Cobertura: Show de lançamento do segundo disco de João do Morro – Morro da Conceição

Ele merece…

Você pode não gostar, fazer cara feia e torcer o nariz. Mas, um artista oriundo do Morro da Conceição que desperta o interesse de veículos como a Folha de S.Paulo, revista Trip e TV Cultura é, no mínimo, relevante. E, vale salientar, tal artista é independente. Não tem gravadora, não toca no rádio e não aparece na televisão. Como explicar seu sucesso? Talvez com duas palavras: talento e carisma.

Em um ano, João do Morro chegou em um patamar em que a maioria dos artistas leva pelo menos uma década para chegar. E boa parte disso tudo foi na base do boca-a-boca, da divulgação espontânea, de ganhar público em nichos que não necessariamente pertençam ao samba. Para mim, João do Morro é a coisa mais rock’ roll a surgir em Pernambuco desde o Cordel do Fogo Encantado. É polêmico, debochado, provocador. E, mais importante (sei que agora você vai chiar), um baita letrista. A mídia já cansou de rotulá-lo de “cronista urbano”. E é bem por aí mesmo…

Ontem João fez o show de lançamento de seu segundo disco, “Do Morro ao Asfalto”. E fez questão de que o evento fosse realizado no Morro da Conceição, de graça. E é impressionante o quanto ele é querido em casa.

Aliás, fora o fato de estar entupido de gente, a noite foi de uma tranqüilidade só no Morro da Conceição. Como disse o apresentador após o show, “nenhum copo de plástico foi quebrado”. Ou, como gosta de dizer João em cima do palco, “aqui tem diretoria”.

O show estava marcado para 19h. Mas havia um “acordo tácito” em que todos sabiam que ele começaria bem mais tarde.

E, por volta das 22h, João é anunciado. Sua banda, equipada com novos instrumentos, toca a introdução de todos os hits do ano passado “Ei, Boyzinho (papa-frango)”, “Balaiagem”, “Três Segundos”, “As nega endoida”. Logo depois, emenda com “Ninguém Segura”, que conta, no disco novo, com participação especial de Zé Brown, ex-Faces do Subúrbio. Todo de branco, João conversa o tempo inteiro com o público, e reitera que não é preconceituoso ou homofóbico. Brinca com o fato de estar sendo processado por uma entidade que cuida dos direitos dos homossexuais. E afirma, em música engraçadíssima, que o “mundo gay”.

Ainda que o trabalho novo tenha potencial, são as músicas do primeiro disco que levam o Morro ao delírio. Apesar de muito engraçada, “O Lado b do Jornalista” parece só funcionar com quem é da área mesmo.
Em “Frentinha”, chama o filho pequeno de um vizinho (“daqui do morro”) para dançar. Em “Sarará”, inspirada no preconceito que vem sofrendo por namorar uma loira, João canta que “da mistura da galega com o negão vai nascer um sarará, um Biro-Biro”. O segredo é esse: levar tudo na esportiva.

O que mais impressiona em João é sua habilidade em desarmar as pessoas. Conheço roqueiros radicais, quase xiitas, que se renderam quando viram um show dele.
Não é à toa que ele estourou no Pará e que vem ganhando espaço na mídia do Sudeste. O show de ontem, no Morro da Conceição, talvez tenha sido um divisor de águas em sua carreira. A senha de que daqui pra frente não tem mais volta. No que depender de seus vizinhos do Morro da Conceição, João do Morro já ganhou o mundo. E, quer saber? Bem que ele merece…

Posted quinta-feira, dezembro 17th, 2009 under Coberturas.

18 comments

  1. e ar nega indoida..!!!

  2. João do Morro fala o que todo mundo gostaria de falar e não tem culhão pra fazê-lo e com a cara mais limpa! Ele é a personificação do povão! E se garante!!!

  3. Infelizmente acho que não chega tão longe o querido João do Morro, acompanho a careira desse figura antes do Boom! fiquei surpreso quando li materias no jornal falando dele, e feliz com seu talento reconhecido, ai veio a recbeat produções, pirei! total, jurei que ele iria ganhar mais som ao seu swing, melhor aproveitamento da banda, e 2x infelizmente não estou vendo isso, o hit com o Conde é lamentavel, uma repetição de frases desse cara que é o “cara”, e “cueca de copinho” vixe” ! nem se tem o que dizer, e és que vejo o lançamento virtual do cd, esse agora oficial, baita som! mais não vejo João do Morro nele, será que esse som, desse cd vai conquistar o sudeste ???? espero que sim, desejo sorte, um cara que chegou ao Rec beat esse ano no meio de rockers com um show da preulá, juntou seu publico com o do cais da alfandega, esse cd novo só atinge a esse publico, não vejo pagodão! sambão! som das ruas nesse trabalho, e as “novas” musicas vixe!

    acho que estar bom por hoje, e João faça seus show na maior alegria que só ele sabe fazer, mais sem a linha desse morro ao asfalto.

