Entrevista – Vitor Araújo

Por Hugo Montarroyos em 22 de fevereiro de 2009

Talvez o maior talento da música pernambucana a surgir nos últimos anos, o pianista Vitor Araújo se apresenta hoje à noite no Rec-Beat. Vitor contou, por e-mail, como tem sido sua rotina de shows e apresentações em programas de TV, que direcionamento sua música está tomando desde que começou a circular pelo país e como será o show no Rec-Beat 2009.

Vitor Araújo

Qual a diferença do Vitor Araújo Trio para o seu trabalho solo?
Na verdade, continua sendo meu trabalho solo, apenas estou experimentando a inserção de estéticas mais características no mesmo repertório, e na mesma concepção. No Marco Zero, ano passado, fiz o show acompanhado de um quarteto de cordas, e agora, no Rec-Beat, vou fazer um trio clássico de jazz. Estou ouvindo, vendo e sentindo novas possibilidades, e procurando as facetas que existem dentro do meu trabalho. É sempre interessante para o meu público ouvir as músicas do “TOC” vestidas com roupas diferentes. E, para mim, começar a matutar meu novo disco.

Como será o show do Rec-Beat? Já se apresentou alguma vez no carnaval?
Esse show vai ser baseado no disco ainda, só que com duas músicas novas. Cinco músicas toco com arranjos super legais com o trio, mas não deixo de lado o piano solo: toco três músicas sozinho. Nunca me apresentei no carnaval, e esse ano vou ter o prazer de realizar dois grandes desejos. Um, de fazer o Rec-Beat, o qual eu participei como público desde minha adolescência. E outro de fazer a abertura do Carnaval, com meus ídolos Naná e Caetano. (Vitor tocou na abertura do Carnaval do Recife, na sexta-feira, no Marco Zero).

Como foi a experiência de tocar no Abril pro Rock?
Para mim, importantísssima em vários aspectos. Hoje, tenho uma variedade de apresentações que me dão uma segurança e uma paixão pelo palco surreais. Já fiz Teatro de Santa Isabel, FIG, Auditório Ibirapuera, Tom Jazz, Vivo Rio, Abril Pro Rock, MIMO, Humaitá Pra Peixe, Marco Zero, Teatros pequenos, intimistas… são sempre públicos distintos, energias diferentes, surpresas que me ensinam como se postar no palco e como tratar e se unir à platéia. O Abril foi minha primeira ruptura forte. Tinha feito apresentações em espaços super eruditos e alguns festivais instrumentais. Chegar com um piano solo, tocar uma peça de Vila-Lobos no mais tradicional festival de rock do Brasil foi uma escola fantástica.

Como você tem sentido a repercussão do seu trabalho no Brasil. Ficou satisfeito com as apresentações no “Jô” e no “Caldeirão do Huck”?
A recepção das pessoas ao meu trabalho tem sido muito carinhosa, e fico bastante feliz. Não me preocupo muito com apresentações em programas de TV. São interessantes, quando o apresentador ou o jornalista é bem informado e inteligente, ou quando o ambiente é divertido. Mas tudo isso é para proporcionar o essencial na música, que são as boas apresentações, e a viabilização de novas obras.

Está compondo material novo? Como anda sua agenda de shows?
Estou sim, mas vou mergulhar mais fundo no novo disco depois do carnaval, como todo bom recifense, mas não pretendo parar a agenda de shows, pelo menos não os shows mais simples, que dá pra ir e voltar logo… Porém, vou me focar de fato no meu próximo trabalho, e compor com o maior ardor que conseguir.