Abril pro Rock – terceiro dia: palco 1

Por Hugo Montarroyos em 16 de abril de 2007

Uma noite de esquizofrenia artística. Assim foi o desfecho da décima-quinta edição do Abril pro Rock. Dia em que até os jornalistas especializados conheciam muito pouco (ou nada) das atrações. Em que o público parecia também meio deslocado. Em que os shows do palco 1 (a parte que me cabe neste latifúndio) foram marcados por uma grandeza estética inversamente proporcional ao seu grau de estranheza.

Mestre do Forró no Abril Pro Rock 2007

Primeira “banda” a subir no palco principal, os Mestres do Forró fizeram uma apresentação afiada como navalha, de uma beleza indiscutível e passando a limpo forrós antigos de duplo sentido e cutucando Jackson do Pandeiro. O problema: embora algumas pessoas tenham caído no arrasta-pé, ninguém foi ali para vê-los. Pareceu uma atração deslocada, por mais bonito que tenha sido o encontro dos forrozeiros. E, no geral, roqueiro costuma ser (eu disse COSTUMA SER) um ser preconceituoso. Ou seja, não vingou. Mas foi lindo de ver e ouvir coisas das antrolas como “Pé de Coco” (“eu quero me trepar no pé de coco/ eu quero me trepar pra tirar coco/ pra saber se o coco é oco…) e “Não Fure Quinho” (Não fure quinho não/ Quinho é meu amigo…). Percebeu o cacófato?

The Film no Abril Pro Rock 2007

Depois, vejam só, adentram no recinto os franceses do The Film. Trio formado por guitarra/baixo e um sujeito que se dividia entre bateria, teclados e programações, a banda conseguiu um feito e tanto: chamar a atenção de um público que não fazia idéia de quem eles eram. Com camadas de distorção, outras tantas de eletrônica e pegadas de punk pós-moderno, o The Film fez uma apresentação intensa e surpreendente. Sempre fico com um pé atrás com esses nomes internacionais que caem de pára-quedas no Recife, mas os deste Abril pro Rock foram brilhantes.

Los Alamos no Abril Pro Rock 2007

E aí o que me aparece depois? Um híbrido de Neil Young e country argentino. Donos de uma técnica invejável, o Los Alamos concentrou seu show em momentos totalmente distintos. Baladas que faziam o público ouvir sentado, e um country-punk que balançava as estruturas do Centro de Convenções. Melhor show da noite.

Lee 'Scratch' Perry no Abril Pro Rock 2007

E a esquizofrenia voltou a reinar no show de Lee Perry. Não pelo show em si, mas pela transformação ocorrida no lugar. Mudou o público! Uma pequena multidão de fãs rastafáris que ninguém sabe onde se escondeu durante toda a noite invadiu a frente do palco. Enquanto a produção arrancava os cabelos porque Lee Perry (o cara parece uma entidade até no jeito de andar) não chegava, sua banda atacava com “Jungle Rastafári”.Foi aí que todos começaram a se perguntar: “qual desses no palco é Lee Perry?”. A coisa piorou quando começaram a cantar e ninguém na banda abria a boca. Aí eis que entra, majestoso em toda sua dinastia jamaicana, chapéu, bolsa e demais apetrchos, o homem que é considerado uma lenda viva do reggae. E haja restafári pulando feliz, gritos de êxtase e fumaça ao ar. Foi assim durante todo o show. O mais engraçado foi vê-lo saindo do palco para o bacstage, se dirigindo ao camarim como se durante todo o trajeto houvesse um tapete vermelho estendido para ele. Entrou rapidamente no camarim e foi embora sem dar tchau. A imprensa, que assistia ao show e estava louca para entrevistá-lo, foi barrada no acesso ao backstage. Quando pôde entrar, o homem já tinha virado fumaça. Coisas de lenda.

8 Comments

  1. Rebeca
    Posted 16 de abril de 2007 at 11h53 | Permalink

    Kd a resenha do show dos The Playboys? Foi muito bom!!

  2. nanda foxx
    Posted 16 de abril de 2007 at 12h28 | Permalink

    Que falta de respeito do site, não colocar o playboys!

  3. Z
    Posted 16 de abril de 2007 at 12h33 | Permalink

    Henrique tava de vestidinho mesmo? Miss Paulo André Não Me Ouve, não fui! rsrs

  4. Posted 16 de abril de 2007 at 12h35 | Permalink

    Estava muito cansativo para mim cobir os três palcos. Paulo, nosso novo colaborador, escreveu sobre os palcos 2 e 3, inclusive sobre o show do The Playboys. Entra no ar ainda hoje.

  5. Sofia Egito
    Posted 16 de abril de 2007 at 13h55 | Permalink

    Poxa, queria ter ido!…
    :(

    Ano que vem tem mais…
    :~

  6. Pedro Barros
    Posted 16 de abril de 2007 at 19h02 | Permalink

    Gostei de Lee Perry, mas esperava mais. Mesmo assim, valeu a pena ver esta lenda da música jamaicana. O domingo valeu por ele e pelos The Playboys. A banda tem ótimas letras e o vocalista tem uma atitude de palco genial.

  7. Guilherme Moura
    Posted 16 de abril de 2007 at 20h53 | Permalink

    Acho que tinha um pouco mais de 3000 pessoas no domingo. Tava bem tranquilo.
    Impressionante como apareceu gente quando anunciaram o Lee Perry. Os rostos mudaram totalmente, foi a vez dos dreads, saia baixa e sandalias de couro.

    3 dias… 3 públicos. O maior (ou mais fiel ?) continua sendo do Metal. Tinha bem mais metaleiro que punk ou qualquer outra tribo, mesmo com o Marky Ramone.

  8. Angelus
    Posted 17 de abril de 2007 at 8h48 | Permalink

    porra e quem foi finalmente o vencedor dakela guitarra!

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