Dance Of Days (SP): ‘Sempre Uma Banda de Rock’

Por Recife Rock! em 28 de março de 2005

em 28/03/2005 por Bruno Negaum

Dance of Days - Divulgação

A terceira favorita da casa é bem conhecida no cenário hardcore brasileiro. Conheçam agora o Dance of Days!

O Dance of Days é de São Paulo tem nove anos de estrada e traz na bagagem quatro cd’s (“6 First Hits”, “A História Não Tem Fim”, “Coração de Tróia” e “A Valsa de Águas Vivas”), um split com o Dominatrix e um single. Além de banda, a Dance of Dances também é uma loja na Galeria do Rock.

A banda é formada por cinco integrantes: Fábio “Nenê” Altro no vocal, Marcelo Tyello na guitarra, Marcelo Verardi na outra guitarra, Fausto Oi no baixo e Samuel Rato na bateria.

Trilha Sonora: Baixe as músicas da banda no site Trama Virtual.

O vocalista Nenê Altro ao fundo e guitarrista Marcelo Verardi

Entrevistei por e-mail o vocalista e fundador do Dance of Days Nenê Altro. Falamos sobre a história da banda, a cena independente e o seu selo “Teenager In A Box”. Confira a entrevista abaixo:

Explica pra quem não conhece o Dance of Days como é o som da banda. Que som vocês curtem e quais são as suas influências?

Cara, essa é uma pergunta difícil de responder porque na verdade nem a gente mesmo sabe. Pra mim o Dance sempre foi e sempre vai ser uma banda de rock. E ponto. É a maneira mais ampla de descrever o que queremos com nossa música. Se as pessoas querem ou não classificar como hardcore, indie, emo, ou qualquer coisa assim, por mim tanto faz. Pra mim é rock. E quanto às influências, somos bem diferentes… Cada um escuta uma coisa. Vai de Thursday, que o Tyello e o Fausto gostam, até Trashman, que é mais a praia do Samuel. Ou vai de New Order que é mais a praia do Marcelo até Iggy Pop e Nick Cave, que é o que eu curto mais. Enfim… É uma mistura que trás resultados bem positivos.

As letras da Dance of Days falam de quê?

Eu escrevo as letras de uma forma bem pessoal, mas que eu acredito que seja fácil de identificar o conteúdo para quem acompanha meu trabalho, as coisas que escrevo. Não gosto de letras que tenham um sentido apontado e não deixem a pessoa que escuta colocar também um pouco de si nas palavras. Cada letra representa algo bem forte e específico pra mim, mas gosto de pensar que pode representar milhares de outras coisas para outras pessoas.

O baterista Samuel Rato

Vocês lançaram “A Valsa das Águas Vivas”, o quarto cd da banda, no ano passado. Fala um pouco sobre a gravação, as participações, como está sendo a aceitação e o que mudou do primeiro cd para cá…

Bom, “A Valsa” foi gravada ainda meio que com orçamento reduzido. Mas conseguimos nesse cd o melhor resultado de estúdio que tivemos até hoje. Dentro das condições apresentadas fiquei satisfeito. Só penso que, para um próximo, queria ter mais tempo livre de estúdio e recursos, o que implica mais investimento… Portanto não sei bem quando acontecerá isso… Só sei que prefiro esperar pra fazer algo bem mais forte. Resolvemos chamar alguns amigos para participar nesse disco. Já tínhamos feito isso antes no “História”. Tentamos achar pessoas próximas de diferentes meios com os quais interagimos. Foi assim que apareceram a Fernanda Takai do Pato Fu, o Badauí do CPM 22, o Henrike do Blind Pigs e o Jair do Ludovic.

Como são os shows de vocês? O que não pode faltar neles?

Cara, os shows são bem fortes. Costumo dizer que é a nossa terapia, pois não tocamos apenas para o público presente, mas para nós mesmos também. O que não pode faltar num show da gente é uma boa vibe e uma tomada estável. O resto a gente leva.

Quantas vezes já tocaram no Recife? É difícil vir tocar no nordeste?

