Entrevista – Vitor Araújo

Ele estuda piano incansavelmente desde os dez anos de idade. Aos 16, já trabalhava como músico profissional, com carteira assinada e tudo. Aos 18, assinou com a Deckdisc, que acaba de lançar o DVD “TOC – Ao Vivo no Teatro de Santa Isabel.” E, de postura iconoclasta, vem quebrando alguns mitos que permeiam a música erudita, como o que diz que Villa-Lobos não combina com público roqueiro. Não conheço Vitor Araújo pessoalmente, mas me impressiona como ele parece encarar tudo que está acontecendo em sua vida com maturidade e tranqüilidade. Vitor se apresenta no Abril pro Rock no sábado, dia 12. Abaixo, você conhece um pouco as idéias e a personalidade de um garoto de 18 anos que vem rompendo barreiras e preconceitos musicais.

Vitor Araújo 01
Esperava ser convidado para tocar no Abril pro Rock? Acha que o público do festival será receptivo ao som que você faz?
Não esperava, mas tinha esperança. É um sonho da minha adolescência tocar no Abril Pro Rock. E, além do mais, meu trabalho se baseia em paradoxismo musical, em contrastes. Então, para mim, nada tão revigorante como tocar um Villa-Lobos no meio de um público rock n’ roll. Espero que o público me receba bem e nossa conexão possa dar resultado a um bom show.

Você tinha conhecimento da gravação de “Paranoid Android”, do Radiohead, feita pelo pianista canadense Brad Mehldau em 2004 no CD “Live in Tokyo” antes de criar a sua versão?
Essa é uma das perguntas mais clichês que têm me feito. Só conheci quando meu arranjo estava sendo feito. Acho interessante, mas é uma visão diferente da minha. Ele viu Radiohead com a ótica jazzista (o que também não deixei de fazer em uma das passagens da música), mas eu tentei aliá-la à estética erudita. Um pouco da época Clássica, um pouco do Romantismo do século XIX e uma passagem com referências da música Barroca.
Tem conseguido levar uma vida normal apesar de todos os holofotes estarem centrados em você no momento?
A carreira artística é uma carreira profissional, como qualquer outra, que tem suas peculiaridades. Minha vida é normal, sou um trabalhador, nada mais.
Ficou satisfeito com o resultado final do DVD TOC – Ao Vivo No Teatro de Santa Isabel?
Gostei bastante. Sou muito auto-crítico, às vezes até chato comigo mesmo. Saí do show um pouco decepcionado com o meu rendimento, mas mudei de idéia quando assisti o DVD. João, o presidente da Deck, brinca comigo dizendo que não quer mais entrar em meu camarim depois dos shows, porque nunca estou satisfeito, mesmo quando faço um bom show. Porém, estou satisfeitíssimo com meu primeiro trabalho. Resume o que sou hoje, musicalmente falando. Tanto meus gostos, quanto minhas qualidades e minhas imaturidades. E, esteticamente, está lindo. A direção, a captação, a fotografia. O filme, em si, ficou muito bonito.
Como avalia a sua relação com o Conservatório Pernambucano de Música? Sente alguma espécie de rancor entre seus colegas com formação acadêmica de música por dar outro direcionamento à sua obra?
Não sei responder. Meu contato está sendo mais com o público e com músicos populares. Estou sentindo uma boa recepção ao meu trabalho, e fico bastante grato, pois, em primeiro lugar, é um trabalho sério e muito sincero. Estudo piano incansavelmente desde os 10 anos, trabalho como músico profissional desde os 16, inclusive já trabalhei com carteira assinada e tudo mais. E meu trabalho é fruto de muito esforço. Fico feliz quando o recebem e o escutam com atenção, pois foi feito com muito coração e muito suor.
Continuará tocando covers de Chico Buarque com o Seu Chico? Não acha que isso prejudica um pouco sua imagem como compositor? Ou tudo não passa de uma saudável brincadeira entre amigos?
A Seu Chico é um trabalho do qual me orgulho muito. Somos uma banda de homenagem, não uma banda cover. Basta ver que temos nossos projetos autorais. A Mula Manca e a Fabulosa Figura (que acho ainda não ter o espaço que de fato merece, pois o “Amor e Pastel” é um disco belíssimo) e Vitor Araújo, meu trabalho solo. Não mancha minha imagem em nenhuma hipótese, pois estou levando música da maior qualidade ao público jovem. Muitos jornalistas no Brasil inteiro perguntam sobre a Seu Chico com grande interesse. Parece que só os daqui vêem um trabalho de músicos buscando se aperfeiçoar e colocar música de qualidade indiscutível (Chico, pra mim, é indiscutível) no circuito pop como uma “brincadeira”. Somos músicos, nosso prazer é estar no palco tocando o que acreditamos ser gostoso de ouvir, estamos trabalhando, não vejo que mal há em trabalhar. O contrário é que talvez “manchasse” minha imagem.

