As Mais Novas: Fim de Feira

Por Bruno Negaum em 21 de março de 2010

Mais um anos chegou, e a primeira “As Mais Novas” de 2010 vai falar de uma das bandas  pernambucanas que mais se destacou no ano passado, a Fim de Feira.

Tudo começou em 2004, quando um grupo de três amigos que faziam som juntos notaram que tinham em comum o interesse pela música popular e pela poesia oral nordestina. E aí eles decidiram montar a Fim de Feira, que começou despretensiosa, mas foi tomando forma na medida que eles tomavam gosto pela coisa e viam que esse projeto tinha potencial. Até que a turma foi crescendo, e crescendo, e hoje se resume à Bruno Lins, André Nunes, Tonzinho, Marcello Coelho e mais quatro músicos de apoio.

Com base no forró, a banda decidiu trazer mais ingredientes pra sua sonoridade e foi experimentando fazer misturas musicais com ritmos como choro, maxixe, baião, coco e cantigas, tudo isso com a presença forte da poesia de cordel. Suas canções retratam o dia-a-dia do povo pernambucano, de coisas que são importantes para qualquer ser humano; o amor, trabalho, saudade, perda, esperança… Desse jeito “sofridamente engraçado de levar a vida”, como eles mesmo defendem.

Em 2008, gravaram o disco “A Revolução do Pebas” com 14 músicas que contam com as participações especiais de João do Pife de Caruaru, Publius Lentulus (do Arabiando) e dos poetas Dedé Monteiro e Jorge Filó. E não é que esse disco rodou o mundo? Por conta da repercussão positiva, a Fim de Feira foi se apresentar em festivais pela Europa e dividiu o palco com grandes nomes da MPB como Luiz Melodia, Chico César, Xangai, Geraldo Azevedo, Renato Teixeira e Quinteto Violado, encantando a todos por onde passava. E eles ainda foram contemplados como vencedores do Prêmio da Música Brasileira 2009, na categoria “Melhor Grupo Regional”, e conquistaram vários admiradores, como Tibério Azul, vocalista do grupo Seu Chico: “Recentemente, ouvi do escritor Raimundo Carrero que não existe literatura universal, regional, moderna ou antiga, mas que existe literatura boa e ruim. Penso assim também para a música. Para mim não existe música regional ou universal, música local ou nacional, que nada. Para mim existem canções bonitas, apuradas composições, uma melodia envolvente e envolvida, um grupo entrosado – um bate daqui recebe lá, poesia, claro, e olhar poético para o mundo, um amor partido e outro ganho, um som bonito de ouvir, um disco gostoso de deixar tocando, assim, que nem o Fim de Feira.

E aí? Quer saber mais sobre a Fim de Feira?
Então, escute a música “Na Feira Não Falta Nada” (que está logo aqui embaixo), leia a entrevista e tire suas próprias conclusões!

Fim de Feira – Na Feira Não Falta Nada
[audio:http://www.reciferock.com.br/images/2010/03/fimdefeira-nafeiranaofaltanada.mp3]

Explica pra quem não conhece como é o som da banda. Que sons vocês curtem e quais são as suas influências?
As matrizes são inúmeras e das mais distintas. Trata-se de um som orgânico com elementos tradicionais como acordeom, bandolim ,viola e uma base rítmica que remete aos regionais da década de 50, com pandeiro, zabumba, triângulo e caixa. O universo da cantoria de viola sertaneja também conspira para influências de uma cultura mais tradicional, vinda do interior. Porém, o fato de pertencermos à cena musical do Recife abre espaço pra diálogos com tendências musicais multifacetadas, típicas dos grandes centros urbanos.

Se a gente pudesse exemplificar chegaríamos a nomes como Dominguinhos, Jacob do Bandolim, Sivuca, Pinto do Monteiro, Jacinto Silva, bem como Ave Sangria, Beatles e Bob Dylan, além dos mestres onipresentes Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro.

Vocês já tocaram por vários lugares do país. Conta pra gente como está a recepção da “Revolução dos Pebas“?
A Revolução dos Pebas” foi lançado em 2008 com shows em Recife, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Mais recentemente fomos à São Paulo gravar o programa “Ensaio”, da TV Cultura, onde o material foi consideravelmente bem recebido. Podemos dizer, a partir dessas experiências, que a música de Pernambuco é um paradigma de qualidade em qualquer lugar do país, independente do gênero.

