Abril Pro Brega 2005

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ABRIL PRO BREGA 2005
data: 02/04/2005 (Sábado) – local: Pavilhão do Centro de Conveções
com Michelle Melo, Kelvis Duran, Banda Nua, Banda Mega Star e Banda Metade
Resenha por Hugo Montarroyos – Fotos por Guilherme Moura

Abril Pro Brega mostra fenômeno de vulgarização…
em 02/04/2005 por Hugo Montarroyos

A idéia era simples e a pauta parecia ser mais que proveitosa; cobrir a segunda edição do “Abril pro Brega” e tentar estabelecer possíveis comparações com o “Abril pro Rock“. Investigar qual o público que freqüenta este tipo de evento, saber se as bandas tocam de fato ou se é tudo playback (tocam ao vivo, acredite), descobrir quantas pessoas estavam no pavilhão do Centro de Convenções e tal. Enfim, encarar o desconhecido e fazer o possível para não adotar uma postura preconceituosa. Tarefa difícil, reconheço.

Assim que estacionamos o caro, a primeira constatação. Mais de 90% do público tinha ido ao local de ônibus. Várias motocicletas estacionadas denunciavam que bregueiro gosta mesmo é de aventurar-se em duas rodas. no portão de entrada, o primeiro susto. Enquanto esperávamos a autorização para entrar no recinto, três moleques beirando os 15 anos eram expulsos aos empurrões pelos seguranças. Pensei: “vai ser uma noite daquelas”. Devidamente autorizados, resolvemos dar uma volta para sacar o perfil do público. Este era constituído em sua grande maioria pelas classes C, D e E. Uma quantidade absurda de loira oxigenada, e as roupas mais extravagantes que já vi na vida. Muitos jovens na platéia faziam passos de break. Já os casais tratavam de dançar na mais pura esfregação. Pelo menos dez mil pessoas compareceram ao evento, público maior do que muita noite do “Abril pro Rock“. Demorou uma hora para que eu me acostumasse ao ambiente local. Sem falar que todo mundo olhava para minha cara como se eu fosse o patinho feio, uma vez que eu estava com a camisa do RecifeRock. Quando me acostumei ao local, descobri a estrutura monstruosa do lugar: dois grandes palcos ladeados, como no Mada, estrutura de som e luz boa, e até telão. Foi então que percebi que a Banda Nua estava terminando seu show. Uma loira rechonchuda trajando um sumário biquíni verde (ou algo que o valha) agradecia a presença de todos, e dizia ter tido mais sorte desta vez, pois no ano passado a banda tocou muito cedo e para pouca gente.

Depois resolvemos ir até o backstage. Enquanto aguardávamos o ok para entrar, o segurança perguntou: “vocês só cobrem rock? Vão cobrir o Abril pro Rock? O Placebo é de onde?”. Depois da conversa com o gentil segurança, entramos no local. Uma profusão de moças em trajes mínimos, roupão ou fantasias de borboletas eróticas nos esperava. Enquanto isso, Kelvis Duran entrava no palco ao som de “Thriller”, de Michael Jackson, e vestido com a máscara da morte. Trash! Resolvemos dar uma volta e descobrimos que uma briga eclodia a cada meia hora. Aliás, o clima era tenso. Policiais revistando o público de quando em vez. Fez a noite de sábado do “Abril pro Rock” parecer festinha infantil.

De volta ao backstage, encontramos Michelle Melo (entrevista que vocês vão conferie em breve). Ela estava fantasiada de inseto sensual ou algo parecido. Antes do show, Michelle reúne suas bailarinas para rezarem. Muita fé e pouca roupa. Preces feitas, anúncio feito, ela entra no palco lépida e faceira. Troca de roupa umas quatro vezes durante o show, dando um banho de produção. Saiu de cena aplaudidíssima. no intervalo dos shows, somos apresentados aos patrocinadores e incentivadores do “Abril pro Brega”, dentre eles a Rede Globo Nordeste, a Folha de Pernambuco e as rádios Pernambuco FM, Tropical, Estação Sat e Caetés. Isso explica os quase dez mil presentes e o sucesso que o brega faz entre as camadas mais populares. É muito apelo midiático. Pro rock não sobra nem 1/8 disso.

Depois entra no palco a banda Megastar. Uma estrela gigante de isopor se abre no fundo do palco e o vocalista sai de dentro dela. Mas, para azar dele, sua estrela parece brilhar pouco e falta luz durante quase toda a apresentação do grupo.

Enquanto isso, na tenda eletrônica (sim, tinha uma) ouvia-se White Stripes, funk e brega eletrônico em ritmo funk.

Chegou então a vez da Banda Metade, e o mundo veio abaixo. A formação do grupo, como a de quase todos os que tocaram no festival, era composta por uma guitarra, um baixo, bateria, percussão, três metais, três vocalistas (sendo duas mulheres) e seis bailarinos. E aí começou a saraivada de apelações. Eis alguns achados poéticos das letras: “Eu fico toda molhada”. “Desse jeito vocês me matam” e, a melhor de todas, proferida pelo vocalista: “Não consigo mais viver na mão”, em clara alusão ao sexo solitário. Closes ginecológicos eram flagrados dos “helicópteros”, passo de dança onde o “cavalheiro” ergue a “dama” o mais alto possível para que ela abra as pernas numa contorção que trafega entre o erótico e o vulgar. O público, além de adorar, parecia querer estar no lugar das “damas”, principalmente as senhoritas da platéia, que se vestiam tal qual as dançarinas.

Depois deste exercício de sutileza, onde a mulher valia tanto ou menos que uma coxinha de galinha, resolvemos ir embora. Passavam das duas da manhã, e ainda se apresentariam 11 bandas. É triste, mas o brega é um sucesso, está na casa das camadas populares e está pronto para vulgarizar e fazer a apologia da mulher-objeto. E a mídia dá apoio. O público, como não tem acesso à mais nada (ou melhor, a indústria cultural não oferece outra opção de lazer para o povo), consome em ritmo alucinante. Paciência…

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Posted domingo, abril 10th, 2005 under Coberturas.

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