Cobertura: Megadeth no Recife

Tudo saiu como previa o script de Mustaine. A plateia sabe que foi um show perfeito.

Dave Mustaine é uma das figuras mais interessantes da história do metal. Expulso do Metallica em seus primórdios por abuso de drogas (um feito e tanto, se levarmos em conta o histórico etílico e químico de seus ex-colegas de banda), resgatou uma composição sua do grupo, compôs outras e lançou, em 1985, “Killing is my Businsess and Business is Good”. Passou, a partir de então, a criar reputação como bom compositor e exímio guitarrista. Começou, também, a ganhar fama de temperamental e ególatra. Déspota, empregou e demitiu um número sem fim de bateristas e guitarristas. Só David Ellefson, o baixista, sobrevivia no seu posto.E, disco a disco, foi aprimorando as composições e criando uma obra bem original em meio à mesmice que costuma assolar o gênero. Em 1990, veio o auge, com “Rust in Peace”. No ano seguinte, vieram ao Brasil para tocar no Rock in Rio 2, e ganharam popularidade e até uma certa notoriedade no país.

Pois é. Esse sujeito, que escreveu parte da história do metal a partir de suas músicas, veio tocar na esquina da minha casa (precisava dizer isso!). E, impressionante, o tempo não passou para Dave Mustaine. Ele permanece o mesmo cara que eu via na televisão naqueles emblemáticos 1991.

Quando foi anunciada a vinda do Megadeth ao Recife, duas perguntas vieram instantaneamente na cabeça: Onde? Quanto? E, infelizmente, erraram feio nas duas respostas. A primeira, Clube Português, está bem longe do ideal para um show do porte do Megadeth. A segunda, entre 80 e 160 reais, é um tanto exorbitante (aliás, exorbitante é um baita de um eufemismo para “caro pra cacete”). Muito acima do poder aquisitivo de muita gente. E quase um assalto se levar em consideração a estrutura e  conforto que o local oferece.

Mas, mesmo com tudo isso, há de se reconhecer: o show do Megadeth vale cada centavo investido. E, ao contrário do que esperava, um público considerável compareceu ao show. Tímido em relação às proporções do Clube Português, embora pista e camarotes estivessem lotados. Como em todo grande show do gênero, várias gerações do metal se faziam presentes. Mas, o que me surpreendeu mesmo foi constatar que muita gente ali não tinha muita intimidade com a obra do Megadeth. Isso ficou evidente em várias músicas. No caso do “Rust in Peace”, tocado na íntegra e na ordem do disco, ainda se ouvia coros do público acompanhando as letras. Nas demais, um silêncio contemplativo dominava o lugar.

Coube ao Cruor, veterano da cena pernambucana, abrir o show do Megadeth. Só peguei as últimas duas músicas da banda, ou seja, não estou habilitado a dizer nada além do óbvio: o público reagiu bem. Aqui cabe um parêntese para algo que saltava aos olhos logo na entrada do Português: o tamanho do palco, provavelmente o maior que o clube já viu, com um recuo enorme atrás dele. Infelizmente, isso não resolveu o velho problema do lugar. O som continuava longe do ideal, e ficou embolado durante vários momentos do show.

E aí, o jogo começa. O baterista, mais um operário padrão da cooperativa Mustaine, entra em cena e faz pose de canastrão. O guitarrista, outro membro da classe operária, surge em seguida. David Ellefson, o baixista, entra depois. E, enfim, aparece a figura sinistra de Dave Mustaine, como de costume, com cara não muito amistosa. Antes de dizer qualquer palavra, ele e a banda atacam com “Skin O’ My Teeth”. Emendam com “In My Darkest Hour”, do “So far, So good, so What!”.Vem “She-Wolf”, e nada de Mustaine falar. Após a música, ele troca de guitarra. Reclina várias vezes para agradecer ao público. E, enfim, fala: “Boa noite. Esta é a primeira vez que tocamos no Recife”. E, de forma uma tanto cínica, provoca: “quero ver se vocês reconhecem isso”. E emenda com a abertura de “Holy  Wars”, momento em que, de fato, o Português explodiu. Para não deixar dúvidas de que tocaria o “Rust in Peace” na íntegra, vieram, em seqüência, “Hangar 18” e “Take no Prisioners”.

E aí começou a ficar nítido que todo o show era rigorosamente coreografado. As saídas de Mustaine para as laterais do palco, a posição exata em que cada músico deveria ficar em cada trecho de música. Nada saía do padrão. Ou seja, não havia espaço para improvisos. Nada era espontâneo. Cheguei a escutar relatos de gente dizendo que havia um cronômetro no palco que, em contagem regressiva, marcava o tempo de cada música, do bis, etc. Mas, quer saber? Dane-se tudo isso. Do mais importante ninguém podia reclamar: a música. Essa era executada de forma mágica, tal e qual como no disco. Riffs (Mustaine é o rei deles), solos, tudo perfeito. Até sua eterna voz de menino de 12 anos. Durante “Five Magics”, numa das mudanças de andamento da música, Dave aponta para alguém nas primeiras fileiras e pergunta: “você está bem?”. Se abaixa no palco, aponta para uma pessoa, examina rapidamente, concluí que está tudo ok e segue em frente tocando. Eis uma faceta de Mustaine que se vê muito pouco na mídia: a de alguém preocupado com o bem-estar de seu público.

