RESENHA: Amps & Lina – Curva e Linha

Por Hugo Montarroyos em 17 de outubro de 2007

Amps & Lina - Curva e Linha

Amps & Lina – Curva e Linha (2007/Independente)

Escute: Amps & Lina – Deja Vu
[audio:http://www.reciferock.com.br/musica/amps_e_lina-deja_vu.mp3]

O Amps & Lina é, em uma palavra, uma banda “esquizofrênica”, no que o termo carrega de melhor quando o assunto é música. Ou seja, intriga, fascina, causa estranheza e às vezes até uma certa repulsa, tudo ao mesmo tempo. “Curva e Linha” é o típico álbum que não pega de primeira (perdão pelo clichê), e merece ser ouvido mais de uma vez antes de uma conclusão definitiva, pois alguns detalhes estão escondidos debaixo da voz angustiada e propositalmente tediosa de Luciana Medeiros e dos violinos mórbidos de Lorena Arouche.

O álbum abre com o tema-título, que começa com pogramação eletrônica e com a voz monocórdica de Luciana. Quando a gente pensa que a faixa se resume apenas a isso, vem efeitos tipo Radiohead fase Kid A e a banda inteira explode depois num belo ritual de melancolia, onde o violino passa a dar as cartas no meio da canção, que vai num crescente acachapante até o final.

“Deja Vu” oferece uma bela levada de guitarra em seu início, e a coisa fica um pouco mais pop, mais “acessível”. Mas a melancolia continua a ser a guia-mestre deles, que se saem muito bem nesse caminho. O violino, aqui, aparece primeiro só como detalhe, e depois explode junto com toda a banda.

“Quanto Custará” envolve melodia eletrônica, a voz que exala dicotomia de Luciana (fascina e causa agonia ao mesmo tempo) com violino em primeiro plano e uma letra tristíssima. De doer de tão bonita, embora não seja uma beleza fácil de ser apreciada. O violino dá um tom de morte que parece estocar o coração do ouviente com seu arco.

“Vôo a ti” vem mais convencional no início, mas aqui as aparências também enganam. Logo vem aquela voz (sabe-se lá saída de onde), cutuca, incomoda, e quando tudo parece absolutamente inacessível, entra a banda com uma tremenda pegada pop, que vai numa levada hipnótica e envolvente até determinado momento, para depois confundir tudo novamente.

O disco é encerrado com “De que canto partiu”, título bem apropriado para algo tão difícil de definir.

“Curva e Linha” é um trabalho delicado, ousado, calculadamente frio e muito interessante. Vai desagradar muita gente, mas deve encontrar seu público entre fãs de Radiohead, Joy Division e My Bloody Valentine, embora se pareça muito pouco com tudo isso. Ou seja, além de tudo, o amps & lina tem identidade. Ouça. Depois ame ou odeie. Aqui sequer há espaço para um muro para poder ficar confortavelmente em cima dele. Ele (o muro) foi, literalmente, destruído.

www.myspace.com/ampslina

Cotação: Excelente (5/5)

Amps & Lina (divulgação)

29 Comments

  1. Posted 17 de outubro de 2007 at 14h05 | Permalink

    Concordo plenamente com a resenha do EP da Amps & Lina. Ótimo trabalho!! Merece um palco legal, com um som no mesmo nível, pra ser ouvido pelo maior número de pessoas possíveis. É bonito de se ver uma banda no Recife com tanta criatividade, personalidade e coragem.

  2. henrique
    Posted 17 de outubro de 2007 at 18h03 | Permalink

    o link tá errado. tem um ‘I’ entre o ‘S’ e o ‘L’

  3. Henrique
    Posted 17 de outubro de 2007 at 22h14 | Permalink

    Esse endereço acima está correto, mas o link que está errado, faltando o “.com”

    Esse tá funcionando!
    http://www.myspace.com/ampslina

  4. André Mantra
    Posted 18 de outubro de 2007 at 9h16 | Permalink

    É anti-ético, por mais que tenha o feito antes(ao trabalho de várias bandas, inclusive esta), mas dá uma vontade de comentar, porém não vou.

