Tapa na Orelha – Ainda João do Morro

Tem uma coisa que sempre me incomodou aqui no site, mas que poucas vezes expressei: o desconforto do leitor ao tratar de qualquer outro assunto ou segmento que não seja rock. Tudo bem que carregamos o gênero no nome do site, e que nosso principal objetivo sempre foi cobrir o rock pernambucano. Mas carregamos também Recife no título deste espaço, e procuramos dar um enfoque rock a tudo que fazemos aqui, no Recife, seja coberturas que abrangem estilos tão díspares quanto o jazz e o samba ou até mesmo no finado “Abril pro Brega”.

Eu escolhi abraçar o rock como meio de vida, seja lá em que estágio for, profissional ou não. É meu estilo preferido, cresci ouvindo guitarra distorcida e tomei gosto pela literatura através das linhas de escribas de revistas musicais. Só que às vezes é saudável respirar outros ares, fazer outras coisas, freqüentar outros ambientes. Sobretudo para nós, que acabamos vivendo em universo completamente segmentado. Tudo em nossas vidas gira em torno do rock: amigos, fontes, trabalho, lazer.

Foi com este espírito que resolvi encarar o 100% Brasil na última quinta-feira. E fui feliz da vida, porque estava pisando em território que sei que não é meu. Ou seja, em uma área que não costumo freqüentar nem em momentos de trabalho e muito menos nos de lazer. E é justamente daí que tiramos os momentos mais ricos de nossas vidas. Porque o que vi ali, além de um artista em ascensão (goste-se ou não de João do Morro) foram trabalhadores se divertindo numa noite de quinta-feira. Gente que costuma ser “invisível” aos nossos olhos. Que serve mesas, frita coxinha, se esconde atrás de uma máquina registradora, vende roupas. Gente que estava aproveitando suas horas de folga para se divertir. Pessoas que, ao contrário da maioria que utiliza este espaço, não tiveram acesso à educação que nós, privilegiados, tivemos. Eu mesmo tenho um baita orgulho de já ter sido embalador de supermercado, e sei como é duro o cotidiano dessas pessoas. Se não tiver um João do Morro da vida como fonte de escape de vez em quando, ninguém segura o rojão. E não tenho a menor vergonha de dizer que consumo sua música. Paguei o ingresso, me diverti pacas no show e ainda comprei o CD dele depois. Mas não o levo a sério como encaro outros estilos musicais. Como falei na cobertura, para mim João do Morro representa apenas e tão somente diversão.

O que me assusta é uma tendência preconceituosa e uma visão muito limitada de vida encontradas às vezes aqui nos comentários. Em cinco anos de história (sim, estamos completando cinco anos de vida!) pode-se contar nos dedos de uma mão às vezes que tratamos de outro assunto fora do âmbito do rock. E, quando o fizemos, as reações foram de uma infantilidade feroz. Procurem abrir os olhos e não limitar a vida apenas a um aspecto dela. Por mais que compartilhemos da mesma paixão (o rock) às vezes é importante jogar luz à outros fenômenos.

Mão à palmatória: preciso reconhecer um erro. Yara, em seu comentário aqui no RecifeRock!, tem razão em uma coisa. Sem querer acabei fazendo a apologia da mistura criminosa de bebida com volante (logo eu que não bebo e que ainda estou criando coragem para me habilitar a dirigir). Mas não foi de má fé. Acabei me expressando mal mesmo. Fiquei tão impressionado com o comentário do apresentador que alertava seus clientes para uma blitz em Olinda que acabei relatando o fato como se fosse a atitude mais louvável que alguém pudesse tomar. Não é. Na verdade ele estava defendendo apenas seus interesses comerciais. Eu defendo a vida. Obrigado, Yara!

Posted sábado, julho 5th, 2008 under Tapa na Orelha.

13 comments

  1. Hugo,

    Eu também acho que o site é livre para abordar qualquer outro movimento cultural. Não precisa ser Recife, nem precisa ser Rock.

    Mas sinto saudades das matérias, notinha, qualquer coisa sobre as bandas daqui. Era legal ver citações sobre a própria banda, a banda dos amigos, a banda de conhecidos, sobre aquelas que a gente adora odiar. Acho que o pensamento geral é “já atualiza pouco, e quando atualiza é sobre samba!” só que algumas pessoas não sabem se manifestar, ai descamba para a agressão gratuita.

    No meu caso, sinto saudade dos bons momentos do site, das resenhas sobre shows e cds. Um exemplo: o cd novo do Volver taí, e nada foi comentado. É sempre interessante ouvir e ler opniões, não que isso influencie diretamente no gostar ou não de algo, mas pode falar sobre aspecto que a pessoa não havia notado.

    É por isso que eu gosto de resenhas. E eu gostava das suas, concordando com o conteúdo ou não.

    Me sinto orfão das atualizações constantes do Recife Rock e de acompanhar o Sopa Diário. Eram praticamente os únicos lugares onde havia havia informações sobre as bandas, por menores que fossem. Agora estamos meio largados. Quem não tem o hábito de ir atrás de show todo fim de semana tem a impressão de que o Rock aqui está mais agonizante do que nunca. Talvez seja esse mesmo o caso, mas eu gostava muito da época que a discussão eram a semelhança do Mellotrons com o Teenage Fanclub, se o Volver era bobo ou genial, sobre a quebradeira nos shows dos Cachorros. E era aqui que essas discussões se concentravam. Bons tempos!

