Entrevista – Júlia Says

Uma das revelações de 2007, a banda Júlia Says se apresenta na edição deste ano do Pátio do Rock. O grupo toca no sábado, dia 24/11. Confira abaixo a entrevista feita com a dupla Pauliño e Anthony Diego.

Julia Says (divulgação)
As coisas acabaram acontecendo muito cedo para o Júlia Says. Quanto tempo de banda? Como ela surgiu?

Anthony Diego: É verdade, tudo acontecendo rápido. Estamos até um pouco assustados, apenas 3 meses de banda, é bronca.

Pauliño: É como Diego falou, é tão rápido que assusta, mas a banda se formou pela nossa necessidade de não ficarmos parados esperando o tempo passar e que as coisas acontecessem magicamente, já que nossas bandas principais (A Ponte e Nero da Silva), não estavam correspondendo às nossas expectativas de levar as coisas de forma séria. Nós do Júlia acreditamos e estamos lutando pra viver da nossa música, já os meninos d’A Ponte e os da Nero da Silva (Ex-banda de Anthony), tem outros interesses que são prioridades, isso foi o ponto mais importante pra montarmos a banda.
Dessa vontade eu mostrei rascunhos de músicas (loops, poesias e programas pra produção de música) para Diego e fomos desenvolvendo as idéias e gravando as coisas (ou no meu quarto, ou no quarto dele) e estabelecendo metas como a distribuição dos EPs no Festival Coquetel Molotov, inscrever músicas no concurso “Rumos Música”, do Instituto Itaú Cultural entre outras coisas, daí em diante, foi uma questão das pessoas gostarem da nossa música e irem legitimando nosso trabalho. E daí pro futuro…

A Ponte acabou ou está apenas hibernando?
Pauliño: A Ponte acordou. Finalmente os meninos estão se interessando (acho que em grande parte pela repercussão positiva que o Júlia Says está tendo) e levando as idéias a sério, acho que o grande responsável atualmente por isso é Tonlin Cheng (baixista d’A Ponte e às vezes técnico de som do Júlia Says), que está atuando como responsável pela banda. Eu atualmente me limito a colaborar cantando e tocando guitarra, pois já dei muito de mim anteriormente. Agora é a história de quatro caras, 25% de responsa para cada um, se não fosse assim (atualmente), para mim não funcionaria mais.
Esamos finalizando a gravação de um disquinho, não sei se pode se chamar EP porque são, ao todo, nove músicas. E é um trabalho que já devíamos ter feito há um certo tempo, pois se você for olhar nossa “discografia” só temos o EP “Música + Poesia + Tecnologia” (2005) e o single “Arrodeando o Mundo” (2007), e nosso repertório em shows é bem mais extenso. O disquinho deve ser lançando em janeiro e está ficando bonito de se ouvir, estamos gravando com bastante liberdade, na casa de Tonlin em Olinda, fugindo da agonia dos estúdios caros da cidade e da própria correria do Recife Lifestyle. Acho que vai ser o nosso trabalho mais próximo do que somos ao vivo, sem deixar de ser experimental, sem deixar de ser música pop…

Como será o show do Pátio do Rock?
Anthony Diego:
Pô, vai ser massa, o primeiro “grande” show! Esperamos fazer bonito e superar as expectativas. Tocaremos músicas do primeiro ep da banda, e outras inéditas (que vão estar no próximo ep), a também a possibilidade de tocarmos umcover de Cibelle, que está em nosso repertório, mas como o tempo será curto…

Como vocês classificam o som do Júlia Says?
Anthony Diego: Fazemos música livre, a idéia é trafegar pelos diversos estilos mais com nossa própria identidade.
Pauliño: Ou seja: Se você for sacar nosso Ep, vai ver que temos um pé no hiphop, outro numas coisas de mpb, outro no rock e um outro no eletrônico… se vai se chamar “electrorock” ou “música livre” ou “júliabeat”, aí cabe às pessoas (público e crítica) decidirem. Sintam-se à vontade…

