As Mais Novas – Milla Bigio

Sejam bem-vindos a mais nova coluna do RecifeRock!!!

As Mais Novas” será um espaço totalmente dedicado às mais novas bandas que estão surgindo na cidade e aquelas que já existem faz um tempinho, mas ainda estão dando os primeiros passos, buscando um lugar ao sol.

Até o fim do ano vocês irão acompanhar, toda quarta-feira, a trajetória e sonhos de grupos dos mais diversos estilos.

E eu vou avisando que aqui tem espaço pra todo mundo, viu?! Se você conhecer ou tocar em alguma banda legal, pode mandar sugestões no nosso e-mail, que é o reciferock@gmail.com .

A estreante dessa coluna tem apenas 15 anos de idade; gosta de música desde pequenininha, já tocou em bandas de rock, é multi-instrumentista, compositora, faz curta metragens e está se preparando para voar no seu projeto solo. Conheçam agora a cantora Milla Bigio.

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Milla começou a fazer barulho dentro de casa logo cedo, aos nove anos de idade ela já tocava bateria e azucrinava a vizinhança, mas só aos treze que ganhou prestígio e respeito como musicista profissional. E foi bem nessa época, de 2006 pra cá, que ela tocou em duas bandas, Della´s e Tampa de Crush (a que teve mais repercussão no cenário underground); e começou a se amarrar num violãozinho e instrumentos de percussão.

As letras de suas músicas falam de sentimentos. Não necessariamente os dela, como ela mesmo afirma, mas de coisas que a gente sente, sabe? Do nosso dia-a-dia, basicamente. Já a sua banda de apoio, que é formada por Henrique (guitarra), Guga (teclado) e Hércules (baixo) detona no palco e junta toda a leveza das composições da “menina” a uma sonoridade influenciada por drum´n bass e pop/rock brasileiro dos anos 90. Sonoridade essa que vem conquistando o ouvido de muita gente reconhecida no rock recifense, como Ju Orange, do Electrozion:

Conheci Milla Bigio há pouco tempo e hoje já posso dizer que ela está começando a fazer parte da nova safra de artistas pernambucanos de raça. A guria tem apenas 15 anos e tem sua própria página do MySpace! Não que ter página lá seja uma coisa do outro mundo, mas a dela está sempre atualizada, onde as composições são gravadas por ela mesmo. Acho massa essa vontade e necessidade de criação, inspiração parece não faltar.

Aí você vai dizer: ‘Mas hoje em dia não tem novidade nenhuma em gurias terem bandas e gostarem de MPB depois que surgiu a Mallu Magalhães’. Será?
Não acho que Milla seja uma seguidora da Mallu, prefiro não achar; acredito que ela tem sinceridade no que está fazendo. Ainda não a vi ao vivo, mas espero que além de tocar com a banda, ela toque alguma música acompanhada apenas pelo violão, e talvez uma percussãozinha de leve.

E aí? Ainda não está convencido que o som da Milla Bigio é legal?

Ah, bicho! Comece a escutá-la agora, leia a entrevista abaixo e tire as suas próprias conclusões!!!

Milla Bigio – Não Me Faça Ficar

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De onde que nasceu a necessidade de criar um projeto solo? E quem são as pessoas que tocam contigo?
Eu era baterista, mas tava sem tocar faz tempo, daí tive vontade de comprar um violão, porque sempre achei legal, mas nunca tive o interesse de tocar.

Foi tiro e queda, aprendi rápido, e como já tinha alguma noção, viciei, e comecei a fazer umas composições (acho que todo mundo que toca compõe algo um dia). No começo as músicas eram mais hardcore, coisa do momento, mas depois de um tempo, passei a escutar mais coisas daqui e ter mais influências. Também comecei a tocar pandeiro. Me apaixonei e passei a fazer MPB, eu já sabia mais ou menos o tipo de música que queria fazer.

Resolvi gravar algumas dessas composições, e tive uma resposta positiva do pessoal. Daí fiz o MySpace, que ajudou muito na divulgação, e foi aí que apareceu Tiago, que hoje é meu produtor e guitarrista. Daí eu entrei em contato com alguns músicos que conhecia e que gostaram do meu som e rolou a parceria.

Explica pra quem não conhece como é o som do teu projeto. Que sons você curte e quais são as suas influências?
Acho que meu som é variado; tem samba rock, pop rock, MPB, instrumental e tem uma música que até hoje eu não sei em que estilo se encaixa… Acho que tem pra todo gosto!

De uns tempos pra cá, eu me interessei pelo som regional feito aqui e que eu acho muito importante valorizar; tipo Eddie, Siba, Isaar, Cumadre Fulozinha, Cordel do Fogo Encantado e também os nomes consagrados da música brasileira, como Chico Buarque, Marisa Monte, Clara Nunes, Céu, Mariana Aydar, Marcelo Camelo, etc. Na música internacional, eu curto Sahara Hotnights, Le Tigre, Young Love, Artic Monkeys, The Whitest Man Alive, etc. Eu ouço de tudo um pouco, acho que depende muito da situação, do lugar e tal.

O teu primeiro show solo rolou nessas férias, né? Como foi tocar lá no Quintal do Lima?
Sim, sim. E pra mim foi lindo! Na verdade, aconteceu tudo muito rápido. Estava querendo fazer um show, mas achava que não conseguiria um nem tão cedo. De repente, recebo o convite da Amps & Lina pra abrir o show deles com a Mellotrons e aí começou a correria.

De última hora arranjei um baterista substituto, ninguém tinha tempo pra ensaio… Mas no fim deu tudo certo, né? Eu já sabia que primeiro show sempre é um caos!

Eu me senti segura no palco. Acho que as pessoas estavam querendo ver como eu me sairia ao vivo, e elas gostaram, fiquei muito feliz.

