Rec-beat 2005 (Segundo Dia)

Por Hugo Montarroyos em 7 de fevereiro de 2005

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REC-BEAT 2005 (Segundo Dia)
data: 06/02/2005 (Domingo) – local: Caís da Alfândega (Recife Antigo)
com Mombojó, Otto, Ludov (SP), La Pupuña (PA) e Samba de Véio
Resenha por Hugo Montarroyos – Fotos por Bruno Negaum

em 06/02/2005 por Hugo Montarroyos

Se a primeira noite do RECBEAT 2005 foi marcada pelo poder de fogo dos Replicantes e do Faces do Subúrbio, o segundo dia, embora teoricamente mais “light”, foi igualmente incendiário.

Uma multidão de foliões (a maioria composta por adolescentes) marcou presença durante todos os shows do festival, comprovando a aceitação popular do RECBEAT, que chega à sua décima edição com status de um dos eventos mais importantes do calendário cultural pernambucano.

Infelizmente um engarrafamento monstro fez com que perdêssemos o show do local Samba de Véio

La Pupuña

Em compensação, chegamos em tempo de ver o endiabrado La Papuña, do Pará. Trata-se de uma banda que se dedica aos ritmos latinos e cujos músicos se dizem (e de fato o são) influenciados por Dick Dale e Beach Boys. Numa apresentação perfeita, o grupo colocou todo mundo pra dançar, apresentando um ótimo repertório amparado em salsa, rumba, merengue e que tais. Foi um show extremamente cativante, dançante e competente (e olha que este texto está sendo produzido por alguém que está longe de ser fã dos ritmos latinos). Mas a mistura de surf music e merengue comandada pela banda é simplesmente irresistível, e os paraenses são fortes candidatos ao título de revelação desta edição do RecBeat, fazendo a ponte sonora entre Belém e Hawaii. Saíram de cena aplaudidíssimos.

Ludov

Já o Ludov acabou sendo a grande surpresa da noite. Muitos fãs se espremeram na frente do palco para vê-los, provando que a banda está em pleno processo de ascensão. O Ludov faz um pop desencanado e ao mesmo tempo consistente, mostrando ótima presença de palco e uma sintonia perfeita entre os músicos, que foram responsáveis por situações extremas, onde ora predominava a suavidade, ora o peso. No momento mais hilário da noite, a vocalista Vanessa não se conteve e exclamou: “Que coisa linda! Tem gente até lá no fundo!”, constatação que foi respondida pelo público com um sonoro “dãaaaaaaan”. Mas a parte musical, que é o que de fato importa, foi impecável. Tocaram a ótima “Dois a Rodar”, uma espécie de neo-bolero em formato absolutamente pop. Outro bom achado foi “Gramado”, canção que transita entre a aspereza e o lirismo. Mas foi com o hit “Princesa”, insistentemente pedido pelo público durante todo o show, que o Ludov viveu seu melhor momento. A música foi simplesmente cantada em uníssono pela platéia. A resposta popular foi tão positiva que ao final do show a banda comemorou no backstage tal qual tivesse conquistado a Copa do Mundo. Eis aí um grupo que merece chegar ao primeiro escalão do rock nacional.

Mombojó

O Mombojó fez o melhor show da noite. Fantasiados, os integrantes da banda entraram no clima carnavalesco e produziram uma folia ao mesmo tempo psicodélica e nostálgica. A nova “O Mais Vendido” mostrou que o Mombojó permanece trilhando o caminho do experimentalismo, resultando numa balada climática que pisca o olho para a tradição e namora o futuro. Boa de palco e de improviso, a banda mandou ver a apropriada “Ritmo de Festa” (Frenéticas), imortalizada pelos programas de Sílvio Santos, e tocou a clássica marchinha “Aurora”. Mas foi com o repertório autoral que o Mombojó deitou e rolou. Numa ótima sacada dos caras, chamaram ao palco o grupo de dança do bairro de Casa Amarela “New Star Boys”, que fez uma coreografia memorável, no melhor estilo break, enquanto a banda sapecava “Cabidela”. E fecharam o set em clima de catarse com “Deixa-se Acreditar”, contando com o coral de milhares de vozes. Quando terminou o show, o vocalista Felipe S. me confidenciou: “Velho, estou emocionado”. E era para estar mesmo.

Otto

Otto mostrou sua faceta de showman. Recitou Manuel Bandeira, reverenciou o candomblé, batucou e desafinou um monte. Foi responsável por momentos de empolgação e outros tantos de tédio. Em apresentação onde predominou a irregularidade, com nítido excesso de batuque, o saldo acabou sendo positivo. Amparado por um bom time de músicos, com destaques para o baterista Carranca (ex-Sheik Tosado), o tecladista Ganjaman e o guitarrista Junior Boca, Otto terminou por conquistar o público com “Pelo Engarrafamento” e “Ciranda de Maluco”. Se Otto tem limitações vocais (coisa que fica evidente ao vivo), o cara consegue contornar e superar essa deficiência na base da garra e da vontade. Uma pequena e divertida confusão acabou roubando as atenções do show. Após Otto deixar o palco, o produtor Gutie pensou que o pernambucano tivesse dado o show por encerrado e começou a anunciar os DJ´s que tocariam na tenda eletrônica. Foi quando Otto, do backstage, gritou desesperado: “Avisa que eu vou tocar ‘Renault’”. Correu até o microfone, anunciou ao público que tocaria a música e pediu aos presentes um pouco de paciência, pois o guitarrista Ganjaman estava se aliviando no banheiro. Equívoco superado, guitarrista devidamente aliviado, Otto tocou Renault/Peugeot em versão mais cadenciada e saiu do palco no lucro, sendo festejado por músicos e jornalistas. Se não foi uma apresentação genial (longe disso), tampouco foi comprometedora. Foi o que Otto é: um cara que ainda vamos descobrir o que de fato é. E, para a noite de ontem, foi mais que suficiente.

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Links:
» Otto no RecifeRock
» Mombojó no RecifeRock

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