Vitor Araújo 02

Posted terça-feira, abril 8th, 2008 under Notícias.

17 comments

  1. eu adoro a som que o vitor faz eu curto muito piano ate comprei o cd delle e recomdedo para todos e muito massa!!!

  2. Este garoto é simplesmente maravilhoso! Sensibilidade à flor da pele. Vê-lo tocar, mesmo que rapidamente, me enchem os olhos de lágrimas e emoção. Seu piano não tem limites…

  3. Arlindo Guilger da Silva says:

    Gosto de rock anos 60 (Elvis)., canto gospel católico, gostava do Pedrinho Mattar, agora?????????????

  4. Gosto da música dele e da versão de Paranoid Android (me fez sentir mais do que a versão de Brad Mehldau), e o fato de ser muito novo, extremamente profissional e a paixão com que toca o piano, dá alguns toques de charme a mais ao ver o filme.

  5. não curto as entrevistas desse menino, acho ele meio deslumbradinho, metido a dizer frases apoteóticas, criar uma aura de misterio, menino prodigio, acho que é nada disso. Acho esse menino um musico comum que querem transforma-lo em algo diferente do que ele é por ser bonitinho, rebelde e essas coisas. É só uma critica construtiva.

  6. Vá em frente Vitor. Seja vc mesmo sempre. Estou mui agradado por ver um músico jovem e erudito que faz trabalhos prá jovens. Parabéns

  7. Conheci o Vítor assistindo ao Caldeirão do Huck no sábado, desde então não faço outra coisa na internet que não seja pesquisar sobre sua carreira e outras composições. Não achei o DVD no shopping perto de casa, mas já sei que está a venda nas Americanas, será minha compra na hora do almoço. Não sei se sua música representa a quebra de paradigmas, ou é revolucionária (não tenho ouvido para avaliar), sei que gostei muito e quero conhecer mais!!!
    Parabéns pelo trabalho Vítor e curta muito o sucesso disso tudo!!!
    Um grande abraço!

  8. rayana rodrigues says:

    eu já conhecia victor pessoalmente, ele toca muito bem mesmo! ele sente a música de um geito inesplicável, toca música de um geito diferente, é samba, com rock, com erudito! lindo, lindo, lindo!! mas a música que mais gostei foi valsa pra lua!!

  9. Décio Overarth says:

    Parabéns pelo seu trabalho, além de inovador é fantástico!Sou coreógrafo aqui no Recife e gostaria de obter contato para de passar um projeto inédito pra dança em Pernambuco!
    Um abração

  10. regina atique says:

    hoje conheci vitor araújo, me apaixonei por seu surpreendente, lindo, emocionante, admirável jeito de “tocar” piano e fazer música. penso que Mozart, Beethoven e outros deveriam ter sido assim como ele…

  11. Alguem já assistiu o filme “4 minutos”(2006)?
    O Victor toca da mesma forma que a menina no filme, nas ultimas cenas. Inovação? será?

  12. Fantastico, fiquei arepiada, quando o vi tocar, menino cheio de luz, achei que não era humano e sim um anjo, é um presente para esta geração.Como outras épocas foram presentedas com Mozart e Bhettovem. Sucesso você merece. Nos da musica de corpo e alma.

  13. Descobri ele e radiohead por muita cincidencia mesmo. Foi impressionante, mas me encantei com ele e com o talento dele. Parabéns!

  14. coincidencia*

  15. Você sabe sentir. Pode não ser inedito na visão de alguns, mas esse sentimento é sempre inedito ( e raro quando acontece) ;pois somos unicos e sentimos diferente
    Você, belamente !
    parabens !
    voce me chamou minha atenção.

  16. voce chamou minha atenção