Cobertura: Abril pro Rock 2009 – primeiro dia (palco 2)

Tímpanos estourados e sorriso de orelha a orelha. Foi assim que as mais de cinco mil pessoas aíram do Chevrolet Hall

Motorhead no Abril Pro Rock 2009

Motorhead no Abril Pro Rock 2009

O texto do palco principal será escrito por Breno Mendonça

Tímpanos estourados e sorriso de orelha a orelha. Foi assim que as mais de cinco mil pessoas (números não-oficiais, mas deve ser bem perto disso) saíram do Chevrolet Hall ontem. Ainda que o som dos dois palcos não tenha ajudado nada. O do palco principal, em especial, acabou com o show do Matanza. No do Motörhead, o som começou bem baixo, foi crescendo de volume ao longo da apresentação e terminou de forma ensurdecedora.

No palco dois, a dinâmica foi o som no talo, só que mais nítido do que no principal. Todos os shows foram excelentes, mas quem se deu bem de fato foi o furioso Decomposed God, que tocou para casa cheia e repetiu a ótima performance que fizera no Abril pro Rock de 2002.

Pontos positivos: o público compareceu em massa, o que quebrou uma certa expectativa negativa em função dos “apenas” 18 mil fãs que se deram ao trabalho de ir ver o Iron Maiden no Recife. Rodas-de-pogo foram abertas durante toda a noite, e delas participavam desde a novíssima geração de consumidores de rock até a velha guarda do metal. Como de costume, nenhum incidente violento, clima família, paz e amor reinando absolutos, apesar de Dudu, baixista da Amp, ter relatado que levou uma latada de cerveja na cara na roda do show do Motörhead. Como ele narrou o fato às gargalhadas e esse tipo de acidente é realmente comum para quem se aventura nas rodas da vida, não pode ser considerado como ato de violência.
E, esteticamente, no que esteve ao alcance das bandas, todas elas – exceção feita ao Matanza, que realmente deixou a desejar, mesmo sendo prejudicado pelo péssimo som em seu show – fizeram ótimas apresentações.

A Amp fez questão de tocar no volume máximo. E, como de costume, deu muito certo. Felizes da vida com o lançamento de seu primeiro disco, “Pharmakodinamica”, a banda presenteou o público com seu stoner rock vigoroso, com discretas camadas de rockabilly, e muita, mas muita mesmo, disposição para “azucrinar” os ouvidos alheios com o que de melhor se produz neste subgênero do rock. Apesar do estranhamento por inaugurar um palco bem mais alto do que tradicionalmente o festival oferece (às vezes dava a impressão de que todo o público seria acometido por um torcicolo) e de tocar para uma plateia ainda pequena, o grupo ligou o “foda-se” e pisou fundo no acelerador. Trata-se de um fenômeno do circuito independente que, em pouco mais de um ano, trabalhou e conquistou muito mais do que muita banda com mais tempo de estrada. Uma roda-de-pogo formada por jovens que certamente ainda são menores de idade causou a acalentadora sensação de que, aconteça o que acontecer, não faltará mercado consumidor no futuro. “Acidez”, com seu vocal rasgado, instrumental distorcido e letra na linha “Queens of The Stone Age de ser”, foi o grande momento – como de costume -.

Amp no Abril Pro Rock 2009

Amp no Abril Pro Rock 2009

Seguindo a cartilha do stoner, o goiano Black Drawning Chalks deu a sorte de tocar para casa um pouco mais cheia. Tecnicamente impecável, a banda deu o “azar” de tocar na mesma noite do Motörhead. Explico: a passagem da banda de Lemmy é tão avassaladora que fica difícil depois catar na memória o que veio antes. Se, por um lado é uma honra tocar na mesmo dia do Motörhead, por outro você corre o risco de cair no esquecimento do público. Posta de lado essa questão – que também é válida no caso da Amp, pelo fato de ter sido a primeira da noite – o show foi ótimo. A banda possui boa presença de palco, demonstra maturidade apesar da pouca idade de seus integrantes e do pouco tempo de carreira, mas passou a impressão, talvez errônea, de funcionar melhor em locais pequenos, como a Nox. Mas, verdade seja dita, ninguém reclamou, a roda-de-pogo só fez crescer, e teve jornalista que mais parecia criança emocionada ao ver uma banda de tamanho talento se apresentar em local tão suntuoso quanto o Chevrolet Hall.

