Entrevista Ataque Periférico: “HC / Thrash / Funk Carioca”

Ataque Periférico (foto de divulgação)

Após três anos, os cariocas do Ataque Periférico embarcam para sua segunda turnê pelo Nordeste do país. A tour de divulgação do segundo disco da banda “Caverão” já passou por 13 países, incluindo a Estônia, país no qual a banda foi a primeira brasileira a tocar.
O Ataque Periférico já é conhecido dos Pernambucanos. Eles tocaram por aqui em 2004 no PANOROCK. Agora a banda volta para um show no próximo sábado (dia 4 de agosto), no Bar do Reggae (bar próximo ao Novo Pina no Recife Antigo), junto com as bandas Revolta Civil, Rabujos, xDiscórdiax e Royal Kennebah. É sobre este show que Élder do Revolta Civil conversou com Valcimar, vocalista do Ataque.

Escute: Ataque Periférico – Acorde Malandro

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Escute: Ataque Periférico – Cristão do Pó

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Três anos após sua primeira vinda ao nordeste, conte-nos quais as melhores lembranças da turnê passada, e como surgiu esta nova oportunidade? Quais as diferenças daquela para esta tour?
Então, 3 anos se passaram e muita saudade do nordeste, Recife foi a cidade na qual tocamos para a maior quantidade de gente! E até hoje uma das cidades na qual agente recebe mais e-mails, cartas etc, Algumas bandas da cidade colocam como influencias suas o Ataque. Isso deixa agente mega feliz! A oportunidade surgiu desde sempre, pois a gente quis voltar. Além disto, a tour desse segundo disco tem passado por muitas cidades do Brasil, inclusive por 32 da Europa, deixar o Nordeste (inclusive Recife) de fora da divulgação do nosso segundo disco é um grande pecado! Gostaríamos que fosse uma turnê ainda mais extensa do que a de 2004, mais infelizmente podemos fazer somente 4 dias! Por isso voltar a 2 grandes cidades que nos acolheram maravilhosamente bem como: recife e natal. Inclusive, em Natal, iremos tocar no festival DOSOL 2007, organizado por Foca do bar DOSOL, na qual tocamos em 2004 também, isso meio que é um reconhecimento e os frutos colhidos na nossa primeira tour em 2004.
Sobre o show no Recife, confesso que das 4 datas é a que eu espero mais, pela quantidade de amigos e admiradores que temos na cidade!

Do primeiro disco, “Esperto que É Esperto Morre de Velho”, que abriu muitas portas para a banda, ao último lançado intitulado “Caverão”, alvo de divulgação desta turnê, é visível um amadurecimento técnico e criativo da banda. O que vocês tomam como influência atualmente, e como definir o som da banda em poucas palavras??
Sim, fato que o  nosso segundo disco existe esse amadurecimento, creio que seja reflexo do nosso amadurecimento como ser humano, claro agente fica mais “exxxxperto” (risos) troca de integrantes e novas bandas incluídas no cast de bandas que andamos ouvindo reflete na musica que agente faz, assim como na musica de qualquer banda! mais a diferença grande mesmo, é a influencia que deixamos rolar da nossa cidade em nossa musica! a cidade, o samba, o funk, as ruas! a periferia (onde moramos) as guerras, o trafico de drogas! A gente deixou bem aberta essa lacuna para o estilo carioca influenciar nossa musica “grotesca”, evitar ser uma banda do rio de janeiro que parece mais uma de Nova York, da Califórnia ou de São Paulo, você ouvir, ver agente tocando e falar: é uma banda da nossa cidade em nossa musica! a cidade, o samba, o funk, as ruas! a periferia (onde moramos) as guerras, o trafico de drogas! É uma banda de hardcore (com suas variações) do RIO DE JANEIRO. Definir o som da banda? HC/thrash/Funk Carioca.