    Contanto recomendo a audição; Enaltecer(trabalhos dos colegas/amigos) ou criticar severamente (gratuitamente as que não são) não constroem.Diga-se de passagem;Sei quem são os componentes, porém não os conheço, não são colegas meus, são apenas meus contemporâneos(banda formada desde a década passada).

    Gostaria que apenas ouvissem todas as faixas e tirassem suas próprias conclusões.

    http://www.myspace.com/ampslina

    Boa sorte e respeito ao Amps & Lina!

  5. Juracy
    Posted 18 de outubro de 2007 at 9h55 | Permalink

    Fenomenal!
    A cantora tem uma voz que não imita ninguem, timbre peculiar.
    Boas músicas e melodias bucólicas.
    Gostei muito, belo trabalho!

  6. ???
    Posted 18 de outubro de 2007 at 10h33 | Permalink

    e viva o jabááááá :)
    e viva o jabááááá :)
    e viva o jabááááá :)
    e viva o jabááááá :)
    e viva o jabááááá :)
    e viva o jabááááá :)

    Dá-le Hugo sem ética Montarroyos

  7. Fernando
    Posted 18 de outubro de 2007 at 11h08 | Permalink

    Hugo, tenho a impressão que se voce se candidatasse a vereador de Recife para defender os interesses dos músicos, o senhor nào teria os votos dos que leem diariamente seu polêmico site.
    Ás pessoas em recife são vaidosas e não gostam de críticas, preferem a hipocrisia e viver na ilusão.
    é nóis.

  8. Yara
    Posted 18 de outubro de 2007 at 17h32 | Permalink

    Belíssima resenha. Eu acho que resume, de uma forma particular, essa banda que, infelizmente, foi ouvida por poucos.

    Desejo muita sorte para vocês!!! Vocês merecem!!!

  9. Rigoberto
    Posted 19 de outubro de 2007 at 16h14 | Permalink

    poxa, vou ouvir. fiquei curioso. Se o “grande” hugo montarroyos, o aderval barros da crônica musical recifense, achou bom, então deve ser bom mesmo.

  10. zeca.viana
    Posted 20 de outubro de 2007 at 12h34 | Permalink

    Muito bom o EP.

  11. Breno
    Posted 20 de outubro de 2007 at 16h29 | Permalink

    Hahahahahaha o aderval barros da crônica musical foi ótimo.

  12. Posted 22 de outubro de 2007 at 0h35 | Permalink

    Eu esperava saber, através desta resenha, mais coisas sobre a música da banda – o que se supõe ser importante num cd, afinal – do que exatamente suas influências e de onde eles tiraram suas idéias, o que para um bom grupo é uma mera referência, haja visto que todos escutam outros trabalhos. Ao que me parece, para o autor a poesia e a música do grupo em questão é algo totalmente ofuscado por “aquele efeito de guitarra ‘radiohead'” ou “aquela voz melancólica”… Gostaria de ler mais música que barulho. Se a “identidade” do Amps & Lina é baseada num “TubeScream” ou “naquele plugin do Cubase”, eu prefiro nem ouvir.

  13. Alcides Vespa
    Posted 22 de outubro de 2007 at 10h09 | Permalink

    Oi Júlio, blz?
    Sou Alcides um dos integrantes da Amps & Lina , se você tiver um tempinho pra para e escutar nossas canções ficaria mais fácil pra dar uma opinião sobre nosso som, mesmo que fosse negativa ficariamos agradecidos por sua atenção. Espero que você não se contente em saber sobre nosso trabalho apenas por palavras afinal estamos falando de música.Influências são coisas intrísicas e inevitáveis da vida ,e começa desde o momento em que nascemos quando nosso pai diz que somos torcedor desse ou daquele time, hehehe. Não fugimos de nenhuma por mais banal que pareça.Somos 6 integrantes e cada um tem preferências em comum e distintas , na real nossa forma de compor é bem Ezquizofrênica como Hugo bem falou sem nos conhecermos, mas acertou na mosca. Nossa música é produto de nossas diferenças e conflitos, não buscamos fazer nada inédito ou nunca inventado antes, apenas é produto do que somos “na real”, saca?.Te convido a em breve ver um show dagente e se você quiser podemos bater um papo. Abç

