Cobertura: Prévia Grito Rock com Desalma e Fiddy

O novo Bomber Rock Bar recebeu Desalma e Fiddy

A vida é mesmo engraçada. Às vezes nem nos damos conta de como o mundo gira e o tempo passa. Não é que o Fiddy, por menos que pareça, já é uma das bandas mais experientes de sua geração! Dos shows amadores no Dokas (era cada roubada naquela época, mas dá até saudade) até a final do Microfonia. Depois o convite para tocar no Abril pro Rock, em show visto e elogiado por ninguém menos do que Marky Ramone. Lançaram até DVD, o impagável “Maionese is Godzilla”, que, entre apresentações no Sopa Diário e material de bastidores, traz uma entrevista em que Batata, um dos vocalistas da banda, capricha na canastrice e diz que “o Fiddy é minha vida”. Em seguida, férias forçadas, pois vários dos dez integrantes teriam o vestibular pela frente para encarar. E assim seguiria o ciclo “férias forçadas e retorno”. Com uma turnê por São Paulo entre as etapas.

Na outra ponta da tabela está o Desalma, numa equação inversa ao do Fiddy: banda nova formada por alguns músicos já bem experientes na cena metal do Recife. Grupo que estreou em shows há apenas três meses. E que comemora o lançamento do Terra Batida, CD-Coletânea que traz, além deles, músicas dos Rabujos, Project 666, Unscarred, Alkymenia e Insurrection Down.

No meio de tudo está a mais nova casa de shows do gênero na cidade, o Bomber Rock Bar. A organização ficou por conta do pessoal do Lumo Coletivo, em uma das prévias do  “Grito Rock América do Sul 2010”. Comecemos pelo bar:

Não à toa, o lugar já ganhou o apelido de Dokinhas. Ao contrário do original, seu filhote parece mais bem cuidado, com decoração que inclui quadros de bandas de rock por toda a parede, e até o teto é adornado com motivos roqueiros. Pequeno e aconchegante, só que muito quente. Os ventiladores não deram conta de tanto calor. Fora isso, tudo ótimo. A acústica, no geral, é boa. E, apesar da concorrência de um estranho evento gratuito no Marco Zero intitulado “Motofolia”, o público compareceu em número bem razoável ao Bomber.

Recife vive um momento esquizofrênico no que se refere ao rock. Está tudo cada dia mais fragmentado e multifacetado. Tanto que um produtor de uma conhecida banda de São Paulo nos perguntou como estava a cena na cidade e simplesmente não soubemos responder. É uma sensação estanha de que nada acontece e, ao mesmo tempo, que acontece coisa demais em todos os lugares e ao mesmo tempo. Talvez em 2010 tenhamos uma leitura mais clara das coisas, mas, no momento, tudo parece meio embaçado. Não sei se as bandas e o público têm a mesma sensação. Enfim…

Foi uma boa oportunidade para conferir novamente a performance do Desalma, que havia estreado no Burburinho e, apesar de ter feito um bom show naquela ocasião, deu azar de pegar um som que estava bem longe do ideal. Ontem, no Bomber, não tiveram que se preocupar com isso, pois a parte técnica, desta vez, estava a favor deles. A banda evoluiu da estreia pra cá, não demonstrou nervosismo e parecia bem à vontade no palco. O único que ainda parece um pouco desconfortável é o vocalista Felipe Vaz, que interage pouco com o público, ficando praticamente mudo nos intervalos entre as músicas. Parece bobagem, mas não é. Ainda que não queira, o vocalista é o elemento mais visado de toda banda, e costuma ser “alvo” de toda a atenção do público durante todo o show. Nada grave e que não possa ser corrigido, coisa que tempo e experiência ajudam a resolver. Falando particularmente de técnica musical, vale registrar que todo mundo ficou bastante impressionado com o baterista Renato Corrêa, principalmente integrantes de outras bandas (e eram muitos na noite de ontem). Curioso que, embora fizesse o show de abertura, o Desalma teve mais público durante sua apresentação do que o Fiddy. O Desalma me passa a impressão de que vai crescer gradativamente após cada apresentação. Aos poucos sua proposta de misturar death metal com partes mais elaboradas e até quebradas começa a ser mais compreendida. Se fizerem um show por mês, estarão no ponto no meio do ano.

