Clipping: O ano “L” começa após a folia

JC

Publicado em 28.02.2009
» POLÍTICA CULTURAL
O ano “L” começa após a folia
Até o Carnaval, o secretário de Cultura, Renato L, estava no embalo da gestão anterior. Agora, ele planeja as ações
Pro José Teles

Somente dois meses depois de ter assumido o cargo, Renato L vai começar a formular sua linha de gestão na Secretaria de Cultura da Cidade do Recife: “Até aqui 90% das energias da secretaria foram direcionadas para o Carnaval. A partir de agora vamos elaborar diretrizes e tratar de projetos mais específicos, como o Memorial Chico Science, a eleição do Conselho Municipal de Cultura, a reformulação do conselho do SIC”, diz o secretário que, na quarta-feira, finalmente deu uma desacelarada. “Depois da maratona carnavalesca, apaguei mesmo, desliguei os telefones, passei o dia recuperando as forças”, conta Renato, cuja avaliação da folia é bastante positiva: “Tanto no qualitativo, quanto no quantitativo foi um sucesso. O aumento do fluxo turístico foi de 11%, enquanto na receita tivemos este ano R$ 362 milhões contra R$ 284 milhões do ano passado. Isto tudo, claro, é consequência do sistema implantando há oito anos. Semana que vem o prefeito vai reunir os secretários diretamente envolvidos com o Carnaval para uma avaliação geral do evento”.

Renato L não se esquiva de comentar alguns problemas acontecidos este ano, como o dos geradores na abertura oficial do Carnaval no Marco Zero. “Foi um problema que eu colocaria no campo do sobrenatural. Três geradores novos, o dono da empresa estava lá cuidando de tudo e, de repente, todos queimaram. Eu trabalho com músicos há muitos anos, conversei com gente do ramo, e ninguém jamais viu uma coisa destas acontecer numa mesma noite”. Outro questionamento foi a quantidade de shows durante o Carnaval e a de empresas capacitadas a fornecer som, iluminação e, principalmente, palcos. “É algo que precisa ser equacionado, porque este modelo de Carnaval não será modificado, os polos continuarão existindo. Se for necessário a prefeitura contrata empresas de outras cidades”. Renato L concorda que, enquanto jornalista, já chegou a criticar o modelo do Carnaval, mas depois de testemunhar como ele funciona por dentro passou a vê-lo de outra forma. “Estando por trás, nos bastidores, dimensiona-se melhor como as coisas acontecem, em termos de estrutura, jogos de interesse de patrocinadores, sai-se deste Carnaval com uma visão melhor e mais aprofundada do Carnaval do Recife”.

O secretário de cultura concedeu a entrevista logo em seguida a um debate na Supermanhã, da Rádio Jornal, no qual os ouvintes continuaram a discutir a participação no Galo da Madrugada das bandas bregas Calypso e Saia Rodada. “Eu tenho tenho que respeitar a autonomia da agremiação. A diretoria de um bloco tem o direito de colocar quem quiser no seu desfile, agora, a prefeitura, adotou uma linha estética, podemos não apoiar quem sair deste direcionamento, e aí não estou me referindo especificamente ao Galo, mas a qualquer outra agremiação”. Durante o mesmo debate, ele rebateu as críticas de descaracterização do carnaval tradicional pelo fato de cantores de MPB, ou mesmo rock, se apresentarem nos polos montados pela prefeitura. “Historicamente, o Carnaval do Recife nunca foi exclusividade do frevo, sempre se brincou a folia com outros tipos de música. Nos últimos anos, o frevo vem sendo até mais tocado, acho que em decorrência das festividades do centenário, em 2007”. Para Renato L a descentralização do Carnaval está tendo uma importância que vai além do mero entretenimento. “Como infelizmente a mídia, me refiro a rádio e TV, abre pouco espaço para a música de qualidade, estes palcos são a única maneira da população da periferia ter acesso a um Lenine, uma Maria Rita, Nação Zumbi, enfim, à boa música brasileira”.