O “Rust in Peace” permanece sendo maravilhosamente tocado, agora com o início do lado b (para os que têm o vinil). “Poison Was The Cure”, “Lucretia”, “Tornado of Souls”, “Dawn Patrol”, Rust in Peace…Polaris”. Quer saber como foi 80% do show do Megadeth? Coloque o “Rust in Peace” para tocar em casa. E imagine que o som está um pouco embolado. Foi mais ou menos assim.

Dave Mustaine agradece e sai do palco. Pouco depois volta, para uma bela seqüência com “Trust”,”The Right To Go Insane”,”Head Crusher” e “Symphony Of Destruction”, maior hit da banda, que contou com o coro do público de “Megadeth, Megadeth, Megadeth” acompanhando o riff da música, ritual já tradicional nos shows deles.

Mais uma vez, todos saem. Voltam e tocam “Peace Sells”, que pouca gente parece conhecer. Novo agradecimento. Tocam os últimos acordes de “Holy Wars”. São ovacionados. Tudo saiu como previa o script de Mustaine. A plateia sabe que foi um show perfeito. E Dave Mustaine sabe mais do que qualquer um ali.

Não sou ufanista. Não acho que Recife tenha entrado para o grande circuito mundial do metal. Mas, reconheço, é bem estranho ver o Megadeth na esquina da minha casa.

Público do show do Megadeth

Geral do Público

Começo do show do Megadeth

Posted quarta-feira, abril 21st, 2010 under Coberturas, Destaques.

16 comments

  1. quase perco o show..
    minha banda tocou na terça e soube que houve um atraso consideravel na abertura dos portões (Deus ouviu minhas preces)
    xD
    mas ainda cheguei a tempo de ver 80% do show..
    tava no finalzinho da Take, e puta que pariu, mesmo o som estando muito misturado foi “(Five) magico”!!!
    me senti um adolecente do mal novamente, aquele que fazia caretas p/ tirar fotos e talz..
    muito foda mesmo, sem noção!!!
    não tenho dq reclamar do set, tava magnifico , ja tinha até postado em algum tópico aki mesmo no RecRock, tava p/ dentro. só fiquei triste pq não peguei o Rust do inicio, mas paciência, p/ quem achava que ia perder o show, sai no lucro de um milionario!!
    :)

    que venha UFO agora!!
    :D

  2. quanto a preocupação de mustaine com o bem estar realmente houve e havia uma moça do meu lado que estava desmaiando, ele apontou para o segurança alguem na plateia e o segurança ia foi procurar quem era, e mustaine indicou quem era a pessoa!!!! apesar do som meio embolado foi um dos melhores que ja vi, valeram as 4 horas de maceio a recife, que venham mais shows!!!!!!!!!!!!!!!!!!!11

  3. o show foi realmente perfeito!!!!!!o som estava muito acima dos padroes do clube portugues !!!!!

  4. Samuel
    “muito acima dos padrões” é exagero..
    tava melhor (menos ruim se preferir) que o de costume, mas ainda assim tava longe do ideal

  5. LUIZ FERNANDO says:

    estava colado na grade, de frente para o Mustaine. Fui sozinho para o show. Curto a banda desde adolescente. Hoje tenho 33 anos. Foi fantástico. Realmente inacreditável. Nunca imaginava um dia poder assistir a um show do Megadeth, e de tão perto. VALEU RECIFE!!!

  6. Pô Hugo,e isso vale pra todo mundo que achou caro o show do Megadeth’.O Portugues não oferece as melhores condições e foi preciso gastar em camarotes,backstage ,estruturas de palco e principalmente no som que foi de Gabi Som o melhor da america latina.Já houve shows internacionais baratos por aqui que deixaram a toods com vergonha.Se o Recife vai entrar no circuito de grandes bandas internacionais a s pessoas vão ter que se acostumar com preços mais altos pois essas bandas não aceitam desrespeito com elas e seus fans.

