Clipping: Morbid Angel na Capa do Caderno C

Capa do Cardeno C do JC

Olha a matéria que saiu hoje no JC sobre o show do Morbid Angel. O texto é de Wilfred Gadêlha da coluna Lapada.


A volta dos reis do death metal
Dezoito anos após o primeiro show no Recife, americanos do Morbid Angel fazem apresentação no Internacional
Jornal do Commercio / 07.03.2009
Wilfred Gadêlha

O dia 19 de abril de 1991 foi um divisor de águas para o heavy metal no Recife. Pela primeira vez, uma banda de fora do Brasil tocava na capital pernambucana. Vindo da ensolarada Flórida, o Morbid Angel inaugurava uma era de shows internacionais que chega a seu ápice em 2009 com as apresentações de medalhões como Iron Maiden e Motörhead. Quando os primeiros acordes da guitarra de Trey Azagthoth soarem no Clube Internacional do Recife, hoje, às 22h, o público local terá a oportunidade de rever os caras que abriram as porteiras para um cenário que tem tudo para ficar ainda melhor.

O Morbid Angel de 1991 não é igual ao de 2009, embora três quartos da formação que tocou no Sport Club do Recife há 18 anos se mantenham na banda. Além do fundador Trey, vieram ao Recife naquele ano o então louro baixista e vocalista David Vincent e o baterista Pete Commando Sandoval. No lugar do guitarrista Richard Brunelle, está hoje o norueguês Thor Anders Myhren, ajudando Trey nos solos e nas bases. É uma banda com sete discos de estúdio, uma imensa legião de fãs em todo o globo e inúmeras turnês mundiais no currículo.

Em 1991, a cena recifense de metal vivia um bom momento. Diversas bandas surgiam – Necrópsia, Dark Fate, The Ax, Cérbero e Decomposed God, por exemplo – e as veteranas se garantiam (Arame Farpado, Fire Worshipers e Cruor), como se dizia na época. O show foi produzido por Paulo André Pires, então dono da loja Rock Xpress e ensaiando seus passos de produtor com o Câmbio Negro HC, banda hardcore que tinha status de estrela entre os amantes do som pesado na cidade com seu recém-lançado LP O espelho dos deuses. Paulo André, de volta ao Recife após uma temporada nos EUA, uniu-se a Ervel Alemão Lundgren e Fred Creder, ex-integrantes do Herdeiros de Lúcifer, uma das primeiras formações heavy metal de Pernambuco. Alemão já havia organizado o festival Mauritzstaad, que levou ao Sítio da Trindade bandas como Attomica, Chakal e Viper.

“Eu tinha a loja e tinha interesse em expandir as coisas. O show foi oferecido por, se não me engano, Eric De Haas (produtor holandês radicado no Brasil)”, conta Paulo André. “Sempre digo que, antes do mangue, a única banda que levava 300, 400 pessoas a seus shows era o Câmbio. Então, resolvemos juntar os públicos, já que, como não acontecia nada no Recife, não tinha essa coisa de rixa entre punk e headbanger”, prossegue o produtor do Abril pro Rock. Paulo André diz que não se lembra quantas pessoas pagaram Cr$ 2.500 para ver o Morbid Angel. “Juntando com os convidados, não havia mais de mil”, arrisca.

Na tarde do show, o Morbid Angel deu um pulo até a Rock Xpress, que ficava na Rua Amélia, nas Graças, para uma antológica tarde de autógrafos e fotos com os fãs. A movimentação de cabeludos vestidos de preto no bairro nobre chamou a atenção. Um daqueles era o técnico em redes de informática Fábio Rufino Menezes, 36 anos. “Me lembro que os caras eram muito gente boa. Para a gente que os via nas capas dos discos, não dá para esquecer”, conta. O quarteto deu entrevistas para fanzines locais, autografou discos e até arriscou degustar hambúrgueres genuinamente made in Recife.

À noite, finalmente o Recife pôde conferir o poder de uma banda que começava a botar a cabeça para fora do underground. O Morbid Angel já tinha nas costas o álbum Altars of madness e havia acabado de gravar o segundo, Blessed are the sick. Antes, porém, o público assistiu a um ótimo esquente com o Câmbio Negro HC. Além das músicas tocadas por Pesado, Pedrito, Ricardo e L.A. Nino, o que chamou a atenção foi a fileira de PMs em frente ao palco. “Quando alguém se aproximava, os policiais metiam logo o cassetete. Era um clima de guerra”, lembra Menezes. “Foi realmente uma coisa que não se vê nos shows de hoje, quando a polícia fica mais é do lado de fora”, acrescenta Paulo André.

