Cobertura: Festival Mundo – primeiro dia

Chegou até a dar uma certa “inveja”. Um pessoal novo – muito novo – produzindo um festival tão bacana quanto o Mundo, em João Pessoa. E o evento já está em sua quarta edição, o que significa que eles começaram a fazer o festival quando tinham entre 16 e 17 anos! Entediados com o cenário (ou falta de) local, arregaçaram as mangas e trataram de trazer bandas de fora para tocar em João Pessoa. E a estimular as da casa a se movimentarem também. Um pouco do resultado deste trabalho pôde ser conferido nos dias 17 e 18 de outubro no Galpão 14, no centro histórico da capital paraibana.

Se o primeiro dia contou com um público ainda tímido, por volta das 300 pessoas, o segundo lotou. E bons shows ficaram na memória nesta quarta edição do Mundo: Star 61, Cabaret, Macaco Bong, Garfo, Sweet Fanny Adams (protagonista do incidente que roubou a cena de todo o festival) e Burro Morto. Entre os shows, acontecia uma mostra de documentários, alguns deles registrando a cena paraibana desde o final dos anos 80, com imagens de um Rodolfo ainda desbocado em época de Raimundos. Tudo bem organizado e simples. Apenas o som, na primeira noite, comprometeu um pouco a performance de algumas bandas. Coisa de festival mesmo.

Apesar do público bem enxuto que compareceu ao primeiro dia no Galpão 14, não faltou diversão durante a noite. Ao contrário, até sobrou. O competente e divertido Camarones Orquestra Guitarrística, de Natal, colocou boa parte das pessoas para dançar ao som de suas três guitarras que brincam de transformar Bob Marley em metal e de pegar emprestadas bases de surf-music para tocar temas de desenho animado.

O som acabou comprometendo bastante a apresetação do também potiguar Calistoga, que conta com o mesmo núcleo de formação do Camarones e do The Sinks. Eles apostam em um rock garageiro, com vocais gritados, sem medo de dosar com uma certa histeria algumas canções dos Beatles, e em caprichar na sujeira em músicas de próprio punho. Mas o som acabou dificultando uma avaliação mais precisa.

O vocalista Flaviano, do Star 61, nunca escondeu de ninguém que resolveu montar a banda depois de ver o filme Hedwig, de John Cameron Mitchell. O resultado é uma afetação bacana de ver, ousadia, cara-de-pau, irreverência – nas letras e nos gestos -, adjetivos que combinam tão bem como o rock n’ roll. Flaviano é um verdadeiro showman. Andrógino, suas frases são um espetáculo a parte. Algumas delas: “estamos fazendo arte, e arte não tem sexo”. “Eu não tenho roadie. Nem namorado. Me ajudem, por favor!”. O ponto alto foi quando tocaram “Polegada Irada” (em português mesmo), de Hedwig, que contou com participação especial do vocalista Marvel, do Cabaret, que abraçou, beijou, sacudiu e fez poses com Flaviano. Mais bacana de tudo: o público da noite era do Star 61, a banda local. O mesmo aconteceu no dia seguinte, com o Cabruêra.

O Cabaret seguiu na mesma linha do Star 61, e a aposta de colocar os dois shows colados funcionou perfeitamente. A banda adiciona peso ao glitter e ao glam, e conta com o ótimo e performático vocalista Marvel. Além de ser um cantor incrível, Marvel é descaradamente influenciado por Ney Matogrsosso. Só que ele castiga ainda mais na ousadia. Desce do palco e passeia pelo público. Cola em uma menina, dança com ela e tasca um beijão de língua na garota. Descobrimos mais tarde que a senhorita beijada é noiva…Amparado por uma banda de pegada visceral, o vocalista acerta o tom em “Copacabana”, “Dentro de Você” (com participação especial de Carol Morena, da local Madalena Moog) e “Um dia no Paraíso”. Chama ao palco Flaviano, e juntos reverenciam o “rei” em “O Vira”, clássico absoluto dos Secos & Molhados. Showzaço.

De proposta diferenciada em comparação às bandas anteriores, o Macaco Bong foi tecnicamente perfeito. O trio é hoje dono de um dos shows mais interessantes do País. Ainda que optem por um gênero “difícil” como o da música instrumental, conseguem aliar virtuosismo com entretenimento, sem soar hermético demais por um lado, tampouco “fácil” demais por outro. Seu show acabou dividindo o público: metade colou no palco para conferir a apresentação do trio. A outra optou por dar uma volta pelo centro histórico. E ambos se deram bem…

Posted segunda-feira, outubro 20th, 2008 under Coberturas.

7 comments

  1. Nelson Ribeiro says:

    Star 61 é muy froyd mesmo !!!!
    um dia vejo um show, espero um Recbeat com eles a algum tempo, quem sabe ano próximo !!!!

  2. Nelson Ribeiro says:

    Star 61 estar anos além de sua filosofia ….
    gosto é gosto velhinho.

  3. anos além de sua filosofia kkkkkkkk
    É Sócrates que tá falando???

  4. Márvio tem uma puta performance.Foi lindo o show dele em Recife,quinta – feira passada.
    Teve até uma garota ouriçada que durante o show mandou um bilhete cheio corações para ele e no final foi lá e tascou um beijo no mesmo.depois ela voltou para os braços do “suposto” namorado.
    Márvio é o sucesso mas a Cabaret merece muitos aplausos.

  5. Cabaret foi foda mesmo, achei incrivel. O star 61 que a galera não toca bem…

  6. João do Ibura says:

    Estou contente em ver o Recife rock fazendo belas matérias(e agora constantemente. continuem assim.

  7. Viajar entre estrelas ala Trainspotting!As musicas do Star 61 não existe filosofia ,e sim total sensação. O ser “Expulsado” do comentário acima,deve ser mais uma pessoa mecanica sem abertura para coisas novas,vivendo na era dos seus pais ou, dementes por um único stilo de musica.Os tempos são outros,a sensação de viajar entre as estrelas e conseguir sair deste mundinho é o q vale!”expulsado” renove seu ouvido sujo e viaje pelas sensações e assista filmes como: Trainspotting;Réquiem Para um Sonho;mundo de leland;Pi e outros q vão te ajudar a renovar sua visão diante da mesmisse.E viva Star 61!