É difícil ser uma artista nova no Recife?
Não é fácil, tem muita coisa nova surgindo toda hora, e não basta ser bom pra ser descoberto. Você tem que correr atrás, mergulhar de cabeça, pra conseguir seu espaço.

Explica pra gente essa tua relação com o cinema…
Ah, é assim. Ano passado teve um festival de curtas no meu colégio. Daí, como ganhava nota, eu e uns amigos resolvemos fazer uns curtas. Um deles foi “Jogos Normais”, uma paródia de “Jogos Mortais” no qual eu fiz o papel de uma mulher que “não dava valor à vida” e fui capturada e presa até que refletisse um pouco sobre isso. Ganhamos um prêmio com ele, mas ficou muito trash!

Além desse, gravamos um chamado “O caderno de Hipotenusa”. Um curta mudo, com a trilha sonora de Amelie Poulain, em homenagem à Yann Tiersen. A gente não sabia o que iria acontecer, mas ele foi incrivelmente admirado por todos! Além de ganhar 7 prêmios no festival do colégio (um deles entregue por Fernando Monteiro), ganhamos lugar no IX Festival de Vídeo de Pernambuco, o que é muito difícil se conseguir. Saímos no jornal, conhecemos o governador, participamos de reuniões da Fundarpe e o curta foi exibido no FIG. Aí a gente continua produzindo, agora mesmo estamos gravando um. E temos várias idéias pra outros. Enquanto a gente puder, vamos produzir, é algo que realmente gostamos de fazer.

Quais são os teus planos futuros?
Eu quero viver de música. Quando falo isso o pessoal já pensa: “iiih, coitada!”, né? Tá, viver de música não é fácil, mas esse “viver” que eu falo quer dizer que eu vou cursar música na UFPE e ser professora.

Daí eu vou continuar com minha banda, compondo, fazendo shows e etc. Daqui a algum tempo espero ter progredido bastante, afinal ainda tenho 15 anos, tenho muito chão pela frente. Pretendo trabalhar com produção musical também, ter um estúdio… Adoro mexer em programinhas de edição e criação de áudio!

Quais são as melhores bandas pernambucanas pra você?
Eu adoro um côco! Acho o Samba de Côco Raízes de Arcoverde o máximo. Mas não considero como banda mesmo. Pra mim, banda é bateria, baixo, guitarra e sendo assim as bandas daqui que eu gosto são: Eddie, Volver (inclusive, o CD novo dos caras está muito bom!), Bon Vivant, Bande Ciné, Mellotrons, Amps & Lina, Negroove, Electrozion, Júlia Says, Azabumba, Mula Manca… Nossa, tem um monte, essas são só as que eu lembrei!!!

Tem alguma banda nova legal na cidade? Indica aí pra gente!!!
Participei de um show semana passada e vi uma banda muito legal, a Polaris. Foi o primeiro show dos caras e eles tocaram Moptop, Jet, The Strokes, eu acho que tem futuro!

Se quiser acrescentar algo, o espaço é seu!!!
Acho que já falei demais! Hehehe

Gostou da Milla Bigio e quer saber mais sobre ela?
Acessa já o seu MySpace e o seu Fotolog!

Até semana que vem!

Posted quarta-feira, setembro 3rd, 2008 under As Mais Novas.

10 comments

  1. alcides vespa says:

    Milla é uma grande artista mesmo, se expõe e não tem medo disso apesar da pouca idade, aceita o desafio da arte e isso não é pra qualquer um, o tempo irá se encarregar de mostrar aos que duvidam.
    Um dia nós da Amps & Lina teremos o orgulho de dizer que essa grande artista ja abril um show nosso, heheh.

    sucesso Milla!

  2. aeee bruno!!

    isso sim é um espaço para bandas iniciantes…!

    belo texto e uma ótima vibração!

    vida longa a esse espaço!

    que venha a próxima quarta!

  3. ué, voltei aqui pra ver a hora do show do volver e o panfleto sumiu???!!!

  4. Que bela iniciativa Bruno. Parabéns ao Recife Rock! Artistas talentosos é o que não faltam aqui em Recife. Alíás, essa garota tem futuro.

  5. Bruno Negaum é O cara ;D

  6. Porra… Há pouco tempo (semanas ou mêses) adicionei a Milla no MySpace… Trocamos mensagens e tals… Li o release dela (pelo visto não sei ler, vou até tentar novamente), pois confesso que não sabia que ela têm apenas 15 anos! Milla é de fato uma “surpresa” gostosa de ouvir. Negaum, grande iniciativa, parabéns.

    “Immerse your soul in love”.

  7. tu escreve demais, meu

  8. Ela é bonita, mais o violão tá desafinado e falta melhorar um pouco a afinação.

  9. Putz mano… eu tava na casa da Poli(minha amiga) e ela falou que tinha uma amiga de recife que tinha uma voz bonita e talz… ai eu fui ouvir e foi “tiro e queda”
    putz… muito foda \o/

    parabens xD

  10. DEMÓSTENES (PAI) says:

    MILLA É DEMAIS.
    CLARO! SÓ QUE EU SEI DISSO DESDE QUE ELA NASCEU. SEMPRE FOI BOA PERCUSSIONISTA, DA TAMPA DE PANELAS, BATERIA DE PLÁSTICO À PRIMERA BAQUETA COM PROFESSOR LÉO. SÓ NÃO SABIA QUE ELA SERIA TÃO DETERMINADA EM FAZER O QUE ELA ESTÁ FAZENDO: MÚSICA DE QUALIDADE E COM SENTIMENTO.
    ACREDITO EM TI FILHOTA.
    I’M VERY PROUD OF YOU GIRL!

    PETROPAI…