Quando o Morbid Angel surgiu da escuridão do salão do clube, o que se viu foi uma banda extremamente profissional. “Foi impressionante. Não se via por aqui bandas com tamanha técnica e agressividade. Ver ao vivo o Morbid Angel foi uma experiência marcante, que serviu como um divisor de águas, principalmente para as bandas de death metal daqui, pois o show serviu como parâmetro”, diz o jornalista Marco Duarte, guitarrista da Decomposed God, formada naquele ano. “Os instrumentos e a potência sonora me chamaram a atenção”, completa Menezes. “Concordo que, a partir dali, as coisas ficaram mais claras para o metal em Pernambuco. Tanto é que, no ano seguinte, eu trouxe o Kreator para o Náutico, que por ter mais discos lançados no Brasil e tocar thrash, um estilo menos agressivo, conseguiu levar bem mais gente em pleno Sábado de Aleluia e concorrendo com um show dos Paralamas no Boa Viagem Praia Clube”, diz Paulo André.

O baixista David Vicent recordou daquele momento em entrevista por e-mail ao JC. “Lembro muito bem que os fãs sul-americanos eram os mais leais e dedicados em todo o mundo. Tínhamos muitos fãs no Brasil e no Chile e sabíamos que era apenas uma questão de tempo para conquistarmos a América do Sul. Esta emoção que os fãs dividem conosco nos faz querer voltar mais vezes”, salienta Vincent, que promete um show brutal para quem for ao Internacional. “A banda está muito forte. Ficamos orgulhosos da nossa contribuição para o death metal, um gênero que amamos. Estejam prontos!”.

» Show com a banda Morbid Angel – hoje, às 22h, no Clube Internacional do Recife (Rua Benfica, 505, Madalena). Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 40 (social), R$ 30 (meia). Informações: 3221-2091

fonte: http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/03/07/not_321736.php

Posted sábado, março 7th, 2009 under Notícias.

11 comments

  1. Tanto o show do Morbid Angel como do Kreator foram realizados pela Kamikazes produçoes,
    Os contatos e contratos com Eric de Haas foram feitas pela minha pessoa.

  2. Foi ducaralho o show da galera!!!!!!!

  3. Q show da porra!!! fuderoso e ducaralho!!

  4. Show do caralho ontem, o som tava perfeito.
    Parabens Joao.
    A quem interessa ,o primeiro show de Morbid Angel no recife foi em 1992

  5. Parabens a organização!!

    Cade o Recife indierock pra cobrir o show??

  6. gostaria de enviar sugestões de matérias e notas para vcs. podem entrar em contato comigo enviando os e-mails? Aguardo retorno

  7. Guilherme Moura says:

    @ Bel Zebu / Julio Hc,

    Pior que iamos cobrir, tava tudo combinado… mas tivemos uma baixa na equipe no dia do show. :(
    Precisamos recrutar mais gente pro site.

  8. Alexandre Morais says:

    Show do caralho!!!

  9. Todo mundo da epoca sabe q quem fez tanto o Morbid Angel quanto o show do Kreator foi alemão, o jornalista q escreveu a materia deveria se informar melhor

  10. Bem, há a citação a Alemão e Fred (“Paulo André, de volta ao Recife após uma temporada nos EUA, uniu-se a Ervel Alemão Lundgren e Fred Creder, ex-integrantes do Herdeiros de Lúcifer, uma das primeiras formações heavy metal de Pernambuco. Alemão já havia organizado o festival Mauritzstaad, que levou ao Sítio da Trindade bandas como Attomica, Chakal e Viper”), com relação ao show do Morbid Angel. Com relação ao do Kreator, mea culpa…

  11. “O importante não é receber os louros e sim MERECE-los”…

    Tenho boas lembranças do Paulo André e tenho Alemão como um dos melhores amigos de toda minha vida…
    Paulo André exagerou na dose…
    Eu organizei praticamente TUDO, dei até uma bronca no Vincent que estava dando chiliques com aquele cabelo louro penteado ao estilo Angélica (Vou de Taxi…) por conta da hospedagem, o Paulo André ficou todo assustado por eu estar dando um “corretivo” nas “estrelas”…ts.
    Exagero, inverdade quanto a ação da polícia…o depoimento do Nino serve para alimentar o FOLCLÓRE em torno de eventos dessa natureza.
    A produtora que trouxe a banda, KAMIKAZE, era e ainda é minha, assim, além de bancar o show todo, no final, é claro, fiquei com todo prejuízo, desculpem-me, Alemão deu uma força…
    Tudo em PAZ, tudo bem…Tudo pelo bom Rock’n’roll…

    Abraços a TODOS…

    Fred Creder