E falando em rádio, inevitavelmente entra em pauta a novela da Rádio Frei Caneca. “Quem está cuidando desta história da Frei Caneca é a secretaria de Assuntos Estratégicos, mas está faltando apenas uma canetada do ministro Hélio Costa. O problema foi que se demorou tanto a se tomar uma decisão sobre a rádio que a concessão foi perdida”. Outros assuntos sobre os quais o secretário conversará com a presidente da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, Luciana Félix, são os prêmios literários e de música carnavalesca, que continuam com pouca visibilidade. “A gente fala muito da música, enquanto com a literatura o problema é ainda maior. Vamos no reunir, Luciana, a gerência de literatura, para ver como viabilizamos uma distribuição melhor dos livros, já que o livro não desfruta das vantagens da música que pode ser distribuída pela internet. Outra coisa é o concurso de música para Carnaval. Não adianta pagar bons prêmios em dinheiro, produzir CD se ele não vai ser tocado. Vamos discutir uma forma destes CDs chegarem às lojas, às rádios comunitárias, às rádios universitárias”.

Um assunto que não poderia deixar de vir à tona é uma possível mudança na equipe da secretaria, que continua praticamente a mesma deixada por Roberto Peixe: “Até agora não fizemos nenhuma mudança, porque continuamos com a mesma equipe que trabalhou no Carnaval. Agora já posso pensar em fazer algumas alterações, mas claro que não haverá nenhuma vassourada, nisto o pessoal pode ficar tranquilo, até porque minha gestão é de continuidade ao trabalho feito por Peixe”.

fonte: http://jc.uol.com.br/jornal/2009/02/28/not_320848.php

Posted segunda-feira, março 2nd, 2009 under Notícias.

4 comments

  1. andre intruso says:

    Algo em vista para a area de Literatura??Algo relevante?? Esperamos ansiosos!

  2. Obaminha de casa amarela says:

    eu posso estar enganada, mas em meio a muito blá blá blá o carnaval de Recife se resumiu esse ano ao Marco Zero. Não vi multiculturalidade assim como falam. Os polos ficaram vazios, exceção quando alguem de fora estava tocando no dia.
    Olinda foi um fracasso no sábado e domingo, as TVs nem transmitiram.

    Li uma materia com o novo secretário Renato L (será que ele é?) dizendo que “O Galo da Madrugada convida quem quiser e a Prefeitura patrocina quem quem”. Ou seja, ou o Galo faz o que a Prefeitura quer ou cortam a verba.

    Por que será que esse povo da prefeitura só respeita o gosto popular na hora da eleição? Quando o povo escolhe seus artistas a Prefeitura quer moldar o gosto popular. Assim é foda!

    Renato L bota suas manguinhas de fora e aos poucos vamos ver o que um xiíta radical frustrado pode fazer a frente de uma secretaria de cultura!

  3. João do Ibura says:

    Não sei obaminha, mais, pelo menos no Ibura, o polo descentralizado esse ano manteve basicamente a grande média de público dos anos anteriores(a não ser nos momentos em que houve aquele exagero de chuva) e a única atração de peso foi Maria Rita na terca-feira, enquanto que no marco zero ocorreu ate de não haver evento no sabado devido às chuvas.
    Quanto ao comentário de Renato L sobre patrocinar “quem quer” isso não é novidade no recife,pois a prefeitura criou um perfil da programação carnavalesca, até para evitar que a musica baiana(axé) ou outros “hits” invadam a folia e tomem o espaço da cultura local, pois foi dessa forma que o carnaval recifence melhorou bastante, lembra na epoca dos trios eletricos em boa biagem? varios musicos pernambucanos usavam o axé como grande parte do seu repertório e levava tais apresentações para os polos do centro da cidade.
    Então,será que o fato da prefeitura traçar um perfil do que deva ser o carnaval é antidemocratico ou será que isso é dá continuidade a uma politica que basicamente vem dando certo na area cultural,mantendo uma originalidade e evitando que o showbiss que já têm espaço privilegiado na midia ocupe o lugar da cultura que a cidade vem mostrando nos ultimos anos.
    Tudo bem! sei que ainda há e haverá muitas contradições,pois, por exemplo, se vc for observar a programação do sabado de carnaval nos polos descentralizados há atrações que não estariam nesse perfil que falei.
    Bem, só nos resta esperar os proximos capitulos e ver no que isso vai dá.

  4. acho que vcs da prefeitura deveriam dar mais oportunidades as bandas locais pois resumiram a apenas 1 apresentação nesse carnaval enquanto os outro de fora tocaram varias vezes sem se quer estar na programação,por isso que nossa cultura não se espandi no brasil,sem comparar que os cachês das bandas locais é uma esmola,espero que essa gestão consiga nos surpreender no passar dos meses e anos