  7. fui pro show e vi um dos melhores shows de metal em 20 anos de andança pelo brasil e outros países.ja tôquei várias vezes no clube português, com bandas de vários estilos e sempre foi uma merda a acústica do lugar. mas o show foi ali… fiquei atrás da mesa de som onde não emboloava tanto.quanto a performance da banda, é incontestável. ficar em algum lugar no palco e sguir um repertório e tempo de show, faz parte de um grande espetáculo, profissionalismo e contrato. espero que aconteçam mais e mais shows de metal em recife. não quero ser uma rota do metal mundial, mas que hajam mais shows do porte do deep purple, iron, overkill, symphony x, kreator ( quem nao lembra daquele show no náutico ), helloween, gama ray, entre outros. a cena metal do recife ainda é carente de grandes shows. espero que o recife tenha melhores lugares para shows de grande e médio porte. quanto ao preço do ingresso, temos que pagar por toda uma produão, para que o evento aconteça. bom, passei bons momentos no clube português.

  8. show fudendo! vi o primeiro deles no rock in rio e de fato tambem estava muito ansioso de ver o megadeth tocando pertinho de casa!! bati cabeça até o ultimo segundo! apresentação impecavel! o cruor abriu com competencia e energia! devia ser feriado toda quarta feira e na terça um show de death/trash pra garantir a alegria e a furia! sem mais! Rust in peace, fuckers!

  9. Foi ducAAAAAAAAAAAAAAA. Muito bom mesmo. Valeu cada centavo que eu gastei.

  10. Já vi o Andre Matos, no 1. show do Shaman no Portugues com um som muito , mas muito muito melhor que esse. Sinceramente, Usaram muito poucas Marshalls. Arisco a dizer que o Overkill no pequeno sport mes passado tava como mais som(guardadas as proporções do local). O que salvou e valeu o investimento foi ver uma Lenda Viva detonando(Embora nenhum gringo que tenha passado por aqui dê um bis descente) Eles devem derreter no calor de Hellcife!!!! Isso sim me impressionou pois ta la na frente a metros da banda. Que venha o SLAYER!!!!!

  11. Nossa Hugo, sua palavras colocaram o show como se fosse um acontecimento qualquer, sem a menor importancia que aconteceu na esquina da sua casa. Você foi bastante esnobe e parece que não valorizou tanto a presença de uma banda de grande porte, que é o Megadeth.

    Suas palavras realmente me enojaram e eu senti vergonha pelo seu post ter aparecido no site http://www.megadethworld.com. Se você não achou importante a vinda do Megadeth para RECIFE, não precisa depreciar tanto o show. Tivemos problemas sim, com o som, com o local e outros… Mas imaginei que já que tem um site como esse, você fosse valorizar um pouco mais os shows que temos aqui, ou pelo menos ser impessoal, já que isso não é um blog para você colocar suas opiniões pessoais (isso não foi uma boa atitude de um jornalista profissional).

    Bandas de rock e metal estrangeiras não vêm com frequencia para cá e p/ o resto do nordeste, mas já que estão começando a vir, Recife se tornou o centro do nordeste para shows desse tipo e já está se se tornando sim uma das paradas importantes das turnês de bandas de grande porte como o Megadeth e Iron Maiden.

    Espero que entenda a minha colocação como leitora, fã e como recifense.

  12. @Malu Aragão,

    Só pra esclarecer… o RecifeRock é meu site (ou blog ou qq coisa) onde (eu, hugo, negaum e os colaboradores) escrevemos nossas opiniões e assinamos todos os textos. O RecifeRock tem 7 anos no ar e mais de 2500+ visitantes únicos por dia… e bola pra frente ;)

    Foi muito bom ver o Megadeth no Recife, que venham mais shows gringos :)
    Pena que o público não tenha dado o retorno esperado :( Acho que não tinha 2000 pessoas lá… não deve ter se pagado o show :(

    @Pra geral…
    Quem quiser ler textos escritos por fãs pra fãs (só puxando o saco e rasgando seda)… tem vários sites de “metal” pra isso.

    ps. ao invés de fazer resenha da resenha… pq não deixam a opinião de vocês sobre o show?

    ps2. todos os comentários ofensivos foram deletados :)

  13. No texto sobre o primeiro dia do abril pro rock tive um comentário meu apagado e nele simplesmente falei o porque de não gostar do blayse bayle e do ratos de porão, será que isso é ofensivo para o reciferock?
    Quanto ao megadeth, gostaria muito de ter visto tal show, contudo, o valor do ingresso me impossibilitou, será que se essa apresentação fosse noutro lugar com maior capacidade e com ingresso mais barato, atrelado a uma divulgação maior, não proporcionaria um retorno financeiro melhor à banda e aos produtores?

  14. LUIZ VALENTE says:

    galera! vejam alguns vídeos do show do megadeth na minha conta youtube. basta pesquisar “lfgvalente”. façam comentários…..

  15. PARA MIM FOI MAIOR SHOW DA MINHA VIDAAAAAAA!!

  16. Morreu o maior cantor de ROCK de todos os tempos :RONNIE JAMES DIO Se querem saber algo de rock e metal escutem esse cara KILLLL THE KINGGGGGGGG……