Tapa na Orelha – Conhece o Snooze?

Snooze (divulgação)

O Reciferock!, desde a sua fundação, mantém a tradição (também possuímos nossa porção “armorial”) de só resenhar discos de artistas pernambucanos. E há dois anos que quero falar aqui do Snooze, banda sergipana que considero uma das melhores do país. E só hoje a ficha caiu aqui pro idiota: por que não falar deles na minha coluna? Até porque a história do Snooze com o Reciferock! (mais particularmente comigo) ilustra bem como é esquizóide a relação artista-crítica-público.

Vi o Snooze pela primeira vez em 2005. A banda era uma das atrações da primeira edição do festival DoSol, em Natal, e na ocasião não vi nada demais neles. Achei o show opaco, inodoro, insosso e incolor, embora fosse claramente perceptível que existia algum talento ali. Recebi das mãos deles uma demo, e achei o projeto gráfico bonito demais para não ser ouvido (daí a importância de caprichar no material de divulgação da sua banda).

Coloquei o disco para tocar – já no Recife – e eis que veio a tapa na cara (e na orelha). A banda era (e é) excelente. Fiquei sem entender como um grupo que possuía um repertório tão forte era capaz de fazer um show tão fraco. Um ano depois, de novo em Natal, fiz a mesma pergunta a um dos integrantes do Snooze, e ele confirmou o que eu suspeitava: tudo dera errado naquela noite. Nada tinha saído como planejado, e eles consideravam aquele show de um ano atrás como um dos piores da carreira da banda.

Os três parágrafos acima foram somente para ilustrar como de fato são falsas as primeiras impressões. É verdade que tenho motivos pessoais para gostar do Snooze, uma vez que a principal influência deles é o Teenage Fanclub, minha banda preferida de todos os tempos. Mas eles não ficam só nisso. Adicionam metais e gaitas à formula dos escoceses. Trabalham bem as harmonias vocais, e suas vozes doces e contidas contrastam com o peso por vezes despejado em sua música. O fato de virem de Aracaju só reforça a excentricidade e o alcance global que a música aperfeiçoou nos últimos anos: uma banda da periferia do país que canta em inglês e que tem em um grupo da Escócia a sua principal referência.

Isso tudo demonstra o quão falível é o acordo tácito firmado entre artista-crítica-público. Eles fizeram um show fraco. Eu escrevi o mesmo em minha cobertura dele. E boa parte dos leitores deve ter acreditado que a banda é ruim, quando na verdade é ótima. Não conheço, até hoje, uma única canção fraca do Snooze. Worlds For You, Lovers Kiss e Love & Death (no conclusions) são exemplos do que de melhor o pop pode oferecer ao mundo. Ainda que venha de local tão inusitado. E que críticos idiotas como eu se enganem à primeira vista. Nada que uma segunda chance não resolva. Afinal, o Teenage Fanclub parece não ter salvo apenas a minha vida… certo, Fabio Snoozer?
Não conhece a banda? Então acesse www.snooze.com.br O máximo que pode acontecer é você não gostar na primeira audição. Assim como aconteceu com um certo babaca que conheço…

Escute: Snooze – Sunshine

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Escute: Snooze – Why

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p.s. queria agradecer as manifestações de solidariedade que recebi aqui em função da perda do meu sogro. Gostaria que soubessem que elas me ajudaram a erguer a cabeça e a seguir em frente. Mesma sensação que tenho ao ouvir Teenage Fanclub ou Snooze. Obrigado.

Posted sábado, setembro 8th, 2007 under Tapa na Orelha.

7 comments

  1. O show deles aqui em Natal esse ano foi muito bom.

  2. Guilherme Carvalho says:

    Sou fã da Snooze no mínimo a 10 anos.

  3. Ouvi a banda!! O som deles é realmente muito caprichado!!!

    Só não consigo ver sentido algum em escutar bons músicos, gente inteligente, produção de primeira e tanto capricho para “xerocar” o som dos gringos.

    Adoro rock, mais ao contrário do caso dos medicamentos, não gosto dos genéricos.

    Morar no Brasil deveria servir de inspiração para esses grandes artistas. Odeio o fundamendalismo dos armorias. Gosto de ouvir o Snooze, mas prefiro achar que eles são o Teenage Fan club! Aí o som fica até melhor!

  4. conhecidos

    pra mim desde o tempo que eu comprava tribo sk8 e 100% sk8 mag

    muito classe o som dos caras
    estão presente na coletânia da sk8 mag 2000

  5. Ei Mac, vai te lascar pra lá.
    O som dos cara é o pipoco.
    Só lembra, mas num é cópia não

  6. Não lembro dessa matéria de 2007, acho que não li na época!
    E não acho que a gente seja cópia de nada, muito menos de Teenage Fanclub! Tá muito longe, na verdade… Lembro do Hugo meio que se desculpando pela crítica negativa ao show, mas ele tava certo, foi ruim mermo! hehehe. Que banda nunca fez show ruim? O problema é fazer isso em pleno “Do Sol”!
    Abraços.