Quase que complementando o que já foi citado na pergunta anterior… Na terra do carnaval, praia e baile funk, nos termos do estereotipo “malandro” do carioca, o hardcore extremo tem força??? Descreva o que o estado tem produzido de destaque no meio underground, além do Jason, Confronto, e vocês (ambos já visitaram Recife), e se há uma peculiaridade do hardcore carioca.
O Rio de Janeiro tem bastante banda boa que vocês irão muito ouvir falar, e destaco algumas como: Liberpênsulo que faz a linha mais metalcore do gênero; o Norte Cartel, que tem ex-integrantes da banda Solstício, outra banda que ta se despontando na cidade com bastantes shows fora do estado; o Halé também é outra que se destaca na cidade, inclusive prometendo invadir o nordeste ainda esse ano! Mas a cena do Rio de Janeiro acontece tudo que uma cena tem! Desde muitas bandas tocando muita gente reclamando, gente se dizendo “anti-panela” mais são os que mais fazem, além de bons shows rolando pela cidade! Resumindo a cidade está boa pra quem faz correria direitinho, sem esperar de ninguém! Segue algumas outras bandas tocando pela cidade: Colegial, Crime Passional, Alarme, Bandanas Revenge, Zach Ewform, SMH, Fokismo, xvivenciarx… putz se eu for fala todas vou perder um bom tempo por aqui. Ah não posso esquecer do UZOMI (que é quase um patrimonio thrash/crossover da cidade). O Itsari que também é aclamadissima pela mídia especializada, puxando mais pro metal tem o Agory, e o Horrificia (que parte em tour pela america do sul). Aqui acontece muita coisa e é bem legal, procurem mp3´s.

Voltando ao tema, disco novo… Quando e como foi a produção do albúm “Caverão”, segundo disco da banda, e quais os selos envolvidos na sua distribuição? Explique o por que da escolha do nome “Caverão”, e qual sua opinião sobre a atual situação da “Cidade Maravilhosa” com as forças armadas na esquina da sua casa.
A produção desse segundo disco foi meio que como o primeiro; começamos a fazer ele no meio da divulgação do primeiro, daí terminamos quando tínhamos gravação marcada. Decidimos que seria um disco mais temático, que todos os assuntos circulassem pela periferia do rio de janeiro. Decidimos mostrar o Rio de Janeiro de verdade; as ruas, as pessoas, os costumes, as gírias, os acontecimentos, o jeito de viver e sobreviver numa cidade dominada e sitiada pelo trafico de drogas, e pela guerra civil travestida. Você sabia que a única cidade no MUNDO, que não está em guerra declarada, é natural você ver a noite tiroteios intermináveis e balas traçantes cortando o céu da cidade? Então essa é nossa cidade! Mais uma cidade que, além de todo esse panorama, consegue uma das mais alegres e gostosa de se viver (acredite se quiser). O carioca, assim como o pernambuco, não hesita em bater no peito e falar: SOU CARIOCA CARALHO! O nome do disco, é também titulo de nossas músicas, achamos por bem batizar o disco com o mesmo nome! Fizemos a música para falar sobre o carro blindado da policia do RJ, quando fizemos há uns 2 anos atrás ninguém fora do eixo-suburbio do rio, nem imaginava do que se travava. Hoje todo mundo sabe o que é, normal! Tudo que acontece no Rio vira noticia! Sabemos muito bem que outras capitais brasileiras são muito violentas! Recife por exemplo tem um grande índice de homicídios e assaltos a pedestres, encabeçando a lista! No rio o lance da guerra do trafico figura a nossa estatística! Enfim, a idéia da banda é isso! Ser uma banda de hardcore CARIOCA! Ser nós mesmos! Quanto aos selos envolvidos na divulgação, esse disco ficou a cargo do selo carioca (antdiscos) do nosso amigo djames (um amigo que sempre deu muita força pra banda), Laja Rekords (do bastardo Mozine) quem não conhece esse figura e as bandas que ele toca e lança? E o selo norte americano, que segundo as más línguas é o mais importante selo mundial do gênero! A gente ficou muito feliz por essa trinca! E a distribuição do mesmo está sendo excelente. A gente ta tendo que pegar mais discos com os selos pois os nossos já se foram há muito tempo! Talvez role uma reprensagem! Não sei! Vamos ver, mas a gente começa mesmo a pensar em um disco novo, creio que a tour do disco “Caverão” vá ate o fim do ano. Depois agente pára, descansa compõe, grava…aquela coisa gostosa!