Tocamos duas vezes no Recife. Ambas maravilhosas. Queríamos tocar mais vezes, mas realmente é difícil tocar no nordeste. Nas duas vezes que fomos acabamos tendo que colocar dinheiro do bolso e isso pra gente, que vive da banda, é complicado. Não tem mais como a gente fazer isso porque ninguém na banda tem uma grana ou coisa assim. Os shows da gente, se bem trabalhados, levam uma galera, então sabemos que é possível cobrir os custos de uma próxima turnê. Só falta rolar um produtor interessado em levar a gente de novo.

O guitarrista Marcelo Tyello

Como é pra vocês viajar pelo Brasil tocando o seu som pra uma galera

desconhecida? É verdade que vai rolar uma turnê pela Europa?


É sempre bom tocar em lugares novos, pois recebemos e-mails de todo país e sabemos que tem lugares que as pessoas esperam muito pelo show. E eu, particularmente, adoro pegar a estrada e tocar. É sempre uma experiência diferente, que te tira um pouco do circuito cotidiano. Muito bom. Por enquanto, a Europa está fora dos planos. Já pensamos nisso, mas agora não temos grana.

Vocês conhecem bandas de Pernambuco? Se sim, quais são?

Tocamos com algumas. Conheço Porão GB, Vende-se, Democratas, Devônia Charlotte, Devotos, Textículos de Mary, Cordel do Fogo Encantado e Mundo Livre S/A. Fizemos muitos amigos aí. Principalmente eu que passei uns dias a mais em Olinda e Recife. Tem mais outras bandas, mas de cabeça que me lembro agora são essas.

Como é o cenário independente no Brasil hoje? O que mudou desde a época que vocês começaram?

Cara, é uma coisa meio louca falar disso. Tem aspectos muito diferentes, porque são épocas diferentes. O Dance começou em 1997, mas minha primeira banda data, pelo menos, de 10 anos antes disso, no final dos anos 80. Cada época tem suas características, suas coisas ruins e boas. Hoje o que facilita é a internet, a comunicação e o intercâmbio. Mas os valores já são outros. Antigamente tinha mais aquele lance de movimento, de rebelião… Hoje já é outra coisa. Sei lá. Só sei que é bem legal pegar estrada e tocar. Hoje tem mais estrutura para os shows também. Eu não me importava com isso quando era moleque, mas hoje com 32 anos é algo em que sempre penso. Muda também o jeito que você vê as coisas. Mas em suma tudo está mais fácil e mais tranquilo. Vai ver esteve sempre caminhando para isso.

Nenê e Tyello

Fala um pouco sobre o selo de vocês, o Teenager In A Box, e sobre seus projetos paralelos…

A Teenager era a minha gravadora. Tá meio aposentada até segunda ordem. Não estou muito com cabeça para pensar em lançar bandas e encarar novamente um mercado fonográfico tão caótico. Eu e o Tyello tocamos no Sick Terror. Eu tenho uma outra banda chamada Nenê Altro & O Mal de Caim, que é meio que um lance solo meu com uns amigos. E o Fausto toca também no Eu Serei a Hiena. O Marcelo Verardi é DJ na cena pós-punk/gótica aqui e o Sam não tem outras bandas, mas quer montar um Guns cover.

O que é que tá rolando de rock em São Paulo?

São Paulo é uma cidade meio maluca. Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Show de segunda a segunda. Milhares de bandas. Milhares de cenas. É difícil descrever. A gente tem um circuito bom hoje aqui. Pelo menos para o Dance não há o que reclamar. Sempre tocamos em shows legais, pra bastante gente… As bandas mais antigas continuam na ativa… E tem uma molecada nova conquistando seu espaço. E não só no hardcore, mas no rock mesmo, no alternativo, em todos os segmentos. E está rolando mais espaço nas rádios, o que tem ajudado muito.

É isso! Se quiser acrescentar algo, o espaço é seu!

Queria agradecer pelo espaço e reforçar que queremos muito voltar a tocar pelo nordeste. Enquanto nosso site não retorna, nossa agenda de shows está em nosso fotolog. Queria aproveitar para agradecer à Brasil 2000 FM aqui de São Paulo, por toda força que tem nos dado, à Meteoro que fornece nosso equipamento de palco, à Orion que patrocina nosso baterista cavalo e à Sims que está sendo nossa parceira de estrada. Força a todos e nos vemos nos shows!!! Força sempre.

Nenê Altro deitado nas caixas de retorno

Links:
» Dance of Days no Trama Virtual
» Dance of Days – Fotolog Oficial

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