  14. Posted 22 de outubro de 2007 at 13h19 | Permalink

    Olá Alcides, prazer falar com você. Esclarecendo, eu não critiquei sua banda e sim a resenha. Pouco ouvi da Amps & Lina para ter alguma opinião, mas, como falei, gostaria de ter mais idéia do que irei ouvir neste EP, em termos de música e poesia. É muito vago dizer que a banda é “esquizofrênica”, e isso, juntamente com tudo dito na matéria, não me instiga em nada a audição. Contudo, vou procurar algo para ouvir. Abraço.

  15. Júlio C.
    Posted 22 de outubro de 2007 at 16h17 | Permalink

    Ouvi e não gostei.
    Parece que a qualquer momento a voz vai faltar. Falta emoção, e não é chorar, mas “irar” em alguns momentos… e por favor se vocês querem chegar longe… tratem de trabalhar o sotaque da vocalista… desse jeito nada feito… a não ser que queiram ficar pelo nordeste mesmo… ou a não ser que vcs sejam algo como mundo livre ou coisa parecida… a música de vcs pede uma imensa atenção no vocal…..
    Aliás, valorização dos instrumentos e dos músicos também seria interessante, basear as músicas em efeitos… definitivamente não é interessante..
    melhor seria aproveitar o violino, o baixo e a bateria por exemplo. Quem é que não gosta de uma música bem trabalhada?!
    Ainda não me convenceu. Quem sabe na próxima.

  16. Posted 22 de outubro de 2007 at 23h44 | Permalink

    Me dei a oportunidade de ouvir o trabalho da Amps & Lina no myspace (favor corrigir o endereço dado: http://myspace.com/ampslina) e acho que entendi melhor o vazio desta resenha. Talvez fosse suficiente dizer apenas que as duas primeiras estrofes de “Deja Vu” descrevem bem a banda. Abraços.

  17. Rivaldo Acosta
    Posted 26 de outubro de 2007 at 17h54 | Permalink

    Ouvi e Gostei…kkkkkk
    Não podemos aqui falar da resenha de Hugo como referência para dizer que a banda Amps&lina é òtima, mais é ótima depois que se escultamos.
    TEnho Certeza que a coisa foi feita com dedicação, timbres dos instrumentos bem colocados, vocais com sensibilidade de não chocar com instrumentos, coisa difícil quando falamos da sensibilidade “morbida” do Violino…kkkkkk…
    Caramba, se não viajar farei o possível para dia 03 vê essa galera ao vivo.
    Ah…também posso falar que fico com duas frases da música, De Javu “Verbos e sons, Incidentais”, esquizofrenia de boa qualidade…ehehehe
    Sucesso a uma das novas boas bandas que sabe fazer música em Pernbambuco e pelo Madsummer Midness..no Brasil…
    Evoe

  18. andré barbosa de barros
    Posted 8 de novembro de 2007 at 5h28 | Permalink

    não entendi…?

  19. andré barbosa de barros
    Posted 8 de novembro de 2007 at 5h48 | Permalink

    realmente gostei da música…eles tbm se garantem ao q se propõem e mais uma vez realmente estão de acordo com suas influências.entanto acho q o pessoal esqueceu de citar uma influência muito marcante,(principalmente no vocal da senhorita)talvez não conheçam,a banda CALL AND RESPONSE.só um ponto negativo,a icoerência do sotaque nas pronúncias já q a banda é de recife:oq há de errado ou feio ou vergonhoso em dizer SENTIR ao invés de SENTCHIR, o mesmo em DIA ao invés de DJIA ?

