Angra e Silent Moon em Caruaru

Por Recife Rock! em 23 de outubro de 2004

ANGRA E SILENT MOON EM CARUARU
data: 21/10/2004 (Quinta) – local: Sesc / Caruaru
com Angra (SP) e Silent Moon
Resenha por Filipe Sabino – Fotos por ( sem fotos )

Se o que o Angra queria era apagar a má imagem deixada em Recife, o objetivo foi alcançado em cheio
em 21/10/2004 por Filipe Sabino

Tarde de quinta-feira do dia 21 de outubro, lá estou eu na Blackout Discos me encontrando com o pessoal da banda Silent Moon para partirmos juntos para o terceiro e penúltimo show da turnê do Angra pelo nordeste. Destino: Caruaru.

Pela primeira vez o Angra tocaria em Caruaru e logo com um peso extra nas costas: Apagar a má impressão que tinha ficado no show da banda no Recife, segundo as resenhas que saíram na internet e em jornais da cidade, a banda estava ‘apática’ e sua equipe técnica teria destratado os membros do Silent Moon, banda que vem abrindo todos os shows da turnê pelo nordeste.

Depois de uma hora e meia de estrada, chegamos em Caruaru por volta das 18h, tempo suficiente para ver a passagem de som e bater um papo com os caras. Edu se mostrou surpreso com a repercussão do show do Recife e prometeu fazer um grande show.

Já se aproximava das 22h quando o Silent Moon subiu ao palco com sua bela introdução seguida da música que dá nome à banda. De cara a galera foi ao delírio com o som dessa banda que já conquistou os bangers recifenses e que agora abre um bom espaço também no interior dw Pernambuco. Logo em seguida mandaram o cover “Eagle Fly Free” da banda alemã Helloween onde ficou provado que o novo baterista, Guilherme de apenas 16 anos chegou e já conquistou seu espaço. Bela performance do garoto. Ainda mandaram “Fly to be Free”, a nova “Land of Dark” e fecharam com um cover arrasador de “Aces High” do Iron Maiden. O Silent Moon conquistou o público caruaruense e provou que está no mesmo nível das grandes bandas do cenário nacional.

Depois de pouco mais de dez minutos de intervalo começam a sair nos PA’s as primeiras notas de “Gate XIII/Deus Le Volt” e logo em seguida o Angra aparece no palco detonando com a ultra rápida “Spread Your Fire”, foi o suficiente para a galera ir à loucura total. “Waiting Silence” é mais uma música nova que já virou hit e agradou muito. Voltando ao Rebirth a banda tocou “Acid Rain”, seguida de “Nothing To Say”. Aí a casa foi abaixo. Nesse ponto do show já dava pra perceber que a banda estava realmente empolgada e que aquela seria uma grande noite pros mais de 1.500 presentes ao SESC.

De repente os roadies surgem no palco e armam um set de percussão. Um instrumento para cada músico. Viria então o maior momento da noite. O guitarrista Rafael Bittencourt começa a fazer uns batuques e aos poucos os outros membros o seguem num bonito solo de percussão que logo se torna a introdução de “Carolina IV”. Preciso fazer um comentário sobre essa música, foi incrível como os caras a executaram com uma vontade imensa, o que contagiou o público que gritou como louco a cada refrão da canção. “Angels And Demons” e “Wishing Well” deram sequência às músicas do novo CD. “Never Understand” com sua introdução à lá Luis Gonzaga alegrou o público caruaruense e foi mais um ponto forte da noite. Mais uma vez a banda voltou a tocar músicas do álbum antigo e executou “Millenium Sun”, “Heroes of Sand” e a balada “Rebirth”, que teve toda sua letra cantada em coro pela platéia.

Depois Aquiles desce do alto de sua bateria e se junta ao resto da banda e aos roadies que entram no palco com um bolo e cantam um animado parabéns pro aniversariante da noite Rafael Bittencourt. Após uma série de abraços, foi a hora de começar as brincadeiras. Kiko e Felipe tocaram novamente o “Parabéns Pra Você” em ritmo metálico e foram acompanhados por Aquiles que entrou tocando uma marchinha de carnaval. Momento descontraído e muito legal.

Voltando ao show, Rafael agradece a festa e com um violão começa a introdução da belíssima “The Shadow Hunter”. Música de alta qualidade com um violão flamenco muito bem executado por Rafael, um lindo solo de guitarra de Kiko e uma sequência de belos corais executados por toda a banda. Pagou o ingresso. “Temple of Hate” e “Carry On” vieram pra gastar o último gás da galera. A única nota negativa fica por conta do fato de Edu continuar sem conseguir alcançar muitas notas de Carry On, onde ele deixa a platéia cantar ou quando tenta, desafina. Mas nada que tire o brilho desse grande vocalista.

Logo em seguida a banda deixa o palco pra descansar pro famoso bis. Atendendo os gritos da galera, o Angra volta ao palco e executa a música que vinha sendo a última em todos shows da turnê: “Nova Era”. Quando todos achavam que o show havia acabado, um Kiko Loureiro empolgado como a muito não se via puxou “Hallowed be thy Name” do Iron Maiden que só foi cantada até o refrão. À partir daí, tudo era improviso. Depois de uma seqüência de introduções do Iron Maiden a banda resolveu executar “The Number of the Beast” na íntegra. Quem achava que dessa vez o show realmente havia acabado se enganou. Depois que os roadies já haviam levado a guitarra de Rafael e o baixo de Felipe, Aquiles tocou a intro de “Painkiller” do Judas Priest e foi acompanhado por Loureiro. Ai toda a banda voltou pra tocar, menos Edu, que já havia descido pro camarim. A música foi toda executada só no instrumental e teve apenas seu último refrão cantado por Edu Falaschi de trás do palco com um microfone sem fio. Achou pouco? Pois o Aquiles achou, e mandou a introdução de “Run to The Hills” do Maiden. Mas dessa vez a própria banda pediu pra ele parar. Com todo mundo rindo bastante Edu voltou ao palco e ainda cantou uns trechos de “Pegasus Fantasy” música de abertura do desenho animado Cavaleiros do Zodíaco, que foi gravada pelo próprio Edu. Dessa vez o show realmente tinha acabado, de uma forma altamente descontraída e poucas vezes vista.

Depois de assistir a muitos shows do Angra, cheguei a conclusão de que esse foi o melhor de todos. Performance irretocável de todos, sem contar com a empolgação e vontade de fazer um grande espetáculo.

Parabéns para a banda de abertura, para os produtores locais que levaram esse show de uma das maiores bandas de metal do mundo para o interior pernambucano e principalmente parabéns pro Angra, que mostrou por que está onde está.

Pra terminar fica uma frase: “Se o que o Angra queria era apagar a má imagem deixada em Recife, o objetivo foi alcançado em cheio.” O público de Caruaru agradece.

Links:
» Silent Moon no RecifeRock

——–

%d blogueiros gostam disto: