Cobertura: Eddie no Studio SP

Por Hugo Montarroyos em 5 de abril de 2009

Não me recordo de algum dia ter presenciado um show de banda pernambucana em São Paulo. Se meus neurônios não estão me traindo, a primeira vez foi ontem, com o Eddie, no Studio SP. E fiquei com uma baita sensação de estar numa sucursal do Recife na capital paulista. Com a diferença que 99% do público era formado por paulistanos. Mas, como eles sabiam de cor todas as letras do grupo, a impressão era a de que a banda tocava em casa, ou seja, Recife/Olinda.

O Studio SP é um lugar engraçado. Fica na Rua Augusta, cercado de puteiros por todos os lados. Sujeitos engravatados ficam na porta desses locais tentando vender seu peixe (na verdade, não é bem peixe o que eles oferecem), e não é raro escutar coisas como “vamos lá, rapaz! Cinco reais com direito a uma bebida. Temos ruiva, morena, loira, japonesa, negra, mulata”. Na mesma rua, convivem sem maiores problemas bares normais e algumas boates de família. E o Studio SP, casa em que as bandas pernambucanas se apresentam quando estão em Sampa.

Trata-se de uma casa de dois andares, com capacidade para cerca de 500 pessoas, com um palco pequeno, porém com som decente. Um DJ fica tocando músicas do Mombojó e de Chico Sciense & Nação Zumbi, que são cantadas por boa parte da lotação do lugar. O público não é muito diferente do de Recife: gente legal, desencanada, de bem com a vida e fã da música produzida em Pernambuco. Você ganha pontos a mais com qualquer pessoa ao abrir a boca e revelar o sotaque nordestino. Se disser que é de Recife então, o interesse alheio dobra, e sobram perguntas sobre bandas, locais, comportamento, melhor época para visitar Recife, Olinda, etc, etc, etc.

Já passam das duas da manhã. Trummer sobe ao palco e começa a dedilhar sua guitarra. O resto da banda o segue, e é ovacionada assim que entra  em cena. E vem a primeira surpresa: todas as músicas de “Carnaval no Inferno” já são cantadas pelos paulistas. Entrosada, calejada, a banda mostra um domínio de palco notável, e coloca a Paulicéia Desvairada para frevar. Erasto Vasconcelos é homenageado, como de costume,  com a execução de “O Baile Betinha” e “Maranguape”. O impressionante é que todo o dialeto pernambucano expressado nas canções do Eddie é assimilado pelo público como se eles soubessem onde é Maranguape e o que significa frases como “tô sentado na beira do rio esperando a sujeira passar”.

A banda resolve mostrar um pouco de sua faceta mais roqueira, e chama ao palco China – muito aplaudido para cantar “Videogamesongs”. Uma amiga paulista me pergunta: “virou rock agora?”. Tento responder: “começaram como uma banda de rock, mas cresceram, né? Ampliaram o leque de influências”. Ela parece concordar.

Uma passista de frevo é convocada para um set que tem como mote alguns clássicos da música pernambucana, como o hino do Elefante, que chega a emocionar por romper uma distância geográfica tão longa, mas aproximada afetivamente pela sensação de estar em casa em terra “estrangeira”.

“Quando a Maré Encher”, tocada de forma raivosa, fecha o show.

A música pernambucana tem seu quinhão em São Paulo. Não chega a ser gigante, mas está longe de ser pequeno. E com muita gente disposta a desembolsar 25 reais (preço da entrada) em um show do Eddie. Tomara que continue assim.

18 Comments

  1. Rodrigo
    Posted 5 de abril de 2009 at 13h09 | Permalink

    É isso aew, feliz por demais por isso, espero que seja sempre assim, e até melhor o que não vai ser muito difícil de acontecer. Mais o melhor de tudo foi falado ai por Hugo, “E com muita gente disposta a desembolsar 25 reais (preço da entrada) em um show do Eddie” isso é super importante já que a galera daqui só quer ir pra show de graça, vamos ver né, temos que dá valor o que é da gente!

  2. camila
    Posted 5 de abril de 2009 at 19h14 | Permalink

    que bacana hugo!
    espero mais chances de você ver música pernambucana aqui em são paulo até voltar para recife!
    beijo!

  3. Posted 5 de abril de 2009 at 20h29 | Permalink

    andre araujo,

    eu concordo totalmente com vc. Só que estou fora de Recife, não fui ao show. E temos uma carência tremenda de mão-de-obra na parte textual. Espero que a cobertura entre em breve, e peço desculpas antecipadamente caso isso não aconteça…

    camila,

    valeu mesmo! Eu também espero!
    Beijo!

  4. Jel Oliveira.
    Posted 5 de abril de 2009 at 22h55 | Permalink

    maior orgulho disso, nós pernambucanos temos que nos orgulhar e sem modestia nenhuma, nos amostrar do que é produzido aqui. a cultura jorra na hora, que nem caldo de cana (: e show de eddie com a participação de china, com toda a certeza do mundo foi muito massa.
    beijo beijo :*

  5. andre araujo
    Posted 6 de abril de 2009 at 13h02 | Permalink

    Rsrss. Jose Henrique

    Voce quer dizer que Eddie é mais do que Iron Maiden????rssrs Isso é piada…
    É o mesmo que comparar sport e serrano!