E aí veio a nota “dissonante” da noite: o death metal do Decomposed God. Comemorando inacreditáveis 18 anos de carreira, a banda tocou já com casa cheia, espalhando seu metal extremo (e bota extremo nisso) por cada centímetro do Chevrolet Hall, fazendo a alegria dos devotos do gênero e a agonia de quem estava ali para ver as outras bandas. Ou seja, naquilo que se propõe, são excepcionais. O grupo ainda conseguiu preencher uma lacuna que outrora incomodava um pouco em seus shows: ganharam presença de palco. Se antes eram estáticos, agora acrescentaram à fórmula um certo jogo de cintura, o que só serve para deixar o público ainda mais impressionado com tamanha fúria despejada em seu ouvido. Com repertório baseado em seu último disco, “Bestiality”, lançado no ano passado, o Decomposed God foi jogando um a um os seus petardos em forma de música, com o vocal gutural de André e a bateria de Wagner como destaques principais. Fecharam o show com “Nicroped Lier”, sua música mais elaborada, com direito a solo requintado de guitarra em meio ao turbilhão sonoro do bom, velho e legítimo death metal, um gênero do metal que talvez nem existisse se não fosse por um certo velhinho que tocaria depois deles, aquele que inventou o tal de vocal gutural. Melhor show do palco dois.

Decomposed God no Abril Pro Rock 2009

Decomposed God no Abril Pro Rock 2009

Dica : pouca gente sabe, mas Lemmy Kilmister já atuou como ator. Foi no hilário “Comendo os Ricos”, onde faz o papel de um agente secreto. Tosqueira do mais alto nível. A trilha sonora, claro, é toda do Motörhead. Vale a pena conferir…

Saldo final da noite: bom público para ótimos shows, mas com estrutura de som deixando a desejar. Ou seja, positivo no final das contas, porém, com alguns ajustes e melhoras a serem feitos. E assim foi…

Posted sábado, abril 18th, 2009 under Coberturas, Destaques.

13 comments

  1. ah, eles tocaram no palco um. Foi mal!

  2. Guilherme Moura says:

    Matanza é palco 1… o texto entra mais tarde ou amanhã (pq já to saindo pro Chevrolet Hall).

  3. Perfect Stranger says:

    Eu ja vi esse filme, bota tosqueira nisso Lemmy canta: “come on baby let’s eat the rich”

  4. NA MORAL HEAVY METAL DETONA, TA CERTO QUE APARADADESSE EVENTO E SER BEM DEMOCRATICO, MAIS NO COMERCIAL ERA VISIVEL QUE MOTORHEAD E PAULERA E MARCELO CAMELO E UMA BOSTINHA DE MUSICA, ABRIL PRO ROCK DEVIA SER SO PRO ROCK E NÃO PRO POP.

  5. Só teve cinco shows na sexta. Pra que ainda dividir a cobertura em dois palcos?

  6. “Pontos positivos: o público compareceu em massa, o que quebrou uma certa expectativa negativa em função dos “apenas” 18 mil fãs que se deram ao trabalho de ir ver o Iron Maiden no Recife.”

    CINCO MIL PESSOAS SIGNIFICA QUE O PÚBLICO COMPARECEU EM MASSA? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    http://pe360graus.globo.com/diversao/diversao/musica/2009/04/18/NWS,489213,2,225,DIVERSAO,884-ABRIL-PRO-ROCK-RECEBE-POUCA-GENTE-NOITE-CAMISAS-PRETAS.aspx

  7. Motörhead foi lindo meu velho!!!

    Renata, o choro é livre.

    cinco mil pessoas em um show não é um grande público?

    então eu não sei mais contar…

  8. Motörhead: melhor show da minha vida. Matanza, achei breve, mas bom, apesar do pequeno problema técnico… O som em Motörhead estava perfeito. Fiquei próximo ao palco, ao lado dos caixas, e sentia meu corpo todo pulsar, parecia que a roupa ia sair do corpo. Magnífico!!! Não me arrependi de não ter ido pra Iron. Motörhead, sem mascote e “400 toneladas de equipamento” deu um SHOW!!! Afinal, eles são o Motörhead, e tocam rock’n’roll!!! Há!! \,,,/

  9. O som do Motörhead não estava alto. Estava ensurdecedor!
    O que me admira é que ninguém (imprensa ou público) fala que isso é ruim. Pra mim, é.
    Não vi nada na imprensa até agora falando que era um absurdo, pois foi um absurdo.
    Não consegui ficar sem os protetores nos ouvidos durante míseros 2 minutos antes do ouvido doer. Para mim isso é sinônimo de som ruim, independente se estava bem mixado.
    Acho muito difícil a banda tocar naquela altura em países mais sérios. Acho que não precisava disso. Só por marketing? Se não fosse uma banda muito famosa lá no palco tocando, a imprensa iria cair de pau em cima da organização do evento dizendo que era um absurdo um volume daqueles, etc, etc, etc. Ou iria aparecer gente na mesa de som falando que estava muito alto, mas era o Motörhead…
    Não vi ninguém indo lá na mesa de som (eu estava lá) para reclamar do volume. O povo Brasileiro não é muito de reclamar. Tem medo, sei lá… Não é possível que ninguém que estava lá não achou um absurdo aquilo.
    Colocando um pouco de lado a questão de fã, aquilo que teve lá foi um caso de saúde pública, podendo ter causado dano irreversível na audição de alguém.
    Um abraço.
    Titio (Operador de áudio).

  10. pow cara, teu show era no outro dia, o de marcelo camelo, tava bem legal o som, pra nao afetar seus tímpanos