Clipping JC: Maquinado simplificado

Maquinado simplificado

JC Maquinado

Jornal do Commercio – 20.03.2010

Maquinado simplificado
Segundo CD do projeto solo de Lúcio Maia é mais convencional, e tem nas guitarras o prato principal do cardápio
José Teles

“A concepção deste segundo disco começou a nascer logo depois que lancei o primeiro, Homem binário, que levou dois anos para ficar pronto e teve muitas participações especiais. Pensei numa concepção diferente, uma parada mais convencional. Passei uns seis sete meses trabalhando neste outro, e só não ficou pronto antes por causa de datas em estúdio”. A explicação é do guitarrista do Nação Zumbi, Lúcio Maia, que lançou, quinta, no Sesc Pompéia, em São Paulo, Mundialmente anônimo – o magnético sangramento da existência, do Maquinado, seu projeto solo: “Foi muito bom o show de lançamento, e ficou bem fiel ao disco”, diz Lúcio, que apresentou o repertório de Mundialmente anônimo acompanhado por Rian Batista (baixo), DJ PG, Gustavo da Lua (percussão), Regis Damasceno (guitarra) e Beto Apnéia (bateria).

Se em Homem binário ele colocou a guitarra no mesmo nível dos outros instrumentos, e colocou voz em apenas duas faixas, no disco novo ele canta quase todas as canções, a exceção é em Tropeços tropicais, que tem como convidada Lourdes da Luz, do Mamelo Sound System, também parceria de Maia nesta faixa. (as outras participações especiais são de Mauricio Takara, que toca vibrafone, em Girando contra o sol, e Buguinha, que faz uma intervenção em Bem vinda ao inferno.

Não apenas isso, ele assina oito das dez faixas do CD, que tem ainda Zumbi, de Jorge Ben, e Super-homem plus, de Fred 04. Zumbi abre o disco. “Eu já vinha tocando Zumbi nos show do Maquinado, o caráter da gravação é bem didático, porque eu também tinha esta música, Dandara, a que foi a mulher de Zumbi, e ninguém sabe. Juntei as duas músicas.. Acho que um dos papéis do artista é este, de elucidar. Minha intenção de abrir o disco com esta música foi mostrar esta coisa bem do Brasil”, explica Lúcio Maia, que enxertou a voz de Arrigo Barnabé, numa sampleada do disco Clara Crocodilo.

Jorge Ben Jor, aliás, paira sobre o disco, está em várias faixas, e mais explicitamente no balanço de Girando com o sol, mas aqui o samba esquema novo está mais para o samba esquema noise mesmo. Zumbi é cantada sob o peso de uma guitarra de thrash metal.

As guitarras são o prato principal do cardápio. Em cada faixa elas soam diferentes: “Não uso efeitos especiais, não. Tenho uma variedade enorme de amps e pedais. Nunca fui de perder tempo em estúdio. O lance mais importante é o que a gente tem na cabeça, tanto que o primeiro take pra mim é o mais importante”, diz Lúcio Maia, que começou Mundialmente anônimo escrevendo as letras, depois vieram as melodias. No estúdio gravou primeiro os instrumentais, e em poucos takes: ‘Demorei mais nos vocais, pouco mais de uma semana gravando”. As músicas também variam muito de ritmo, embora o samba seja maioria, há entre as músicas até uma canção pop, com harmonias à Beatles, um hit radiofônico em potencial, chamado Pode dormir: “Sou muito a favor da diversidade musical. Faz parte da história da Nação e da minha história. E quanto mais você se diversifica mais chance tem de alcançar mais gente, mais pessoas vão lhe ouvir”. O CD foi bancado pelo artista e está saindo pelo selo Opium Records, criado por ele: “A partir de agora tudo que eu fizer fora da Nação Zumbi, trilhas, projetos, será lançado pelo Opium. Já cansou esta coisa de fazer para os outros. É um selo voltado para os meus anseios individuais”.

E Lúcio Maia, que fecha o disco com SP, a faixa mais barulhenta e caótica, pegou o ritmo da capital paulista, a cidade que não pode parar. Além do novo CD do Maquinado, ele está com vários outros projetos, dois deles bem encaminhados, e que devem chegar às lojas ainda este ano. O primeiro é o grupo Almas, que já está com o repertório gravado. A banda é formada por Lúcio Maia, Pupilo, Seu Jorge, e Antonio Pinto (autor de dezenas de trilhas sonoras para o cinema, entre as quais as de Central do Brasil e O menino maluquinho): “São releituras de músicas de Noriel Vilela, Tim Maia e outros caras, com arranjos totalmente diferentes. A gente usou baixo, bateria e guitarra, instrumentação básica, mas não é rock and roll, é mais tranquilo. Seu Jorge também toca, mas neste trabalho ele é apenas cantor. Cara, quando ele solta a voz é muito bom. O disco vai ser lançado primeiro nos Estados Unidos, por um selo de Nova Iorque”.

O outro projeto no qual Lúcio Maia trabalha é uma insuspeitada homenagem a Antonio Carlos Jobim, de cuja obra ele pinçou dez standards, arranjados à sua maneira: “É uma coisa subversiva mesmo. Não tem nada de bossa nova, terá muita guitarra, as canções vão ser gravadas em diversos ritmos, reggae, rock. Terá vários músicos convidados”.

fonte: http://jc3.uol.com.br/jornal/2010/03/20/not_370319.php

Posted segunda-feira, março 29th, 2010 under Clipping.

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2 comments

  1. Achei bom, Lúcio já deu uma cara para o seu Maquinado, mas prefiro o primeiro.

  2. Massa.. E o melhor guitarrista do Brasil, não dá pra ficar se escondendo. Dá-lhe guitar hero!!!!!!