Esse respeito facilita pela aceitação do público de fora mas dificulta pela responsabilidade de manter o alto nível. Independente desses fatores, achamos que o disco foi bem recebido porque imprime coisas novas à produção regional, saindo do óbvio e colocando elementos universais em diálogo com a nossa cultura local.

E o Prêmio da Música Brasileira? O que esse prêmio significou pro Fim de Feira?
Foi o nosso rito de passagem. Trata-se do reconhecimento nacional de um trabalho totalmente independente e autoral. O que prova que é perfeitamente possível falar da nossa cultura sem cair no lugar comum do folclorismo. A premiação também abriu algumas portas interessantes fora de Pernambuco, o que exige de nossa parte bem mais trabalho e profissionalismo.

É difícil ser um um grupo pernambucano?
Não, absolutamente. Ser um grupo pernambucano é algo que nos orgulha e até facilita nosso trabalho. O problema é como a cadeia produtiva da cultura se manifesta por aqui. A gente se refere a essa eterna dependência das ações governamentais, coadunada com a falta de interesse da iniciativa privada pela área cultural. É o gato correndo atrás do próprio rabo.

Por isso fica difícil as coisas acontecerem por aqui e muita gente se manda pro Sul ou acaba fora do país. A produção é intensa, com muita qualidade, mas em função desses gargalos acaba não escoando como deveria.

Quais são os planos futuros da banda?
Estamos produzindo nosso primeiro DVD, “Fazendo a Revolução” aprovado pelo Funcultura e que deverá ser lançado esse ano. Ainda em 2010, a gente deve sair em turnê pelo Brasil. Também tem um projeto muito legal em fase de captação que poderá levar o Fim de Feira, Rivotrill e Eta Carinae para shows na Europa e EUA, além de uma parceria com o músico norte-americano Rob Curto.

Quais são as melhores bandas pernambucanas na opinião de vocês?
Nação Zumbi, Silvério Pessoa, A Trombonada, Orquestra Contemporânea de Olinda, Rabecado, Alessandra Leão, Lula Queiroga, Cordel do Fogo Encantado, Vates e Violas, Tonino Arcoverde, Geraldo Maia, Quinteto Violado e João do Pife de Caruaru.

Indica pra gente novos grupos e artistas que vocês acham interessantes!!!
Em Canto e Poesia, Júnior Black, Herbert Lucena, Victor Camarotti & Banda Arquibancada, Rob Curto & The Groove, Quarteto Olinda, Arabiando, Khrystal, Zabumba,  Bacamarte e Júnior do Bode.

Gostou da Fim de Feira e quer escutar mais músicas do projeto?
Acesse já o seu MySpace!

Ah, e pra quem não sabe, As Mais Novas é um espaço aberto pra todo mundo, portanto mande já um e-mail pra reciferock@gmail.com falando do seu projeto ou da banda de algum amigo. Até mais!

5 Comments

  1. Felipe Buhler
    Posted 22 de março de 2010 at 15h26 | Permalink

    Gosto muito do trabalho do Fim de Feira, acompanho de perto, espero ve-los por em muitos shows, e quem sabe estourado por nosso Brasil! Abraço forte!

  2. Posted 22 de março de 2010 at 16h08 | Permalink

    Bruno, parabéns pela matéria.

    Sou fã desses caras e recentemente fiz um post no meu blog sobre eles. É som demais. Bom é ver ao vivo.

    Muito sucesso!

    abraço, Luiz.

  3. Posted 27 de maio de 2010 at 14h04 | Permalink

    Olá. Como faço para mandar um material para vocês resenharem (se quiserem, claro)? Obrigado.

  4. Posted 7 de junho de 2010 at 10h20 | Permalink

    Os caras são ótimos!
    O Bruno tem uma presença de palco fora do comum!
    Uma vez levei os caras pra tocar em Sertânia, no Festival do Bode, e não foi surpresa pra mim o fato da Fim de Feira ter sido a banda mais comentada daquele ano, e olhem que Geraldo Azevedo estava por lá!

  5. Ediane Fonseca
    Posted 22 de agosto de 2011 at 21h12 | Permalink

    Minha linda e aconchegante terrinha Belém do São Francsico -PE agradece tão maravilhosa presença. Certamente abrilhantou nossa festa!!