    * uma coisa engraçada,na música QUANTO CUSTARA – longe de plágio – não tem uns acordes próximos a uma música em espanhol,acho q o sá e guarabira fizeram uma versão,enfim é uma música muito conhecida,seria:
    …”TE AMO , TE AMO , ETERNAMENTE TE AMO,ou YOLANDA ,
    YOLANDA,ETERNAMENTE YOLANDA…” ?

  20. andré barbosa de barros
    Posted 8 de novembro de 2007 at 5h54 | Permalink

    quero dizer no começo da música QUANTO CUSTARA e quando nas nuances da música.

  21. andré barbosa de barros
    Posted 8 de novembro de 2007 at 5h56 | Permalink

    por favor desculpem e desconsiderem o comentário,”não
    entendi…?

  22. andré barbosa de barros
    Posted 8 de novembro de 2007 at 7h56 | Permalink

    pôxa rapeize,eu sei q não tem nada a ver mas o NUDA é bem bom.

  23. Posted 12 de novembro de 2007 at 15h48 | Permalink

    Muito legal mesmo o trabalho!
    É diferente, é agradável, é tenso, é fantástico!
    O violino de Lorena no fundo monta um clima muito legal á música, dá um recheio interessante.

    Excelente, excelente, excelente!

    Sem contar que o nome é muito bem bolado… algum farmacêutico na banda?!?! Heheheheh…

    Sucesso galera!!!

  24. Posted 13 de novembro de 2007 at 20h50 | Permalink

    Sou fã da banda desde seus primórdios e posso dizer com toda certeza: se vocês gostaram do EP, precisam ir para um show da galera. É muito mais intenso ouvir tudo isso que confunde a gente diretamente do amplificador.

    Quem quiser curtir a banda, acho que tem a agenda no orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2851673

    Ah! E não adianta nada “experimentar” a música com a cabeça fechada e pensamentos negativos. Desse jeito não tem banda que preste, né Júlio?

    Ah2! E ao contrário do que disseram em um comentário anterior, a Amps & Lina não é uma banda nova. Ela já está com mais de 10 anos de estrada, batalhando um lugar ao sol, assim como 99,99% das bandas por aqui.

    Ah3! Se pra ser bom precisa não ter sotaque nordestino, Chico Science, Luís Gonzaga, Lenine e tantos outros não teriam se tornado as personalidades que são até hoje.

    É por isso que eu bebo!
    Vôte!!

  25. andré barbosa de barros
    Posted 27 de novembro de 2007 at 5h02 | Permalink

    é , sou eu um insensato,ridículo ou uma espécie de idiota. pra ser bom precisa nascer e crescer no nordeste e quando for cantar , cantar com o sotaque do sudeste.

  26. joana gurgel
    Posted 11 de abril de 2008 at 14h14 | Permalink

    ehehhe.. comentários impagáveis, esses! :D

    O EP é muito bom. Digo pq não ouvi uma única vez, até pq não convence de primeira (tenho que afirmar). Façam alguma audições e vão entender o sentido da coisa.

    tenho dito!
    :p

  27. Posted 19 de maio de 2009 at 3h50 | Permalink

    eu não acredito muito nesse negocio de ter que escutar vinte vezes para gostar de um EP isso não cheira bem. Bateu na vitrola o cara gosta logo ou não, e se não entendeu logo e começou a explicar muito, tem caroço no angu!

  28. Marcelo
    Posted 21 de maio de 2009 at 13h43 | Permalink

    o próximo está próximo

  29. Posted 22 de junho de 2009 at 22h39 | Permalink

    material novo da AMPSLINA

    http://www.youtube.com/watch?v=BZCWPbZDNkY&NR=1

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