Cobertura: Festival No Ar Coquetel Molotov – Shows Sala Cine – segundo dia

por Breno Mendonça

O segundo dia do festival No Ar Coquetel Molotov 2008 ainda reverberava a apresentação de Marcelo Camelo no dia anterior com a banda Hurtmold, e da participação da estrela-mirim Mallu Magalhães. Foi algo fora do normal realmente. Neste segundo e último dia, o Sala Cine tinha uma escalação mais diversificada de atrações, com o hip hop de Akin, o rock-pop do Pocilga Deluxe, a psicodelia de Zeca Viana e o folk fofinho do Club 8.

O Pocilga Deluxe foi a primeira do dia. O grupo é liderado por André Balaio, ex-vocalista da Paulo Francis Vai Pro Céu, e assim como sua antiga banda, o sarcasmo e o humor fazem parte do cardápio de referências do Pocilga. Musicalmente eles executam um pop-rock (que eles chamam de psicopop, algo que realmente os define bem) muito criativo, com Balaio fazendo as vezes de front-man e mandando ver em sua performance quase teatral. O show foi ótimo, e teve grande resposta da platéia.

Em seguida era a vez de Zeca Viana e sua Onomatopéia Bum (as irmãs Sofia e Maíra Egito) fazerem um dos melhores shows da Sala Cine, e do festival. Zeca definitivamente tem os anos 60 como sua base musical, com Syd Barrett e Arnaldo Baptista como grandes referências, mas o show mostrou diversas facetas e toda a criatividade de alguém que respira música. Também ficou claro a preocupação com os mínimos detalhes, desde a vestimenta de todos integrantes aos vídeos projetados no telão, todos de autoria de Sofia, e que tinham ligação direta com as músicas. Zeca ainda contou com a participação de Domingos Sávio, da banda Monodecks, tocando guitarra e flauta, ajudando nos arranjos, que ficaram muito bons. Destaque para as músicas “Doutor Ervilha” e o hit “Late, Leite, Light”. Sem dúvida Zeca foi a grande revelação do festival.

Comprovando que o Sala Cine reserva sempre grandes shows, com pequenas exceções, o esperado show do Akin teve início, com os músicas Maurício Takara na bateria, Guilherme Granado e Marcos Gerez nos teclados/sinths, o trompetista americano Rob Mazurek, e o DJ Mako nas pick-ups, todos juntos ao rapper paulista. O que aparentemente seria um show de hip hop foi muito mais além com esse time de músicos. O show tem um caráter bem experimental com improvisos por parte dos músicos e também por Akin, que manda suas palavras de contestação algumas vezes em forma de poesias. O show foi foda, e com músicos como esses seria difícil de não ser mesmo. A moral da galera pode ser medida pela quantidade de músicos de outras bandas que estavam conferindo a apresentação. Apesar da densidade dos arranjos, muitas vezes em um quase drone/noise, o público recebeu muito bem o show, e muitos dançavam no ritmo das batidas. Akin faz o caminho que o hip hop precisa fazer para continuar sendo relevante como expressão musical e social. Ótimo show, muito inspirador.

Para finalizar a noite estava programada a sueca Club 8, cercada de grande expectativa dos fãs do grupo, que lotaram a sala. O que ninguém contava era com o enorme atraso de quase uma hora que retardou o início da apresentação. O somatório atraso, sede, fome, calor infernal foram suficientes para que eu visse apenas uma música da dupla sueca e saísse. Claro que não vou emitir uma opinião baseado em uma só música, mas pessoas que viram me disseram que foi um bom show. Foi mal, mas não deu pra mim.
De toda forma, o saldo dos shows da Sala Cine são sempre muito positivos. Ótimos shows de diversas expressões musicais. O problema do calor na sala é algo para se melhorar para as próximas edições do festival, se o mesmo voltar a acontecer na UFPE. No mais, a oportunidade de ver tantos bons artistas em dois dias é algo a ser celebrado.

Posted quinta-feira, setembro 25th, 2008 under Coberturas.

2 comments

  1. Gustavo Marques says:

    Realmente a Burro Morto foi a grande revelação do Festival desse ano. Pena que a banda foi a primeira a tocar e nem todos tiveram a oportunidade de ver o som deles ao vivo. Mas outros shows virão, com certeza!!

    abraços.

  2. João do Ibura says:

    Nesse evento somente assisti os 3 primeiros shows do segundo dia na sala cine ufpe, haja vista a atual condição(ou falta dela) financeira, porem, gostei muito do que vi.
    A primeira banda, apesar de fazer um rock nada inovador, contudo,fizeram um som com muita competencia, com destaque para o otimo guitarista e ainda para a sincronia de musica e video no palco.
    Quanto a segunda banda, fiquei contente com o seu comentário Breno Mendonça,pois apos o show comentei com alguns que o som parecia com o pink floyd da epoca syd barrett(principalmente no inicio da apresentação) e com os mutantes e esses com quem comentei discordaram. Agora sei que não estou sozinho nessa opinião.
    Já a terceira banda, apesar de não gostar de rap, agradou-me principalmente com as referencias jazzisticas nas musicas. Somente estranhei o vocalista que estava muito frio com o público, reclamando bastante do calor(com razão) e nem sequer se despedindo,mas no geral foi muito bom.
    Como dependia de transporte publico não vi o ultimo show,mas o que assisti foi o suficiente para não perder mais esses shows da sala cine ufpe nas proximas edições do festival.