O Ataque Periférico, ainda no ano passado, fez uma mega-turnê pela Europa com 32 shows (citação da primeira resposta sua). Qual a recepção do velho continente frente a uma banda brasileira, que não seja Sepultura e Ratos de Porão. O que o Brasil precisa aprender com eles?
Então em 2006 fomos pra Europa pra fazer 37 e fizemos 32, sofremos um acidente na França..(chique né?). A turnê européia foi o ponta pé inicial da divulgação do nosso disco, e a recepção dos europeus foi a melhor possível. Eles admiram muito o hardcore brasileiro! E sem contar que as bandas brasucas chegam lá e detonam, nós brasileiros temos um jeito diferentes que eles piram, e o Ratos de Porão é aclamadissimo por lá! Então as pessoas iam já sabendo que era mais uma banda brasileira, não se decepcionavam! O que precisamos aprender com eles é o fato do underground de lá ser muuuuito bem estruturado e organizado! Lá você faz shows todos os dias, tem gente pra vê o show, o som é de primeira, SEMPRE tem cachê, rango, cerveja e lugar pra dormir. Isso é a grande diferença do hardcore.

É verdade que você, Valcimar, tem sangue de pernambucano, e por isso esta relação tão estreita com o Nordeste, e Pernambuco em especial? O que você conhece daqui, tanto do nosso underground quanto da nossa cultura em geral?
Rapá, digamos que sou metade carioca metade pernambucano. Meus pais são daí de Pernambuco, e mais precisamente do sertão! É fato que a cultura popular dessa região é a mais rica do pais! E eu me orgulho muito dessa minha origem! Quanto ao underground nordestino e pernambucano! gosto muito do que é feito por vocês, muitas bandas boas que mereciam, de fato, mais destaque no eixo-sul/sudeste. O Facada(CE), por exemplo, desceu um tempo desses pro sudeste. Bandas como: Revolta Civil e Rabujos de Recife merecem há um tempo descer também, além de bandas como Catarro de Mossoró!
Vai ser bom essa nova turnê pra conhecer outras bandas que não conheci em 2004, o xDiscórdiax é uma que eu quero ver! Quanto a região metropolitana de Recife, exijo que Élder me leve ao Alto da Sé em Olinda pra comer uma tapioca! E conhecer ainda mais pessoas do Recife. E estamos muito ansiosos pra esse show em Recife, voltar a recife e tocar no Recife antigo é d+! Quero ver todos lá, lotando o pico do show! é noisssss!

Enfim… após este bom papo furado, deixa tua mensagem livre para os leitores do RecifeRock. Agradeço a atenção prestada na entrevista, e toda sorte do mundo nesta nova turnê do Ataque Periférico pelo Nordeste.
Ae leitores, será um prazer voltar a recife! tocar nessa cidade foda pra caralho! voltar ao nordeste, rever muitos amigos e tocar pra vocês! Obrigado ao Reciferock pelo espaço, e ao Élder pela matéria, entrevista, pela força e pela amizade!

links:
www.myspace.com/ataqueperiferico
www.fotolog.com/ataqueperiferico
www.reciferock.com.br/2004/09/07/panorock-2004-primeiro-dia

Serviço:
Ataque Periférico no Recife
Quando ? 04/08/2007 (Sábado) às 21h
Onde ? Bar do Reggae (bar próximo ao Novo Pina no Recife Antigo)
Quem ? Ataque Periférico (RJ), Revolta Civil, Rabujos, xDiscórdiax e Royal Kennebah
Quanto ? R$ 5,00

Posted segunda-feira, julho 30th, 2007 under Notícias.

One comment so far

  1. Guilherme Moura says:

    PANOROCK 2004 (PRIMEIRO DIA)
    data: 04/09/2004 (Sábado) – local: Ancoradouro
    Resenha por Hugo Montarroyos

    “Depois foi a vez daquele que seria o melhor show do palco 2. Os cariocas do Ataque Periférico ignoraram as péssimas condições do som local e mandaram um punk rock hardcore inspirado em Ratos de Porão que foi responsável pela formação de uma roda de pogo que se estendeu até o final da apresentação deles. A banda, que tem três anos de carreira, mostrou o repertório do disco de estréia, “Esperto que é Esperto Morre de Velho”. O vocalista Valcimar, além de ótima presença de palco, possui um vocal estridente maravilhosamente trabalhado, perfeito para o estilo. “Preto, Pobre e Favelado” e a cover de “Crucificados pelo Sistema”, do Ratos de Porão, garantiram ao Ataque Periférico momentos de histeria coletiva e de extremo trabalho para os seguranças. À minha frente, uma garota que não devia ter mais de 15 anos se orgulhava do murro que levou na roda de pogo. Vai entender…”

    link da cobertura (com fotos):
    http://www.reciferock.com.br/2004/09/07/panorock-2004-primeiro-dia/