O Fiddy não percebeu (pois seu retorno estava bom), mas o som das guitarras ficou muito baixo durante todo o show deles. Já se aproximava das duas da matina quando a banda subiu ao palco, e praticamente metade do público já havia ido embora. Algumas coisas ficaram nítidas ontem: o Fiddy é infame, no melhor sentido da palavra. Deliberadamente avacalhado, o que faz com que muita gente ligada ao metal torça a nariz para eles. O resultado é meio óbvio: não existe meio-termo; é o tipo de banda que você gosta ou detesta. E seriam várias as razões para detestar: aquele teclado em afinação de videogame; as letras infantis; a impressão de que a banda poderia obter o mesmo resultado com apenas metade de seus integrantes; a preocupação de serem engraçados o tempo inteiro. Eu sempre gostei justamente por tudo isso. Seriedade demais envelhece. Às vezes é legal a presença de alguém que só quer se divertir e chutar o pau da barraca. Talvez até algum dia muitos deles decidam formar bandas sérias, com letras politizadas e zero de palhaçada. Mas o fato é que existe muito talento por trás de toda aquela camada de besteirol juvenil. Uma brincadeira que é levada a sério desde 2004 . Isso, com certeza, é o indicador de alguma coisa, ainda que provavelmente nem a própria banda saiba diagnosticar. Melhor deixar assim mesmo. Já diria Raul Seixas, “ri melhor quem ri mais alto”. E o Fiddy continua rindo muito alto.

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Posted sábado, janeiro 16th, 2010 under Coberturas, Destaques.

9 comments

  1. valeu pelo toque hugo, vou trabalhar para que a DESALMA cada vez mais ofereça apresentações de qualidade pra toda galera que curte metal !!

    VAZ – vocal da DESALMA

  2. falando no terra batida..a galera que tiver afim de dar uma sacada no disco pode entrar em http://www.myspace.com/cdterrabatida
    lá estão 6 músicas disponíveis.
    Quem se interessar pelo disco pode nos contatar pelo orkut, myspace.com/desalma, twitter@desalma ou email bandadesalma@gmail.com

  3. Perfect Strangeer says:

    Eu nunca gostei dessa tal de Fiddy, sempre achei infantil e sem conteudo. Tudo bem que tirar onda é legal, mas acho que essa formula ai deles ja ta esgotada. Sao bons musicos, poderiam fazer letras melhores e cancoes mais trabalhadas.Ja a Desalma espero que mire o seu som pra Europa/EUA pois o mercado daqui pra esse tipo de som nao rola (so se voces botarem uns tambores de maracatu!) no demais, sucesso para as duas bandas.

  4. Na minha humilde opinião, o show do Desalma foi fuderoso! – desculpem o palavrão, não achei outro termo para descrever fielmente o que penso. Fiddy também fez um show massa, aqueles caras nunca deixam a desejar em performance.

    O Desalma, a meu ver, está caminhando para se firmar como um grande nome do metal nacional e mundial. Acompanho a rotina deles, e acreditem, os caras trabalham que nem loucos. As músicas deles são muito bem trabalhadas, tudo ali é muito bem pensado, e isso transparece claramente quando tocam ao vivo. Destaco algumas músicas tocadas no show de ontem (sou até meio suspeito para falar, visto que gosto de todas as músicas deles): “Em Chamas”, que abriu o show, “Corpo-Seco”, que me soou melhor do que no disco da Coletânea TERRA BATIDA, “Mais Um Templo Erguido” (na moral galera, que música do caralho!) e a cover “The Great Southern Trendkill” do grande e finado Pantera.

    Parabéns à galera do Lumo pela iniciativa, tudo estava muito bem organizado, desde a entrada ao som. A questão do calor, realmente, tava demais, mas tenho certeza que o Dokinhas assim que passar a ter um público mais fiel vai poder climatizar o ambiente. Cabe a todos nós lutar para que a cena se torne mais forte, apoiando toda e qualquer iniciativa como a que pudemos presenciar ontem.

    Abraços a todos e muito rock, sempre!

  5. tentarei explicar um trecho do seu texto hugo,

    “É uma sensação estanha de que nada acontece e, ao mesmo tempo, que acontece coisa demais em todos os lugares e ao mesmo tempo”

    a sensação que nada acontece. é que está faltando coragem e grana aos pesquisadores e jornalistas sairem de verdade pela noite recifense., e quanto acontecer muita coisa é um fato. Pena que o provincianismo que ainda se encontra nossa fétida cidade não traz a tona, tamanha diversidade.

    o que acontece é que não estão inventando uma nova forma de vestir e nem enfiando parabólicas não sei onde…acontece apenas a mais pura efervecencia contra-cultural que recife não está pronta para absorver.. sempre esqueceram de divulgar…e isso fode mais ainda com tudo.

  6. Doutor Schobs (Fiddy) says:

    Desalma detonou! Concordo com cada palavra da matéria! Espero que o “dokinhas” se climatize, tava incrível o calor

  7. Pelos comentários o show foi massa! Infelizmente não pude ir!

    Desalma tem tudo e mais um pouco pra voar longe EUROPA/EUA!

    Eddie Cheever & LETHAL VIRUS

  8. Ninguém falou nada do cara, mas o baixista do Desalma bota pra fuder. E o guitarrista gigante não fica longe não. O conjunto da banda é perfeito e os caras tem tudo pra continuar seguindo em frente. É isso aew rapaziada.

    BOTAAAAA PRAAA FUDEEEER, POOORRAAAAAA!

  9. FIDDY É FODA! *_*
    ADOOOOOOOOOOOOOOOGO