista tem uma atitude de palco genial.

  7. Guilherme Moura says:

    Acho que tinha um pouco mais de 3000 pessoas no domingo. Tava bem tranquilo.
    Impressionante como apareceu gente quando anunciaram o Lee Perry. Os rostos mudaram totalmente, foi a vez dos dreads, saia baixa e sandalias de couro.

    3 dias… 3 públicos. O maior (ou mais fiel ?) continua sendo do Metal. Tinha bem mais metaleiro que punk ou qualquer outra tribo, mesmo com o Marky Ramone.

  8. porra e quem foi finalmente o vencedor dakela guitarra!