  4. É uma pena que ele resolveu deixar de fora do disco justamente tudo que fez dele o que ele é atualmente. O disco de estúdio, que num momento destes da carreira dele, deveria ser uma confirmação de tudo que foi construído, é, na verdade, uma tentativa fracassada de se tirar a música de João do Morro da sacola da feira e embrulhá-la para presente. Eu estou impressionado como ninguém ainda disse que, se ele gravasse um disco desses pra se lançar no mercado, ele não chegaria onde chegou até agora. E é aí onde reside a pegadinha: o disco pode justamente sustentar a constatação de que João do Morro só funciona ao vivo. E que ninguém pensou nisso na hora de gravar o cd.

  5. joão tirar onda ele é o cara porquer ele fala o que acontece no suburbio

  6. Hugo falou mal de meio mundo de gente que tocou na Feira, mas continua pagando pau pra João do Morro… tem coisa errada ae

  7. A coisa mais rock’n roll? ROCK’N ROLL? Puta que o pariu heim! Recife deve tá fudido de banda mesmo! Uma porra que toca pagode swingueira, com letrinhas escrotinhas ser chamado de atitude rock… é FODA mesmo! Puta desaforo!

    Fodam-se!

  8. Hugo está brincando com fogo. Ainda existe rock and roll no recife. Ele um dia vai “sentir” isso.

  9. Não sei se João do Morro tem esse potencial todo. Uma coisa que eu senti muita falta no show foi justamente de ver gente de fora do Morro da Conceição no público. Pensando nisso, se esse show foi um divisor de águas, talvez não seja um de sentido tão positivo assim. Ainda vejo JM como um artista que a classe média conseguiu cooptar e transformar em um porto seguro. Ouvir a música sem precisar entrar no universo da swingueira.

    O público do morro é engajado em João, mas o público de fora, esse que levou a foto dele a capa dos três cadernos de cultura, não é. E eles terem faltado esse lançamento é uma prova do quanto eles não estão interessados em entrar no universo dele. O MC Creuso falou ainda uma coisa importante, ouvindo o disco, parece que JM funciona mesmo é ao vivo. E só o público do Morro não vai ser suficiente para sustentar uma carreira de shows. Vai exigir que esse outro público não perca o interesse por ele.

    O que a gente sabe que vai acontecer quando aparecer outro artista que permita eles fingirem participar de um universo que não fazem parte.

  10. ‘Você pode não gostar, fazer cara feia e torcer o nariz. Mas, um artista oriundo do Morro da Conceição que desperta o interesse de veículos como a Folha de S.Paulo, revista Trip e TV Cultura é, no mínimo, relevante. E, vale salientar, tal artista é independente. Não tem gravadora, não toca no rádio e não aparece na televisão. Como explicar seu sucesso? Talvez com duas palavras:” Antonio Gutierrez.

    e fim de papo

  11. Qual o nome desse site mesmo?

  12. Alguem sabe qt tempo ta essa propaganda do JM no site??
    Alguma outra banda passou tanto tempo assim?

  13. Já passaram bem mais tempo que isso :P

  14. Hugo…

    Falta vc falar do novo cd da Excesso de Bagagem!!!!

    Me desculpe,,mas ” a coisa mais rock and roll que aconteceu em Recife ” ta longe de ser Joao do Morro….Ele é a persosnificaçao, o retrato cru e fiel da miséria que abraça esse povo sem pedir…….Podem pagar pau…a vontade..mas eu ainda quero é rock!

  15. Só voltei pra falar mal desse mamão do André Intruso! E tua banda, cadê? Um cara que tem (tinha) um lixo daquele não pode falar mal de ninguém, né cumpadi!

  16. Bom mesmo é a Intrusos!! A melhor banda de rock da via láctea!

  17. Respeitando todas as opiniões anteriores, gostaria de dizer que Recife tem sim, muito boas bandas de rock , bem como outras a caminho disso. Ocorre que esse pessoal por não fazer parte dos já conhecidos grupos são relegadas a segundo plano e só tocam quando tem grana para arcar com os custos. Procurem assistir as produções independentes, saindo da mesmice, e se surpreenderão.