Falem um pouco sobre o clipe de Mohamed Saksak. Aliás, como surgiu a idéia da música?
Anthony Diego: É… Recebemos a grande notícia de que o clipe foi selecionado para oFestival de Vídeo de PE. Sobre o clipe: tive que atuar como Mohamed Saksak, sair com aquela roupa no meio da rua, um pouco constrangedor. Quando gravamos o dia do canavial a polícia apareceu, desceram do carro com arma em punho querendo saber o que estávamos fazendo ali (risos), explicamos e deu tudo certo. Apesar de tudo, valeu muito a pena.
Pauliño: O clipe surgiu da vontade do Igor de Lyra de fazer. Ele pirou ao ouvir a música e nos ligou querendo fazer, daí em diante foi como ele disse “uma câmera na mão e um turbante na cabeça” Para quem não sabe o Igor fez o clipe de “Arrodeando o Mundo” (A Ponte), as pessoas reagiam como se tivesse um alienígena diante delas, foi bem divertido. Inclusive acabamos de fazer a trilha para um curta do Igor, que se chama “Reversão”. Já da pra encontrar no youtube.
Já a música surgiu de um poema chamado “Ele não tem nome”, que criei após ler uma notícia veiculada na imprensa internacional sobre o atentado de Mohamed Saksak, que disparou os conflitos entre israelitas e palestinos, após um período considerável de trégua.
Isso me chocou/sensibilizou de uma forma que precisei escrever sobre, pois estava ali um cara que tinha a mesma idade que eu, vivendo uma realidade totalmente diferente da minha, com outras perspectivas, acreditando em coisas diferentes, mas que para ele deviam fazer algum sentido, e é isso que faço na música, tento colocar as questões para quem ouve refletir sobre. Porque no final das contas ele era um cara igual a qualquer um de nós. A idéia é refletir.

Quais são os planos da banda para 2008?
Pauliño: O que já está em andamento:
Bem, estamos em negociação com o selo Bazuka discos, do Coquetel Molotov. Eles querem relançar nosso EP pelo selo deles, e isso deve dar uma amplitude maior ao nosso trabalho, já que eles têm essa amplitude.
Estamos começando a produção do nosso próximo clipe, a canção escolhida foi “Ondas e Barcos”, será uma animação 3D, feita pelos nossos amigos da “Ânima”.
E também “voltando ao estúdio” (é assim que as bandas falam, né?!) para dar continuidade a gravação das músicas do nosso próximo EP.

O que ainda são planos:
Tocar bastante.
Compor bastante.
Gravar bastante.
Remixar outros artistas.
Fazer trilha sonora.
E pagar as contas com o dinheiro dessas coisas todas.

Só não queremos ficar parados esperando que as coisas caiam do céu, como diz André Frank naquela música do Astronautas.

Posted quarta-feira, novembro 21st, 2007 under Notícias.

9 comments

  1. Rodolfo Lucheis says:

    A ponte + julia says
    Foram grandes surpresas da minha vida, caçando por ai pela internet encontrei a um tempo atras o A POnte, depois conheci o Julia says.
    Vi o clipe de Mohamed Saksak e a cena independente hoje tem essa arma poderosa chamada Internet.
    Essa ideia de misturar ritmos, sons, é algo otimo para o mundo, pois mostra que fusoes podem ser excelentes, quando são bem elaboradas.
    Sucesso ao Julia Says.

  2. quem são?

  3. e que venha o crescimento da Júlia :)

  4. Muito interessante o projeto do Julia Says. Vale dizer também que o clipe é mto bom. Parabéns ao Julia Says e vamos ver o que nos dá na noite do dia 24!
    Até lá e boa sorte!

  5. Não canso de falar que eles estão de parabéns!

  6. Pedro (Ânima Estúdio) says:

    é isso aí paulinho e diego, vcs cresceram! :) clipe do Júlia Says animado em 3d pra 2008!

  7. porra.. gostei desse lance de colocar as entrevistas com as bandas….de quem foi a ideia.??…vao ter mais?/.. quais bandas?
    estariei lah para ver a julia says..yeah! yeah!

  8. Estou torcendo muito, para essa dupla!!

  9. Acho acima de tudo, uma banda criativa e revolucionária!
    Conheço Pauliño a algum tempo e sei que pelo menos daí idéias boas sempre fluirão!
    Ás banda A PONTE e Julia Says, tudo de bom e muito sucesso nessa estrada enorme a se percorrer!