    Hoje, no site, o movimento maior é na área de comentários, com vários anônimos e pseudônimos metidos a escrotos, ou outras figuras que, apesar de não anônimas, não são dignas de comentário.

    Navegar na Internet, basicamente orkut/myspace, pra descubrir o que tá rolando com as bandas daqui é bom pra caralho, mas as vezes também é bom voltar ao lugar de conforto, onde a gente se sente em casa.

    Bem, fugi muito do assunto central, mas basicamente falei sobre os motivos que me levaram a também ficar meio puto com o post do João do Morro, apesar de não ter me manifestado.

    Acredito que existam motivos bem claros para explicar as atualizações pouco frequentes, até imagino quais sejam as dificuldades para manter o site. Então é desejar boa sorte pros que fazem o Recife Rock, e que vocês possam encontrar um modo de animar mais isso aqui.

    abraço!

  2. Leo e Renata says:

    Hugo, esse teu texto foi disparado o melhor que voce já escreveu. O mais lúcido, humilde, educado, instrutivo, construtivo, sincero, corajoso, honesto, descompromiçado e tranquilo. Nossos sinceros parabens!

  3. Leo e Renata says:

    descompromiSSado, perdão!

  4. Esses últimos textos foram ridículos. Não têm nada de corajoso, só seguem a tendência dos jornalistas de classe média alta com sentimento de culpa. Enquanto você perde tempo proclamando João do Morro como “a coisa mais rock, no que ele tem de rebeldia e de deboche, a surgir em Pernambuco nos últimos anos” deixa de falar das bandas que realmente estão fazendo rock por aqui. Como o amigo aí de cima disse, O Volver acabou de lançar disco, e Os Insites lançaram o seu primeiro disco(excelente por sinal) em março e nada foi dito aqui sobre o mesmo. Esse site já não serve mais como referência pra quem quer se informar sobre o rock feito em recife.

  5. Cristine, se voce acha que este site não atende seus anseios musicais então pula fora, arrume uma faxina para fazer, algumas horas na manicure ou coisa que o valha e para de encher o saco da rapaziada.
    Hugo mandou bem demais e se voce é radical e sectária problema teu. Acho mais interessante diversificar um pouco os assuntos a perder tempo com essas bandas que voce citou, que já tiveram suas chances e parecem apenas um velho prato de sopa sem sal e requentado, ok?

  6. Renata, este site já atendeu meus anseios musicais, e agora que não atende mais, eu, como leitora, tenho direito de reclamar.AMO música e também AMO ler sobre música, e se você prefere ler sobre o joão do morro ao invéz das bandas que eu citei, pula fora você! Vai ler revista de fofoca!

  7. Cristine, direito de reclamar voce tem, mas meu ouvido não é pinico e se voce acha que essas bandas que voce citou são boas das duas uma, ou voce toca em alguma delas, ou dá para alguem de alguma delas ou realmente voce benzinho entende tanto de musica quanto o PT de honestidade!
    Pare então de falar merda e de expor aqui como mais uma maluqinha cabeça do Burburinho, mais uma doidinha de plantão que na falta de algo melhor para fazer fica tentando desenterrar bandas obsoletas e ridículas com posts que arrepiam os mais idiotas seres humanos.
    Em nome do bom senso e dos costumes, procure abrir sua cabe;ca para o que é realmente bom na música e pare de tomar cachaça o dia tod amorzinho, beleza?

  8. João do Ibura says:

    O que eu lamento nesse site é que as vezes uma provocação sadia com o intuito de abranger o debate termine com agressões reciprocas, como por exemplo, a cristine e a Renata(chegaram até a falar do PT, tudo a ver), sei que fui o principal responsavel pelo inconformismo de hugo no seu segundo comentario sobre João do Moro e tambem sei que exagerei quando falei que a materia poderia ser paga(peço desculpa por isso, caso naõ seja), contudo, tive a intenção de contestar uma frase do Bruno Noqueira nesse site quando disse que “hoje o mercado não se interresa por aspectos musicologicos e sim sobre postura no palco”(mais ou menos isso que ele disse nos comenstarios da cabertura do ultimo dia do Rec Beat), por isso aproveitei o que hugo falou sobre atitude “rock”, para questionar se isso pode ser considerado como tal e se não estamos valorizado postura de musicos e esquecendo o principal que é a musica.
    Agora, toda discondancia ser tratada como preconceituosa é um engano seu hugo, pois do mesmo jeito que vc gosta do que viu eu tenho o direito de discordar do assunto e se esse assunto seria interessante nesse site, até porque presumo que a opinião ds internautas pode influenciar nas coberturas do site.

  9. é isso ai!

  10. Aaaiiiiiiiiiiiiiii as gatas brigando, tô Barbie!!!

  11. Joào do Ibura, por que não te calas?

  12. João do Ibura says:

    Estou percebendo que Luvanor tem uma opinião formada sobre o assunto, pois se discorda manda o outro se calar, mas nem sabe opinar a respeito. Rapaz, vamos respeitar a opinião alheia, discorde com base e argumentação ou procurem ler mais um pouco para discutir esses assuntos.