  6. Jose Henrique
    Posted 6 de abril de 2009 at 14h42 | Permalink

    Fala, André.
    Muito mais, pô.
    Quando eu tinha 16/17 anos tb era super fã do Iron, cheguei a ter uns 5 cds(só clássicos da banda, The Number… Piece of Mind, Powerslave…)
    Só que quando os neurônios comem um pouquinho mais de feijão e vc vai crescendo como pessoa, a banda do boneco passa a ser coisa de menino buchudo.

    PS: Robes, sem estresse, vc deve tá com falta de sol.
    Um dia vc chega lá. :>)

  7. Homero
    Posted 6 de abril de 2009 at 15h22 | Permalink

    Ei, galera, o Eddie é o mascote do Iron.
    A banda não vai gostar de ver vocês falando mal deles.

  8. Perfect Stranger
    Posted 7 de abril de 2009 at 8h25 | Permalink

    Apesar de não gostar desse sonzinho “Olinda original style” apoio as bandas em seu trabalho e na divulgação do nosso estado. Sucesso!!

  9. Ronaldo Lins
    Posted 7 de abril de 2009 at 11h18 | Permalink

    Gosto um pouco dos dois, daí falar que evoluiu a cabeça e agora gosta mais de Eddie que de Iron, então você não estudou música, pois nosso amigo vocalista “Fabio Trummer” ótimo compositor, porém quando canta, super desafinado, já o Bruce meu amigo! Sem comentários…

    Vamos da o Cesar o que é de Cesar!

  10. Eduardo Tavares
    Posted 7 de abril de 2009 at 15h23 | Permalink

    é…só tem gente esbanjando maturidade aqui….ehehheheh

  11. andre araujo
    Posted 7 de abril de 2009 at 15h51 | Permalink

    José Henrique

    Eu acho que a musicalidade do Iron Maiden esta acima e abaixo de qualquer faixa etaria… Quanto ao tempo passando , concordo com voce, por isso mesmo sou fã de Chico Buarque, Roberto Ribeiro, Pequeno Cidadao, Cachorro Grande, Martnalia e pra falar em PE Glauco e O Trem das Cores, Pé-Preto, The Playboys…Mas o Eddie , sinceramente, yeyeye com blablabla…Nao vou nem dizer que o cara nao sabe cantar por que hoje em dia isso nao importa muito, afinal o Zero Quatro nao sabe cantar (mas a banda pr mim é a melhor de PE), o Canibal nao sabe, o Du Peixe nao sabe, o China anda canta direitinho, afinal alguma coisa legal ele tinha q fazer ne!
    No mais, é tudo receita de bolo de macaxeira , so que erram sempre ou no tempo de forno ou no tempero!

  12. Posted 7 de abril de 2009 at 23h02 | Permalink

    Fala, André, ainda bem que vc tb acha que ser afinado e cantar bem tem pouca relevância.
    Caetano Veloso já elogiou a Sandy dizendo que ela era afinada.
    Aí eu pergunto, e daí?
    Bruce Dickison é afinado, e daí?
    Nelson Cavaquinho tinha uma voz horrível e cantava belezuras.
    Não é como se canta, criançada. É o que se canta!

    PS: O bolo não é de macaxeira, é de ameixa. Vc nã tem paladar nem pra diferenciar macaxeira de ameixa e vem criticar o tempo de forno?

    Roberto Ribeiro é classe!

  13. Posted 8 de abril de 2009 at 1h34 | Permalink

    Esqueci de falar, muito bom o novo visual do site.
    Ficou bem bacana.

  14. Posted 8 de abril de 2009 at 3h58 | Permalink

    Caro Jorge

    É que meu paladar é diferenciado…requintado.. e…realmente…É o que se canta!

    O RR agora merece coberturas , resenhas e textos a altura da nova roupagem. Nota 10 !

  15. Posted 9 de abril de 2009 at 1h08 | Permalink

    Pô, Adriano, acho que tuas papilas degustativas não estão com essa bola toda, não.

  16. Posted 9 de abril de 2009 at 20h46 | Permalink

    Hahaha… Por que o povo gosta tanto de fazer comparações estranhas e bizarras? Bruce Dickinson X Fabio Trummer??????? Aproveitando, acho que Lia de Itamaracá é bem melhor do que Thom Yorke, do Radiohead. Mas, Zé Neguinho do Coco não chega aos pés de Frank Black; o que não acontece com o Calypso, que dá um banho no Franz Ferdinand.

    A opinão está agonizando!!

  17. Posted 13 de abril de 2009 at 3h58 | Permalink

    Não estou comparando bandas, cara. Estou, no final das contas, falando de valores.
    Quer conhecer um artista? Olhe pra sua platéia.
    Olhe pra platéia do Iron Maiden, olhe pra de Ivete Sangalo e olhe pra da Nação Zumbi.
    A do Iron e a de Ivete têm muito em comum, falo de valores.
    Aparentemente tão diferentes, mas no fundo iguais. Pra mim esse povo é “café com leite”.
    Foi só isso que quis dizer, e disse.

    PS: Zé Neguinho passa dos pés do cara do Pixies, só não sei se passa da barriga. É um obstáculo meio intransponível. :>)

  18. Posted 14 de abril de 2009 at 21h55 | Permalink

    Caro Jose Henrique

    Queria que voce opinasse sobre a entrevista com a banda Dillema…pode ser??? ate!

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